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CORPORALIDADE

KOPF, Gereon. Beyond Personal Identity: Dogen, Nishida, and a Phenomenology of No-Self. Hoboken: Taylor and Francis, 2012.

  • O termo shinjin datsuraku não implica uma existência descorporificada, mas a doutrina dogueniana da unidade mente-corpo — shinjin ichinyo —, uma transcendência existencial da dualidade mente-corpo expressa na concepção de corpo-mente — bodymind — de Shaner, cuja chave é a concepção de zazen como corpo vivo em interação mútua com seu ambiente.
    • Dogen emprega o termo “zazen” em duplo sentido — a prática da meditação sentada e uma modalidade existencial específica.
    • A atividade fundamental do zazen é a respiração; nas palavras de Dogen: “deve haver exalação e inalação” — traduzida filosoficamente como “tendo afinado corpo e mente, há exalação e inalação”.
    • A frase “há exalação e inalação” significa, à luz do shinjin datsuraku, a ausência de um sujeito — a respiração não é realizada por um sujeito, mas simplesmente ocorre.
    • O corpo humano que compreende a atitude existencial do zazen é o corpo vivo e concreto, distinguido do corpo-objeto morto por exibir uma interação animada com seu ambiente.
    • Dogen enuncia: “Estudar o caminho com seu corpo é estudar em seu corpo, é estudar o caminho deste pedaço vermelho de carne. O corpo emerge do estudo do caminho; tudo o que emerge do estudo do caminho é o corpo humano.”
    • Dogen distingue dois tipos de corpo — o “pedaço vermelho de carne”, corpo-enquanto-objeto anterior à transformação, e o “verdadeiro corpo humano” — designação de Nagatomo —, que é o corpo vivo além das dicotomias de corpo e mente, sujeito e objeto.
    • A diferença entre o “pedaço vermelho de carne” e o corpo vivo reside na função vital da respiração, que subjaz tanto ao corpo humano quanto a “tudo o que emerge do estudo do caminho”.
    • O corpo vivo funciona como terceiro termo filosófico que transcende as dicotomias epistêmicas de sujeito e objeto, self e outro, indivíduo e ambiente.
    • No fascículo “Shobogenzo Shinjin Gakudo”, Dogen afirma que “o corpo humano é indiviso em self e outro, o mundo inteiro das dez direções”.
    • Nishida concebe o corpo vivo como o basho — “lugar” — onde self e outro, indivíduo — kobutsu — e ambiente — kankyo — se encontram.
    • A respiração ilustra com maior vivacidade o caráter de terceiro termo do corpo vivo — estabelecendo um circuito de interdependência entre o corpo humano e seu ambiente, que se torna evidente quando esse circuito é destruído pela poluição atmosférica.
    • Yuasa denomina essa relação “circuito passivo-ativo de relação” conectando indivíduo e “espaço-de-vida”; Nagatomo a designa “bilateralidade entre o meditador e o mundo natural”.
    • Abe sustenta que a cosmovisão de Dogen é existencialmente “não-substancial” — após a perda do sujeito permanente, Dogen substitui as noções substanciais de sujeito e objeto por uma concepção bilateral do corpo vivo, ecoando a teoria budista da originação co-dependente.
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