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esoterismo:paracelso:corpo-espirito

Estrutura do Homem

BRAUN, Lucien; BERNARD GORCEIX; PIERRE DEGHAYE . Paracelso. Paris: A. Michel, 1980

Outra derivação — bastante semelhante à que acaba de ser discutida — em relação à concepção fundamental segundo a qual o homem é uma estrutura “corpo-alma” manifesta-se quando Paracelso evoca — embora raramente, é verdade — a unidade entre corpo e alma. Como observa Bornkamm, é no plano metafísico que o pensador busca tal unidade, pois trata-se, para ele, da unidade entre o divino e o natural. Pode-se afirmar, contudo, que para Paracelso essa busca é, ao mesmo tempo, e mais uma vez, a da unidade do homem: “Deve haver o corpo e o espírito; e ambos juntos constituem um homem único.” (I/X 651). É por isso que a iniquidade do pecador manifesta-se simultaneamente no domínio do corpo e do espírito. Essa unidade expressa-se também na responsabilidade total que caracteriza a existência humana. Além disso, a terminologia médica pode igualmente ser empregada para formular a ideia de unidade: Onde o espírito sofre, o corpo sofre; ou ainda: o espírito sustenta o corpo. Do mesmo modo, existe uma influência exercida pela imaginação sobre o corpo. Assim, há uma correlação entre o espírito e as enfermidades físicas; pois, embora corpo e espírito representem dois universos distintos, permanecem, contudo, ligados entre si, uma vez que o espírito provém do corpo. Por isso, Leibbrand vê nas teorias de Paracelso, especialmente no que concerne às “doenças invisíveis”, nas quais os fenômenos mentais repercutem sobre o estado do corpo, uma prefiguração bastante lúcida do que hoje se denomina medicina psicossomática.

Para Paracelso, portanto, o espírito é antes de tudo uma expressão do corpo vivo. Ele habita o corpo, e este não pode existir sem aquele. Em contrapartida, a alma possui, nesse esquema, a possibilidade de uma existência pós-morte.

Entretanto, os termos “espírito” e “alma” são por vezes empregados de modo sinônimo: No momento da morte, o espírito vai ao encontro do Senhor, enquanto o corpo retorna à terra. A distinção entre o “corpo elementar” e o “espírito astral” pode igualmente ser considerada como uma separação entre as disciplinas filosóficas, de modo que o espírito aparece aqui — juntamente com a “imagem” (biltnus) — como característica essencial do ser humano em oposição ao animal. No contexto da mobilidade da natureza em seu conjunto, o espírito humano também está em movimento, mesmo quando o corpo repousa. Todavia, o “corpo” pode igualmente ter o significado de “obra” que permanece afastada de Deus, pois somente “o espírito atinge Deus”. Resta, portanto, ao homem apenas o arrependimento, diante do qual se encontra o perdão divino. Uma expiação do pecado pelo corpo — isto é, por meio de uma ação física — é impossível. Consequentemente, a salvação não depende do corpo. Na morte, corpo e espírito se separam; mas o novo nascimento cria uma carne eterna.

Em contraste com a “carne de Adão”, grosseira e terrestre, a “outra carne” — que não provém de Adão e que é impalpável, pois não deriva da terra — pode atravessar as paredes; por isso é chamada “espírito”. Assim, “espírito” e “corpo eterno” tornam-se aqui sinônimos.

Todavia, é bastante difícil sistematizar essas conclusões. No essencial, pode-se admitir que o “espírito” é concebido por Paracelso mais no sentido de uma função do corpo do que como um domínio independente; está, portanto, muito próximo do “corpo”. “O espírito é vivo, e a vida é o espírito; a vida e o espírito movem todas as coisas, sendo, contudo, uma só e não duas.” (I/XIII 138). Essas considerações impõem a necessidade de completar o esquema antropológico com a noção de alma. A partir daí, resta apenas um pequeno passo para alcançar a tricotomia. A partir desse momento, com efeito, o ser humano poderá distinguir-se de tudo o que pertence simplesmente à natureza. É por isso que Paracelso ressalta mais de uma vez que os seres imaginários e os animais não possuem alma.

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