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ASHTAVAKRA: Ação e não-ação, e todas as dualidades, quando cessam, e para quem? Compreende que tais questões não procedem do saber. Permanece além do desejo e da renúncia.
Feliz daquele, meu filho, em quem a simples observação dos negócios humanos pôs um termo a seu tríplice desejo: a vida, o amor e o saber.
Efêmero é este mundo, afetado por estas três dores; é um objeto sem valor que se deve abandonar. Tendo-se visto isso, alcança-se a serenidade.
Que tempo e que idade há em que as dualidades já não existam para o homem? Quando se renuncia a essas dualidades, vive-se ao ritmo de cada instante, podendo-se alcançar então o termo derradeiro.
Diversos são os pensamentos dos sábios visionários, dos ascetas e dos doutos. Que homem, ao perceber tal diversidade, não ultrapassa o saber para atingir a serenidade?
Tendo-se percorrido as aparências, acaso não se é um mestre sob a perspectiva do espírito, uma vez que houve emancipação do movimento das coisas pelo desapego outorgado por uma visão equânime e pela superação do saber?
Vê que as formas das coisas nada são senão as coisas, e realmente nada além. Então, em um instante liberto de todo laço, estarás em tua verdadeira natureza.
Tudo o que nos habita nada é senão realidade móvel. Disso não retenhas parcela alguma. É da renúncia a tudo o que te habita que provém a renúncia à realidade móvel. Já não existe então senão a energia do ser.
