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Simbolismo

COOPER, J. C. Symbolism: The Universal Language. Wellingborough: Aquarian Press, 1982.

Os símbolos e o arquétipo

1. A vida cotidiana é profundamente influenciada por símbolos transmitidos através de séculos, culturas e religiões, embora frequentemente sejam reduzidos a sinais exteriores, perdendo-se a compreensão de que, enquanto o sinal atende a finalidades práticas, o símbolo contém um significado arquetípico interior que conduz a realidades superiores.

2. O simbolismo constitui uma herança viva que surgiu naturalmente da necessidade de expressar realidades além dos limites das palavras e permanece presente em práticas universais, como os adornos nupciais que conservam antigos significados de virgindade, fecundidade e união.

3. Embora a maioria dos símbolos tenha raízes religiosas e rurais, sua presença continua a envolver habitantes urbanos, industriais e céticos, que frequentemente desconhecem seus significados, mas experimentam uma nostalgia desses símbolos e das formas de vida progressivamente destruídas pela modernidade.

4. A compreensão dos símbolos torna-se especialmente necessária diante do desmoronamento dos valores e da perda de sentido que acompanham a prosperidade material, pois a descoberta da identidade e do lugar do indivíduo no universo exige ultrapassar o domínio material e alcançar a dimensão espiritual.

5. Compreender os símbolos permite reconhecer as raízes de comportamentos instintivos, crenças, medos e práticas universais, enquanto as superstições constituem formas sobreviventes de antigos significados já esquecidos, que continuam atuando como vestígios de concepções outrora vivas.

6. A descida de Papai Noel pela chaminé conserva o simbolismo da abertura do teto como Porta do Céu e passagem entre mundos, pela qual o espírito humano ascende e as forças celestes descem à Terra, fazendo dos presentes natalinos dádivas provenientes diretamente do céu.

7. Os símbolos formam uma linguagem internacional, mas permanecem dinâmicos e capazes de acumular sentidos diferentes ou opostos conforme as culturas e épocas, como a serpente, que pode representar sabedoria, poder espiritual, renovação e renascimento, assim como mal, veneno e morte.

8. A multiplicidade dos significados simbólicos corresponde à diversidade da natureza e à posição humana no cosmos, permitindo integrar o indivíduo aos ritmos naturais e às totalidades mais amplas da sociedade e do universo.

9. O simbolismo pode revelar ou ocultar significados em níveis exotéricos e esotéricos, desempenhando nas sociedades secretas e nas iniciações a função de conduzir o indivíduo para além dos limites da razão e dos sentidos, em direção ao infinito e ao sobrenatural.

10. A origem simbólica da linguagem esclarece a precedência da poesia na expressão dos sentimentos e do assombro diante do universo, tornando a experiência poética um meio de reconhecer a posição humana e sua capacidade de conferir significado às coisas.

11. A presença humana transforma os elementos inanimados em expressões significativas, fazendo dos ventos vozes e emoções e despertando o respeito pelo valor transitório do ser humano e o desejo de compreender sua verdadeira natureza, sua posição e seu destino.

12. Símbolo e arquétipo não são idênticos, pois o arquétipo constitui o princípio ou modelo primordial que somente se manifesta mediante imagens concretas, cujas diferenças decorrem das condições de sua expressão e não de uma alteração da unidade originária que representam.

13. Por derivar do arquétipo, o símbolo deve reconduzir a ele e possibilitar a união da mente finita com o infinito.

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