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Apolo

Karl Kerenyi. Apollo.

Pósfacio

Apolo manteve, por quase três milênios, a mesma elusividade que cultivou desde sua primeira aparição identificável na literatura grega, sendo considerado pelos gregos um deus traiçoeiro, pérfido e ambíguo, e não o “mais grego dos deuses gregos”.

  • Na literatura puramente mitográfica, Apolo é o portador sombrio da peste, o aliado pérfido de Pátroclo e Heitor, e uma divindade incapaz de consumar um relacionamento bem-sucedido com Cassandra, Marpessa, Dafne ou Corônis.
  • Eurípides em “Íon” e Ésquilo em “Eumenides” apresentam um Apolo negativo, que ordenou que os atenienses abandonassem sua cidade com medo do ataque persa e ofereceu aos espartanos mais assistência do que os atenienses consideravam equitativa.
  • Os romanos, particularmente após o revival do culto apolíneo sob o Principado, olharam para o deus com mais gentileza, e é a partir do primeiro século que Apolo começa a adquirir a aura gloriosa e “mais helênica” que ainda carrega hoje.

Karl Kerényi foi o mais produtivo e bem-sucedido entre os poucos estudiosos que investigaram as origens históricas e as forças psíquicas primárias do Apolo helênico, compreendendo que se tratava de uma divindade misteriosa e arcana cujas funções solares não deveriam apagar as sombras de seu culto.

  • O livro significativo de Kerényi sobre o Apolo helênico, “Apollon”, teve três edições separadas e agora se encontra em “Apollon und Niobe”, o quarto volume de suas obras completas.
  • Kerényi escolheu iluminar o Apolo mais sombrio: o portador da peste, o que ataca de longe, o deus dos lobos simbolizado por serpentes, e aquele que arrebata profetisas loucas em fúrias maníacas impulsionadas pelo vento.

Kerényi é frequentemente rotulado como um junguiano arquetípico, mas prefere-se rotulá-lo como um simbolista, abordagem que lhe confere a elasticidade necessária para transmitir suas associações altamente idiossincráticas.

  • A ênfase de Kerényi em símbolos apolíneos como a serpente, o sol, o louro, o vento, o lobo, o cisne e o jovem masculino ajuda a distingui-lo como representante de um ramo distinto do estudo psicológico moderno do mito.
  • A abordagem simbolista permite que Kerényi surpreenda o leitor ao acrescentar que o público deve ter tomado seus assentos no teatro durante o nascer do sol, e permite que ele una experiências espirituais ventosas culturalmente não aparentadas, juntando a narrativas antigas reminiscências modernas que conferem imediatidade e permanência ao símbolo.
  • Kerényi desenvolveu um estilo em prosa próprio, por vezes quase poético, frequentemente romântico, usualmente elusivo e sempre bem adequado a essa abordagem do material mítico, escrevendo cada frase como uma unidade autossuficiente.

Os quatro ensaios traduzidos no volume representativos do trabalho de Kerényi em estudos apolíneos incluem uma análise simbolística da abertura de “Íon” de Eurípides, uma declaração sobre o significado do espírito na religião apolínea, uma análise das epifanias em Calímaco e Ésquilo, e uma análise do significado da religião apolínea no “Fédon” de Platão e na vida de Sócrates.

  • A análise simbolística de “Íon” de Eurípides fornece uma compreensão muito diferente do drama e da má reputação de Apolo derivada de mal-entendidos anteriores.
  • A segunda análise simbolística, a mais extensa, trata das epifanias apolíneas mais significativas em todo o corpus da literatura grega: as do “Hino a Apolo” de Calímaco e das “Eumenides” de Ésquilo.
  • A terceira análise simbolística aborda o significado da religião apolínea no “Fédon” de Platão e na vida e morte de Sócrates.
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