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islamismo:khosraw:poesia
POESIA
SNK
- O conteúdo da poesia de Nãsir—i Khusraw
- O pensador em declínio físico agarrou—se à poesia e à força de sua palavra como se seus versos fossem uma espada ou um cajado para afastar aqueles que o decepcionaram.
- Isolado em Yumgān e sem esperança nos reis, o autor encontrou apenas dor e luto em vez de cura nos governantes a quem recorreu.
- A busca por amparo religioso entre aqueles que vestiam o taylasan e o turbante resultou em desilusão, pois encontrou apenas infidelidade em um mundo degradado.
- O estabelecimento religioso foi justamente quem o perseguiu, em um cenário onde o povo de Khorasan é descrito como estando afogado em erros sem o perceber.
- Eu sou a prancha da arca de Noé em Khorasan; certamente não há perigo de inundação para mim.
- Consumido pela solidão e pela saudade de casa, o autor descreve seu corpo derretendo mais do que riachos congelados em dias de inverno.
- Ó brisa de Khorasan que ilumina o coração, venha, passe por quem se senta aprisionado aqui na terra montanhosa de Yumgan.
- A velhice e o lamento contra o destino
- A confusão na causa da religião em Khorasan é atribuída ao domínio do Dajjal sobre a comunidade de Muhammad.
- O autor queixa—se ao Senhor onisciente sobre todas as pessoas de sua terra natal, sentindo—se abandonado por amigos cujas casas antes o buscavam como direção de prece.
- A cúpula azulada e inquieta roubou o brilho e a beleza do poeta, transformando a doçura da vida em amargura.
- O mel da juventude transformou—se em queijo de leite azedo amargo e o orgulhoso leão tornou—se uma raposa covarde.
- Eu era uma tulipa colorida em abril — Agora sou um lírio d'água em dezembro!.
- Lírios d'água simbolizam ascetas por sua cor azulada pálida, enquanto tulipas representam o semblante jovem e alegre.
- O destino é comparado a um exército que lança grilhões e o tempo a um cavalo malhado sem corpo que desgasta seus cavaleiros.
- A sabedoria extraída do exílio
- A solidão em Yumgān é preferível à convivência com pessoas comparadas a bovinos e asnos que riem sem propósito.
- O óleo não combina com a borra; eles são a borra e eu sou o óleo.
- O conhecimento é visto como um óleo precioso extraído no almofariz do exílio através do esmagamento, semelhante ao almíscar que exala fragrância ao ser batido.
- A honestidade e o orgulho permanecem intactos, recusando—se o autor a se rebaixar diante de pessoas indignas mesmo sob fome.
- A cabeça da astúcia não repousa em meu seio, o leite azedo da mentira não enche meu pote de barro!.
- É preferível dormir sem jantar do que comer um frango emprestado, ideia que prefigura a rejeição de Iqbal ao ato de mendigar.
- O homem verdadeiro amadurece no estrangeiro (ghurbat), assim como o falcão não repousa no ninho e o ferro extraído da pedra ganha o poder de cortá—la.
- A alma e a devoção à linhagem do Profeta
- O autor identifica—se com o Simurgh, pássaro oculto cujo corpo é invisível em Khorasan, embora seu nome seja conhecido.
- O corpo é visto como uma concha perecível que guarda a alma como uma pérola real preciosa a ser entregue a Deus.
- Toda a sabedoria possuída é fruto da fé inabalável na família do Profeta, à qual o poeta jurou lealdade.
- A alma cavalga o corcel da Sabedoria porque o objeto de seu louvor é 'Alī, o primeiro imã que montava a mula Duldul.
- A luz do imã transformou o autor em um sol matinal capaz de converter cascalho em rubis de Badakhshan.
- Ao segurar o ramo abençoado da casa do Profeta, o autor sentiu—se elevado como uma cabaça amarrada a uma árvore para crescer.
- Embora a natureza manifeste a ação divina, o autor evita predicar atributos a Deus por considerá—Lo elevado demais para categorias humanas.
- Deveres rituais e interpretação esotérica
- Os deveres rituais como ablução, oração e jejum são necessários para lavar a poeira de um coração obscurecido.
- O Dīvān contém alusões constantes aos ahl—i bayt e maldições contra aqueles que privaram Fatima de sua herança em Fadak.
- A perseguição sofrida decorreu da insistência na interpretação esotérica (ta'wil) do Alcorão e dos deveres muçulmanos.
- Pregadores são criticados por descreverem o Paraíso como uma festa de prazeres sensuais para atrair os ignorantes.
- Eles pregam aos humildes na mesquita sobre o Paraíso e huris, comida e bebida… como se falassem de cevada ao asno!.
- A ciência do ta'wil é descrita como uma virgem oculta e divina que não deve ser confundida com o entendimento literal das massas.
- A religião é o orgulho, enquanto a literatura, a caligrafia e as habilidades de secretariado são apenas profissões comuns.
- Os versos do Alcorão são ouro e pérolas, mas seus exemplos (amthal) são obscuros como noites para quem não busca o sentido profundo.
- A palavra como defesa e o intelecto
- A amargura das comparações do poeta funciona como uma arma contra os inimigos da fé, destinados ao Inferno.
- O cajado ou vara aparece frequentemente como o de Moisés contra magos ou o do pastor para defender o rebanho de cães.
- Não é bom andar sem um bastão, pois você sempre vê que cães rasgam as vestes de estranhos que não possuem vara.
- O autor agradece a Deus por salvá—lo, através da família do Mensageiro, de criaturas monstruosas descritas como nisnās.
- A fé não deve ser cega, mas construída sobre o fundamento da razão e da inteligência.
- O governante fatímida do Egito é apresentado como o guardião do jardim de Deus que desembainhou a espada da verdadeira religião.
- Rejeita—se o fatalismo, argumentando que a alma humana é papel branco e a caneta do destino está na mão do próprio homem.
- Embora Deus crie o leite, a criança deve, por sua própria iniciativa, sugar o peito.
- Paralelos com Iqbal e a dignidade humana
- O pensamento de Nãsir antecipa ideias de Muhammad Iqbal, especialmente na união entre fé e razão.
- Uma veste não cobre seus defeitos — A espada pode cobri—los ou então a caneta.
- A espada é o trono do homem e a caneta é sua coroa; ambos são inúteis para aqueles que não possuem fé.
- A superioridade humana é comprovada pelo fato de Deus ter arranjado o mundo inteiro e seus astros para servir ao homem.
- Se você não fosse convidado de Deus, por que então Deus o teria colocado nesta abóbada com todas estas velas?.
- A posição elevada do homem traz deveres, questionando—se por que animais não são cobrados por suas ações enquanto humanos são cheios de culpa.
- O intelecto é o maior bem concedido, sendo o homem comparado a um condutor de camelos que deve guiar seus talentos.
- A alma prisioneira e a natureza do conhecimento
- A alma é descrita como uma estrangeira infeliz vivendo em uma cidade que é o corpo material.
- O corpo é visto como filho da erva e a erva como filha do pó, inclinando—se constantemente para seu ancestral.
- Uma nova interpretação da lenda do pavão e da serpente sugere que a razão é o pavão, a ignorância é a serpente e o corpo é Iblīs.
- Sem sabedoria, as formas físicas não importam, não havendo diferença real entre diferentes etnias ou cores de pele.
- A razão foi minha líder… e a Fé me deu virtude e força para suportar e obedecer!.
- A razão é a alquimia da ventura e a mina da bondade, justiça e benevolência.
- A morte é identificada com a ignorância, enquanto a vida é o conhecimento; o ignorante é um morto e o sábio é o vivo.
- O conhecimento como proteção e purificação
- O conhecimento é o único meio de proteção contra as vicissitudes do destino, funcionando como um escudo inabalável.
- O ditado profético sobre o demônio que se tornou muçulmano é interpretado como a superioridade da razão em transformar os baixos instintos.
- A verdadeira ornamentação masculina não está no ouro ou na seda, mas na virtude, sabedoria e comportamento adequado.
- Uma cabeça na qual não há razão nem virtude certamente não é melhor que uma cabaça!.
- O fiel deve lavar a alma com o sabão da religião e vesti—la com o traje do conhecimento e da obediência.
- A ignorância é uma serpente pesada e feia que leva os estúpidos a armadilhas de demônios no deserto.
- Critica—se o uso constante dos dentes enquanto o intelecto permanece inativo em mentes adormecidas.
- Crítica social e hipocrisia religiosa
- Pessoas puras são silenciosas como peixes, enquanto os tagarelas que dizem tolices são como pardais.
- Um homem com razão acha a vaca silenciosa muito melhor do que tais pessoas falando palha!.
- Farsantes que apenas repetem o que ouvem são comparados a alaúdes que produzem sons sem significado próprio.
- Ignorantes correndo atrás de desejos carnais são assemelhados a asnos, símbolos de sensualidade e comportamento sujo.
- Nem todo mundo com asas é um falcão, pois milhafres que vivem de camundongos também têm asas!.
- A ganância é descrita como um cavalo perigoso feito de baixeza, cujas rédeas são o ato de mendigar.
- A negligência espiritual é tamanha que o uivo do lobo soa mais agradável aos ímpios do que o chamado do muezim.
- Os demônios riem quando observam você sentado: Você encara o nicho de oração — e sonha com taças!.
- A inversão de valores no mundo
- O autor lamenta que tavernas sejam como castelos e mesquitas estejam destruídas, enquanto cantores enriquecem e recitadores do Alcorão calam—se na miséria.
- O vinho tinto é comparado ao sangue do mártir Husayn, e o pecado grave é assemelhado ao abate da camela de Salih.
- Eruditos são tachados de hipócritas que tentam consertar o telhado alheio sem conseguir reparar as próprias paredes.
- A história da cabaça que cresceu em vinte dias e se vangloriou perante o plátano de trinta anos ilustra a pretensão dos ignorantes que não resistem à tempestade do inverno.
- Advogados e juristas são acusados de distorcer a lei por suborno, sendo comparados a crocodilos gananciosos.
- Se esses advogados são reais jurisconsultos, então o próprio Satanás é um jurista!.
- A intenção da poesia é espalhar sabedoria e conselhos, seguindo o preceito de que a religião consiste em bons conselhos.
- Virtudes e ética prática
- O conselho do sábio é doce e o coração de quem adquire sabedoria torna—se um oceano vasto.
- Entre os sábios, uma pessoa sem virtude não se encaixa bem: É como um colar de pérolas onde no centro uma pedra é colocada.
- A paciência é uma flecha contra a qual não há escudo e o princípio da vitória, assemelhando—se à azeitona que produz o óleo da conquista.
- Ervas odoríferas crescem do esterco, ensinando que não se deve desesperar diante das dificuldades.
- A ética do não ferir é central: se não se deseja ser ferido, não se deve perfurar o coração alheio com rancor.
- O escorpião que causa dor a você — um dia ele sofrerá dor igual de você!.
- O mosquito vive pouco porque causa sofrimento ao elefante, reforçando que o que importa é o bom nome conquistado por obras.
- Portões celestiais abrem—se com a bondade e a obediência, além da prática de comer o que é puro e não mentir.
- O ideal do crente e a missão poética
- O crente verdadeiro deve ser como uma espada: suave como água em tempos de paz, mas cortante como fogo contra o mal.
- Esse ideal combina majestade (jalāl) e beleza (jamāl), assemelhando—se ao mard—i momin de Iqbal, “suave como seda e afiado como aço”.
- Nãsir trabalhou no aperfeiçoamento das pessoas buscando a verdade interior das promessas divinas, longe de teólogos exteriores comparados a burros.
- Se a carne apodrece, aplica—se sal; se o sal apodrece — o que pode então ser feito?.
- O autor insta à propagação das palavras de Haydar ('Alī), mesmo sob o risco de aprisionamento em Yumgān.
- O Dīvān reflete esperanças, tristezas e fé inabalável na causa fatímida, sendo um edifício vasto de pensamento religioso—filosófico.
- Diferente de outros poetas, Nãsir coloca a razão no papel central da vida humana, e o termo “amor” ('ishq) está ausente de sua obra.
- A sobriedade do raciocínio e a técnica técnica magistral ao descrever jardins e estrelas compensam a falta de êxtase místico.
- Esta tradução busca preservar a dicção e formas retóricas originais, sem envolver as palavras de sabedoria em trajes modernos injustos.
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