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MITO DE OSÍRIS

Campbell

Joseph Campbell: “TRANSFORMATIONS OF MYTH THROUGH TIME”

Desejo agora apresentar o mito básico de Osíris e Ísis. Esta é Nut, a deusa do céu. De maneira exatamente oposta à da Mesopotâmia, onde o deus está acima e a deusa é a terra, temos aqui a deusa do céu, Nut, constelada de estrelas; e eis o seu consorte, Hem, o deus da terra. É o senhor do abismo cósmico, do qual tudo saiu. Viajando no barco celestial, o grande barco de Ra, deus do sol, as almas que se encontram nessa barcaça percorrem o firmamento e, em vez de descer, penetram na boca de Nut e então nascem no Oriente. O senhor do ar separa o céu e a terra. Trata-se de temas míticos básicos, que ocorrerão em muitas outras mitologias. Os primeiros filhos de Hem e Nut são Ísis e Osíris. A deusa Ísis é o trono onde se senta o faraó. Osíris é seu irmão gêmeo. São marido e mulher. O irmão e a irmã mais novos são Set e Néftis, que também são marido e mulher. Ora, uma bela noite, Osíris dormiu com Néftis, julgando que ela era Ísis. Tal acidente significa falta de atenção a detalhes, e disso podem advir maus resultados. Ela teve um filho, Anúbis, que tinha cabeça de chacal.

Set não gostou daquilo e planejou uma vingança. Tomou as medidas de Osíris e mandou fazer um sarcófago que se lhe ajustaria exatamente. Estava-se realizando uma alegre festa quando Set chega e declara possuir um belo sarcófago que poderia vir a pertencer a quem coubesse nele. Assim, tal como Cinderela e o sapatinho de cristal, todos experimentam o sarcófago. Quando Osíris entra nele e se ajusta perfeitamente, setenta e dois criados acorrem, prendem a tampa do sarcófago com tiras de ferro e o jogam no Nilo. Osíris flutua rio abaixo, é atirado a uma praia da Síria e junto ao sarcófago cresce uma grande árvore que o envolve.

Ísis sai à procura do marido. Chega ao lugar onde Osíris está encerrado na árvore. Entretanto, o príncipe daquela cidadezinha tivera um filho. Nascera um menino e o príncipe construíra um palácio. Ficara tão encantado com o perfume provindo daquela árvore que a mandara cortar, transformando-a num pilar do palácio. Osíris, portanto, está no palácio, dentro de um pilar.

Ísis senta-se à beira do poço onde as moças do palácio vêm buscar água e elas convidam aquela bela mulher mais velha a entrar e a tornar-se a ama do principezinho recém-nascido. Ela aceita o encargo e amamenta a criança com seu dedinho. A condescendência das deusas não pode passar daí.

À noite, para conferir imortalidade à criança, Ísis coloca-a na lareira e entoa seus encantamentos. Espera-se que o fogo queime suas características mortais e o tome imortal. Enquanto isso, ela se transforma numa andorinha e, chilreando lamentosamente, voa em tomo do pilar. Ora, sucede que uma noite a mãe do menino chega repentinamente em meio a essa cena e, como se pode imaginar, põe-se a gritar. Lá está a criancinha na lareira, e ninguém a vigiá-la; há apenas uma estranha andorinha chilreando e adejando em torno de uma coluna. E urge salvar a criança do fogo, pois o encantamento havia-se quebrado e a andorinha se transforma na linda ama. Ísis, então, explica a situação da melhor maneira possível e depois diz: “A propósito, meu marido está naquele pilar. Poderiam dar-me esse pilar para que leve meu marido para casa?” E o rei responde polidamente: “Pois não, minha querida.”

O pilar é colocado numa barcaça e no trajeto de volta, através do pântano de papiros, Ísis tira a tampa do sarcófago, deita-se sobre Osíris morto e concebe Hórus. Osíris tem agora dois filhos: um de Néftis — Anúbis, o menino-chacal — e outro de Ísis — Hórus.

Ísis receia voltar ao palácio porque Set subiu ao trono. Dirige-se ao pântano de papiros e dá à luz Hórus. Os deuses Amon e Thot vêm dar-lhe assistência.

Entretanto, tendo saído para caçar, Set, ao perseguir um javali, chega ao pântano de papiros e encontra Ísis junto ao cadáver de Osíris. Furioso, ele corta Osíris em quinze pedaços, espalha-os pelos arredores e a pobre Ísis é obrigada a ir procurá-los novamente. Desta feita ela é ajudada por Néftis e Anúbis, que fareja em derredor, e eles acabam encontrando quatorze pedaços.

O Osíris morto está associado às cheias do Nilo, que fertilizam o Egito. E os humores do corpo putrefato de Osíris identificam-se com as águas do Nilo. É ele, por conseguinte, a força fertilizante do Egito.

Os quatorze pedaços são reunidos e Anúbis, desempenhando o papel que será mais tarde assumido pelos sacerdotes, embalsama Osíris. O pedaço que falta, os órgãos genitais, fora engolido por um peixe. Tal é a origem da refeição à base de peixes nas sextas-feiras: é a forma sacramental de consumir a carne sagrada. Tendo deixado de ser um genitor, Osíris é a imagem do faraó morto e torna-se o rei do mundo inferior. O Osíris ressuscitado é agora o juiz dos mortos. Seu filho Hórus, que cresceu rapidamente, empenha-se numa grande batalha contra seu tio Set, a fim de vingar o pai. No curso da batalha, Hórus perde um olho. Esse olho simboliza a oferenda sacrifical. Graças a essa perda, ele traz seu pai de volta à vida. Set perde um testículo no combate.

Chegamos agora à cena do julgamento, extraída do Livro dos Mortos de Ani. Eis Osíris sentado no seu trono de juiz dos mortos, ao lado da água da vida eterna. Atrás dele estão suas duas rainhas, Ísis e Néftis. Ele tem nas mãos o cajado simbólico dos pastores e o açoite de joeirar, com o qual se bate o trigo para separar a palha da semente. Vemos o olho de Hórus, graças ao qual ele foi ressuscitado, e, brotando das águas da vida eterna, lá está o lótus do mundo, onde os quatro filhos de Hórus representam os quatro pontos cardeais do universo. Ao morrer, a pessoa passa a identificar-se com Osíris. Esse tema é muito importante. A pessoa morta chama-se Osíris, Osíris da Silva, digamos. Esse Osíris empreende a viagem pelo mundo inferior para unir-se a Osíris. Osíris vai ao encontro de Osíris. Eu e o pai somos um — eis o tema. A caminho, ele volta a comer todos os deuses. Quer isso dizer que os deuses são interpretados como projeções de nossas próprias energias. Nós consumimos os deuses. Em alguns casos, isto se reproduz na realidade sob a forma de canibalismo. De variadas maneiras, em outros textos, ele pode dizer simplesmente: “Minha cabeça é a cabeça de Anúbis; Meus ombros são os ombros de Set.” Vale dizer, cada órgão de meu corpo é o órgão de algum deus e, no mundo inferior, ninguém me tirará o coração. Pode-se fazer uma ideia dos perigos do mundo inferior. “Arreda, crocodilo do norte. Arreda, crocodilo do sul.” Chega então o grande momento da abertura da boca no mundo inferior: “Eu sou ontem, hoje e amanhã. Tenho o poder de nascer uma segunda vez. Sou a fonte de onde nascem os deuses.” Esta é uma realização importante. Eis o que deve ser realizado — preferivelmente antes da morte, mas, se não, a caminho do mundo inferior.

Em seguida, no mundo inferior, chegamos à solene pesagem do coração do morto, confrontado com uma pena. Se o coração for mais pesado que a pena, um monstro o consumirá. Se a pena for mais pesada que o coração, ou se ambos se equilibrarem, a pessoa será elegível para a vida espiritual. Ani, o escriba que preparou esse papiro, está sendo levado para a pesagem. Anúbis pesa, enquanto o monstro aguarda para ver se receberá sua refeição. Thot registra os resultados. Finalmente, Hórus incumbe-se de levar Ani até o trono de Osíris. Este é um livro dos mortos, e a mitologia está explícita.

Hani

Plutarco

É nos Textos das Pirâmides que se encontra a versão mais antiga da lenda osiriana, o que remonta aos arredores da VI dinastia. Mas o conteúdo desta compilação é constituído de elementos que remontam, eles, por via de transmissão oral, muito mais alto, até o período anterior à I dinastia. Certas partes do mito chegaram-se pois de muito longe. Disso via-se outrora uma prova no fato de que o nascimento das principais divindades que ali desempenham um papel se fixa, como se dirá mais adiante, nos Cinco dias epagomenos da teologia heliopolitana: ora, fazia-se o estabelecimento do calendário, que é obra de Heliopolis, remontar ao fim do V milênio. Mas este ponto de vista não se torna mais admissível e a constituição do calendário não pode ser recuada para além do começo do III milênio.

A lenda osiriana desenvolveu-se sempre mais e, a partir do Novo Império, tornou-se realmente preponderante na vida religiosa do Egito, e este elã só fez amplificar-se até o momento em que a religião dos deuses egípcios, transbordando as fronteiras de sua pátria, conquistou o mundo greco-romano onde se ofereceu a milhares de almas decepcionadas ou angustiadas como um penhor de consolação e de salvação.

É o estado da lenda osiriana nesta época do I século depois de Cristo que Plutarco transmite.

Seu relato é o mais completo que se tem. Isso se explica facilmente: a lenda era conhecida dos sacerdotes, mas muito pouco revelada; os textos egípcios pululam de alusões a Osíris e a sua destinação, mas nenhum dá um relato completo. Em contrapartida, ela era muito difundida no povo e é dele, sem dúvida, que os gregos a aprenderam. A versão que Plutarco transmite deve remontar aos arredores dos V-IV séculos antes de Cristo, isto é, ao momento em que a Grecidade entrou em contato com o Egito.

Imagina-se facilmente que, desde suas longínquas origens, a história osiriana deve ter conhecido muitos avatares em seu país mesmo, sem se falar das deformações sofridas em razão dos gregos. Não obstante, os traços essenciais e até os detalhes da versão plutarqueana, ainda que alguns tenham sido mais voluntariamente e mais longamente desenvolvidos na Época tardia, remontam seguramente à mais alta antiguidade, como se poderá constatar ao se confrontar com os documentos egípcios.

O relato do mito osiriano no De Iside se desenrola em oito fases, cuja sequência será aquela mesma de nosso estudo:

I. Os nascimentos divinos (de Is., 12, 355 D-356 A).

  1. O reinado terrestre de Osíris (de Is., 12, 356 A-B).
  2. O assassinato de Osíris (de Is., 13, 356 B-D).
  3. O luto e a primeira busca de Osíris (de Is., 14, 356 D-F).

V. A invenção de Osíris em Byblos (de Is., 15-16, 357 A-D).

  1. O retorno de Byblos e o nascimento de Horus (de Is., 16-17, 357 D).
  2. O desmembramento e o sepultamento de Osíris (de Is., 18, 357 F-358 A-B).
  3. A vingança de Horus: derrota e julgamento de Seth (de Is., 19, 358 B-E).

Robin

Seth

  • A conspiração de Seth contra Osíris
    • A paixão de Seth por Ísis e a conspiração para assassinar Osíris e tomar o poder no Egito.
    • A dificuldade do empreendimento devido à proteção da corte de nobres a Osíris.
    • A concepção de uma artimanha “diabólica” por parte de Seth, explorando o fascínio egípcio pela morte.
  • A fascinação egípcia pela morte e o contexto cultural
    • A vontade de dominar o destino post mortem para viver eternamente, longe de um caráter mórbido.
    • A consideração da existência terrestre como um interlúdio e a orientação dos pensamentos para a vida futura.
    • O investimento na construção de tumbas suntuosas e o ritual do Livro dos Mortos.
    • A prática de exibir um caixão em miniatura com um esqueleto durante os banquetes para recordar a mortalidade.
  • A armadilha do sarcófago
    • Aproveitamento por Seth dos costumes funerários para armar uma cilada a seu irmão.
    • A obtenção das medidas exatas de Osíris mediante um estratagema.
    • A construção de um caixão esplêndido de cedro, adornado com figuras de lápis-lazúli e inscrições hieroglíficas protetoras.
    • A organização de um grande banquete por Seth, com a presença de Osíris e 72 conspiradores.
    • A exposição do sarcófago em uma antessala para despertar a cobiça dos convidados, incluindo a de Osíris.
  • O desenrolar do banquete e o fechamento do estratagema
    • A refeição, o consumo de vinho e o entretenimento com dançarinas.
    • O anúncio de Seth de que presentearia o sarcófago a quem nele coubesse perfeitamente.
    • A tentativa frustrada dos convidados de se deitarem no caixão.
    • O convite direto de Seth a Osíris para experimentar o sarcófago.
    • O encaixe perfeito de Osíris no caixão, seguido do fechamento, cravação e vedação com chumbo derretido pelos 72 conspiradores, causando a morte do deus por asfixia.
  • As consequências imediatas do assassinato e a fuga de Ísis
    • A partida de Seth e seus partidários em carruagens para conquistar o reino.
    • A fuga bem-sucedida de Ísis, irmã e esposa de Osíris, após ser alertada a tempo.
  • O destino do corpo de Osíris e a perseguição a Ísis
    • A preocupação de Seth em evitar um funeral e um túmulo monumental para Osíris que se tornasse um ponto de veneração.
    • O lançamento do caixão no Nilo por ordem de Seth.
    • O resgate do caixão por Ísis, a realização de ritos necromantes e a concepção de Hórus.
    • A fuga de Ísis para os pântanos de papiro do Delta com o corpo de Osíris.
    • O juramento de Seth de perseguir e matar Ísis e de destruir definitivamente o corpo de Osíris.
    • A busca infrutífera de Seth pelo Egito durante longos meses.
  • O reencontro no deserto e o desmembramento de Osíris
    • O refúgio de Ísis, grávida e exilada, perto de uma palmeira no deserto, com o corpo de Osíris ao seu lado.
    • A chegada de Seth e seus 72 companheiros, alertada por um ruído de cavaleiros.
    • O esconderijo de Ísis em um pântano de papiro e a descoberta do sarcófago por um dos conspiradores.
    • A quebra do caixão e a retirada do corpo de Osíris por ordem de Seth.
    • A ordem de Seth para que o cadáver do deus fosse cortado em 14 pedaços e dispersado por todo o reino.
  • A vingança de Hórus e a peregrinação de Ísis
    • A vitória de Hórus, o deus-falcão filho de Ísis, sobre Seth, e sua conquista do Duplo País.
    • A peregrinação de Ísis pelo Egito em busca dos fragmentos do corpo de Osíris.
    • A construção de um grande templo em cada local onde uma parte do corpo era encontrada, totalizando 13 partes recuperadas.
    • A retenção do 14.º pedaço, o falo de Osíris, por Seth, que o embalsamou e conservou como um poderoso talismã.
    • A incapacidade de Hórus de derrotar Seth completamente, apesar de tê-lo vencido em três batalhas, devido ao poder do talismã.
  • A reinterpretação do mito: Seth como sacrificador e princípio necessário
    • A transfiguração de Seth de assassino para sacrificador na interpretação simbólica do mito.
    • A interpretação alquímica do mito por Athanase Kircher e Dom Pernety, onde o assassinato representa uma fase do Grande Obra.
    • A citação de Kircher: “Osíris (a matéria) é posto em pedaços por seu irmão adúltero Tífon (Seth)… e colocado em um túmulo (balão de vidro), onde sofre a ação de Ptá (o fogo secreto).”
    • A perfeição superior alcançada por Osíris após o “assassinato”, tornando Seth um agente de transformação.
  • A natureza dualística dos princípios cósmicos: Seth e Osíris
    • A compreensão de Pierre Gordon sobre os “demônios” como personagens sacros que aplicam provas aos neófitos, e não como entidades malignas.
    • As considerações de Schweich na “Arqueologia Filosófica” sobre as duas atividades vitais: a penetrante (central, decompositora) e a refletidora (periférica, formadora).
    • A associação de Schweich de Seth-Tífon, Caim, Arimã, Plutão e Lúcifer à atividade penetrante, e de Hórus, Abel, Ormuzd à atividade refletidora.
    • O paralelo com a teoria corpuscular-ondulatória da matéria, onde Seth representa o aspecto ondulatório (sutil) e Osíris o corpuscular (manifesto).
    • A relatividade dos conceitos de “benéfico” e “maléfico” conforme a perspectiva: do mundo manifesto ou da reintegração final no Princípio.
    • A afirmação de René Guénon de que “o fim de um mundo nunca é senão o fim de uma ilusão”.
  • A relação entre Ísis, Seth e Osíris na economia cósmica
    • A identificação de Ísis como uma imagem da substância universal.
    • O papel de Seth como princípio ondulatório que busca “efetuar” a substância diferentemente de Osíris, o princípio corpuscular.
    • A necessidade da dissolução do estado corpuscular (Osíris) para se alcançar um estado mais sutil da matéria.
  • A distribuição cósmica e a natureza dos deuses
    • A confirmação da dualidade pela atribuição de Seth como deus celeste e de Hórus e Osíris como deuses terrestres, conforme um compromisso institucionalizado pelo clero egípcio.
    • O caráter noturno e ctônico de Osíris, o deus dos mortos que reside no mundo inferior.
    • A citação do hino que demonstra a agressividade de Osíris em relação aos deuses celestes: “O mundo no qual me encontro está cheio de espíritos audaciosos que não temem nem deuses nem deusas.”
    • A representação de Osíris e Hórus como o devir, o mundo criado sujeito à corrupção e à morte.
    • A representação de Seth como o Não-Ser, as Trevas em sentido superior.
  • A correlação com os mistérios egípcios e o poder temporal
    • A associação do Baixo Egito e da coroa vermelha aos Pequenos Mistérios e ao poder temporal.
    • A associação do Alto Egito, terra de Seth, e da coroa branca aos Grandes Mistérios sacerdotais.
    • A transformação de Seth de assassino vulgar em destruidor das aparências ilusórias que velam a realidade suprema.
    • A “diabolização” dos Grandes Mistérios quando incompreendidos pelo comum, analogamente à localização subterrânea de Agartha, interpretada erroneamente como infernal.
  • A representação astronômica sagrada do mito
    • A identificação da alma de Seth com a constelação da Ursa Maior no firmamento, conforme Plutarco.
    • O reconhecimento da Ursa Maior como paraíso dos homens transcendentes em diversas tradições: Sete Rishis na Índia, Sete Expertos (Apkallû) na Caldéia, sete patriarcas antediluvianos na Gênese, sete caçadores de ursos entre os Índios Pés Pretos.
    • A associação na Grécia da Ursa Maior (Arktos) a Seth-Tífon, a Ártemis e aos Sete Sábios.
    • A correspondência das 14 partes do corpo de Osíris com as 14 estrelas das constelações da Ursa Maior e Ursa Menor.
    • A identificação do falo de Osíris com a Estrela Polar, cujo correspondente terrestre é um túmulo vazio.
    • O paralelo com o mito de Dionísio Zagreu, desmembrado em 14 pedaços pelos Titãs.
    • A correlação com os 14 graus da Liberação espiritual (moksha) na Índia.
  • A perpetuação dos mistérios séticos e a perspectiva escatológica
    • O triunfo dos Pequenos Mistérios osirianos e horianos no Egito histórico.
    • A persistência clandestina dos Grandes Mistérios séticos até um momento predestinado.
    • A afirmação de René Guénon sobre os segredos do Polo estarem bem guardados e Seth ser o espírito retor da Estrela Polar.
    • A profecia de que, quando Osíris desaparecer definitivamente no Ocidente, Seth manifestará novamente o axis mundi sobre a terra.

Schwarz

  • A Significação de Osíris na Religião Egípcia
    • A notoriedade de Osíris decorrente do caráter humano de sua lenda, que envolve traição, morte e ressurreição.
    • A superação da morte por Osíris, possibilitada pela piedade conjugal de Ísis, assegurando a sobrevivência eterna para a humanidade.
  • A Supremacia de Osíris em Abidos e no Além
    • A substituição definitiva de Khentamentiu por Osíris como patrono dos mortos e das necrópoles em Abidos.
    • A propagação do culto a Osíris por todo o Egito como deus do Além e garantidor da ressurreição humana.
    • O suplantar da religião solar no mundo subterrâneo pela osiriana.
  • A Natureza Dual da Alma: Rê e Osíris
    • Osíris como uma manifestação do Sol noturno.
    • O conceito de “alma dupla”, na qual Rê e Osíris são as duas manifestações.
  • A Origem Divina e o Reinado Civilizador de Osíris
    • O nascimento de Osíris, filho de Geb e Nut, durante o primeiro dos cinco dias complementares do ano.
    • A ascensão de Osíris ao trono como rei do mundo.
    • As contribuições civilizatórias de Osíris: tirar os egípcios da vida selvagem, ensinar o cultivo, promulgar leis e instituir o respeito aos deuses.
    • A missão civilizadora de Osíris ao percorrer a terra inteira.
  • A Conspiração de Seth e o Assassinato de Osíris
    • O caráter justo e benéfico do reinado de Osíris no Delta durante a Idade de Ouro.
    • A hostilidade e a inveja de Seth, seu irmão e governante do sul.
    • O plano diabólico de Seth para eliminar Osíris, envolvendo um banquete e uma caixa.
    • A participação dos setenta e dois cúmplices de Seth no estratagema.
    • A morte de Osíris, selado na caixa e lançado no Nilo.
  • A Busca de Ísis e a Mutilação do Corpo por Seth
    • A existência de numerosas variantes do mito, convergindo no motivo do afogamento.
    • A “Busca de Ísis”, na qual a viúva recupera o corpo do marido.
    • O roubo e a desmembramento do corpo de Osíris por Seth em catorze (ou dezesseis) partes, dispersas pelo Egito a partir de Nedit.
  • A Traição de Néftis e o Nascimento de Anúbis
    • A versão alternativa e mais difundida do adultério de Osíris com Néftis, arquitetado por Seth.
    • O subterfúgio de Néftis ao usar o vestido perfumado de Ísis para enganar Osíris.
    • O nascimento de Anúbis, fruto da união entre Osíris e Néftis.
    • A dupla origem do equívoco de Osíris: o perfume da vestimenta e a semelhança física com Ísis.
    • O assassinato de Osíris por Seth durante o sono, após o acúmulo.
  • A Reconstituição do Corpo e o Embalzamento por Anúbis
    • O arrependimento de Néftis e sua assistência a Ísis na busca pelos membros de Osíris.
    • A reconstituição do corpo de Osíris e a vigília conjunta das irmãs.
    • O embalsamamento do corpo por Anúbis, filho ilegítimo de Osíris, auxiliado pelos quatro filhos de Hórus.
    • A atribuição divina aos filhos de Hórus como protetores das vísceras nos vasos canopos.
  • A Ressurreição Fálica e a Concepção de Hórus
    • A primeira versão do evento: a recuperação de todos os membros exceto o falo, devorado pelo peixe Khat.
    • A criação da primeira múmia através da reconstituição do corpo por Ísis.
    • A tentativa frustrada de Ísis de devolver a vida plena a Osíris.
    • O apaziguamento do violento chagrin de Ísis através do amor e das “sábias carícias”.
    • A revitalização de Osíris e a recriação de sua parte genital perdida.
    • A concepção de Hórus a partir da semente de Osíris recolhida por Ísis.
  • A Metamorfose de Ísis e o Nascimento de Hórus
    • A transformação de Ísis na forma de um pássaro, um Ba.
    • A descrição dos atos de Ísis: “… ela lhe fez sombra com suas asas e o ventou; Ela chorou de alegria e trouxe seu irmão de volta à terra. Ela afastou a fadiga que se havia apoderado do corpo inanimado e recolheu sua semente em seu corpo para lhe dar um herdeiro. Ela amamentou a criança no maior segredo, em um lugar onde ninguém poderia saber quem ele era”.
    • O nascimento secreto do filho de Ísis e Osíris em um espesso bosque de papiro no delta do Nilo.
    • A amamentação de Hórus e o temor de Ísis pela vingança de Seth.
  • A Anunciação e a Profecia do Nascimento de Hórus
    • O relato alternativo no qual Ísis dá à luz um falcão.
    • A exclamação de Ísis aos deuses: “Ouvi, ó deuses! Eu sou Ísis, a irmã de Osíris, a deusa que derramou suas lágrimas por vosso pai Osíris, cuja morte provocou o carnificina nas Duas Terras. A semente do deus está em meu ventre. Eu formo o corpo de um deus como um ovo”.
    • A profecia de que o filho “governará o mundo inteiro, herdará todo o patrimônio de Geb, falará em nome de seu pai e matará Seth, o inimigo de seu pai”.
    • O diálogo entre Ísis e Atum, no qual este reconhece a concepção como um ato da vontade divina e decreta a proteção da criança: “Em verdade, isto é bem a semente de Osíris! Que aquele que matou o pai nunca se aproxime para destruir o ovo no qual cresce o pequeno: que o grande Mágico o respeite!”.
  • O Nascimento do Falcão e a Proclamação de Hórus
    • O anúncio de Ísis: “Ouvi todos! Aquele que eu carrego em meu útero é um falcão!”.
    • A declaração de Atum: “Eh bem! Sai então! Vem à luz! Eu te saúdo! Que os discípulos de teu pai te sirvam e te adorem! Eu criarei teu nome quando tiveres alcançado o horizonte, quando estiveres sobre as muralhas daquele cujo nome é oculto”.
    • A invocação de Ísis para que Hórus ocupe seu lugar entre os deuses: “Toma lugar sobre esta terra que pertence a teu pai. Eu peço que se te reserve um lugar especial entre os seguidores de Rá, quando este se assenta em seu barco, à proa do barco originário que navega na eternidade”.
    • O primeiro voo de Hórus e a exclamação de Ísis: “Ó deuses! Olhai Hórus!”.
  • A Autoproclamação e a Supremacia de Hórus
    • A voz de Hórus, o Falcão, que se eleva pela primeira vez: “Eu sou Hórus, o grande Falcão sobre as muralhas do palácio daquele cujo nome é oculto”.
    • A proclamação de seus feitos: “Meu voo me conduziu até o horizonte. Eu dominei os deuses de Nut. Eu fui mesmo mais longe que os deuses do passado eles mesmos!”.
    • A afirmação de seu poder sobre Seth: “Eu mesmo ultrapassei o poder de Seth, o inimigo de meu pai Osíris e o pisarei sob meus pés, eu a quem chamam Manto vermelho”.
    • A invulnerabilidade de Hórus: “Ó deuses! O sopro ardente de vossa boca não poderá me fazer mal algum! O que puderdes dizer contra mim não me causará jamais prejuízo, pois eu sou Hórus e meu domínio se estende bem mais longe que os deuses e os homens, e eu sou também Hórus, o filho de Ísis”.
  • O Cativeiro de Ísis e a Revitalização Sexual de Osíris
    • A prisão de Ísis por Seth, temendo que ela procurasse os membros de Osíris.
    • O cuidado de Seth em lançar o falo de Osíris no Nilo para ser devorado pelo peixe Khat.
    • O poder do amor e do desejo de Ísis em restabelecer a virilidade de Osíris.
    • As representações de Osíris no além, com o pênis em ereção, cercado pela serpente cósmica e por Aker, a esfinge de duas cabeças.
    • A revitalização de Osíris pelos raios do Sol durante a viagem noturna, conforme o rito de solarização descrito no Livro dos Mortos.
  • A Importância da Virilidade de Osíris para os Egípcios
    • A preocupação constante dos egípcios com o renascimento da virilidade de Osíris.
    • A crença de que a potência sexual do deus determinava a potência individual, a procriação e a prosperidade coletiva.
    • A prece do peregrino no túmulo, evocando a missão de Hórus: “Dize-lhe que eu vim aqui para me assentar na câmara de Osíris, o pai, e vencer a doença de que o deus é atingido, para que eu possa por minha vez me tornar um Osíris em posse de toda sua força, para que eu possa renascer nele e possuir seu vigor reanimado, para que eu possa revelar o que atormenta o sexo de Osíris e ler no rolo selado colocado a seu lado, pelo qual a boca dos deuses é aberta”.
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