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CONTO COMPLEXO

THOMPSON, Stith. The folktale. Berkeley: Unv. of California Pr, 1977.

1. O MARCHEN E FORMAS NARRATIVAS RELACIONADAS

  • O mapeamento da área do Atlântico até os confins da Índia revela grandes diferenças na atitude dos contadores de histórias em relação ao seu material tradicional.
    • Distinção nítida entre lendas supostamente verdadeiras e contos puramente ficcionais entre os irlandeses; raridade dessa diferenciação na Índia; dificuldade dos estudiosos em chegar a definições válidas para as diversas formas dos contos; indefinição das categorias ao serem aplicadas a áreas geográficas distantes.
  • Na língua inglesa há pouca tentativa de estabelecer distinções nítidas entre as formas de narrativa oral tradicional.
    • Uso vago do termo folktale para cobrir todo o alcance da narrativa oral; aplicação das expressões conto maravilhoso ou conto de fadas para histórias repletas de prodígios incríveis; contraste com as lendas baseadas em fatos; validade prática da distinção geral entre a lenda e o conto ficcional em grande parte da área euro—asiática.
  • As diversas expressões para folclore ou conto de fadas em outras terras além da Inglaterra são usadas de maneira vaga e descuidada.
    • Termos conte populaire em francês, Märchen em alemão, eventyr em norueguês, saga em sueco e skazka em russo; tentativa especial dos alemães de alcançar exatidão com a palavra Märchen.
  • O esforço de estudiosos alemães para definir o Märchen resultou em definições essencialmente particulares e divergentes do uso comum.
    • Trabalhos laboriosos de Albert Wesselski; uso frouxo do termo na coleção Kinder— und Hausmärchen dos irmãos Grimm; presença de lendas de santos, contos piedosos da Idade Média, piadas e anedotas na coleção dos Grimm; análise de Wesselski sobre Branca de Neve, O Gato de Botas e João Fiel; conclusão de que o Märchen típico é um produto do Renascimento não anterior ao século dezesseis.
  • Os contos populares mais conhecidos podem existir de forma independente do estilo muito especial popularizado por autores específicos.
    • Estilo popularizado por Perrault e Grimm; necessidade de retroceder além do século dezesseis e para muito além da Europa Ocidental na história dos contos populares; exclusão de várias versões de contos conhecidos caso o termo Märchen seja restrito ao estilo sugerido por Wesselski.
  • O número de contos populares considerados fictícios com circulação na Europa e no oeste da Ásia é indicado por catálogos especializados.
    • Lista no Aarne—Thompson Types of the Folk—Tale; registro de cerca de setecentas histórias; alcance desde o incidente mais simples até o conto maravilhoso mais complexo; origem e história principal centradas na área em questão, apesar da migração para a África ou América.
  • As sutilezas estilísticas possuem pouco valor para o agrupamento prático de contos que assumem formas variadas em diferentes terras.
    • Distinção útil entre o anedota simples e o conto longo e complicado; anedota consistindo geralmente em um único motivo narrativo sem exigir grande habilidade ou memória; propriedade para ocasiões sociais particulares; ausência de linha absoluta entre os grupos quanto à origem ou função.
  • O estudo direciona sua atenção exclusivamente para os contos da Europa e do oeste da Ásia que apresentam complexidade estrutural.
    • Adiamento de anotações sobre anedotas simples; dificuldade de classificação satisfatória devido à série considerável de motivos; história complexa por existirem em muitas terras e por longos períodos; revisão de contos, tramas, tratamentos e conclusões válidas de estudiosos.

2. ADVERSÁRIOS SOBRENATURAIS

  • Em quase todos os contos de fadas complicados existe algum tipo de conflito onde o herói deve superar obstáculos para ganhar sua recompensa.
    • Confronto com adversários sobrenaturais em séries de histórias na área europeia e do oeste asiático; natureza variável do oponente entre as versões; exemplos de dragões, animais horríveis ou monstros indefinidos.
  • As narrativas relacionadas a aventuras com oponentes sobrenaturais são bem definidas e estão entre as mais conhecidas.
    • Caráter instável do oponente principal; ampla circulação das histórias na área estudada.
  • O resumo das conclusões acadêmicas anteriores não tenta fornecer informações bibliográficas detalhadas, mas indica caminhos para estudo comparativo.
    • Referências em Aarne—Thompson Types of the Folk—Tale ou Thompson Motif—Index of Folk—Literature sob os números adequados; atenção especial para obras marcadas com uma ou duas estrelas; consulta a Bolte—Polívka quando houver referências.
  • A consulta de obras específicas é recomendada para o acompanhamento da distribuição de materiais tornados disponíveis recentemente em vários países.
    • Highland Scotland por McKay; Indonésia por DeVries; China por Eberhard; Norte da África por Basset; Lituânia por Balys; Rússia por Andrejev e Afanasief; Porto Rico por Boggs; Missouri francês por Carrière; Virgínia por Chase.
  • O estudo da dispersão de um conto pela Europa pode ser exemplificado pelos contos intimamente relacionados Os Dois Irmãos e O Matador de Dragões.
    • Type 303 correspondente a Os Dois Irmãos; Type 300 correspondente a O Matador de Dragões; incorporação de quase todo o conteúdo de O Matador de Dragões na construção de Os Dois Irmãos; análise de Ranke com setecentas e setenta versões de Os Dois Irmãos e trezentas e sessenta e oito de O Matador de Dragões; conhecimento de cerca de mil e cem exemplares de O Matador de Dragões.
  • A análise de Ranke permitiu chegar a uma forma do conto que parece incluir todos os elementos originais derivados para as outras variantes.
    • Reconstrução envolvendo um casal pobre com um filho e uma filha; herança de uma casa pequena para a menina e três ovelhas para o menino; troca das ovelhas por três cães maravilhosos; encontro com um velho ou mulher e recebimento de uma espada ou vara mágica; propriedade da vara de matar tudo o que for atingido.
  • O herói chega a uma cidade real em luto e descobre a exigência de sacrifício de uma donzela para um dragão de sete cabeças.
    • Cidade coberta de pano preto; informação obtida em uma estalagem sobre a causa do luto; dragão habitante de uma montanha vizinha; sorteio da princesa para o sacrifício; promessa real da mão da princesa e de metade do reino para o salvador.
  • O jovem enfrenta o monstro com a ajuda de seus animais e derrota o dragão cortando todas as suas cabeças.
    • Chegada ao local simultaneamente à princesa trazida pelo cocheiro do rei; auxílio dos cães para imobilizar o dragão; corte das línguas das cabeças do dragão e guarda no bolso; desejo do herói de vagar por aventuras antes de receber a recompensa; acordo de tempo para reencontro e exigência de silêncio da princesa.
  • O cocheiro do rei ameaça a princesa para que ela declare ter sido ele o matador do dragão perante o monarca.
    • Ameaça de morte sob juramento; apresentação das cabeças do dragão ao rei como testemunho; marcação do casamento; adiamento da cerimônia pela filha até a data acordada com o verdadeiro salvador.
  • O verdadeiro herói retorna à cidade no dia do casamento e prova sua identidade usando as línguas do dragão.
    • Decoração da cidade em vermelho; envio dos cães com mensagens e cestos para a mesa real; reconhecimento dos animais pela princesa; declaração do herói no castelo; demonstração de que as cabeças trazidas pelo cocheiro não possuem línguas; encaixe perfeito das línguas retiradas do bolso; reconhecimento pelo rei e execução do casamento; punição do impostor.
  • A história relacionada de Os Dois Irmãos fornece um número maior de exemplos dos episódios de matança do dragão, prova das línguas e casamento.
    • Existência de cerca de oitocentas histórias conhecidas; reconstrução da forma típica por Ranke; pescador sem filhos que captura o Rei dos Peixes.
  • O pescador recebe instruções do peixe para dividir sua carne entre a esposa, a égua e a cadela, resultando no nascimento de gêmeos e animais idênticos.
    • Instrução para cortar o peixe em pedaços e enterrar o restante no jardim; nascimento de dois filhos, dois potros e dois cães; crescimento de duas espadas e duas árvores no jardim; gêmeos e animais quase idênticos.
  • O primeiro irmão parte para o mundo com a condição de que o desbotamento de sua árvore sinalizará infortúnio para o outro.
    • Partida com espada, cavalo e cão; chegada à cidade real e repetição da trama do Matador de Dragões com o casamento final.
  • Após o casamento, a curiosidade do herói o leva a investigar um fogo misterioso na floresta onde é transformado em pedra por uma bruxa.
    • Aviso da esposa sobre o perigo do local; encontro com uma velha bruxa em uma casa; transformação do pelo do cão em corrente; uso de uma vara para petrificação do jovem.
  • O segundo irmão percebe o perigo através do desbotamento da árvore e parte para resgatar o primeiro, sendo confundido com o rei.
    • Longa errância até a cidade; confusão de identidade pelo estalajadeiro e pela rainha; percepção do erro para facilitar a investigação do destino do irmão.
  • Durante a noite, o irmão coloca uma espada nua entre ele e a rainha para manter a fidelidade ao herói petrificado.
    • Questionamento sobre o fogo misterioso observado anteriormente; espanto da rainha com a repetição da pergunta; cavalgada até a cabana da bruxa.
  • O resgatador recusa—se a obedecer à bruxa e a obriga a libertar seu irmão do encanto.
    • Recusa em colocar o cabelo sobre o cão; ameaça de morte à bruxa; recebimento da vara de desencantamento; morte da velha e retorno conjunto dos irmãos à cidade.
  • As duas histórias apresentam uma estabilidade notável em toda a área onde são encontradas, com poucas modificações necessárias para a fusão.
    • Acompanhamento por apenas um cão em vez de três na versão de Os Dois Irmãos; estabilidade notável apesar de introduções variadas.
  • A indicação da distribuição das versões ajuda a determinar a importância das fronteiras nacionais, culturais e linguísticas na disseminação dos contos.
    • Lista de versões por país; sessenta e cinco versões alemãs de Os Dois Irmãos e cinquenta e sete de O Matador de Dragões; cento e vinte e nove versões dinamarquesas de O Matador de Dragões; forte representação na Lituânia e Letônia; presença em países como Brasil, com duas versões de cada tipo.
  • O número desproporcional de versões em certos países reflete a exaustão da coleta de material folclórico nessas regiões.
    • Destaque para Alemanha, Dinamarca, Noruega, Tchecoslováquia, Lituânia, Letônia e Finlândia; certeza de que as coleções francesas indicam a presença dos contos apesar da coleta menos sistemática.
  • As mudanças nos contos populares ocorrem mais frequentemente na introdução, onde ações preliminares de outras histórias são facilmente substituídas.
    • Substituição aceita criando novas tradições locais que convivem com a forma regular.
  • O conto de Os Dois Irmãos sofreu confusão com a história do Coração do Pássaro Mágico devido à presença de objetos mágicos em ambos.
    • Type 567 correspondente ao Coração do Pássaro Mágico; homem pobre com pássaro que põe ovos de ouro; consumo da cabeça e do coração pelos filhos para se tornarem governantes ou obterem ouro sob o travesseiro; prosseguimento com a partida dos irmãos.
  • A fusão com o conto do Leste Europeu de Os Três Irmãos introduz aventuras de homens sobrenaturalmente fortes na narrativa de Os Dois Irmãos.
    • Episódio da pesca inicial; aventuras de homens fortes Type 650; repetição de episódios como a queda nas mãos da bruxa e a espada nua.
  • O motivo do Irmão Invejoso aparece em vinte por cento das versões, onde um irmão mata o outro antes de se arrepender e ressuscitá—lo.
    • Assassinato motivado pelo sono do irmão com a esposa do outro; presença no Pentamerone de Basile de mil seiscentos e trinta e quatro a trinta e seis; conclusão de Ranke de que o motivo não é parte original da história devido à falta de uniformidade.
  • As conclusões de Ranke indicam que O Matador de Dragões é a mais antiga das duas histórias estudadas.
    • Incorporação de O Matador de Dragões como um conjunto de motivos na composição de Os Dois Irmãos; reconhecimento de semelhanças com o mito grego de Perseu e Andrômeda; motifs de sinal de vida, encantamento e nascimento mágico discutidos por Hartland em The Legend of Perseus; estabelecimento de uma forma típica original.
  • O desenvolvimento de O Matador de Dragões ocorreu na Europa Ocidental, com maior variação à medida que a história se espalhou para o Leste.
    • Redações listadas como partidas geográficas do tipo; Ciclo de Redações Românicas abrangendo versões francesas, coloniais, espanholas, portuguesas e italianas.
  • O ciclo românico caracteriza—se pelo sacrifício periódico ao dragão e variações no tipo de impostor conforme a distância da França.
    • Versões francesas com impostor carvoeiro; versões coloniais no Camboja, América do Norte e povos malaios; versões espanholas e portuguesas com influências de João e Maria; versão italiana de Basile; disseminação pela Alemanha para Escandinávia e Japão.
  • A redação da Europa Central frequentemente omite o sacrifício periódico ao dragão e mostra influência direta da versão dos Grimm.
    • Espalhameto da Alemanha para o Leste e Norte.
  • Na redação do assassinato, o matador do dragão é morto pelo impostor e posteriormente ressuscitado.
    • Influência dos Grimm na introdução com o Coração do Pássaro Mágico; disseminação para Escandinávia, Balcãs, Polônia e Pequena Rússia.
  • O ciclo nórdico introduz aventuras com gigantes antes da luta com o dragão e reconhecimento por anéis ou vestes.
    • Cavaleiro Vermelho como impostor testemunhando a luta de uma árvore; batalha à beira—mar; catação de piolhos no herói pela princesa deixando um anel no cabelo; origem escandinava espalhando—se para Escócia e Norte da Alemanha.
  • Ranke distingue diversos subgrupos no ciclo nórdico, incluindo heróis pequeninos e batalhas com trolls marinhos.
    • Redação do Porteiro na Dinamarca; redações de perigo com promessa real ao monstro; herói Lillekort na Noruega; tradição da montanha de vidro na Dinamarca; redação sueca com três trolls e três princesas.
  • Outras redações menores incluem a imobilização mágica do ogro e o reconhecimento por sapatos.
    • Mistura com Type 330 na redação de vinculação; redação irlandesa do sapato com reconhecimento similar ao de Cinderela.
  • Redações balcânicas e bálticas variam o papel do dragão como guardião de fontes de água ou lutador que afunda no solo.
    • Dragão impedindo acesso à água nos Balcãs; herói acordado por lágrimas quentes na redação eslava; substituição do dragão pelo diabo na Letônia.
  • A investigação indica a França como o local onde a forma característica desses dois tipos de contos tomou forma.
    • Disseminação para a península hispânica e Novo Mundo; centros secundários na Alemanha e Itália; expansão norueguesa para Escócia e Irlanda; expansão dinamarquesa para Finlândia e Alemanha.
  • As poucas versões encontradas fora da Europa resultam de contatos feitos por viajantes ou colonos.
    • Variantes indígenas americanas derivadas de fontes francesas ou espanholas; presença esporádica no Japão, Camboja e Ilha de Sonda.
  • A análise cuidadosa indica que as versões literárias tiveram pouca ou nenhuma influência no desenvolvimento do conto do Matador de Dragões.
    • Disseminação predominantemente oral sobre a Europa e apenas ligeiramente além.
  • O conto de Os Dois Irmãos parece ter surgido no noroeste da Europa, possivelmente no norte da França.
    • Estrutura alterada conforme a distância do centro; França como centro primário; Alemanha, Itália, Espanha e Dinamarca como centros secundários.
  • Ranke aponta quatro razões para acreditar na grande antiguidade de O Matador de Dragões como um conto de tradição europeia.
    • Variedade de redações que demandaram tempo para desenvolvimento; combinação com outras formas apesar de possuir forma própria; diferenças fundamentais entre ciclos sem conexão direta; presença em Os Dois Irmãos.
  • O foco do estudo de Ranke restringiu—se à história do conto já totalmente formado, sem aprofundar em formas arcaicas anteriores.
    • Ausência de consideração sobre conexões com Perseu e Andrômeda ou São Jorge e o Dragão; Os Dois Irmãos considerado mais jovem que o episódio do resgate do dragão; presença na Bjarka saga do século quatorze e em Basile no dezessete.
  • As conclusões sobre a idade dos contos são vagas, sugerindo que não remontam à antiguidade clássica como tipos bem formados.
    • Movimentos populacionais desde o início da Idade Média e espalhamento lento explicam a distribuição fenomenal na Europa.
  • O dragão pode figurar como adversário sobrenatural em outros contos conhecidos onde sua natureza é muitas vezes deixada de forma vaga.
    • Tendência de apresentar o monstro com forma humana, de gigante ou ser meio animal.
  • O conto de João Urso ou O Filho do Urso é o mais conhecido do grupo onde o herói possui força sobrenatural devido ao seu nascimento.
    • Type 301; concepção sobrenatural ou filho de urso que roubou a mãe; quebra de ferramentas e morte de colegas na infância; companhia de homens com visão extraordinária, audição aguçada e grande velocidade; ataque de monstro vindo da terra.
  • O herói persegue o monstro até o mundo inferior onde encontra uma espada maravilhosa e resgata três donzelas.
    • Descida por meio de corda; traição dos companheiros que levam as moças e o abandonam; retorno à superfície com ajuda de um espírito ou águia alimentada com a carne do herói.
  • O herói retorna à casa das princesas no dia do casamento e desmascara seus rivais por meio de tokens.
    • Roubo do banquete de casamento pelos cães; casamento com a princesa mais bela; introdução alternativa com o roubo do pomar real por um monstro perseguido pelo filho mais novo.
  • João Urso é um dos contos mais populares do mundo, com grande presença na Rússia e Estados Bálticos.
    • Monografia de Panzer apontando relações com o épico Beowulf; fragmentos na Índia; popularidade entre franceses e espanhóis na América e tribos indígenas.
  • No conto do Caçador Habilidoso, os oponentes sobrenaturais são gigantes derrotados por um atirador de elite.
    • Arma mágica recebida de caçador vestido de verde ou velha; decapitação de gigantes no palácio; token retirado de princesa adormecida; punição da princesa por recusar impostor; reconhecimento em estalagem.
  • Apesar de possuir motivos interessantes, o Caçador Habilidoso nunca alcançou grande popularidade entre os contadores de histórias.
    • Circulação na Europa Central e Cáucaso; versão única na França; ausência em coleções lituanas; registro de apenas setenta e cinco versões.
  • O conto dos Sapatos Gastos na Dança apresenta o oponente sobrenatural como o amante da princesa.
    • Type 306; mistério do desgaste noturno dos sapatos; oferta de casamento para solução do enigma; uso de narcóticos contra perseguidores; herói com poder de invisibilidade em jornada subterrânea mágica.
  • Esta história é primariamente da Europa Central, concentrando—se na área entre a Sérvia e a Finlândia.
    • Pouca representação na França e Portugal; versão única na África Central; cerca de cem variantes conhecidas.
  • Um dos contos mais populares de resgate de amantes ogros é o do monstro cujo coração está escondido em um ovo.
    • Type 302; herói com objetos mágicos obtidos de animais gratos, gigantes enganados ou cunhados animais; plano com a princesa para descobrir o segredo; localização do coração em ovo de difícil acesso, pássaro ou inseto; morte do ogro por destruição do coração.
  • Esta história possui uma popularidade merecida em toda a área da Irlanda à Índia devido ao apelo de suas aventuras maravilhosas.
    • Registro de duzentas e cinquenta versões; popularidade na Índia com variante de coração em pássaro; presença em tradições indígenas americanas e africanas.

A. OGROS E BRUXAS

  • O conto geralmente conhecido como Barba Azul apresenta uma criatura maligna que rouba donzelas, muitas vezes sem características sobrenaturais.
    • Influência da coleção de Perrault de mil seiscentos e noventa e sete; resgate pelas irmãs na tradição independente e pelo irmão na versão de Perrault.
  • Duas irmãs caem sucessivamente sob o poder de um ogro que as mata após a desobediência de entrar em um quarto proibido.
    • Traição por ovo ou chave ensanguentada; resgate pela irmã mais nova que ressuscita as outras; fuga em sacos carregados pelo marido enganado; disfarce de ave e uso de caveira vestida de noiva; punição do assassino.
  • O Barba Azul na forma do Type 311 é conhecido na Europa da Alemanha para o Leste, com grande popularidade na Noruega e Estados Bálticos.
    • Presença na Palestina, Índia, Porto Rico e entre esquimós; sugestão da Noruega como centro de disseminação.
  • O resgate das irmãs também pode ser realizado por um irmão, conforme popularizado pela versão de Perrault na França, Bélgica e Alemanha.
    • Type 312; adiamento da morte por orações; auxílio de cães maravilhosos ou animais selvagens na tradição norueguesa; baixa distribuição e popularidade desta forma.
  • João e Maria é a história mais conhecida envolvendo crianças e bruxas, amplamente reimpressa a partir da coleção dos Grimm.
    • Type 327A; interpretação operística de Humperdinck; trilha de grãos consumida por pássaros, casa de gengibre, bruxa terrível e queima no forno; popularidade nos países bálticos, Ásia, África e Japão.
  • A simplicidade dos elementos do conto de ogros que engordam crianças gera dúvidas sobre invenção independente ou empréstimo em versões mundiais.
    • Incerteza sobre a origem europeia de histórias africanas, oceânicas e indígenas americanas similares; uniformidade na Europa facilitando o rastreio histórico.
  • O Pequeno Polegar, popularizado por Perrault, é tão semelhante a João e Maria que os dois contos são frequentemente confundidos.
    • Type 327B; herói minúsculo trocando gorros de dormir dos irmãos pelos dos filhos do ogro; decapitação dos próprios filhos pelo ogro; disseminação europeia e presença na Colúmbia Britânica via franceses.
  • Na redação popular na Noruega e Estados Bálticos, o ogro carrega o herói para casa em um saco, do qual ele escapa por substituição.
    • Type 327C; escapada idêntica à de João e Maria com a queima da bruxa no forno; ciclo 327 abrangendo variantes A, B e C; empréstimo problemático em tribos africanas e americanas devido à simplicidade do incidente.
  • João e o Pé de Feijão exemplifica aventuras onde o herói busca deliberadamente o ogro para roubar seus objetos mágicos.
    • Type 328; característica da tradição britânica; crescimento do pé de feijão até o céu; roubo da galinha dos ovos de ouro, bolsas de ouro e harpa mágica; morte do gigante por queda.
  • Os truques usados para derrotar o gigante variam entre vingança, auxílio real ou tarefas impostas por rivais invejosos.
    • Engano sobre aproximação de exércitos; comida salgada; pesca pela chaminé; roubo de cavalo maravilhoso ou capa de invisibilidade; inclusão da fuga mágica por transformação ou obstáculos.
  • A história do roubo ao gigante parece ser primariamente da Europa central e setentrional, com forte presença na Finlândia e Noruega.
    • Ausência na Rússia; ensino para tribos indígenas americanas por franceses no leste do Canadá.
  • Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos são contos intimamente relacionados onde o ogro assume a forma de um lobo feroz.
    • Types 333 e 123; versão de Perrault ou Grimm; morte da avó; questionamentos sobre orelhas e olhos grandes; variantes de conclusão com resgate final ou devoração total.
  • O conto da Chapeuzinho Vermelho possui pouca circulação oral fora das fontes impressas de Perrault ou Grimm.
    • Limite na fronteira russa; versões africanas mescladas com histórias de animais.
  • Os Três Porquinhos narra o lobo tentando enganar sete cabritos ou três porcos alterando sua voz ou aparência.
    • Type 123; farinha nas patas ou deglutição de ferro quente; resgate dos animais de dentro do lobo; presença em Fábulas de Esopo e Idade Média; circulação na Europa, Sibéria, China e Japão.
  • As versões russa e africana de Os Três Porquinhos parecem derivar da mesma tradição devido ao detalhe da operação na voz do lobo.
    • Tratamento cinematográfico de Walt Disney e canção Quem tem medo do lobo mau.

B. VAMPIROS E MORTOS—VIVOS

  • O medo dos mortos é quase universal, gerando práticas mundiais para evitar que saiam dos túmulos e molestem os vivos.
    • Discussão de Naumann sobre a cultura da comunidade primitiva; lendas locais e folclore sobre vampiros e fantasmas malevolentes.
  • A Princesa na Mortalha é popular na Europa Oriental, onde a crença em vampiros é forte entre estonianos, lituanos e russos.
    • Type 307; desejo de pais sem filhos por um bebê mesmo que seja um diabo; filha diabólica que vaga como vampira; oração heróica no túmulo por três noites para quebra do encanto.
  • Em uma história confinada à Noruega e costas do Báltico, o vampiro é um homem que se casa com uma jovem sem ser conhecido.
    • Type 363; espionagem da esposa durante a noite em igrejas; devoração de cadáveres; transformação do marido em membros da família para teste da esposa; devoração final da esposa após revelação do segredo.
  • A história de Lenore, popular na Europa Ocidental via baladas, narra o retorno de um amante morto para buscar sua noiva.
    • Type 365; uso por Bürger no final do século dezoito; versões em prosa abundantes na Lituânia e Finlândia; cavalgada noturna e desaparecimento ao cantar do galo.
  • O Homem da Forca trata de um morto que retorna para reivindicar uma parte do corpo roubada por um homem pobre.
    • Type 366; popularidade na Dinamarca, Inglaterra e Espanha; carne cortada das pernas do enforcado para banquete; exigência de devolução da carne, coração ou roupa; versões nas Malásia e na África.

C. DIABOS E DEMÔNIOS

  • O termo diabo é usado de forma confusa por contadores de histórias, equivalendo—se muitas vezes ao ogro ou demônio oriental.
    • Diabo estúpido na Alemanha e Escandinávia; equivalência ao djinn das Mil e uma Noites; conexão inglesa com o Satanás da teologia cristã possuindo cascos fendidos, cauda e orelhas pontudas.
  • O conto das Ciladas do Maligno narra a proteção de um homem por um círculo traçado por um padre em uma igreja.
    • Type 810; resistência à tentação de sair do círculo; popularidade restrita à Escandinávia e Estados Bálticos.
  • Duas histórias bálticas curtas mostram o diabo como um ceifador incansável ou como um morto que protege seu próprio dinheiro.
    • Types 820 e 815; foice mágica causando exaustão de capataz; sapateiro pregando o diabo para roubar dinheiro de túmulo na igreja.
  • O Enigma do Diabo apresenta uma trama complexa onde heróis devem adivinhar a verdadeira natureza de objetos ilusórios para evitar contratos de alma.
    • Type 812; popularidade na Alemanha e Báltico; bodes disfarçados de cavalos, piche como taça de ouro; auxílio da avó do diabo para escutar as soluções; superação do contrato por astúcia.
  • O contrato com o diabo, similar ao de Fausto, introduz anedotas onde o herói salva sua alma por meio de enganos ou tarefas impossíveis.
    • Types 330, 360 e 756B; motivo M211; venda de velha em caixa de vidro para enganar o diabo e obter liberação.
  • As tarefas impossíveis atribuídas ao diabo incluem capturar coelhos em redes altas, fazer cordas de areia ou endireitar cabelos cacheados.
    • Types 1171 a 1180; esvaziamento do mar ou captura de água em peneira; entrega de aparas de unhas em vez de parte do corpo.
  • Três pechinchas enganosas comuns na Europa envolvem a medida de ouro, a queda da última folha e a colheita da primeira safra.
    • Types 1182, 1184 e 1185; devolução de medida rasa por medida cheia; plantio de carvalhos cujas folhas nunca caem todas de uma vez; plantio de bolotas adiando o pagamento por anos.
  • O herói frequentemente escapa do diabo pedindo um adiamento para terminar uma última oração que nunca é concluída.
    • Type 1199; pedidos para terminar de se vestir ou orar; motivo K551.
  • O Diabo e o Advogado possui tratamento literário de Chaucer, mas também é corrente na tradição oral escandinava.
    • Type 1186; uso em Friar's Tale; recusa do diabo em levar o que não é oferecido de coração; captura do advogado amaldiçoado sinceramente por fraude.
  • O diabo também aparece amarrado no inferno pelas correntes de Salomão ou como um aliado valioso e astuto do herói.
    • Type 803; lendas lituanas sobre o diabo em correntes; ênfase na esperteza em oposição à malevolência ou estupidez em certas histórias.

D. A MORTE EM PESSOA

  • O Ferreiro e a Morte exemplifica a confusão entre o diabo e a personificação da morte em contos literários e orais.
    • Type 330; contrato para tornar—se mestre ferreiro; recebimento de árvore, banco e mochila mágicos de Cristo ou São Pedro; prisão da Morte na mochila para ser martelada na bigorna; entrada no céu por meio de mochila arremessada.
  • Existem tendências em separar as aventuras com São Pedro daquelas que envolvem a entrada enganosa no paraíso.
    • Type 330A com a Morte presa na árvore; Type 330B com a mochila mágica; imitação mal—sucedida de milagres de rejuvenescimento de velha ou troca de patas de cavalo Type 753.
  • A ideia da Morte presa a uma árvore remonta à antiguidade grega e hebraica, aparecendo em folhetos franceses do século dezoito.
    • História do Bonhomme Misère de mil setecentos e dezenove; uso no filme On Borrowed Time; discussão por Bolte—Polívka.
  • O conto goza de grande popularidade oral na Europa Central e do Norte, sem ter sido transportado para partes remotas da terra.
    • Conhecido na Islândia, Escócia, Espanha e Itália; vinte e cinco versões russas; interesse acadêmico pela estabilidade do tipo.
  • No conto da Morte como Padrinho, um homem escolhe a Morte para o cargo por considerá—la mais justa que Deus ou o Diabo.
    • Type 332; poder de prever o curso de doenças pela posição da Morte no leito; herói como médico famoso; fuga por truque de virar a cama ou oração inacabada; vingança final da Morte apagando a luz da vida no mundo inferior.
  • A distribuição de A Morte como Padrinho é quase idêntica à do Ferreiro e a Morte, com maior força nos países bálticos e Alemanha.
    • Presença em literatura medieval e folclore da França, Espanha e Itália; estudo de Christiansen baseado em cento e vinte e quatro variantes.
  • Os Mensageiros da Morte é um conto literário de origem budista sobre sinais de envelhecimento ignorados pelo homem.
    • Type 335; popularidade entre coletores de exempla como Hans Sachs; cegueira, cabelos brancos e golpes como sinais não compreendidos; raridade em coleções folclóricas.
  • O Espírito na Garrafa narra a libertação de um gênio que concede poder antes de ser enganado de volta ao recipiente.
    • Type 331; tratamento nas Mil e uma Noites; experiências atribuídas a Paracelso ou Virgílio; versões orais raras; caráter de demônio indeterminado.

3. AJUDANTES SOBRENATURAIS

A. FIANDEIRAS SOBRENATURAIS

  • O conto das fiandeiras miraculosas envolve uma promessa de casamento baseada em mentiras sobre habilidades domésticas.
    • Type 500; Tom—Tit—Tot na Inglaterra; jactância da mãe sobre filha comer cinco tortas reportada como fiar cinco meadas; exigência real de fiar ouro; auxílio de criatura minúscula em troca da descoberta de seu nome; rima Nimmy nimmy not na versão inglesa; dispersão na Alemanha e Escandinávia.
  • Em As Três Velhas Ajudantes, a noiva recebe auxílio de fiandeiras deformadas pelo excesso de trabalho.
    • Type 501; promessa de convite para o casamento; choque do príncipe com a aparência das velhas; decreto real proibindo a esposa de fiar para evitar deformidades; dúvida de Von Sydow sobre origem alemã ou sueca.

B. ANÕES OU FADAS AJUDANTES

  • O conto do Corcunda e das Fadas narra a remoção da corcova de um homem bondoso e a punição de seu companheiro invejoso.
    • Type 503; nomes dos dias da semana em canções; remoção de corcova por auxílio em dança ou música; substituição de ouro por carvão para o ganancioso; popularidade na França e Irlanda; versão no Japão.

C. O MORTO GRATO

  • O Ajudante Morto é um personagem misterioso que se une ao herói após ter seu sepultamento pago por este em troca de divisão de ganhos.
    • Pagamento de dívidas do cadáver com o último centavo; motivo E341; exigência da metade da esposa resgatada; interrupção do corte da mulher pelo morto grato; estudo de Sven Liljeblad.
  • No resgate da princesa escravizada, o herói identifica sua protegida por meio de um pano bordado por ela reconhecido pelo rei.
    • Type 506A; herói atirado ao mar por rival e salvo pelo morto; reconhecimento por anel em taça ou relato de vida; exigência da divisão do filho recém—nascido; popularidade na Europa, Indonésia e América.
  • Uma variação do resgate envolve a salvação da princesa de um covil de ladrões com a ajuda do morto grato.
    • Type 506B; confinamento da tradição ao Norte da Europa e Escandinávia.
  • O ciclo inspirado na história de Tobit envolve noivas cujos pretendentes anteriores morreram de forma misteriosa na noite de núpcias.
    • Type 507A; cabeças de pretendentes em estacas; monstro amante da princesa morto pelo companheiro; surras ou banhos para remover o poder mágico da noiva; influência de Andersen em The Fellow Traveler.
  • Outras versões apresentam serpentes saindo da boca da noiva na noite de núpcias, combatidas pelo ajudante morto.
    • Types 507B e 507C; corte da princesa ao meio para quebra do encanto; maior popularidade no Leste Europeu e Oriente Próximo; relação próxima com o livro apócrifo de Tobit.
  • Uma versão cavalheiresca inclui um torneio onde o morto fornece cavalo e armas mágicas ao herói para ganhar a princesa.
    • Type 508; tradição de romances de cavalaria francesa e alemã do século doze; quase inexistente na tradição oral.
  • O grupo de contos do morto grato necessita de novos estudos para esclarecer a relação entre os tipos e as fontes orientais.
    • Origem provável no Oriente Próximo; adoção da sequência de motivos por histórias de resgate e torneio.

D. OS COMPANHEIROS EXTRAORDINÁRIOS

  • O herói é auxiliado por companheiros com poderes como visão de longo alcance, audição de grama crescendo ou velocidade mundial.
    • Motivo F601; auxílio para construir navio que anda por terra e mar; promessa real da mão da filha; atirador que acerta olho de mosca a duas milhas; comedor e bebedor para um exército.
  • Com a ajuda de seus amigos estranhos, o jovem realiza tarefas impossíveis impostas pelo rei para ganhar a princesa.
    • Busca de água no fim do mundo; resistência a calor ou frio extremos; derrota de exército inimigo; despertar de corredor dorminhoco por tiro de atirador.
  • O núcleo da história de ajudantes dotados é muito antigo, com paralelos na literatura da Índia antiga e mitos galeses.
    • Type 513A e 513B; Argonautas; história galesa de Kylhwch e Olwen no Mabinogion do século onze; retratamento por Basile e Madame d'Aulnoy; dispersão na Europa, China, África e América.

E. ANIMAIS AJUDANTES

  • Em Os Cunhados Animais, um homem falido promete suas três filhas a um urso, uma águia e uma baleia em troca de dinheiro.
    • Type 552; popularidade via Basile e Musäus; recebimento de pelo, pena e escama pelo irmão das moças; auxílio dos animais para salvar princesa de monstro ou derrotar ogro; introdução para os Types 300, 302 e 560.
  • Este conto é conhecido em toda a Europa, sendo especialmente popular na Rússia e nos Estados Bálticos.
    • Alcance da Irlanda ao Cáucaso; versão entre os índios Micmac via franceses; variante norueguesa 552B com imitação fracassada de produção de comida mágica.
  • Os Animais Gratos narra o herói caçula realizando atos de bondade para formigas, patos e abelhas que o retribuem em momentos críticos.
    • Type 554; divisão de botim entre corvo, peixe e raposa; ajuda para separar sementes espalhadas ou recuperar anel do fundo do mar; presença no persa Tuti—Nameh; circulação na Europa, Índia, África e Missouri.
  • O poder de transformar—se em animais é central em histórias onde o herói deve recuperar espadas mágicas ou anéis.
    • Type 665; natação como peixe, voo como pássaro e corrida como lebre; reconhecimento por pena cortada; popularidade na Estônia, Lituânia e Finlândia; variante alemã 316 com promessa a ninfa das águas.
  • O Gato de Botas é um dos contos de animais ajudantes mais famosos devido à influência de Perrault e autores literários italianos.
    • Type 545B; herói que herda apenas um gato; astúcia do animal para apresentar o dono como príncipe; tomada do castelo de um gigante morto por truque; versões orais variando com raposas; presença na Sibéria, Índia e Filipinas.

F. CAVALOS AJUDANTES

  • O conto do herói de cabelos dourados envolve o serviço ao diabo, fuga em cavalo mágico e vitória em torneios.
    • Type 314; cabelo transformado em ouro por desobediência; fuga com pedra, pente e pederneira gerando montanha, floresta e fogo; disfarce de jardineiro; tokens de identidade como pontas de espadas e marcas de cascos.
  • O incidente da Fuga por Obstáculos é mundialmente difundido, aparecendo como parte padrão de diversas histórias de perseguição.
    • Motivo D672; estudo de Antti Aarne em Magische Flucht; versão do Homem de Ferro dos Grimm Type 502 com ball de ouro e libertação de homem selvagem de gaiola.
  • A Princesa na Montanha de Vidro narra o herói capturando o cavalo que devastava o pasto do pai para cumprir um desafio real.
    • Type 530; vigília noturna; escalada de montanha de vidro para receber token da princesa; variantes com vigília sobre cadáver do pai; distribuição no Norte e Leste da Europa, Cáucaso e Birmânia.
  • Ferdinand o Fiel recebe auxílio de um cavalo falante e outros animais para buscar uma princesa distante para o rei.
    • Type 531; chave mágica e pena encontrada; carne para gigantes e aves; substituição de cabeça para rejuvenescimento com morte do rei rival; motivo antigo do cabelo flutuando em rio presente no Egito treze séculos antes de Cristo.
  • Em A Moça dos Gansos, o cavalo falante Falada presta serviço mesmo após sua morte ao denunciar a traição de uma criada.
    • Type 533; troca de roupas forçada; cabeça do cavalo pregada sobre o portão; revelação da verdade através de diálogo com a cabeça e canção entoada em fogão; estudo de Liungman baseado em variantes europeias.

G. DIABO OU DEMÔNIO AJUDANTE

  • Os três oficiais fazem um pacto com o diabo que os protege após serem acusados de assassinato por falarem apenas frases combinadas.
    • Type 360; frases Nós três, Pelo ouro e Isso foi certo; hospedaria com assassinato; resgate da forca; anedota literária do século quatorze de John Bromyard; estabelecimento no folclore europeu.
  • No conto da Pele de Urso, um soldado faz um pacto para viver sete anos sem se lavar ou pentear em troca de dinheiro.
    • Type 361; bondade da filha caçula; anel quebrado como sinal de reconhecimento; suicídio das irmãs invejosas; captura de duas almas pelo diabo; popularidade extrema no Báltico e Alemanha.
  • Histórias adicionais mostram o herói aquecendo caldeirões no inferno ou o diabo atuando como advogado contra juízes injustos.
    • Type 475 e 821; recebimento de varredura do inferno que vira ouro; diabo levando juiz confutado por claim absurdo sobre ovos cozidos; presença em jestbooks do século dezesseis e Cabo Verde.

4. MAGIA E MARAVILHAS

A. PODERES MÁGICOS

  • O Menino Preguiçoso obtém o poder de realizar desejos após poupar um peixe, resultando na gravidez mágica de uma princesa.
    • Type 675; Pelo poder do Salmão; serra automática e barco autônomo; abandono do casal em caixa de vidro no mar; humilhação do rei; presença em Straparola e Basile; variante dos índios Ojibwa sobre o pequeno carro Ford.
  • Abre—te Sésamo entrou na tradição oral de quase todos os países europeus a partir da tradução francesa das Mil e uma Noites.
    • Type 676; tradução de Galland no século dezoito; irmão pobre espiando ladrões em montanha; traição por moeda presa em balança; morte do irmão rico que esquece a fórmula.
  • O Mágico e seu Pupilo é um conto de origem indiana onde o herói supera seu mestre em um combate de transformações.
    • Type 325; tese de Benfey e Cosquin; fuga mágica por obstáculos; venda do herói como cão ou cavalo; combate final como raposa devorando mágico transformado em galo; presença em Straparola.

B. OBJETOS MÁGICOS

  • O Anel Mágico narra a obtenção de um objeto de poder de uma serpente e sua recuperação por animais gratos após um roubo.
    • Type 560; arquetipo de Aarne; resgate de cão e gato; castelo roubado por estrangeiro; gato usando rato para recuperar anel da boca de ladrão; peixe que engole anel caído no rio; origem indiana provável.
  • Aladim e O Isqueiro Mágico dependem da popularidade literária das Mil e uma Noites e dos contos de Andersen.
    • Type 561 e 562; invocação de espírito por luz ou fricção; resgate da execução no último momento; mistura das tradições por Aarne; popularidade no Báltico e Escandinávia.
  • A Mesa, o Burro e o Porrete é o conto mais popular sobre a perda e recuperação de objetos roubados por um estalajadeiro.
    • Type 563; mesa suprida de comida; burro que solta ouro; porrete que bate no ladrão; presença em lendas budistas chinesas do século seis.
  • No conto das Frutas Maravilhosas, o herói recupera objetos roubados por uma princesa fazendo chifres crescerem em sua cabeça.
    • Type 566; bolsa inesgotável e chapéu de viagem; ilha distante; chifres causados por maçãs e removidos por outra fruta; presença no Tuti—Nameh persa; popularidade oral na Europa Ocidental.
  • O Coração do Pássaro Mágico narra a fuga de filhos que consomem as partes de um pássaro que garantem realeza e ouro.
    • Type 567; reconstrução de Aarne com ovos de ouro; plano de amante da mãe; eleição do filho como governante; punição de traidora por transformação em burro; origem na Pérsia.
  • O Judeu nos Espinhos utiliza o motivo do violino mágico que obriga as pessoas a dançarem sem interrupção.
    • Type 592; recompensa por caridade; aposta sobre pássaro; dança forçada em tribunal para evitar execução; influência literária alemã e inglesa desde o século quinze.
  • O conto do Meio—Pinto envolve as extravagâncias de um animal dividido que carrega raposas e rios sob as asas.
    • Type 715; recuperação de dinheiro emprestado; destruição das aves e cavalos do rei; pinto cantando dentro do corpo do monarca; tese de Boggs sobre origem em Castela e difusão pela França.

C. REMÉDIOS MÁGICOS

  • Remédios mágicos como frutas ou ervas são o centro de histórias de cura de princesas e recuperação de visão por viajantes.
    • Types 610 e 613; introdução para contos de tarefas; disputa entre viajantes sobre verdade ou mentira; cegueira por aposta; espionagem de espíritos em árvore; cura de rei e descoberta de tesouros; tradição milenar chinesa, hindu e hebraica.

D. HABILIDADE MARAVILHOSA

  • Os Quatro Irmãos Habilidosos exibem talentos de astrônomo, ladrão, caçador e alfaiate para resgatar uma princesa.
    • Type 653; roubo e costura de ovos em ninho; reconstrução de barco no mar; disputa final resolvida por divisão do reino; origem na Índia no século seis; popularidade oral na Ásia e África.
  • Os Irmãos Sábios resolvem enigmas reais através de percepções apuradas sobre a origem do rei ou o sabor do vinho.
    • Type 655; declaração sobre bastardia real ou carne de cachorro; tradição literária no Oriente e Europa; raridade na tradição oral limitada ao Norte.

E. CONHECIMENTO DA LINGUAGEM DOS ANIMAIS

  • O conhecimento da linguagem dos animais é concedido sob a condição de morte em caso de revelação do segredo.
    • Type 670; cobra grata; riso do homem ao ouvir conversa de animais; galo que repreende o dono por falta de disciplina doméstica; presença no Ramayana e Mil e uma Noites; popularidade na África.

F. FORÇA EXTRAORDINÁRIA

  • João Forte é um herói de apetite enorme e força bruta que submete seus patrões a contratos de raiva perigosos.
    • Type 650; nascimento de urso; amamentação prolongada; martelada em bigorna; moinho do diabo; uso de pedra de moinho como colar; abundância de versões na Finlândia e Estônia.

5. AMANTES E CASAIS CASADOS

A. ESPOSA SOBRENATURAAL

  • O motivo da Donzela Cisne introduz histórias onde a esposa sobrenatural ajuda o herói a realizar tarefas para um ogro.
    • Type 313; roubo da plumagem durante banho; tarefas de plantar vinhedo ou limpar estábulo; identificação por dedo faltando; fuga com objetos falantes e obstáculos; noiva esquecida por beijo na mãe; recuperação por suborno de três noites.
  • A Busca pela Esposa Perdida foca na jornada do marido para recuperar a companheira após a quebra de uma proibição.
    • Type 400; sapatos de ferro que devem ser gastos; consulta ao sol, lua e ventos; escalada de montanha de vidro sem olhar para trás; anel escondido em bolo; versões abundantes entre indígenas americanos.

B. ESPOSA ENCANTADA DESENCANTADA

  • As Três Laranjas é um conto de origem na Itália sobre donzelas presas em frutas resgatadas por um herói errante.
    • Type 408; maldição de velha; auxílio de animais; cozinha que tenta substituir a princesa; transformação da heroína em peixe de prata; punição da criada falsa; presença em Basile.

C. MARIDO ENCANTADO DESENCANTADO

  • O ciclo de Cupido e Psiquê narra o casamento com um monstro humano à noite e a busca após a desobediência da esposa.
    • Type 425; tratamento de Apuleio; marido animal por dia; revelação do segredo com luz; jornada com sapatos de ferro e montanha de vidro; suborno por três noites de sono; teoria do sonho de Tegethoff.
  • O Rei Sapo ou Henrique de Ferro envolve uma promessa feita em uma fonte e a desencantamento por contato físico.
    • Type 440; recuperação de bola de ouro; sapo no leito real; quebra do encanto por beijo ou arremesso; bandas de ferro no coração do servo fiel que se rompem com a alegria.

7. FIDELIDADE

  • João Fiel narra o sacrifício de um servo que se transforma em pedra para proteger seu mestre de perigos previstos.
    • Type 516; quarto proibido com retrato de donzela; três perigos na viagem; conversa de pássaros ouvida pelo servo; petrificação por quebrar silêncio; cura pelo sangue dos filhos; teses divergentes de Rösch e Krohn sobre origem húngara ou indiana.

8. PARENTES BONS E MAUS

  • O Príncipe e as Braçadeiras narra a traição de uma mãe que se une a um gigante para destruir o próprio filho.
    • Type 590; objeto que confere força; fingimento de doença para busca de leite de leoa; cegueira do herói curada por água mágica; restauração do poder e vingança; presença no Canadá.
  • A Árvore do Zimbro foca na crueldade de uma madrasta que mata o enteado e o serve como alimento ao pai.
    • Type 720; ossos enterrados pela irmã; pássaro que surge do túmulo e canta a verdade; morte por pedra de moinho; tradição oral com versos intercalados.
  • A Noiva Preta e a Branca trata da substituição de uma noiva bondosa por uma irmã feia durante o parto.
    • Type 403; benção de anões com joias saindo da boca; maldição de sapos; transformação em ganso; resgate do filho por mãe desencantada por gota de sangue.
  • A Donzela sem Mãos é uma história de calúnia onde uma esposa fiel é acusada de dar à luz monstros por cartas trocadas.
    • Type 706; mãos cortadas por recusa a pai ou venda ao diabo; barco à deriva; restauração das mãos; relação com a história de Constance em Chaucer.
  • Os Três Filhos de Ouro narra a promessa de dar à luz trigêmeos maravilhosos e a subsequente substituição por animais.
    • Type 707; boato ouvido pelo rei; crianças salvas por pescador; busca pelo pássaro que fala e árvore que canta; restauração da verdade pelo pássaro.
  • Branca de Neve foca na inveja da madrasta por uma beleza superior revelada por um espelho mágico consultado.
    • Type 709; caçador compassivo; acolhimento por anões; envenenamento por maçã; caixão de vidro; despertar por choque físico; versão Walt Disney baseada nos Grimm.
  • O contraste entre o filho caçula desprezado e seus irmãos orgulhosos é o tema central do ciclo de Cinderela.
    • Type 480 com Frau Holle; fiação em poço e entrada no mundo inferior; auxílio a vaca e macieira; recompensa em ouro vs. punição da irmã preguiçosa.
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