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esoterismo:paracelso:sonhos

Sonhos

Resumo da tradução francesa de Armel Guerne

1. As visões no sono dividem-se em naturais e sobrenaturais, sendo os sonhos naturais produto cotidiano da tristeza, da melancolia, da impureza do sangue ou das paixões que ocupam o coração durante o dia, de modo que o jogador sonha com o jogo, o guerreiro com a guerra, o ébrio com o vinho e o devasso com a luxúria, atiçando esse espírito noturno ainda mais seus desejos, ao passo que as práticas dos necromantes voluptuosos para provocar tais sonhos, com caracteres escritos em sangue ou objetos sob o travesseiro, jamais produziram nada de verdadeiro.

2. Os artistas, inflamados por um desejo ardente, receberam em sonho muitos ensinamentos de suas artes, atraindo pela imaginação o Evestrum de um filósofo que os instruía, revelações frequentemente esquecidas ao despertar, devendo quem as recebe permanecer só, em silêncio e em jejum até reconstituir o sonho, embora os sonhos naturais que alegram ou entristecem tendam a produzir nos fatos o efeito contrário e não mereçam excessiva confiança.

3. Os sonhos sobrenaturais são mensageiros criados e enviados por Deus, anjos e espíritos auxiliares que aparecem nas grandes aflições, como o anjo que advertiu os três Magos a não voltarem a Herodes ou os sonhos de José, Jacó, Ananias e Cornélio, revelações que ainda hoje ocorrem e, embora desatendidas, são verdadeiras e incapazes de enganar.

4. Essas aparições devem ser pedidas à misericórdia divina nas maiores aflições, pois a oração feita com fé verdadeira, de boca e coração, faz Deus enviar um mensageiro espiritual que adverte, consola, ensina e ordena.

5. A sabedoria de Balaão nessas visões noturnas, apesar de a Escritura chamá-lo feiticeiro, mostra que ela dá esse nome indistintamente a todos os versados no sobrenatural que não eram santos, porque Deus quer uma vida simples como a dos apóstolos e teme o abuso desse saber em prejuízo do próximo, não sendo feiticeiros todos os assim designados, como prova o caso dos três Magos, chamados magos por não terem abusado de sua sabedoria secreta, pois a magia manifesta pela fé sua maior força e só se converte em feitiçaria quando mal utilizada.

6. Alguns, em espírito durante o sono, foram arrebatados em Deus e contemplaram sua santidade, a alegria dos eleitos e os tormentos dos condenados, visões inesquecíveis acessíveis a quem pede a misericórdia divina com fé verdadeira, como as de Isaías e João, únicas dignas de crédito diante das visões enganosas da necromancia em espelhos, cristais, unhas, pedras ou água, cujos espíritos, por mais que jurem, não dizem a verdade sem ordem e permissão de Deus.

7. Dessas visões espirituais durante o sono procedem as verdadeiras clarividências concordes com as profecias, pois foi por elas que os profetas receberam os mistérios de Deus, devendo-se por isso fundar a busca na rocha da palavra e da promessa divinas e orar com fé reta, para que Deus cumpra prontamente o que prometeu.

8. Os espíritos ou Evestrum de pessoas falecidas há cinquenta ou cem anos que aparecem em sonho merecem grande atenção, não devendo suas mensagens ser tomadas sempre por fábulas, pois, se o homem conservasse no sono a mesma razão que tem desperto, poderia interrogá-los e obteria a verdade sobre qualquer coisa.

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