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ELEMENTOS
Joseph Needham — Ciência e Civilização na China (NSCC)
Ideias fundamentais da ciência chinesa
- Os primórdios da ciência chinesa se formaram segundo o princípio do ideograma, e de uma amostra de oitenta caracteres apenas dois podem ser considerados puramente geométricos, sendo os demais desenhos de objetos naturais, do corpo humano e de atividades humanas, com os caracteres ligados à tecnologia e à comunicação figurando entre os mais numerosos
- Os caracteres de número 20 e 21 são os únicos reconhecidos como puramente geométricos
- Pelo menos oito caracteres são palavras homófonas emprestadas, e três ou quatro referem-se a ideias abstratas
- Os ideogramas da vida cotidiana podiam adquirir significados mais abstratos com o tempo
- A terminologia técnica para o pensamento e a experimentação cotidianos originava-se dos próprios ideogramas
A Escola dos Naturalistas (Yin-Yang Chia), Tsou Yen e a origem e o desenvolvimento da teoria dos Cinco Elementos
- A teoria dos Cinco Elementos remonta ao período entre 350 e 270 a.C., ao tempo de Tsou Yen, considerado o verdadeiro fundador de todo o pensamento científico chinês, que sistematizou e estabilizou ideias que circulavam há mais de um século antes dele
- Tsou Yen é o nome central desta seção
- O Shih Chi (Registro Histórico), do primeiro século a.C., é a fonte citada para o caráter e o prestígio de Tsou Yen
- Trecho do Shih Chi: “Ele (Tsou Yen) viu que os governantes se tornavam cada vez mais dissolutos e incapazes de valorizar a virtude… Assim, examinou profundamente os fenômenos do aumento e da diminuição do Yin e do Yang, e escreveu ensaios totalizando mais de cem mil palavras sobre suas estranhas permutações e sobre os ciclos dos grandes sábios do começo ao fim. Seus ditos eram vastos e de longo alcance, e não estavam de acordo com as crenças aceitas pelos clássicos. Primeiro teve de examinar objetos pequenos, e destes tirou conclusões sobre os grandes, até atingir o que era sem limite. Primeiro falou sobre os tempos modernos, e a partir disso recuou até o tempo de Huang Ti. Os estudiosos todos estudavam suas artes…”
- Trecho adicional do Shih Chi: “Ele começou classificando as montanhas notáveis, os grandes rios e os vales interligados da China; seus pássaros e feras; a fertilidade de suas águas e solos, e seus produtos raros; e a partir disso estendeu seu levantamento ao que está além dos mares, e os homens são incapazes de observar.”
- Tsou Yen rastreou as revoluções e transmutações das Cinco Potências desde a separação dos Céus e da Terra, e sustentou que o que os confucianos chamam de “Reino do Meio” — a China — ocupa apenas uma parte em oitenta e um do mundo inteiro
- Trecho do Shih Chi: “Então, partindo do tempo da separação dos Céus e da Terra, e descendo até os dias atuais, fez citações das revoluções e transmutações das Cinco Potências [Virtudes], dispondo-as até que cada uma encontrasse seu lugar adequado e fosse confirmada [pela história].”
- Tsou Yen sustentou que a China ocupa apenas uma parte em oitenta e um do mundo total
- As visitas de Tsou Yen às cortes feudais são historicamente documentadas, e ao contrário dos taoístas, ele e os Naturalistas não evitavam a vida nas cortes e junto aos reis, desfrutando de grande prestígio social; ademais, as “artes” dos Naturalistas continham um elemento de dinamite política que os senhores feudais não tardaram a perceber
- Tsou Yen parece ter sido o membro mais antigo da importante Academia Chi-Hsia do Príncipe Hsüan, localizada fora de um dos portões da cidade capital de Chhi
- O Príncipe Hui de Liang saiu até os subúrbios para recebê-lo
- O Príncipe de Phing-Yuan, em Chao, pessoalmente varreu o pó de seu assento
- O Príncipe Chao de Yen atuou como seu arauto, varrendo o caminho com uma vassoura, e pediu para ocupar o lugar de discípulo
- Tsou Shih, da família Tsou de Chhi, aceitou as artes de Tsou Yen e escreveu ensaios sobre elas
- Shunyü Khun é mencionado entre os que receberam o título de Ta-Fu (Ministro de Estado) do Príncipe de Chhi
- O Shih Chi é a fonte que revela o elemento de dinamite política das ideias dos Naturalistas
- Tsou Yen ensinou que cada governante ou casa reinante governava apenas “por virtude” de um dos elementos da série, oferecendo assim uma teoria da ascensão e queda das casas reinantes e submetendo os assuntos humanos e sua história à mesma “lei” que os fenômenos da natureza não humana, mecanismo denominado “Conquista Mútua” ou “Conquista Cíclica”
- Trecho das palavras de Tsou Yen: “Os Cinco Elementos dominam alternativamente. [Os imperadores sucessivos escolhem a cor de suas] vestes oficiais seguindo as direções [para que a cor concorde com o elemento dominante].”
- Trecho: “Cada uma das Cinco Virtudes [Elementos] é seguida por aquela que ela não pode conquistar. A dinastia de Shun governou pela virtude da Terra, a dinastia Hsia pela virtude da Madeira, a dinastia Shang pela virtude do Metal, e a dinastia Chou pela virtude do Fogo.”
- Trecho sobre os sinais celestes: “Quando alguma nova dinastia está para surgir, o Céu exibe sinais auspiciosos ao povo. Durante a ascensão de Huang Ti [o Imperador Amarelo] apareceram grandes minhocas e grandes formigas. Ele disse: 'Isso indica que o elemento Terra está em ascendência, então nossa cor deve ser amarela…' Durante a ascensão de Yü o Grande, o Céu produziu plantas e árvores que não murchavam no outono e no inverno. Ele disse: 'Isso indica que o elemento Madeira está em ascendência…' Durante a ascensão do Alto Rei Wên dos Chou, o Céu exibiu fogo, e muitos pássaros vermelhos segurando documentos escritos em vermelho acorreram ao altar da dinastia…”
- Os senhores feudais pareciam convictos da verdade da doutrina, embora enfrentassem sérios problemas práticos
- Os ciclos da natureza eram inexoráveis: nenhuma casa reinante poderia durar para sempre
- Embora a visão dos Naturalistas fosse em grande parte especulativa, ela repousava também sobre artes práticas, incluindo astronomia, elaboração de calendários e alquimia incipiente, e há evidências de transmissão de escritos secretos e tradições orais
- Sung Wu-Chi, Chêng Po-Chhiao, Chhung Shang e Hsienmên Kao são mencionados como pessoas do estado de Yen que praticavam técnicas mágicas para se tornar imortais
- O Imperador Han Wu Ti é mencionado como aquele cuja corte era influenciada pelos técnicos mágicos dos estados costeiros
- O Chhien Han Shu (aproximadamente 100 d.C.) é citado como fonte
- Trecho do Chhien Han Shu: “Agora [o Príncipe de] Huai-Nan tinha guardado em seu travesseiro certos escritos intitulados Hung Pao Yuan Pi Shu ('O Livro Secreto do Jardim Precioso'). Esses escritos falavam sobre imortais divinos e a arte de induzir seres espirituais a fazer ouro, juntamente com a técnica de Tsou Yen para prolongar a vida por um método de [transmutação] repetida.”
- A alquimia chinesa, mais antiga do que a de qualquer outra parte do mundo, parece ter começado entre os Naturalistas, embora escritos alquímicos do segundo século a.C. possam ter sido atribuídos a Tsou Yen sem terem sido escritos por ele
- A teoria dos Cinco Elementos também aparece no Shu Ching (Clássico Histórico), numa interpolação Qin provavelmente do terceiro século a.C.
- A doutrina dos Cinco Elementos era parte do Grande Plano nóvuplo, cujas demais partes, exceto uma seção astronômica sobre o tempo, tratavam de qualidades e relações humanas e sociais
- As partes são denominadas “princípios invariáveis” (i lun), sendo o caractere i de interesse especial por seu ideograma original mostrar um vaso ritual com porco e arroz, guirlandado de seda, o que parece uma instrução litúrgica, mas aqui é usado no sentido de lei científica natural
- Trecho do Shu Ching sobre os Cinco Elementos: “Quanto aos Cinco Elementos, o primeiro é chamado Água, o segundo Fogo, o terceiro Madeira, o quarto Metal e o quinto Terra. Água [é aquela qualidade na Natureza] que descrevemos como ensopante e descendente. Fogo [é aquela qualidade na Natureza] que descrevemos como flamejante e ascendente. Madeira [é aquela qualidade na Natureza] que permite superfícies curvas ou arestas retas. Metal [é aquela qualidade na Natureza] que pode seguir [a forma de um molde] e então endurecer. Terra [é aquela qualidade na Natureza] que permite semeadura, [crescimento] e colheita.”
- Trecho complementar: “O que ensopa, goteja e desce causa salinidade. O que flameja, aquece e sobe gera amargura. O que permite superfícies curvas ou arestas retas dá acidez. O que pode seguir [a forma de um molde] e então endurecer produz acridez. O que permite semeadura, [crescimento] e colheita dá origem à doçura.”
- A concepção dos elementos não era tanto a de cinco tipos de matéria fundamental quanto a de cinco tipos de processo fundamental, com o pensamento chinês concentrando-se na relação em vez de na substância, sendo os “elementos” na verdade cinco forças poderosas em perpétuo movimento cíclico
- Os gregos antigos tinham elementos que se referiam mais a substâncias, reconhecendo três já no século VII a.C. e cinco por volta de 560 a.C. — Terra, Ar, Fogo, Água, e uma quinta “essência” como substrato dos demais
- Os gregos falavam dos elementos guerreando entre si — paralelo notável com a teoria chinesa da Conquista Mútua — e os associavam a deuses particulares
- Foi apenas com Aristóteles, contemporâneo mais velho de Tsou Yen, que os elementos gregos passaram a ser propriamente associados a qualidades
- As diferenças entre as visões chinesa e grega são mais marcantes do que as semelhanças, e não parece necessário supor transmissão de ideias entre Ocidente e Oriente
- Fu Shêng, estudioso do antigo estado de Chhi, que trabalhou principalmente entre 250 e 175 a.C., é mencionado como figura central na transmissão da teoria para o período Han
- Fu Shêng era especialista no Shu Ching, que a tradição diz que ele podia recitar quase inteiramente de memória
- A teoria dos Cinco Elementos foi progressivamente incorporada ao pensamento político e, à medida que estudiosos posteriores a elaboraram, tornou-se mais política e menos científica, culminando no primeiro século d.C. na teoria do “Fenomenalismo” — a crença de que irregularidades de governo ou sociais levariam a dislocações do processo dos Cinco Elementos na Terra e desvios dos céus
- A proto-ciência dos Naturalistas transformou-se assim em pseudociência
- A divisão cultural chinesa polarizou-se no primeiro século d.C. na Escola do Texto Antigo e na Escola do Texto Novo, esta última contendo a maioria dos pensadores científicos e pseudocientíficos
- A divisão surgiu com a descoberta de versões dos clássicos chineses escritas em caracteres arcaicos, aparecidas em 92 a.C. quando o Príncipe Kung de Lu demoliu o que se supunha ser a casa de Confúcio — textos que mais tarde foram considerados provavelmente falsificações
- A Escola do Texto Novo era dominante no Han Antigo, e seus oponentes no Han Posterior
- O livro Kuan Tzu é citado com um exemplo de associação entre elementos e estações: “Quando vemos o sinal cíclico ping-tzu chegar, o elemento Fogo inicia seu reinado. Se o imperador tomar medidas apressadas e precipitadas, epidemias serão causadas pela seca, as plantas morrerão, e o povo perecerá. Após setenta e dois dias esse período termina.”
- Outro trecho do Kuan Tzu: “Quando vemos o sinal cíclico wu-tzu chegar, o elemento Terra inicia seu reinado. Se o imperador agora construir palácios e pavilhões, sua vida estará em perigo, e se muralhas forem construídas [nesse momento] seus ministros morrerão. […] Após setenta e dois dias esse período termina.”
- O aspecto proto-científico do pensamento de Tsou Yen foi rejeitado de modo enfático pelos confucianos convencionais e ortodoxos, como se vê no Yen Thieh Lun (Discursos sobre Sal e Ferro) de Huan Kuan, escrito por volta de 80 a.C., que registra um debate entre funcionários e estudiosos confucianos
- Huan Kuan é o autor do Yen Thieh Lun
- O Lorde Secretário-Geral afirmou: “Mestre Tsou estava farto dos confucianos e moístas posteriores que não compreendiam a vastidão do Céu e da Terra, e o Tao do universo, amplo e luminoso. Conhecendo apenas uma parte, pensavam que podiam falar sobre todas as nove partes; conhecendo apenas um canto do mundo, pensavam que compreendiam o todo…”
- Os estudiosos confucianos responderam: “Tsou Yen não era nenhum sábio; com ensinamentos estranhos e enganosos encantou os seis príncipes feudais… Confúcio disse: 'As pessoas não sabem como administrar os assuntos humanos; como deveriam saber sobre os assuntos dos deuses e espíritos?'… Portanto, os cavalheiros (chün-tzu) não devem ter nada a ver com coisas que não têm utilidade prática.”
- O texto do Yen Thieh Lun revela também a forte influência dos Naturalistas sobre a casa reinante Qin
- Os componentes alquímicos e farmacêuticos não se perderam com a rejeição confuciana, tendo sido absorvidos pelo complexo de ideias taoísta
A teoria estabilizada dos Cinco Elementos
- A teoria dos Cinco Elementos, em sua forma finalizada no período Han e transmitida a todas as épocas posteriores, apresenta dois aspectos que merecem atenção especial: as Ordens de Enumeração e as Correlações Simbólicas
- As Ordens de Enumeração são as sequências em que os cinco elementos eram nomeados nas diversas apresentações antigas e medievais do tema
- As quatro mais importantes são: a Ordem Cosmogônica (Água, Fogo, Madeira, Metal, Terra), a Ordem de Produção Mútua (Madeira, Fogo, Terra, Metal, Água), a Ordem de Conquista Mútua (Madeira, Metal, Fogo, Água, Terra) e a Ordem “Moderna” (Metal, Madeira, Água, Fogo, Terra)
- A Ordem Cosmogônica representa a sequência em que os elementos teriam surgido, iniciando pela Água — em eco ao recorrente destaque dado à Água como elemento primordial nos escritos chineses
- A Ordem de Produção Mútua dava as estações na sequência correta, começando com Madeira para a Primavera e Água para o Inverno (Terra correspondendo a um mês situado entre o verão e o outono)
- A Ordem de Conquista Mútua era a mais venerável, associada ao próprio ensinamento de Tsou Yen, baseada em fatos científicos cotidianos: a Madeira conquista a Terra porque, na forma de uma enxada, pode escavar a terra; o Metal conquista a Madeira por poder cortá-la; o Fogo conquista o Metal por poder derretê-lo; a Água conquista o Fogo por poder extingui-lo; e a Terra conquista a Água por poder represá-la
- A Ordem “Moderna” é de significado obscuro, mas é a que sobreviveu na fala coloquial chinesa — “Metal, Madeira, Água, Fogo, Terra” — inclusive em canções de ninar
- Há dois princípios secundários nas Ordens de Enumeração que concernem à Taxa de Mudança: o Princípio do Controle e o Princípio do Mascaramento, ambos derivados das relações entre as ordens de conquista e de produção mútua
- O Princípio do Controle deriva exclusivamente da Ordem de Conquista Mútua: um dado processo de conquista é controlado pelo elemento que conquista o conquistador — por exemplo, o Metal conquista a Madeira, mas o Fogo controla o processo; o Fogo conquista o Metal, mas a Água controla o processo
- Uma analogia moderna é o equilíbrio ecológico de espécies animais: o aumento de uma ave predadora beneficia indiretamente a população de pulgões, por reduzir a população de joaninhas que comem os pulgões
- O Princípio do Controle implica que o elemento controlador é sempre o produzido pelo elemento conquistado, garantindo continuidade ao sistema — por exemplo, a Madeira conquista a Terra em processo controlado pelo Metal, mas o Metal é produto da Terra, gerando retroalimentação
- Os confucianos adotaram esse princípio para justificar o direito do filho de vingar o inimigo do pai
- Na alquimia antiga e na química moderna esse princípio é reconhecível: a reação química que cessa por acúmulo de produtos, e a mioisina muscular que é ela própria a enzima adenosina-trifosfatase que decompõe a substância que lhe fornece energia
- O Princípio do Mascaramento depende tanto da Ordem de Produção Mútua quanto da de Conquista Mútua: refere-se ao mascaramento de um processo de mudança por outro processo que cria mais material do que o que está sendo destruído — por exemplo, a Madeira destrói a Terra, mas o Fogo mascara o processo ao destruir a Madeira e produzir Terra (cinzas) em velocidade maior
- Um exemplo biológico moderno é a ação de grandes carnívoros devorando lembings na Noruega, mascarada por outros fatores que aumentam enormemente a população de lembings
- Ambos os princípios contêm um forte elemento quantitativo: as conclusões dependem de quantidades, velocidades e taxas
- Os primeiros pensadores chineses não estavam satisfeitos com as Ordens de Enumeração, como se vê numa crítica dos Moístas tardios preservada no Mo Ching, que ataca a teoria da Conquista Mútua de Tsou Yen com uma abordagem quantitativa
- Trecho do Mo Ching: “C — Os Cinco Elementos não se superam perpetuamente uns aos outros. CS — Os cinco são Metal, Água, Terra, Madeira e Fogo. À parte [qualquer ciclo], o Fogo naturalmente derrete o Metal, se houver Fogo suficiente. Ou o Metal pode pulverizar um Fogo ardente em cinzas, se houver Metal suficiente. O Metal armazena Água [mas não a produz]. O Fogo se prende à Madeira [mas não é produzido por ela].”
- Esse ataque pode ser uma réplica à atitude desdenhosa de Tsou Yen para com os estudos lógicos das escolas Mo-Ming
As correlações simbólicas
- Os Cinco Elementos foram gradualmente associados a toda categoria concebível de coisas no universo passível de classificação em grupos de cinco, e a análise cuidadosa das correlações sugere que diferentes grupos foram compilados por diferentes grupos de estudiosos
- O grupo astronômico pode remontar ao século IX a.C., mas mostra evidências da influência do grande astrônomo Kan Tê do século IV a.C. e provavelmente do astrólogo Kan Chung-Kho, da mesma família mas três séculos mais tarde
- Tsou Yen é associado aos grupos Naturalistas, incluindo o grupo Yin-Yang e o grupo de funções psicofísicas humanas
- Há dois grupos de interesse científico especial: um primariamente agrícola e um principalmente médico
- O grupo agrícola não faz referência ao arroz em suas listas de grãos — o que sugere que essas correlações agrícolas surgiram no norte da China ou em data mais antiga
- Os filósofos médicos tinham desde tempos muito antigos uma série séxtupla complementando ou substituindo a quíntupla — havia seis órgãos Yang internos do corpo e seis Yin, o que pode ter se originado da Babilônia, onde a contagem em sessenta, e não em dez, era dominante
- As correlações simbólicas sofreram críticas severas por levarem a muitos absurdos, como apontado no primeiro século d.C. por Wang Chhung, cuja argumentação ilustra a tradição cética chinesa
- Wang Chhung é o crítico mencionado
- Trecho de Wang Chhung: “O sinal [cíclico] yin corresponde à Madeira, e seu animal adequado é o tigre. Hsü corresponde à Terra, e seu animal é o cão… Agora a Madeira conquista a Terra, portanto o tigre supera o cão, o boi e a ovelha… Ora, quando examinamos a questão mais minuciosamente, constatamos que na prática muitas vezes acontece que os animais não se superam uns aos outros como deveriam fazer segundo essas teorias. O cavalo está ligado a wu (Fogo), o rato a tzu (Água). Se a Água realmente conquista o Fogo, seria muito mais convincente se os ratos normalmente atacassem os cavalos e os afugentassem. O galo está ligado a yu (Metal) e a lebre a mao (Madeira). Se o metal realmente conquista a madeira, por que os galos não devoram as lebres?”
- Apesar das críticas, as correlações parecem ter sido úteis ao pensamento científico chinês em seus primórdios — não eram piores do que a teoria grega dos elementos que dominou o pensamento medieval europeu
- Tornaram-se positivamente prejudiciais apenas quando se tornaram excessivamente elaboradas e fantasiosas, afastando-se demais da observação da natureza
- O uso positivo das correlações simbólicas pode ser exemplificado por Shen Kua, no Mêng Chhi Pi Than (Ensaios da Piscina dos Sonhos) de 1086 d.C., cuja observação da precipitação de cobre metálico pelo ferro é provavelmente o primeiro registro em qualquer idioma desse fenômeno
- Shen Kua é descrito como um dos pensadores mais abrangentes que a China produziu em qualquer época
- Trecho do Mêng Chhi Pi Than: “No distrito de Chhien Shan em Hsinchow há uma nascente amarga que forma um riacho no fundo de um desfiladeiro. Quando sua água é aquecida torna-se tan fan [alúmen amargo — provavelmente sulfato de cobre impuro]. Quando esse 'alúmen' é aquecido por muito tempo numa panela de ferro, a panela se transforma em cobre. Assim, a Água pode ser transformada em Metal — uma mudança extraordinária de substância.”
- Trecho complementar: “Segundo o (Huang Ti Nei Ching) Su Wen [o clássico médico] há cinco elementos no céu e cinco elementos na Terra. O chhi da Terra, quando no céu, é umidade. A Terra [como sabemos] produz metal e pedra [como minérios nas montanhas], e aqui vemos que a Água também pode produzir metal e pedra. Esses casos são portanto provas de que os princípios do Su Wen estão certos.”
- Shen Kua não tinha compreensão clara da mudança química, sendo como todos dominado pela teoria dos Cinco Elementos
- Na Europa, até o século XVII, a reação química descrita por Shen Kua era tomada como evidência de transmutação
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