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3 Círculo

COOPER, J. C. Symbolism: The Universal Language. Wellingborough: Aquarian Press, 1982.

1. A forma circular exprime a perfeição natural, a integridade arquetípica e a divindade, representando uma totalidade cujo centro pode estar em toda parte e cuja força se movimenta tanto para o interior quanto para a circunferência, como no símbolo indígena norte-americano do Sol Emplumado.

2. Por não apresentar começo, fim ou orientação privilegiada, o círculo simboliza a eternidade e a superação do espaço e do tempo, enquanto suas manifestações como esfera ou roda exprimem a recorrência e o movimento cíclico.

3. Os símbolos pré-históricos do círculo e do centro alcançam grande complexidade no mandala, que reúne circunferência, quadrado ou cruz e foco central numa imagem do universo destinada à contemplação e à peregrinação interior, conduzindo ao centro protegido como sede do poder e passagem para o domínio celeste.

4. A organização do templo como mandala representa o universo por níveis e orientações cardeais, reunindo tempo e espaço numa montanha cósmica, enquanto suas figuras demoníacas exprimem forças psíquicas, paixões e desejos que ameaçam ou impedem a progressão em direção à luz.

5. A disposição defensiva de construções em círculos e quadrados preserva um centro sagrado, como na fundação de Roma, em que o altar central e a delimitação circundante reproduziam simbolicamente a estrutura do universo.

6. A repetição do centro sagrado manifesta a necessidade humana de atualizar formas arquetípicas em todos os níveis da existência, desde a organização de comunidades e acampamentos até a distinção entre o dinamismo circular e a estabilidade quadrangular, conservando os sentidos de espaço sagrado, totalidade e divindade.

7. O movimento circular introduz os símbolos da roda, do sol, do tempo e do destino, articulando a complementaridade entre os poderes solares masculinos e lunares femininos e representando, no hinduísmo e no budismo, os ciclos e limites da manifestação, os centros espirituais e a atuação da lei cósmica.

8. O eixo imóvel que torna possível a rotação simboliza o centro estável de toda transformação e a condição do sábio realizado, cuja quietude permite agir em harmonia com a vontade celeste sem perder a paz interior.

O tempo

1. O tempo reúne criação e destruição, sendo representado como força devoradora e como sucessão de ciclos cósmicos, enquanto a Grande Mãe manifesta essa ambivalência tanto em figuras nutridoras e protetoras quanto em divindades obscuras associadas à morte, exprimindo a transformação contínua que não equivale necessariamente ao progresso.

2. A recorrência das estações manifesta o ciclo de nascimento, desenvolvimento, morte e renascimento governado pela Grande Mãe, no qual a vida permanece latente durante o inverno e retorna na primavera, oferecendo o modelo arquetípico da iniciação que conduz da infância à maturidade.

3. A morte iniciática do nascido duas vezes reproduz a descida da semente à escuridão antes do renascimento, fundamentando a realização de cerimônias em cavernas, cabanas escuras ou estruturas que representam o ventre de um monstro.

A urdidura e a trama

1. As deusas lunares tecem o destino e a existência mediante a roda e o fio, enquanto a trama horizontal representa a matéria, a temporalidade e a condição feminina variável e a urdidura vertical exprime a essência, a atividade e o princípio masculino solar, cuja união forma o tecido cósmico e a complementaridade dos opostos.

2. As divindades fiandeiras e as três senhoras do destino relacionam a produção e o corte do fio vital às fases lunares, ao passado, presente e futuro e ao nascimento, vida e morte, transmitindo aos contos populares a presença de três figuras mágicas e o caráter por vezes ameaçador da fiação e da tecelagem.

3. Os relógios simbolizam a passagem irreversível da existência, mas a ampulheta acrescenta o movimento de descida da alma ao mundo e de retorno às origens quando invertida, exprimindo a renovação cíclica de todas as formas de vida e a possibilidade de acesso à eternidade quando a experiência mística suspende o tempo.

4. A fórmula “Era uma vez” remete à Idade de Ouro e à harmonia paradisíaca entre todas as criaturas, cuja perda desperta uma nostalgia ainda presente no desejo de refúgios tranquilos, jardins secretos, ilhas felizes e lugares afastados das pressões da vida urbana.

A totalidade

1. O círculo representa sobretudo a totalidade arquetípica na qual os pares de opostos se integram, como no yin e yang, cujas partes contêm reciprocamente o princípio da outra e dependem de uma interação dinâmica que sustenta a harmonia cósmica, enquanto seu desequilíbrio produz desordem e sua reconciliação conduz à unidade final.

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