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taoismo:grison:tfo:golden-flower-misunderstood

EQUÍVOCOS

Na Europa, a Flor Dourada começou a ser conhecida há cerca de quarenta anos, quando Richard Wilhelm, com prefácio de C. G. Jung, revelou seu “segredo”. Uma das principais contradições associadas a esta obra é o fato de ela ter se tornado quase tão conhecida graças ao comentário do professor Jung quanto por seu próprio texto: não há, no entanto, nenhum ponto em comum entre os dois. O objetivo deste comentário, escreveu o célebre psiquiatra, “é tentar construir a ponte de uma compreensão interior e espiritual entre o Oriente e o Ocidente”. No entanto, como o paralelismo aqui estava sendo estabelecido em um nível psíquico, e não em um nível espiritual, a tal “ponte” que ele estava construindo era a de uma total confusão de valores. A “ação na não-ação” de Liu-tsu, o “jejum do coração” (sin-chai) de Chuang-tse, a “espontaneidade” taoísta (tso-jan) não significam um “laisser-faire psíquico” que abra caminho para as fantasias suspeitas do inconsciente, assim como o “autoabandono” de Meister Eckhart. De fato, todo método de meditação, e o método de Liu-tsu em particular, pressupõe uma “suspensão” daquela função imaginativa que o Sr. Jung, por sua vez, pretendia “libertar”. Uma mandala tradicional não é comparável a tal ou tal desenho de um paciente mental, a não ser por inversão, ou seja, exatamente da mesma forma que as forças das regiões inferiores parodiam os Poderes divinos. Mas, afinal, por que discutir o tema da mandala, visto que seu simbolismo de modo algum entra no desenrolar da Flor Dourada?

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