PARADOXO DO MONOTEÍSMO
HCPM
O Judaísmo, o Cristianismo e o Islame formam os três ramos do que se conveniou chamar o Monoteísmo originário da revelação feita a Abraão.
Trata-se da fé revelada em um Deus único, incognoscível pelas vias da percepção e da razão, e transcendente. Esta religião monoteísta tem traços específicos apesar das diferenças consideráveis dos três ramos que a compõem. Henry Corbin nos mostra de pronto como, além das fronteiras impostas pela religião oficial, os espirituais do judaísmo, do cristianismo e do islame produziram uma visão homogênea e monumentos teológicos próximos uns dos outros.
Mas eis aqui o mais importante: a religião monoteísta se impôs face ao politeísmo grego e latino pretendendo acabar com a idolatria pagã: recusa-se com efeito que Deus possa se assimilar a qualquer criatura deste mundo, e se revela somente pelos livros santos, seus profetas (e segundo o cristianismo por seu filho). Eis que dois destino paradoxais recriaram, no seio do monoteísmo, a idolatria que pretendia arruinar.
Por um lado o dogma da Encarnação autorizou a inscrição de Deus na História: chegou no cristianismo à divinização da História. É assim que nasceram na época moderna, pela laicização da teologia, os filósofos da História que idolatram o devir das sociedades humanas e legitimam suas constrições.
Por outro lado, o Deus único é compreendido como a totalidade do que é. Também, cada criatura é chamada a se submeter a sua lei e a obedecer a seus representantes. Assim a religião se transforma em política totalitária.
Neste livro, Corbin opõe a essa via as lições das gnoses islâmicas, judaicas e cristãs. Mostra que a partir da revelação duas vias se abrem: uma é aquela das religiões oficiais, legalitárias onde o fenômeno Igreja e suas servitudes mediam a voz do Deus oculto, a outra e aquela da religião da Beleza, das Gnoses onde Deus torna única cada criatura, funda sua individualidade.
Para tratar deste tema, o Monoteísmo, com todas as suas profundas implicações, Henry Corbin desejou reunir em um só volume três de seus estudos apresentados em diferentes ocasiões.
- O paradoxo do monoteísmo foi escrito para uma Sessão Eranos de 1976, cujo tema era o Uno e o múltiplo.
- Necessidade da angelologia foi uma comunicação pronunciada no Colóquio organizado pela Universidade de Tours (maio de 1977) sobre o tema: o Anjo e o Homem (v. Cadernos do Hermetismo).
- Da teologia apofática como antídoto do niilismo foi pronunciado em Teerã (outubro de 1977), quando do Colóquio internacional organizado pelo Centro iraniano para o estudo das civilizações sobre o tema: O impacto do pensamento ocidental torna possível um diálogo real entre as civilizações?.
AS “MEDITAÇÕES ABISSAIS” DE HENRY CORBIN
O PARADOXO DO MONOTEÍSMO (ENSAIO)
- O Deus-Uno e os Deuses múltiplos
- As hierarquias divinas
NECESSIDADE DA ANGELOLOGIA
- Prólogo
- I. Sobre a necessidade da angelologia
- II. A angelologia neoplatônica de Proclo
- III. A tríade, a tétrade e a heptada arcangélicas
- IV. O Arcanjo Miguel e Christos Angelos
- V. A angelologia aviceniana e a assunção extática do profeta
- VI. O Arcanjo Gabriel, Espírito Santo e Anjo da humanidade
- Postlúdio: o Anjo do Rosto
SOBRE A TEOLOGIA APOFÁTICA COMO ANTÍDOTO AO NIILISMO
- I. Onde, como e quando há o diálogo?
- II. Personalismo e niilismo
- III. Teologia apofática e personalismo
- IV. Onde está o niilismo?
- V. Por um princípio de realidade rival do niilismo
