HOMEM PERFEITO
PALLIS, Marco Alexander. A Buddhist spectrum: contributions to Buddhist-Christian dialogue. Bloomington, Ind: World Wisdom, 2003.
No entanto, existe também outro tipo de homem, aquele que, por si só, pode realizar a possibilidade humana em sua plenitude: é o homem que se identifica, em intenção e na prática, não com uma faculdade humana condicionada pelo samsara, mas com o próprio eixo do microcosmo humano, o fio da budidade que atravessa o coração de cada ser, de cada mundo. Para os seres periféricos, essa identificação só pode ser indireta e eminentemente passiva; mas para o homem, que é um ser axial por definição, ela pode se realizar de modo ativo, sem restrição de campo ou de finalidade. Trata-se, na verdade, da possibilidade do despertar integral, do “estado de Buda”, o que, aliás, justifica a afirmação presente nas Escrituras semíticas, segundo a qual o homem foi criado “à imagem de Deus”. Que chamemos o homem de “teomórfico” ou “budhomórfico”, isso pouco importa neste contexto.
