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ELIADE

Mircea Eliade (1907-1986)

WASSERSTROM, Steven M. Religion after Religion: Gershom Scholem, Mircea Eliade, and Henry Corbin at Eranos. Princeton: Princeton University Press, 1999.

  • Mircea Eliade iniciou sua carreira norte-americana com as palestras Haskell na Universidade de Chicago, publicadas como “Ritos e Símbolos da Iniciação”, mas foi somente em seus diários que se tornou mais explícito sobre suas conexões pessoais com a iniciação, considerando-a uma defesa contra o terror da história e dos desejos coletivos.
    • A publicação das palestras Haskell marca o início de sua carreira acadêmica nos Estados Unidos.
    • O diário pessoal revela uma dimensão existencial de seu interesse pela iniciação.
  • A palestra “Iniciação e o Mundo Moderno”, proferida para uma audiência de maçons e publicada no primeiro volume do jornal maçônico Travaux de Villard de Honnecourt, é particularmente importante na obra de Eliade, e a forma de sua publicação, cercada de introduções e entrevistas, permite inferir sua íntima associação com a prática iniciática e seus praticantes.
    • A palestra foi proferida para um público maçônico específico.
    • A publicação no periódico maçônico inclui material adicional que contextualiza a relação de Eliade com o meio.
  • A versão da palestra publicada no jornal maçônico difere de outras versões que Eliade publicou em diferentes ocasiões, sendo quase certamente planejada para seu público, pois dedica grande parte inicial às tradições iniciatórias judaicas e judaico-cristãs, que, segundo ele, bebiam da fonte do gnosticismo e das subsequentes tradições esotéricas, reivindicações que provavelmente foram favorecidas no foro maçônico.
    • A existência de múltiplas versões da mesma palestra sugere adaptações para diferentes audiências.
    • O foco nas tradições judaico-cristãs e gnósticas atende aos interesses do público maçônico.
  • A conclusão da palestra sublinha a dimensão iniciática da leitura (initiation livresque) no mundo moderno, segundo a qual a transmissão das doutrinas esotéricas não implica mais uma cadeia iniciática, bastando que um texto sagrado, mesmo esquecido por séculos, seja redescoberto por um leitor competente para que sua mensagem se torne novamente inteligível e atual.
    • A leitura é apresentada como um novo modelo de iniciação acessível no mundo contemporâneo.
    • A competência do leitor substitui a necessidade de uma transmissão iniciática tradicional.
  • Eliade ocultou ou camuflou muitas de suas relações com grupos esotéricos contemporâneos, como exemplificado em um ensaio de 1979 dedicado a A. K. Coomaraswamy e a Henry Corbin, onde fala do interesse deste último em organizações secretas e na fundação do Centre International de Recherche Spirituelle Comparée, sem revelar que ele próprio era um dos trinta professores universitários membros fundadores.
    • O ensaio menciona a iniciativa de Corbin de criar um centro de pesquisa espiritual.
    • A omissão de seu próprio envolvimento como membro fundador constitui um exemplo de camuflagem.
  • Antoine Faivre, outro dos trinta fundadores, fala explicitamente do enfoque especial de Eliade sobre a iniciação, observando que, para Eliade, a erudição é o “batismo através do Intelecto” e que, com ele e outros estudiosos da filosofia perene, o estudo universitário torna-se um auxiliar indispensável da Tradição.
    • A perspectiva de Eliade sobre a erudição como via iniciática é confirmada por Faivre.
    • A obra de Eliade é inserida no contexto dos estudiosos da tradição perene.
  • As relações entre Faivre e Eliade eram recíprocas, como demonstra a resenha de Eliade sobre uma edição de Faivre, na qual conclui que tais contribuições ilustram a importância cultural de desvendar a “história secreta” da era pós-iluminismo, e uma vez compreendidos os comprometimentos não manifestos de Eliade com essa história secreta, aspectos de seu projeto do “Novo Humanismo” tornam-se mais claros.
    • Eliade reconhece publicamente o valor dos estudos sobre a história secreta.
    • O interesse de Eliade por essa história secreta ilumina sua própria abordagem acadêmica.
  • Em uma resenha da antologia de Gershom Scholem sobre a Cabala, Eliade interpreta a Cabala como “Cristianismo cósmico” e conclui com uma referência a Pico della Mirandola, que buscava decifrar a Magia et Caballa, comentário que remete à eterna fascinação de Eliade pela Cabala Cristã, sobre a qual discursou entusiasticamente aos vinte anos, referindo-se a esses estudos como a origem do ímpeto para sua estada na Índia.
    • A interpretação eliadiana da Cabala vincula-a ao cristianismo cósmico.
    • A referência a Pico della Mirandola conecta-se aos seus próprios interesses juvenis.
  • Em entrevistas de 1978 e na última entrevista antes de sua morte em 1986, Eliade reiterou sua excitação com a ideia da Cabala Cristã e expressou o desejo de acrescentar algo ao entendimento da cultura ocidental, seguindo o exemplo de Pico della Mirandola, que aprendeu hebraico e estudou a Cabala, mas indo além, sem parar na Cabala e em Zaratustra.
    • A Cabala Cristã permaneceu um tema recorrente em suas reflexões tardias.
    • Eliade via seu próprio projeto intelectual como uma continuação ampliada do impulso renascentista de Pico.

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