User Tools

Site Tools


Action unknown: copypageplugin__copy
islamismo:ruzbehan:rtes:ruspoli

STÉPHANE RUSPOLI

Excertos do estudo e tradução de Stéphane Ruspoli

Segundo Stéphane Ruspoli, para uma introdução ao tratado de Ruzbehan, além da familiarização com o léxico do sufismo oferecido em anexo, é indispensável certas explicações quanto à natureza e à função do Espírito Santo em sua doutrina. O Xeique dedicou seu livro às almas de elite entre os sufis do presente e do passado dispersados através do mundo, e que reúnem um mesmo ideal que se pode definir como santificação do espírito. Não obstante seus diferentes níveis na escala da perfeição ou santidade — os dois termos sendo homônimos — todos os espíritos têm uma mesma origem. É o Espírito Santo (Ruh al-quds) que é seu princípio celeste. Ruzbehan tem uma consciência aguda da filiação divina das almas humanas de que evoca as provações, os temores e as alegrias, os êxtases e os estados místicos, as visões e os desvelamentos ao longo do presente tratado. O Espírito Santo é seu paredro celeste, seu princípio emanador, e seu lugar de retorno. Melhor dizendo, o Espírito Santo é como o «Pai» das almas humanas que espiritualiza inspirando-as e guiando-as, pela dupla via da ascese e da contemplação.

Se fosse preciso definir a função do Espírito Santo na doutrina de Ruzbehan, dir-se-ia que serve de mediador entre a divindade e as almas dos peregrinos. Representa a determinação específica da luz e da vida divina imanentes aos seres. Esta concepção geral decorre da tradição bíblica, retomada pelo Islame, na qual o Espírito aparece como mensageiro, o anjo de Deus que instrui os profetas e os sábios, ao mesmo tempo que é a essência constitutiva dos humanos. Com efeito, é este Espírito divino que foi insuflado em Adão quando da criação, segundo as versões sucintas da criação do homem segundo o Corão. Em sua exegese recorrente da busca da santidade (quds), Ruzbehan está sempre atento à filiação divina das almas humanas que chama «espíritos santos». Cada entidade humana é uma parcela constitutiva do Adão primordial, no seio do qual preexistia como um germe, no estado de «razão seminal». Em seguida os espíritos santos foram enviados nas matrizes corporais onde se tornaram almas encarregadas de governar um ser vivente conforme os imperativos do Espírito divino, pela interpretação da inteligência (aql). Desde então, as almas fieis devem responder nesta vida ao pacto metafísico da Aliança, estabelecida entre Deus e a humanidade no pleroma celeste. É o reconhecimento da soberania divina que indica a resposta das almas à questão decisiva de seu Criador: «Não sou vosso Senhor?» Em uma passagem do Jasmim, Ruzbehan recorda a nobre origem das almas criadas à imagem divina pela boca do Enviado de Deus. E diz: Quando o Profeta, assumindo a triple iniciação da lei religiosa, da via espiritual e da verdade mística viu com os olhos da alma a marca do Amado no espelho que é Adão […] Então anunciou aos espíritos santos com uma voz triunfal: Deus criou Adão como imagem de sua própria forma».

islamismo/ruzbehan/rtes/ruspoli.txt · Last modified: by 127.0.0.1