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Contos de Fadas

FLIEGER, Verlyn. There would always be a fairy tale: more essays on Tolkien. Kent, Ohio: The Kent State University Press, 2017.

Introdução

1. A compreensão dos contos de fadas como expressões ingênuas de uma humanidade primitiva é invertida pela concepção de que os deuses, dotados de personalidade humana, tornam significativos os fenômenos naturais, pois a presença de Thor já implica uma narrativa, enquanto sua ausência deixaria apenas um trovão ainda não integrado à experiência e à interpretação humanas.

2. A prioridade do personagem e da história sobre a explicação abstrata decorre da necessidade de nomear os fenômenos para reconhecê-los e compreendê-los, de modo que tanto a identificação do trovão com uma divindade quanto sua descrição como efeito da expansão do ar dependem de uma denominação que organiza a percepção e gera uma narrativa própria.

3. A humanidade não apenas possui a capacidade de narrar, mas encontra-se inevitavelmente envolvida na produção de histórias, porque mente, linguagem e narrativa constituem uma unidade de relações recíprocas que transforma a percepção em expressão, fundamentando o compromisso intelectual e imaginativo de Tolkien com os contos de fadas e com Faërie, o mundo especial que essas narrativas simultaneamente criam e habitam.

4. A diversidade de investigações sobre mito, verdade, costumes, moralidade, história textual e particularidades da Terra-média compõe uma imagem coerente de Tolkien como pensador independente e complexo, ligado ao passado, atento ao presente e desconfiado do futuro, cuja criação mantém em tensão crença e dúvida, esperança e pessimismo, romantismo e amargura, tragédia e comédia, procurando acolher contrários em vez de reduzi-los a respostas unívocas.

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