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Pietro Negri – Texto Alquímico Italiano
- Em 1910 foi publicado um pequeno trabalho intitulado A Little Book of Alchemy Written on Lead Plates in the 14th Century, editado por Angelo Marinelli com prefácio de Cesare Annibaldi, contendo a reprodução de um livreto hermético original em placas de chumbo.
- O texto original é um livreto retangular de 36 páginas feito de placas de chumbo de cerca de um milímetro de espessura.
- Marinelli e Annibaldi dataram o livreto do século XIV, mas Carbonelli, em Sulle fonti storiche della Chimica e dell'Alchimia in Italia (Roma, 1925), comparou-o a outro texto similar em chumbo preservado no Arquivo Diplomático Florentino e atribuiu ambos à primeira metade do século XVI.
- Pietro Negri defende que o livreto publicado por Marinelli é ainda mais tardio, datando da primeira metade do século XVII, e que a questão não é apenas de natureza erudita, pois está ligada ao controverso problema histórico da relação entre Hermetismo e Maçonaria.
- A capa do livreto traz no centro da primeira página a imagem do sol com rosto humano, rodeado de raios alternados retos e ondulados, e na quarta página a imagem da lua crescente com rosto humano cuja barba pontuda forma uma das extremidades.
- O texto é intercalado por ilustrações reproduzidas, mas não fotograficamente, por Marinelli.
- A primeira prancha representa um carro adornado puxado por quatro cavalos acima das nuvens, com uma figura humana completamente vestida e aureolada segurando as rédeas em uma mão e um chicote de muitas cordas na outra.
- Marinelli concluiu que a figura representa a Aurora em seu carro iluminado pelo sol visível no canto superior direito, pois o rosto é imberbe.
- Na base da ilustração lê-se: “Pater eius est Sol; mater eius est Luna” (Seu pai é o sol; sua mãe, a lua), frase da Tábua de Esmeralda atribuída a Hermes, “Pai dos Filósofos”.
- O cocheiro lembrando o “Carro Triunfal do Antimônio” de Basilius Valentinus (1604) e o “Auriga ad quadrigam auriferam” de Nicholas Barnaud (1601); os quatro cavalos representam os quatro elementos; as nuvens indicam que a cena ocorre no céu e não na terra, devendo-se buscar um sentido espiritual e não material.
- A segunda página mostra um homem barbudo e seminú com uma foice, sentado sobre um montículo de terra sob uma árvore, com o símbolo de Saturno no peito e a inscrição que identifica a figura como pai e mãe, a pedra dos filósofos.
- Saturno é a divindade itálica dos campos semeados (Varrão escreveu que Saturno recebe o nome da semeadura) e carrega a foice pela colheita vindoura.
- Alquimicamente, Saturno é o chumbo, o metal de que é feito o próprio texto alquímico, considerado pelos antigos alquimistas egípcios como progenitor dos outros metais.
- O peso específico do metal e o movimento lento do planeta Saturno, o mais distante da terra entre os conhecidos na época, tornaram o chumbo símbolo natural do que no ser humano é espesso, lento e pesado, ou seja, todo o organismo corpóreo, correspondência confirmada por uma estrofe francesa de seis versos que indica que ao nome de seis letras de uma parte do homem, acrescentando um P e permutando o S em M, se encontra o verdadeiro nome da Matéria dos Sábios.
- A terceira figura do livreto hermético representa o Rebis, ou hermafrodita hermético, símbolo provavelmente o mais importante do Hermetismo, rastreável de alquimista em alquimista até Zosimus Panopolitanus, iniciado nos mistérios egípcios no fim do século III ou início do IV d.C.
- Segundo Zosimus, trata-se do grande e divino mistério, o objeto buscado, o Todo; duas naturezas, uma essência, sendo uma a água prateada, o hermafrodito que sempre escapa e é sempre atraído pelos próprios elementos, a água divina que o mundo inteiro negligenciou.
- Em Zosimus, esse caráter andrógino é atribuído ao Mercúrio (hidrargirum dos gregos, o mercúrio vivo).
- O símbolo do Rebis aparece nos textos latinos alquímicos medievais mais antigos, que são traduções ou derivações diretas de textos árabes ou hebraico-árabes, sendo designado como “Magnésia”, “pedra Diabessi” e com o singular título de Rebis (res bis, “coisa dupla”).
- Em escritos atribuídos a Rosino, anteriores a 1330 (ano em que Pietro Bono cita Rosino), lê-se: “Toma a pedra encontrada em toda parte, chamada Rebis… que significa binas res, ou duas coisas, a saber o úmido e frio e o seco e quente.”
- O alquimista Richardus Anglicus, contemporâneo de Pietro Bono, descreveu a pedra como Rebis (res bina, coisa dupla), feita de corpo e espírito branco ou vermelho.
- Lorenzo Ventura de Veneza disse que o Rebis é composto do esperma do macho e do menstruo da mulher, nascido do vermelho e do branco.
- A lista de autores herméticos que escreveram sobre o Rebis inclui também Gaston Claveus, Filaletes e Ireneus Filaletes.
- A partir da segunda metade do século XVI, surgem em livros e manuscritos herméticos diversas representações gráficas do Rebis como ser andrógino, e é necessário discuti-las brevemente para estabelecer a origem e a data do andrógino representado no livreto hermético em questão.
- A representação mais antiga conhecida encontra-se na segunda edição (1593) do De Arte aurifera, cuja décima figura mostra o andrógino hermético de pé sobre a lua crescente, com asas nas costas, segurando na mão direita uma taça da qual emergem cabeças de três serpentes e na mão esquerda uma serpente enrolada, com uma ave à direita e uma pequena árvore com seis pares de faces lunares à esquerda.
- A décima sétima figura da mesma obra é variação da décima, com o andrógino vestido em vez de nu, de pé sobre um montículo do qual emergem três serpentes, com asas de morcego, um cisne ou pelicano com um filhote à direita e a mesma árvore à esquerda, trazendo no topo a inscrição “Perfectionis ostensio” (representação da perfeição).
- Michael Maier descreveu essa figura como expressão do compêndio de toda a arte em descrição alegórica em versos alemães da figura bicéfala de aparência masculina e feminina.
- Três anos após a última edição do De Arte aurifera, uma famosa obra hermética introduziu uma inovação importante na representação do Rebis: a substituição dos símbolos herméticos nas mãos pelo esquadro e o compasso, os dois símbolos mais importantes da Maçonaria.
- A segunda edição do Theatrum Chemicum (Estrasburgo, 1613) contém a Aureliae Occultae Philosophorum Partes duo, identificável com o Azoth de Basilius Valentinus, cuja quinta figura representa o Rebis totalmente vestido, com os pés sobre um dragão alado de quatro patas que cospe fogo, sobre um globo alado contendo uma cruz, um triângulo equilátero e um quadrado com os números 1, 2, 3 e 4.
- O Rebis de Basilius Valentinus segura na mão direita um compasso e na esquerda um esquadro; no peito lê-se “Rebis” com as letras invertidas como em espelho, e do centro do peito irradiam os símbolos astrológicos dos sete planetas e os símbolos alquímicos dos sete metais correspondentes, dispostos em círculo começando pela esquerda (parte feminina): Saturno, Júpiter, Lua, Mercúrio, Sol, Marte, Vênus, com o símbolo de Mercúrio no centro superior entre as duas cabeças.
- O Rebis na variação de Basilius Valentinus tornou-se um símbolo hermético muito popular graças à importância desse autor, aparecendo nas edições francesas do Azoth (Paris, 1624; 2ª ed., 1659) e na terceira edição do Theatrum Chemicum (1659-61), bem como na 140ª gravura do terceiro volume da Basilica Philosophica de Mylius (1620) e no Hortulus hermeticus de Daniel Stolz (Frankfurt, 1627).
- O símbolo surgiu apenas em 1613 e difundiu-se na primeira metade do século XVII, chegando a reproduções mais recentes por Silberer, Poisson e Wirth.
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