Da influência dos astros
Libro de las entidades, cap. I
Devemos alertar todos os médicos que as Entidades do homem são duas: a Entidade do Sêmen e a Entidade da Potência (Ens seminis e Ens virtutis), as quais devem ser cuidadosamente retidas e lembradas no momento oportuno. Agora, e como texto introdutório deste Tratado da Entidade Astral, enunciaremos um axioma que consideramos perfeitamente adequado. É o seguinte: “Nenhum astro do firmamento, seja planeta ou estrela, é capaz de formar ou provocar nada em nosso corpo, seja cor, beleza, força ou temperamento”.
No entanto, como se disse que a Entidade Astral pode nos prejudicar (loedere) de várias maneiras, devo dizer, por minha vez, que isso é falso e que é hora de banir de seus espíritos esses julgamentos absurdos, baseados na natureza ou na posição das estrelas, que só podem provocar risos.
Neste ponto, vamos parar, sem levar adiante este discurso contra nossos adversários: primeiro porque o objetivo deste Parêntese não é responder a cada momento a todas as questões que nos são propositadamente colocadas, para o que seria necessário dispor de uma quantidade de papel e tinta tão grande quanto deveria ser a nossa capacidade de responder, por mais assistidos que estivéssemos pela inspiração e pela ajuda divina. E, em segundo lugar, porque, apesar de terem compreendido que os astros não conferem nenhuma propriedade ou natureza individual, continuam a adotar a opinião contrária, com base no fato de que às vezes eles são capazes de nos atacar e até mesmo provocar a morte.
A verdade é que não é por termos nascido na linha de Saturno que nos corresponde uma vida mais ou menos longa; isso é perfeitamente vão. O movimento de Saturno não afeta a vida de nenhum homem e muito menos a prolonga ou a abrevia. Além disso, mesmo que esse planeta não tivesse ascendido à esfera celeste, haveria e existiriam homens dotados do caráter desse astro. E igualmente existiriam lunáticos, mesmo que nunca tivesse aparecido nenhuma lua na natureza do firmamento.
Também não deveis acreditar que a ferocidade e a crueldade de Marte sejam responsáveis pela existência e descendência de Nero, pois uma coisa é que ambas as naturezas tenham coincidido nesse ponto e outra é que se tenham misturado ou se tenham unido.
Como exemplo do que acabamos de dizer, lembraremos, entre outros, o caso de Helena e Vênus. Ambas eram, sem dúvida, da mesma natureza e, no entanto, Helena teria sido adúltera mesmo que Vênus nunca tivesse existido. Acrescentaremos que, embora Vênus seja muito mais antiga que Helena na história, as cortesãs existiram muito antes de ambas.
