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budismo:stcherbatsky:causalidade

CAUSALIDADE

Th. Stcherbatsky. BUDDHIST LOGIC. VOL. I

MUNDO SENSÍVEL

CAUSAÇÃO

  • A teoria budista da causalidade é apresentada como dependência funcional entre instantes pontuais de realidade, nos quais cada elemento surge apenas em função de uma totalidade de causas e condições imediatamente antecedentes, sendo existência e causalidade termos equivalentes numa ontologia dinâmica de eficiência — :contentReference[oaicite:0]{index=0}
    • Kamalaśīla é mencionado ao afirmar que a teoria da causalidade constitui a joia principal da filosofia budista.
    • Um texto antigo é citado ao declarar que “todas as forças reais são instantâneas” e que a existência nada mais é do que eficiência causal.
    • A fórmula tradicional afirma que aquilo que existe o faz apenas enquanto exerce eficácia causal.
  • A negação budista da produção real sustenta que não há coexistência entre causa e efeito nem ação efetiva de um sobre o outro, pois ambos são séries de instantes sem duração, sendo a produção apenas uma sucessão condicionada — :contentReference[oaicite:1]{index=1}
    • A figura do oleiro e do vaso é utilizada para mostrar a crítica ao realismo que supõe simultaneidade causal.
    • A escola Vaibhāṣika é mencionada ao admitir causalidade simultânea, sendo criticada por inconsistência lógica.
    • A metáfora rejeitada da causa que “agarra” o efeito ou o produz como um agente humano é explicitamente recusada.
  • A causalidade é reinterpretada como mera relação de precedência e sucessão constante, em que a chamada operação da causa consiste apenas em sua anterioridade e a dependência do efeito em sua posterioridade — :contentReference[oaicite:2]{index=2}
    • Afirma-se que não há intervalo temporal para qualquer operação causal real.
    • A expressão “produção” é reconhecida como metáfora convencional inadequada.
    • A fórmula correta é dada como surgimento dependente de condições.
  • As três fórmulas fundamentais da Originação Dependente definem a causalidade como aparecimento condicionado, ausência de produção real e ausência de força intrínseca nos elementos — :contentReference[oaicite:3]{index=3}
    • A fórmula “isto sendo, aquilo aparece” expressa a dependência condicional.
    • A negação da produção real afirma que há apenas interdependência.
    • A afirmação de que todos os elementos são inoperantes nega qualquer força causal substancial.
  • A teoria budista se constrói em oposição às doutrinas do Sāṅkhya, dos realistas e dos materialistas, rejeitando tanto a produção a partir de si, quanto de outro ou ao acaso, afirmando apenas a dependência funcional — :contentReference[oaicite:4]{index=4}
    • O Sāṅkhya é mencionado ao sustentar identidade entre causa e efeito.
    • Os realistas são citados ao defenderem substâncias e relações de inerência.
    • A fórmula crítica afirma que nada surge de si, de outro ou sem causa.
  • A causalidade budista deriva diretamente da negação de substância e da afirmação de uma realidade composta por instantes evanescentes regulados por leis rigorosas — :contentReference[oaicite:5]{index=5}
    • A teoria anātman é mencionada como base dessa visão.
    • A consciência visual é exemplificada como dependente de múltiplas condições como olho, forma e atenção.
    • A sucessão noite-dia é usada para ilustrar causalidade sem continuidade substancial.
  • A identificação entre causalidade e realidade estabelece que existir é agir, sendo toda existência essencialmente atividade causal e toda não-causalidade equivalente à inexistência — :contentReference[oaicite:6]{index=6}
    • Śāntarakṣita é citado ao afirmar que existência é ação.
    • Uddyotakara é mencionado no debate sobre a realidade do não-causal.
    • Kamalaśīla corrige essa posição ao afirmar que o não-causal é irreal.
  • A distinção entre causalidade última e empírica decorre da diferença entre a realidade dos instantes e a realidade construída dos objetos empíricos — :contentReference[oaicite:7]{index=7}
    • Dharmottara é citado ao afirmar que apenas os instantes são reais.
    • A causalidade empírica é considerada real apenas de modo indireto.
    • A experiência não apreende causalidade diretamente, mas infere sua existência.
  • A causalidade é concebida como relação de múltiplas condições convergentes, rejeitando a produção por uma única causa e afirmando a necessidade de uma totalidade causal — :contentReference[oaicite:8]{index=8}
    • A fórmula afirma que nada surge do uno isolado, mas da totalidade.
    • O conceito de co-fatores é introduzido.
    • A crítica ao modelo antropomórfico de cooperação causal é desenvolvida.
  • A noção de causalidade como fluxo impessoal substitui a ideia de cooperação intencional, concebendo as causas como séries de instantes que convergem para produzir um resultado único — :contentReference[oaicite:9]{index=9}
    • Dharmottara distingue entre cooperação real e produção de resultado único.
    • As causas são descritas como “correntes” de momentos.
    • A causalidade é definida como relação muitos-para-um.
  • A multiplicidade causal é levada ao extremo ao afirmar-se a infinidade de condições envolvidas em qualquer evento, tornando impossível seu conhecimento completo exceto por um ser onisciente — :contentReference[oaicite:10]{index=10}
    • Vasubandhu cita Rahula ao afirmar a incognoscibilidade das causas.
    • A distinção entre causas diretas e indiretas é introduzida.
    • O exemplo do chefe da aldeia ilustra causa indireta por não-interferência.
  • A totalidade das condições do universo em um dado momento constitui a causa última de qualquer evento, sendo o efeito nada além da presença dessa totalidade causal — :contentReference[oaicite:11]{index=11}
    • O conceito de “causa geral” inclui todos os elementos exceto o próprio efeito.
    • A metáfora do broto ilustra a coincidência entre causa total e efeito.
    • A relação entre estado do universo e evento local é afirmada.
  • A teoria da causalidade fundamenta uma posição paradoxal sobre liberdade e necessidade, afirmando simultaneamente a existência de ação livre e a determinação causal universal — :contentReference[oaicite:12]{index=12}
    • Gosāla Maskariputra é mencionado como defensor do determinismo absoluto.
    • A tradição atribui a Buda a defesa da liberdade e da retribuição.
    • Vasubandhu é citado ao negar a autonomia do pensamento frente às causas.
  • A liberdade é reinterpretada como movimento necessário dentro de um processo causal orientado para a libertação final, sem sujeito substancial que a realize — :contentReference[oaicite:13]{index=13}
    • A ausência de ego é conciliada com a continuidade causal dos fenômenos.
    • A série de eventos é considerada o único “agente”.
    • A libertação é concebida como resultado necessário do processo.
  • A distinção entre ações fracas e fortes fundamenta a doutrina do karma, segundo a qual apenas atos voluntários intensos produzem consequências morais — :contentReference[oaicite:14]{index=14}
    • A vontade (cetanā) é identificada como fator determinante da ação.
    • Ações automáticas são descritas como sem consequência moral.
    • O karma é apresentado como lei causal específica da moralidade.
  • A liberdade budista é definida como liberdade dentro da causalidade, limitada pelas leis do surgimento dependente e orientada para a extinção final no Nirvāṇa — :contentReference[oaicite:15]{index=15}
    • Nāgārjuna é citado ao distinguir mundo fenomenal e absoluto.
    • A evolução moral do mundo é afirmada como progresso.
    • A extinção da causalidade coincide com a libertação final.
  • A doutrina da Originação Dependente apresenta múltiplas interpretações históricas, distinguindo-se entre formas hinayānicas pluralistas e mahayānicas monistas — :contentReference[oaicite:16]{index=16}
    • Vasubandhu é mencionado ao distinguir teoria geral e especial.
    • Abhidharmikas são citados como sistematizadores da teoria geral.
    • A distinção entre causalidade lógica e moral é estabelecida.
  • A teoria especial da Originação Dependente explica a continuidade moral sem sujeito substancial, através de uma série de doze elos condicionados que estruturam o ciclo da existência — :contentReference[oaicite:17]{index=17}
    • A ignorância é identificada como condição fundamental do ciclo.
    • Os estágios incluem vida passada, presente e futura.
    • A ausência de alma é conciliada com a continuidade causal.
  • A doutrina conclui que há ações e consequências sem agente permanente, sendo a sucessão dos elementos a única realidade subjacente ao processo moral e existencial — :contentReference[oaicite:18]{index=18}
    • A afirmação de que não há portador dos elementos é explicitada.
    • A fórmula da interdependência substitui a causalidade substancial.
    • A continuidade é atribuída apenas à série de fenômenos.
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