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LINGUAGEM DO SONHO (SCHUBERT)
SCHUBERT, Gotthilf Heinrich von. La Symbolique du rêve. Paris: A. Michel, 1982.
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A natureza distinta da linguagem onírica.
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No sonho e no delírio pré-sonolento, a alma parece falar uma linguagem totalmente diferente da habitual.
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Objetos e propriedades designam pessoas, e qualidades ou ações se apresentam sob forma de pessoa.
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As ideias estão submetidas a uma outra lei de associação, mais rápida, misteriosa e breve que no estado de vigília.
A eficiência expressiva do sonho.-
Com um pequeno número de imagens misteriosas, a linguagem onírica expressa em pouco tempo mais coisas que muitas horas de palavras.
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Aprendemos num sonho breve mais que em horas de linguagem ordinária, sem lacunas, num contexto coerente mas particular.
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Esta linguagem de abreviações e hieróglifos aparece, em muitos aspectos, mais apropriada à natureza do nosso espírito que a linguagem habitual de palavras.
Comparação entre a linguagem onírica e a linguagem verbal.-
A linguagem onírica é infinitamente mais expressiva, mais rica e menos dependente da cronologia.
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A linguagem verbal deve ser aprendida; a onírica é inata.
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A alma tenta usar esta linguagem própria assim que se liberta do confinamento habitual (sono, delírio).
A metáfora do feto e do ventríloquo.-
A tentativa da alma de usar sua linguagem no estado liberto é comparada a um bom andante, ainda feto no ventre materno, tentando executar os passos futuros.
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Se trouxéssemos à luz esses “disjecta membra” de uma vida originária e futura, só poderíamos balbuciar na língua dos espíritos ou obter efeitos de ventriloquia.
O poder e vantagem da linguagem onírica sobre a ordinária.-
Esta linguagem tem tanto poder sobre as forças do eu íntimo quanto o canto de Orfeu sobre a natureza sensível.
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Possui outra vantagem importante: o curso dos eventos da vida parece organizar-se segundo uma lei de associação própria ao destino, semelhante à que rege o encadeamento das imagens oníricas.
O destino e a alma falam a mesma linguagem.-
O destino (em nós e fora de nós) fala a mesma língua que a alma no sonho.
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Por isso, ao usar sua linguagem de imagens oníricas, a alma produz combinações impensáveis na vigília, liga habilmente o futuro ao passado, e seus cálculos se mostram exatos.
A previsão onírica como uma álgebra superior.-
A alma prediz frequentemente o futuro com justeza.
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Esta maneira de calcular e combinar é uma forma de álgebra superior, mais simples e fácil, mas que só o poeta oculto em nós sabe manejar.
A universalidade da linguagem onírica.-
Esta linguagem não é diferente segundo as pessoas, nem autocrítica segundo o arbítrio de cada individualidade.
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Aparece bastante semelhante em todos os seres humanos, com no máximo nuances dialetais.
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Exemplo hipotético: no templo de Anfiarao, o selvagem americano e o neozelandês entenderiam mutuamente sua linguagem de imagens oníricas.
Variações dialetais dentro da universalidade.-
A riqueza lexical, extensão e fineza variam, como numa língua comum (ex: Platão vs. marinheiro do Pireu; dama de honra vs. camponesa).
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Almas vulgares falam um “patois”; outras mais cultivadas, um dialeto mais elaborado (ex: baixo-alemão vs. alto-alemão na região do Schein).
As “Chaves dos Sonhos” e sua validade parcial.-
Parte do conteúdo das Chaves dos Sonhos funda-se em observações pertinentes e repetidas; outra parte é constituída de interpretações fantasiosas.
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As Chaves de diferentes nações mostram concordância no essencial, não apenas por influência cultural comum (ex: Cardano em latim).
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Estudos objetivos e relatos de viajantes sobre povos da América do Norte levam a princípios de interpretação semelhantes aos das Chaves, conhecidos dos simples por experiência ou tradição.
Exemplos de imagens oníricas e suas interpretações confirmadas.-
Serão evocados exemplos de uma Chave dos Sonhos comprovada, cujas interpretações foram parcialmente confirmadas por observações posteriores.
Os graus do sonho: do imperfeito ao perfeito.-
O estado em que a alma pensa e age em sua linguagem metafórica com coerência representa um grau superior e mais perfeito do sonho.
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Existe um grau menos perfeito, mais próximo da vigília, no momento de adormecer ou no semi-sono, que representa a passagem para o sonho verdadeiro.
A coexistência e mistura incoerente das duas linguagens no adormecer.-
Neste estágio, as duas regiões distintas com suas duas linguagens caminham ainda lado a lado e se misturam de maneira incoerente.
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Exemplo: pensar a palavra “escrever” e ter ao mesmo tempo a imagem de duas pessoas, uma carregando a outra.
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A razão desperta prega ainda um momento em sua linguagem de palavras, enquanto o estado de sonho, aparecendo atrás dela, executa gestos insolentes (como uma criança atrás de outra rezando), até que a razão adormece e o universo onírico aparece em liberdade.
A variação do modo de expressão metafórico no sonho perfeito.-
A compreensão é mais ou menos fácil. Por vezes um sonho profético apresenta os eventos do dia seguinte exatamente como se apresentarão na vigília, se se prestam a uma representação imagética.
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Ou imagens misteriosas se misturam bizarramente.
Exemplos de sonhos premonitórios.-
Sonhar com a chegada de um amigo distante, que surge no dia seguinte; mas o que ele tinha a dizer no sonho era mimado ou revestido de expressões metafóricas.
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Sonhar com um amigo em boa saúde numa sala cheia de sangue, dizendo ser seu aniversário; no dia seguinte, assistir inesperadamente à autópsia desse amigo morto subitamente na mesma sala vista no sonho.
A fidelidade do sonho como espelho da vigília.-
As coisas expressas no sonho perfeito, na medida em que apresentam parentesco com o mundo do sonho (ou do sentimento), conservam frequentemente a expressão e o contexto habituais da vigília.
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Apenas pensamentos isolados são caracterizados seguindo o modo simbólico próprio do sonho.
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Graças a esta parentesco, o sonho é em muitos indivíduos um espelho fiel do estado de vigília.
A necessidade de tradução do sonho.-
Noutros casos, a expressão metafórica do sonho é tão afastada da expressão verbal da vigília que necessita primeiro de uma tradução.
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Passa-se então a falar deste linguagem simbólica que caracteriza o sonho.
Primeira classe de palavras da linguagem onírica: imagens com significado análogo à expressão poética comum.-
Exemplos:
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Caminho por espinheiros ou montanhas abruptas: desagrados e obstáculos no curso da vida.
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Caminho gelado: situação penosa e perigosa.
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Trevas: aflição e melancolia.
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Receber um anel: noivado.
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Flores: alegria.
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Riacho seco: ausência.
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Estar encerrado numa fortaleza: estar acamado.
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Visita do médico: doença.
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Advogados: despesas.
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Ver alguém partir em viagem ou barco: deixá-lo para a vida.
Segunda classe: a significação por oposição (contrarium).-
A alma designa por uma imagem exatamente o contrário do que ela significa na vida quotidiana.
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Usa imagens alegres para designar eventos tristes, e imagens tristes para eventos alegres.
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O “estranho poeta oculto em nós” parece achar um prazer bizarro no que nos entristece e ter uma ideia muito grave de nossos prazeres.
Exemplos de contrarium.-
Choros e aflição: frequentemente uma alegria próxima.
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Desolação e tristeza: designadas pelo riso, dança e jogo.
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Comédias alegres, jogos de cartas, música alegre (sobretudo de violinos): anunciam violenta disputa ou desagrados.
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Só o canto: presagia algo bom.
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Túmulo ou cortejo fúnebre: anunciam frequentemente um casamento.
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Ver alguém se casar: significa frequentemente a morte dessa pessoa.
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Verbo “nascer”: morte próxima do doente.
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“Aniversário de nascimento”: dia do falecimento.
Terceira classe: o sonho como desprezo ou ironia em relação a coisas valorizadas na vigília.-
A imagem escolhida joga com coisas muitas vezes estimadas.
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Exemplos:
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Lama: significa dinheiro.
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Comer terra ou apanhar bugigangas: tornar-se rico e amassar tesouros.
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Dinheiro: designado por botões, manchas no corpo e outras coisas desagradáveis.
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Grandes riquezas: representadas por imagem do fogo infernal ou da possessão diabólica.
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Dinheiro e bens: aparecem como animal de carga (alusão também à “doce metade”).
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Mendigos, prostitutas e embriaguez: simbolizam a felicidade material.
Exemplos de contrarium aplicado a bens materiais.-
Pequena soma de dinheiro: indica contrariedade.
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Má transação: anunciada pela imagem de um grande lucro.
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Receber golpes e ferimentos de alguém: anuncia, ao contrário, presentes e bens materiais que o sonhador deve esperar dessa pessoa.
O sonho como lembrete do lado funesto da felicidade terrestre.-
A promessa de felicidade material próxima é frequentemente prefigurada pela imagem do caixão.
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Muitas pessoas, perante a promessa de felicidade material ou ascensão social, veem em sonho a imagem do próprio funeral.
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A cruz (símbolo habitual do sofrimento): significa triunfo sobre inimigos e glória.
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Ver lírios florescer: indica que se zomba do mundo e o despreza.
Quarta classe: palavras baseadas em relações de reciprocidade mais profundas, próximas a uma “linguagem da natureza”.-
Cada objeto tem uma propriedade que muitas vezes não tem relação com as propriedades que lhe conhecemos.
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Exemplos:
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Nossas próprias paixões e desejos: materializados por imagem de bestas hediondas e aterradoras que mimamos no colo ou protegemos.
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Simpatia por uma pessoa: representada por um raio de sol que sai do peito da pessoa amante e se dirige ao amado.
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Cor amarela (paisagem banhada pela luz do outono): significa luto.
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Cor vermelha: pressagia alegria.
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Certos objetos naturais (cebola, salsa): significam mágoa e aflição.
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Sal: anuncia acesso de febre.
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Terremoto: mal universal.
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Eclipse solar, tempestade ou meteoros: presságio de dor ou luto profundo.
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Pastores e chefes de povos: aparecem como touros e rebanhos (a cabeça do touro já significa poder).
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Cargo honorífico ou título de marido: aparecem como cavalo.
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Violenta disputa: aparece como camelo.
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Umbigo (pelo qual o feto já está em relação com seu entorno): simboliza a pátria ou os pais lá deixados.
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Ouvido e outras partes do corpo (dentes, mãos, coxas): indicam parentes próximos.
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Ombro: uma companheira de leito.
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Abelha: fogo.
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Vinho: poder.
Ações simbólicas com significação particular.-
Exemplo: calçar ou descalçar um sapato: estabelecimento ou ruptura de uma relação entre duas pessoas de sexo diferente.
Dialetos inferior e superior da linguagem onírica.-
A maior parte dos exemplos dados pertence provavelmente ao dialeto inferior; a maioria das observações o concerne.
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O dialeto superior parece concordar inteiramente com a linguagem tratada no capítulo seguinte.
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Ambos têm um parentesco muito estreito; a compreensão de um a partir do outro é possível.
A significação destes hieróglifos oníricos foi primeiro estudada nos sonhos premonitórios.-
Contudo, a alma não exerce essa faculdade de combinar profeticamente em todos os sonhos.
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Assim como na vigília, refere-se tanto ao passado ou aos desejos e necessidades presentes quanto ao futuro.
A natureza variada dos sonhos.-
Grande parte dos sonhos, como grande parte das conversas de vigília, é constituída por um verbiagem oco e insignificante.
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Às vezes, a alma se desforra no sonho de todas as tagarelices inúteis que lhe são negadas durante o dia.
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Almas profundas, que parecem não ter meio de expressão na vigília, encontram um, mais poderoso e rico, no sonho.
Os sonhos não-proféticos também usam imagens misteriosas.-
Mesmo nos sonhos não proféticos, a alma utiliza, para designar os objetos, imagens misteriosas semelhantes às dos sonhos proféticos.
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Assim, grande parte dos sonhos é apenas repetição de coisas passadas ou o jogo desenfreado de nossas inclinações e desejos, ambos se desenrolando num universo de imagens estranhas e signos misteriosos.
A reflexão abstrata no sonho e sua relação com o verdadeiro universo onírico.-
Quando a alma se abandona no sonho a reflexões sobre assuntos abstratos com o vocabulário comum e o modo de pensamento da vigília, encontramos entre esta situação e o verdadeiro universo do sonho o mesmo antagonismo que entre as devaneios fantásticos da vigília e o verdadeiro mundo da vigília.
A hipótese de um grau de sonho mais profundo e inacessível.-
É mais que provável que exista um grau de sonho mais profundo, do qual raramente subsiste uma lembrança ao despertar, ou no máximo uma reminiscência obscura.
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Está separado do estado de vigília por um abismo tão profundo quanto a “clarividência magnética”.
Os efeitos residuais destes sonhos superiores.-
Estes sonhos superiores deixam subsistir ao despertar um certo estado de alma e uma boa parte de pressentimentos (ex: o da morte próxima), dos quais se conhecem tantos exemplos.
A importância do universo onírico para a formação e o florescimento do espírito.-
O universo onírico desempenha geralmente um grande papel na formação e florescimento do nosso espírito.
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O grau superior do sonho parece merecer um estudo mais aprofundado.
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O psicólogo não terá dificuldade em encontrar muitas marcas dele.
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