Bruno Hapel
Bruno HAPEL. RAMANA MAHARSHI ET SHANKARA
Existem seres que, na longa jornada da humanidade, podem e devem dar testemunho. Essa mesma singularidade lhes escapa, pois os conduz a transcender toda generalização rumo à universalidade. O que então se apresenta como um caso particular não passa de um reflexo, de um símbolo em ação da verdade última do homem.
Assim, podemos mergulhar no coração da Tradição 1 para encontrar tais seres. A Índia contemporânea viu nascer uma testemunha desse tipo na “pessoa” de Râmana Maharshi.
Essa singularidade, para se realizar em sua própria unidade, em sua universalidade, precisou sintetizar e integrar toda a Tradição. Assim, ela se reconheceu na “pessoa” de outras testemunhas que, na longa cadeia dos tempos, marcam essa totalização.
Assim é o caso de Shankarâchârya e de Dakshinâmûrti, ilustres testemunhas da Tradição primordial.
O objetivo deste livro é identificar os sinais dessa “Continuidade” primordial, mesmo além do que possa parecer contraditório. Seria errado opor, dessa forma, a realização precoce e espontânea de Râmana Maharshi à obra metafísica de Shankara. Longe de ser contrária à realização espiritual, a metafísica, no verdadeiro sentido do termo, é sua expressão exata.
É essa “Continuidade” última que Râmana Maharshi revela na própria realização de sua vida, identificando-se com a Tradição primordial na mediação conjunta de Shankara e Dakshinâmûrti. É essa “Continuidade” suprema que devemos reconhecer e compreender, pois ela é o caminho de toda realização.
