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DOADORES
PROPP, V. Historical roots of the wondertale. Tradução: Miriam Shrager; Tradução: Sibelan E. S. Forrester; Tradução: Russell Scott Valentino. Bloomington, Indiana, USA: Indiana University Press, 2025.
O pai morto.
- O instituto de iniciação e das casas para homens não é a única base de origem do conto de fadas, pois o tema continuou a se formar e o clima histórico modificou a vida do tema.
- A maga não é o único doador do conto de fadas, e os novos doadores doam o mesmo que a maga doava: um ajudante, sendo que o cavalo substitui os animais selvagens comandados pela maga.
- Os novos doadores também se conectam com o reino da morte e com o mundo dos antepassados, e o doador masculino, um antepassado, substitui a maga.
- Na fábula Sivko-Burko, o pai moribundo pede aos filhos que durmam sobre a sua sepultura por três noites seguidas, e Ivàn, o Tolo, vai e recebe um cavalo do pai que sai da sepultura.
- A força do herói ou o serviço prestado ao morto não é claro, e há duas hipóteses: o ato de sentar-se na sepultura é uma forma de sacrificio propiciatório ou uma forma de ato apotropaico para manter o morto na sepultura.
- Nos materiais etnográficos, senta-se na sepultura para obrigar o defunto a voltar para dentro dela, caso saia, assegurando a sua paz no além.
- No motivo do morto que doa o cavalo, há a representação dos antepassados que são fortes por estarem no outro mundo, donde provêm todos os princípios.
A mãe morta.
- Nos contos de fadas que têm uma jovem como protagonista, é a mãe que lhe entrega o ajudante, como a boneca que come e dá conselhos.
- Frequentemente a mãe ajuda a filha desde a sepultura, como no conto A guaina de porco e na fábula da Gata Borralheira.
O morto agradecido.
- Qualquer morto a quem se preste um serviço pode cumprir a mesma função de doador, e o herói que sepulta o morto adquire um ajudante na pessoa do morto.
- Em uma variante da fábula das maçãs que rejuvenescem, o herói sepulta um valente que jazia em terra como um cão, e este lhe agradece e lhe regala o seu cavalo.
- Em uma variante de Sivko-Burko, três valentes decapitados são sepultados por Ivàn, que recebe em dom três cavalos.
A cabeça de morto.
- O herói que sepulta a cabeça de um valente morto na areia recebe instruções sobre onde encontrar bagas encantadas.
- A cabeça de morto insepulta pode ser a representação de um morto inquieto que se ergue para encontrar quem o sepulte, e o morto sepultado e agradecido se torna um doador que doa uma espada, um cavalo, bagas encantadas ou um conselheiro.
- A cabeça de Mimir, na Edda, que é preservada e à qual Odino confere a fala, serve de ponte para explicar o costume de conservar as cabeças ou os crânios, que representavam o morto e o obrigavam a ajudar os vivos.
Conclusão.
- Entre os doadores, distingue-se um grupo particular, o dos mortos, que inclui a maga, os genitores defuntos, o morto e a cabeça, todos funcional e historicamente aparentados.
- A entrega do objeto encantado por parte da maga não é motivada exteriormente por nada, e o rito se cumpre justamente para procurar esse objeto.
- Com o surgimento da agricultura e da sucessão masculina da linhagem, aparece o antepassado-masculino, nasce o culto dos avós e surge o pai-doador, o pai-antepassado.
- O caráter da ajuda prestada pode mudar com a evolução histórica: os pais-doadores são invocados para a caça, doam a fertilidade ou ajudam na batalha.
- O pai que doa Sivko-Burko é um examinador que recompensa o herói por ter superado a prova, revelando-se um motivo muito antigo, porém posterior à maga.
- Com o declínio do culto dos avós, o pai desaparece, permanece o morto como tal, o exame desaparece completamente, o serviço prestado passa para o primeiro plano e nasce a imagem do morto agradecido.
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