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vedanta:herbert:anandamoyi:1.1

1.1

ĀNANDAMAYĪ. L’enseignement de Mâ Ananda Moyî. Tradução: Josette Herbert. Paris: A. Michel, 1974.

1. A escuta incessante de discussões e discursos sobre temas religiosos e filosóficos abre gradualmente o caminho para o conhecimento direto do que foi ouvido, assim como a água que cai continuamente gota a gota sobre uma pedra acaba por perfurá-la, podendo de repente passar uma torrente que traz a Iluminação.

2. Seja na leitura dos Textos sagrados, na escuta de discursos religiosos ou no canto dos nomes de Deus (kîrtan), Deus deve ser o alfa e o ômega de tudo o que se faz, falando-se dEle, lendo-se sobre Ele e cantando-se Seus louvores, práticas essencialmente idênticas que exprimem a mesma coisa de três maneiras conforme o temperamento e a capacidade de assimilação de cada um, pois em realidade só existe Ele, embora cada qual tenha seu próprio caminho até Ele, determinado pela predileção pessoal fundada no caráter específico de suas aptidões interiores.

3. No estudo do Vedanta, certos buscadores mergulham tão completamente quanto outros se perdem no kîrtan até entrar em transe, podendo os estudiosos do Vedanta impregnar-se dele ainda mais do que aqueles arrebatados pelo canto, de modo que o indivíduo que segue sua linha de aproximação determinada pode alcançar concentração total pelo estudo de uma Escritura particular ou por qualquer outro meio.

4. Primeiro ouve-se, depois reflete-se e por fim leva-se à ação o que foi ouvido e meditado, razão pela qual é preciso começar pela escuta, a fim de mais tarde poder discernir o que melhor convém, seja o Vedanta, o kîrtan ou outra via.

5. Há quem despreze o kîrtan perguntando o que ele poderia trazer e, depois de ouvi-lo por algum tempo, passa a apreciá-lo de verdade, mostrando que é preciso ouvir para poder refletir e que o ouvido e refletido toma forma numa ação adequada a cada indivíduo, sendo proveitoso ouvir discursos sobre Deus ou sobre a Verdade desde que não se critique nem se denigra uma concepção diferente da própria, pois a crítica cria obstáculos para quem critica, para quem é censurado e para quem ouve, enquanto o que se diz em espírito positivo frutifica para todos, só se podendo falar de satsang quando já não se considera nada inferior ou censurável (asat).

6. O vishnuíta é aquele que vê Vishnu em toda parte e o shakta aquele que vê a Mãe divina em toda parte e nada mais, pois todas as diferentes formas de pensamento nascem de uma fonte comum, não havendo a quem censurar, injuriar ou reprimir, já que todos são iguais em sua essência.

7. Tu és a Mãe e o Pai, o Amigo e o Mestre, verdadeiramente tudo em todos, sendo Teu todo nome, Tua toda qualidade e nenhuma forma outra senão a Tua.

8. Ele está presente também onde nenhuma forma existe, como Ser puro não manifestado, dependendo tudo da via de aproximação de cada um.

9. O que os shivaítas consideram o Shiva Supremo (parama) e o Eu Supremo que alguns buscam ver no Eu não são outra coisa senão o próprio Brahman, sem contradição alguma, pois enquanto se percebe a menor diferença, ainda que da espessura de um fio de cabelo, não se pode falar do estado de Ser Supremo.

10. Pouco importa o caminho escolhido, é sempre AQUILO, e Vedanta significa em realidade o fim da diferenciação e o surgimento da não-diferenciação.

11. Quem se engaja numa sâdhanâ deve concentrar-se numa única direção, mas ao final sobrevém a cessação das diferenças, distinções e desacordos, que existem efetivamente ao longo do caminho, mas não podem existir no Objetivo.

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