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AVALON

KTJW

A figura do orientalista Arthur Avalon, pseudônimo do juiz britânico Sir John Woodroffe, deve ser apresentada por meio de sua reinterpretação do Tantra no início do século XX.

  • Em 1913, Arthur Avalon citou o sânscritista L.D. Barnett para exemplificar a visão ocidental negativa do Tantra, definido por Barnett como “arte negra do tipo mais bruto e imundo, com um fundo grosseiro do culto de Shiva e Shakti” e como “doutrinas dos infames Tantras que oferecem uma verdadeira missa do diabo”.
  • Arthur Avalon atacou o conhecimento orientalista ocidental que moldava a autopercepção dos indianos educados na Inglaterra, atribuindo a essa influência estrangeira a reputação extremamente negativa do Tantra entre a classe média indiana anglófona.
  • Os livros de Arthur Avalon, pseudônimo de Sir John Woodroffe (juiz britânico do Supremo Tribunal de Calcutá), visavam reeducar tanto os orientalistas ocidentais quanto os indianos anglófonos, e tornaram-se populares e influentes no Ocidente, onde Woodroffe se tornou um modelo para convertidos ao hinduísmo ou budismo.

A visão ocidental negativa tradicional do Tantra é contraposta à reinterpretação positiva promovida por Arthur Avalon/Sir John Woodroffe, que enfatizou os aspectos místicos e metafísicos da tradição.

  • O Tantra tradicionalmente incluía elementos ofensivos à sensibilidade europeia dos séculos XIX e XX, como um panteão de divindades com deusas mais importantes que seus consortes masculinos, rituais complexos com imagens e mantras, o ritual pañcatattva (com sexo, álcool, carne e peixe) e uma reputação associada à magia negra, ao “paganismo”, à “idolatria” ou à “bruxaria”.
  • Na época contemporânea, a imagem sexualizada do Tantra no Ocidente levou a uma inversão de valores, evocando noções populares de “sexo espiritual”, enquanto na Índia o Tantra ainda evoca medo devido à sua associação com a magia.
  • Nos livros de Avalon/Woodroffe, o Tantrasastra (doutrina contida nos Tantras) surge como uma filosofia sutil e refinada, com elementos eróticos e mágicos marginalizados ou reinterpretados sob luz ética ou racional, e o autor insistiu no lugar do Tantra dentro do hinduísmo geral, não em uma margem exótica.

Dois usos distintos do termo “orientalismo” podem ser diferenciados para contextualizar a posição de Woodroffe como um orientalista romântico e idealista, distinto dos orientalistas acadêmicos tradicionais.

  • O primeiro uso do termo “orientalismo” refere-se àqueles entre os administradores e educadores britânicos na Índia que favoreciam a cultura e o aprendizado orientais (em oposição aos “anglicistas” que desejavam suplantar a cultura indígena pela educação inglesa), bem como aos primeiros estudiosos das línguas e culturas asiáticas, como Sir William Jones e seus seguidores.
  • O segundo uso, inspirado em Edward Said, caracteriza todo o discurso europeu sobre “o oriente” no contexto colonial como uma projeção sobre um “outro” essencializado, com o desejo de moldá-lo e controlá-lo, independentemente de essa projeção ser romântica/idealizada ou contemptível/abusiva.
  • Woodroffe foi um “orientalista” no sentido romântico e idealista, mas não no sentido literal de estudioso de línguas asiáticas; Arthur Avalon percebeu o conhecimento orientalista ocidental de maneira que às vezes se aproximou da visão de Said, estando aberto à influência indiana em grau incomum para um estudioso ocidental.

A vida de Woodroffe em Calcutá pode ser examinada por meio de cinco papéis, sendo o mais significativo o de Arthur Avalon, o estudioso orientalista.

  • Ressalte-se os papéis de Woodroffe como juiz do Supremo Tribunal em um período de agitação política na província de Bengala, como patrono e conhecedor da arte indiana e amigo dos Tagores, como estrangeiro prestigioso que ganhou popularidade como defensor do hinduísmo e, por fim, como tântrico secreto (cujo segredo não era bem guardado).
  • Note-se as atitudes europeias em relação ao Tantra antes de Arthur Avalon, verificável por um resumo das obras publicadas sob os nomes Avalon e Woodroffe, abordando as imagens evocadas pelo pseudônimo e a resposta a esse novo orientalista.
  • A colaboração entre Woodroffe e o advogado e estudioso bengali Atal Bihari Ghose é significativa, mostrando como criaram efetivamente a figura de “Arthur Avalon” como um personagem imaginário, combinando o conhecimento textual de Ghose com a imagem pública de Woodroffe.
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