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| + | ====== João e Maria ====== | ||
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| + | **Considerações gerais sobre "João e Maria" como conto clássico** | ||
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| + | * Poucas crianças, pais ou críticos na Europa e na América desconhecem o conto "João e Maria", | ||
| + | * O conto sempre foi um favorito mundial e, em uma pesquisa recente na Alemanha, foi eleito o conto de fadas número um do país. | ||
| + | * Um livro inteiro foi dedicado à história, " | ||
| + | * "João e Maria" é tão rico em significado que críticos de todas as escolas foram tentados repetidamente a explorar cada símbolo e palavra possível para explicar por que essa narrativa fascina e por que se tornou fixada no cânon literário dos países ocidentais como um dos grandes clássicos dos contos de fadas. | ||
| + | * Pode-se supor que "João e Maria" sempre esteve presente, profundamente嵌入 na tradição cultural ocidental e no inconsciente coletivo, e que permanecerá para sempre porque toca em desejos e necessidades universais essenciais. | ||
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| + | **Crítica às suposições tradicionais sobre o conto** | ||
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| + | * Tais suposições sobre "João e Maria" são falaciosas, e a maioria das interpretações do conto, embora muitas vezes estimulantes, | ||
| + | * Acredita-se saber tudo sobre "João e Maria" porque se vive de suposições que têm uma aparência acadêmica, mas que, na verdade, promovem a ignorância. | ||
| + | * Apropriam-se de suposições porque foi ensinado que certa tradição popular não deve ser questionada, | ||
| + | * Perde-se de vista o fato de que os fundamentos dessa tradição foram criados por meio de esforços e lutas humanos particulares, | ||
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| + | **A história do texto e sua importância** | ||
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| + | * No caso de "João e Maria", | ||
| + | * A história de como os leitores receberam o texto demonstra que se evitou lidar com os problemas perturbadores que este conto de fadas transmite e, ao mesmo tempo, racionaliza. | ||
| + | * Sempre houve uma conexão estreita entre o processo de racionalização da escrita e a recepção dos contos de fadas. | ||
| + | * A maneira como se interpreta e usa os contos de fadas na vida diária – isto é, as atitudes em relação às crianças e o tratamento delas – foi escrita e prescrita em grande medida nos próprios contos de fadas. | ||
| + | * Traçar a história social da escrita de "João e Maria" é deslocar suposições falsas sobre o que se considera verdadeiro e bom neste conto e investigar as razões pelas quais a celebração do final feliz é mais ambivalente do que se pode querer acreditar. | ||
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| + | **As diferentes versões do texto dos Grimm** | ||
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| + | * Ao começar a falar sobre o texto de "João e Maria" dos Grimm, é preciso primeiro fazer certas perguntas, considerando se se está falando do manuscrito de Ölenberg de 1810, da versão impressa de 1812, da segunda edição de 1819, da quinta edição de 1843 ou da versão final de 1857. | ||
| + | * O manuscrito de 1810 foi quando Wilhelm registrou um conto oral contado por Dortchen Wild, que mais tarde se tornaria sua esposa. | ||
| + | * Na versão impressa de 1812, a mãe das crianças ainda era a mãe biológica, como no manuscrito de 1810. | ||
| + | * Na segunda edição de 1819, Wilhelm fez inúmeras mudanças, incluindo a transformação da mãe em madrasta. | ||
| + | * Na quinta edição de 1843, Wilhelm fez grandes mudanças com base em sua leitura do conto "Das Eierkuchenhäuslein" | ||
| + | * A versão final de 1857 é a narrativa consumada que continha todas as mudanças estilísticas e temáticas de Wilhelm. | ||
| + | * Discutir e interpretar qualquer um dos textos de Wilhelm Grimm exige conhecer todos eles e perceber que não se está lidando com uma tradição oral " | ||
| + | * Dado que a maioria das referências a "João e Maria" geralmente se refere ao texto de 1857 ou alguma variação dele, é preciso perguntar como os Grimm chegaram àquela versão e como seu processo criativo é significativo para os dias de hoje. | ||
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| + | **A origem e as transformações do manuscrito de 1810** | ||
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| + | * É de conhecimento comum entre historiadores e críticos literários que as histórias do " | ||
| + | * Os irmãos, estudiosos eruditos, foram fortemente influenciados por contos literários e remodelaram todas as histórias que registraram de informantes, | ||
| + | * No caso de "João e Maria", | ||
| + | * Este conto é muito curto, com estrutura de sentenças paratáticas, | ||
| + | * O conto do manuscrito de 1810 começa assim: "Era uma vez um pobre lenhador, que vivia na beira de uma grande floresta. Sua vida era tão miserável que ele mal podia alimentar sua esposa e seus dois filhos. Uma vez ele ficou sem pão e ficou com muito medo. Naquela noite, sua esposa falou com ele na cama: Leve as duas crianças amanhã cedo e leve-as para a grande floresta. Dê-lhes o pão que restar e faça para elas uma grande fogueira. Depois vá embora e deixe-as sozinhas. O marido não queria fazer isso, mas a esposa não o deixou em paz até que ele finalmente concordou." | ||
| + | * O pai e a mãe levam as crianças para a floresta duas vezes, as crianças, que não são nomeadas, são abandonadas na segunda vez, vagam pela floresta e encontram uma casa feita de pão, com telhado coberto de bolos e janelas de açúcar. | ||
| + | * A velhinha que aparentemente se torna amiga delas não é chamada de bruxa, mas é enganosa, coloca Hansel em uma baia para ser engordado como um porco, mas ele finge continuar magro mostrando a ela um osso em vez de seu dedo. | ||
| + | * Após quatro semanas, a velha fica impaciente e quer assá-lo, então a irmã a empurra para dentro do forno, e neste ponto ela é chamada de bruxa e queimada até a morte. | ||
| + | * O manuscrito de 1810 termina simplesmente: | ||
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| + | **Mudanças da primeira edição impressa (1812) em diante** | ||
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| + | * O manuscrito de 1810 foi bastante editado para a primeira edição impressa de 1812, quando Jacob mudou o título para "João e Maria", | ||
| + | * As crianças invocam a ajuda de Deus duas vezes. | ||
| + | * A velha é retratada como uma bruxa desde o início. | ||
| + | * Hansel é alimentado como um frango. | ||
| + | * Os Grimm indicaram em suas notas que conheciam "Le Petit Poucet" | ||
| + | * Quando Wilhelm escreveu a versão seguinte para a segunda edição de 1819, ele também estava familiarizado com " | ||
| + | * Na edição de 1819, a mãe foi transformada em madrasta, junto com muitas outras mudanças que embelezaram o conto. | ||
| + | * As mudanças mais drásticas ocorreram na quinta edição de 1843, depois que Wilhelm leu o conto alsaciano "A Casinha de Panqueca" | ||
| + | * Stöber coletou seu conto de um informante que provavelmente tinha lido ou ouvido a versão literária dos Grimm de "João e Maria" e a havia modificado para seus próprios propósitos, | ||
| + | * Uma das mudanças de Stöber é a transformação da madrasta de volta para a mãe biológica, que não morre, mas saúda as crianças com seu marido no final, com ambos os pais arrependidos do que fizeram às crianças. | ||
| + | * Wilhelm, que tinha lido a coleção de contos de Stöber, " | ||
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| + | **A versão final (1857) e seu início e fim** | ||
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| + | * Quando a última edição do " | ||
| + | * A versão final de 1857 começa assim: "Um pobre lenhador vivia com sua esposa e seus dois filhos na beira de uma grande floresta. O menino se chamava João e a menina, Maria. O lenhador não tinha muita comida em casa, e quando uma grande fome devastou o país inteiro, ele não pôde mais suprir as refeições diárias de sua família. Uma noite, enquanto estava deitado na cama pensando em suas preocupações, | ||
| + | * A esposa responde: "Vou lhe dizer o que fazer. Amanhã cedo levaremos as crianças para a floresta, onde é mais densa. Faremos uma fogueira e daremos a cada um um pedaço de pão. Depois iremos cuidar do nosso trabalho e os deixaremos sozinhos. Eles não encontrarão o caminho de volta para casa, e ficaremos livres deles." | ||
| + | * O homem se recusa, dizendo que não tem coragem de deixar seus filhos na floresta, mas a esposa o chama de tolo, diz que todos os quatro terão que morrer de fome e que é melhor começar a plainar as tábuas para seus caixões, continuando a insistir até que ele finalmente concorda. | ||
| + | * Em vez de terminar abruptamente quando a bruxa é morta, como no manuscrito de 1810, a versão final de 1857 termina com as crianças entrando na casa da bruxa, encontrando baús cheios de pérolas e joias, enchendo os bolsos e o avental, e depois seguindo para uma grande travessia. | ||
| + | * Hansel diz: "É melhor partirmos agora, para sairmos da floresta da bruxa." | ||
| + | * Ao chegarem a um grande rio sem ponte ou barco, Gretel vê um pato branco nadando e clama: " | ||
| + | * O patinho os carrega um de cada vez, e quando estão seguros do outro lado, a floresta se torna cada vez mais familiar até que avistam a casa de seu pai ao longe, correm para dentro e se jogam no pescoço do pai. | ||
| + | * O homem não teve uma única hora feliz desde que abandonou seus filhos na floresta, e nesse meio tempo sua esposa havia morrido. | ||
| + | * Gretel abre e sacode seu avental para que as pérolas e joias quicassem pela sala, e Hansel joga punhados do seu bolso, e todos os seus problemas acabaram, vivendo juntos na maior alegria. | ||
| + | * O conto termina com: "Meu conto acabou. Veja o rato correr. Pegue-o, quem puder, e então você pode fazer um grande gorro com sua pele." | ||
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| + | **A questão das " | ||
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| + | * Em seu estudo abrangente das diferentes versões de "João e Maria", | ||
| + | * Para Böhm-Korff, | ||
| + | * No entanto, na estimativa do autor do texto, embora este abandono seja muito importante para a compreensão da narrativa, ele é secundário em relação à racionalização do abandono e do abuso no texto final de Wilhelm e na maneira como se recebeu "João e Maria" até o presente. | ||
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| + | **Revisão das mudanças fundamentais feitas por Wilhelm** | ||
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| + | * Antes de discutir a racionalização do abandono, o autor do texto revisa o que considera serem as mudanças fundamentais feitas por Wilhelm, sugerindo por que ele pode ter feito essas mudanças, com base nas comparações entre o manuscrito de Ölenberg de 1810 e a versão impressa final de 1857. | ||
| + | * As mudanças focam em quatro aspectos: o embelezamento do texto, a introdução de motivos cristãos, a representação da realidade social e o apagamento da mãe e a representação da bruxa. | ||
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| + | **Embelezamento do texto** | ||
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| + | * Após a publicação da primeira edição de 1812-1815, os Grimm foram aconselhados por vários amigos a alterar o estilo dos contos e a tentar se dirigir a jovens leitores em vez de estudiosos se quisessem que seu livro se tornasse mais popular. | ||
| + | * Todos os esforços de Wilhelm a partir de 1819 foram direcionados para melhorar os textos, criando maior clareza, transição, | ||
| + | * Ele omitiu muitos contos por causa de sua vulgaridade e, com seu grande conhecimento de diferentes versões, continuou combinando-as e adaptando motivos para tornar os contos adequados para um mercado popular. | ||
| + | * No caso de "João e Maria", | ||
| + | * Ao introduzir o discurso direto, ele aprofundou a caracterização do pai e da madrasta, fazendo com que ele se tornasse muito mais atencioso e preocupado com as crianças e ela mais insensível e cruel. | ||
| + | * A madrasta é demonstravelmente a agente maligna e chama seu marido de tolo e as crianças de " | ||
| + | * Wilhelm adicionou numerosos diminutivos para tornar a história mais charmosa, bem como palavras descritivas e explicações para que as ações de todos os personagens se tornassem mais racionalmente baseadas. | ||
| + | * Em vez da única linha que introduz a velha no manuscrito de Ölenberg, a versão final traz um longo parágrafo descrevendo que a velha fingia ser amigável, mas era na verdade uma bruxa má à procura de crianças, que construiu a casa de pão para atraí-las, matando-as, cozinhando-as e comendo-as, com olhos vermelhos e visão curta, mas faro apurado. | ||
| + | * Tais embelezamentos foram adicionados não apenas para tornar o conto mais emocionante e dramático, mas para criar mais ordem e basear as motivações dos personagens na perspectiva ideológica dos Irmãos Grimm – o que os alemães frequentemente chamam de " | ||
| + | * O " | ||
| + | * A partir deste ponto na história, a missão das duas crianças não é apenas sobreviver ao abandono, mas superar o abuso na forma da bruxa. | ||
| + | * Os embelezamentos no conto também foram usados para suavizar a sensação de abandono e abuso, com palavras e incidentes que adoçam o texto, tornando-o mais pitoresco e proporcionando conforto aos leitores. | ||
| + | * Um belo pássaro branco com uma voz adorável leva as crianças à casa da bruxa para que possam ter uma refeição abençoada de leite, panquecas, maçãs e nozes. | ||
| + | * Depois que Gretel empurra a bruxa para dentro do forno, " | ||
| + | * O patinho fofo os leva em segurança para seu pai, que – uma adição – "não tinha tido uma única hora feliz desde que abandonou seus filhos na floresta" | ||
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| + | **Introdução de motivos cristãos** | ||
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| + | * Além de trazer mais ordem racional ao conto, Wilhelm também adicionou motivos cristãos às versões impressas de "João e Maria", | ||
| + | * Há três incidentes importantes em que as crianças invocam a ajuda de Deus. | ||
| + | * As duas primeiras vezes, Hansel consola a assustada Gretel quando ainda estão em casa, dizendo: " | ||
| + | * Mais tarde, quando Gretel é ordenada a ajudar a bruxa a cozinhar Hansel, ela exclama: " | ||
| + | * Essas referências a Deus não são apenas expressões comuns; elas transformam as crianças anônimas " | ||
| + | * É a sua " | ||
| + | * Abandonadas por um pai, elas devem apelar para outro pai, divino, que não as desertará. | ||
| + | * Os pais são continuamente exaltados no conto, sejam eles biológicos ou divinos. | ||
| + | |||
| + | **Representação da realidade social** | ||
| + | |||
| + | * Em todas as versões literárias do conto do tipo "João e Maria", | ||
| + | * Nenhuma dessas versões é tão clara quanto o texto de Wilhelm em retratar o contexto social. | ||
| + | * Ele se refere duas vezes a uma grande fome que estava devastando o país inteiro, e houve muitas fomes no período entre 1810 e 1857 que causaram grande miséria para o campesinato em Hesse e na Europa Central. | ||
| + | * Sensível aos problemas do campesinato, | ||
| + | * Quando João e Maria descobrem a casa da bruxa, ela é feita em grande parte de pão, não de pão de mel. | ||
| + | * O tema da nutrição é um aspecto metafórico crucial deste conto, pois espiritual, psicológica e fisicamente as crianças são privadas de nutrição. | ||
| + | * A condição das crianças, embora extrema, era representativa da de numerosas famílias camponesas na Alemanha durante a primeira metade do século XIX, especialmente durante as fomes. | ||
| + | * O conto de fadas dos Grimm lança luz sobre as realidades sociais da época de uma maneira que muitos contos didáticos e realistas deste período escondiam. | ||
| + | |||
| + | **O apagamento da mãe e a representação da bruxa** | ||
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| + | * Uma das principais mudanças feitas por Wilhelm foi transformar a mãe biológica em madrasta na segunda edição de 1819. | ||
| + | * Ele também sugeriu que a madrasta pode ser associada à bruxa, levando a uma demonização das mulheres no conto. | ||
| + | * A madrasta acorda as crianças e as chama de " | ||
| + | * Ambas são dúplices, parecendo amigáveis enquanto procuram destruir as crianças. | ||
| + | * É difícil dizer por que Wilhelm apagou a mãe biológica do texto. | ||
| + | * É possível que, porque ele e Jacob reverenciavam sua própria mãe, eles não quisessem retratar uma mãe biológica abandonando seus próprios filhos. | ||
| + | * Ou Wilhelm estava convencido de que faria mais sentido, como no conto de Basile " | ||
| + | * Dado que muitas mulheres morriam no parto nos séculos XVIII e XIX, numerosos homens, deixados com filhos sem mãe, casavam-se novamente e traziam madrastas para suas casas, e embora nem todas as madrastas fossem uma ameaça para seus enteados, elas estariam mais interessadas em começar suas próprias famílias e cuidar de seus próprios filhos do que em cuidar de seus enteados. | ||
| + | * Ao substituir a mãe biológica pela madrasta, Wilhelm pode ter querido novamente representar realidades sociais de seu tempo. | ||
| + | * Seja qual for seu motivo, nem a madrasta nem a bruxa recebem quaisquer características salvadoras, pois ambas são egocêntricas e querem destruir as crianças. | ||
| + | * A madrasta não se importa se animais selvagens comem as crianças na floresta, querendo se livrar delas, erradicá-las de sua vida. | ||
| + | * A bruxa é uma predadora, uma ogra, que quer comê-las. | ||
| + | * No final, ambas as mulheres más são mortas no texto por Wilhelm em nome da bondade e de Deus. | ||
| + | |||
| + | **Motivações subjacentes às mudanças e a " | ||
| + | |||
| + | * Não se pode dizer que Wilhelm era misógino ou que tinha razões nefastas para retratar as mulheres como ele fez em "João e Maria", | ||
| + | * A explicação mais óbvia é o desenho dos Grimm de apresentar contos populares de uma forma que deixasse uma impressão eficaz em seus leitores de que cada conto representava uma herança cultural alemã que mantinha o povo unido como uma grande família. | ||
| + | * Se houvesse lapsos ou não sequiturs, ou incidentes que precisassem de explicação em suas histórias coletadas, então os Grimm, principalmente Wilhelm, continuavam reescrevendo os contos para garantir que houvesse transições suaves, desenvolvimento lógico das tramas e caracterização apropriada que atendesse às expectativas de seus leitores e seus próprios padrões de estilo artístico e pesquisa acadêmica. | ||
| + | * Em "João e Maria", | ||
| + | * Ações aberrantes são tornadas racionais, mas no processo há uma racionalização do ato do pai que reforça uma ordem social e simbólica patriarcal. | ||
| + | * Na estrutura racional do texto, o abuso ocorre em dois níveis: as crianças, João e Maria, são abusadas por terem a nutrição retida delas e eventualmente são levadas a aceitar o governo do pai como mais benevolente do que o da mãe; e as crianças como jovens leitores são abusadas ao seguir a ordem racional do texto e sendo enganadas a conceber que a ordem será sempre restaurada por meio da intervenção de Deus Pai e uma resolução que restaura a fé no bom pai. | ||
| + | * Em cada caso, há um tipo particular de " | ||
| + | * Por " | ||
| + | * No estudo mais recente de Steinlein sobre os contos dos Grimm, ele enfatiza que o " | ||
| + | * A conquista de Wilhelm Grimm consistiu em sua capacidade de harmonizar o enredo e a ação dos contos de fadas com as normas e expectativas do público leitor burguês da época. | ||
| + | * Wilhelm cultivou um estilo poético que produzia um tom reconfortante, | ||
| + | * Este tom expressa o ideal de relações familiares nucleares como discurso íntimo (fala) e pode agir como um órgão expandido do familiar na medida em que harmoniza ou equilibra temporariamente as contradições estranhas e ameaçadoras da realidade social por meio dos eventos mágico-míticos e do humor do conto de fadas, ao mesmo tempo em que transmite maneiras adequadas de se comportar e pensar. | ||
| + | * O resultado é que a imaginação dos leitores sofre um tipo de domesticação que não parece ser prejudicial, | ||
| + | |||
| + | **A poética da domesticação e da pedagogia em "João e Maria" | ||
| + | |||
| + | * Em "João e Maria", | ||
| + | * Pairando atrás da primeira palavra está uma noção de domesticidade ideal que a voz da narrativa eventualmente transmitirá com mais cuidado. | ||
| + | * As crianças são movidas do colapso da ordem em uma situação doméstica, causada por uma mulher, para outra situação doméstica ameaçadora, | ||
| + | * Embora as crianças sejam realmente salvas por sua própria inteligência, | ||
| + | * Com medo da floresta ou de viver independentemente, | ||
| + | * As crianças como leitoras ou ouvintes são levadas a seguir cada passo que o par irmão-irmã dá e são estimuladas a acreditar que o design ordenado do conto leva à felicidade. | ||
| + | * A libertação da bruxa má não é uma libertação de sua imaginação, | ||
| + | * Em vez disso, como leitoras, elas são encorajadas a se identificar com João e Maria, que terminam ajudando a restabelecer a ordem e o poder do pai. | ||
| + | |||
| + | **Duas abordagens significativas para interpretação** | ||
| + | |||
| + | * Enquanto Wilhelm mantinha a reordenação do conto, ele estabeleceu um modo exemplar para a apropriação literária de contos orais no século XIX, e seu trabalho coloca muitos problemas para a interpretação, | ||
| + | * O autor do texto considera duas abordagens significativas que não levam a respostas definitivas, | ||
| + | |||
| + | **Apropriação literária de Wilhelm como ato de preservação e violência retórica** | ||
| + | |||
| + | * A apropriação literária de Wilhelm do conto oral de Dortchen Wild foi um ato de preservação e ao mesmo tempo um ato de violência retórica. | ||
| + | * Ao escrever as palavras de Dortchen, ele as salvou para a posteridade e contribuiu para a compreensão de uma tradição oral. | ||
| + | * No entanto, à medida que começou a mudar e manipular suas palavras, ele violou sua intenção e desejo; suas palavras se tornaram suas, e até mesmo o título, inventado por seu irmão, indicava que sua assinatura no conto seria apagada. | ||
| + | * Tanto quanto se sabe, Wilhelm escreveu de memória, ouvindo e absorvendo suas palavras e tentando reter na memória o sentido de sua história, mas uma vez que ele escreveu o conto e o reescreveu, a estratégia narrativa tornou-se uma representação de seus desejos, impulsos e intenção. | ||
| + | |||
| + | **Fatores biográficos que podem ter influenciado as reescritas** | ||
| + | |||
| + | * Se se aceita que o enredo e o estilo de suas diferentes versões de "João e Maria" eram governados pelos impulsos inconscientes de Wilhelm, gosto estético e perspectiva ideológica, | ||
| + | * Wilhelm e Jacob amavam muito sua mãe, e uma das razões pelas quais a mãe biológica se tornou madrasta pode ser atribuída à relutância de Wilhelm em retratar uma figura materna perversa. | ||
| + | * Quando Wilhelm tinha nove anos, ele e Jacob perderam o pai, e os irmãos juraram nunca se separar, e nunca o fizeram. | ||
| + | * Em certo nível, é possível supor que João e Maria formam um par andrógino, um casal amoroso, representativo dos irmãos, e há indicações nos escritos autobiográficos e cartas dos Grimm de que eles se sentiam abandonados e foram compelidos a se virar sozinhos como melhor podiam. | ||
| + | * Psicologicamente, | ||
| + | * Mesmo o apagamento da mãe/ | ||
| + | * Os irmãos experimentaram algum tipo de trauma após a morte de seu pai que foi rapidamente reprimido, sendo enviados para Kassel como estudantes pobres, isolados e deixados por conta própria em tenra idade. | ||
| + | * O mal era a destruição da tranquilidade doméstica, a ameaça contínua de separação e pobreza, e não ganhar pão suficiente para a grande família – e o mal também assumiu a forma da invasão de Kassel pelos franceses durante as Guerras Napoleônicas (1805-1812) e do rei de Hanover, que expulsou os irmãos de Göttingen em 1837. | ||
| + | * Wilhelm e Jacob eram tementes a Deus, estudiosos e sinceros, e ao longo de suas vidas desejaram uma situação doméstica segura que lhes permitisse prosseguir seus estudos. | ||
| + | * Eles também desejavam um estado que fosse governado de acordo com os ditames da razão, uma monarquia constitucional na quais as vozes da razão fossem ouvidas. | ||
| + | * O movimento em "João e Maria" se assemelha a um movimento que vai da insegurança doméstica para um estado de terror (a casa da bruxa) e de volta para um lar reconstituído, | ||
| + | * O mal na forma de uma madrasta egoísta e impiedosa e de uma bruxa canibal é expurgado, não há mais caos, e compaixão e razão constituem a felicidade no final do conto, como escrito por Wilhelm. | ||
| + | |||
| + | **Ideias e conhecimentos conscientemente transmitidos por Wilhelm** | ||
| + | |||
| + | * Se o conto incorpora os medos e desejos inconscientes de Wilhelm, ele também representa suas ideias e conhecimentos que ele queria transmitir a seus leitores. | ||
| + | * Ele consciente e propositadamente introduziu ideias sobre a família, a criação de filhos e as condições sociais para instruir e explicar as razões por trás dos incidentes da narrativa. | ||
| + | * Ele estava perfeitamente ciente dos sofrimentos dos camponeses durante os anos de fome no século XIX, e aparentemente queria refletir sobre como uma fome poderia levar pessoas pobres ao desespero. | ||
| + | * Torna-se aparente por que a mãe/ | ||
| + | * O fenômeno da autoprivação por parte da mãe, que é aceito pela família, é familiar hoje também em alguns países do Terceiro Mundo. | ||
| + | * Se se espera que a madrasta em "João e Maria", | ||
| + | * Aqui está uma mulher que não acredita na autoprivação, | ||
| + | * O abandono das crianças é menos um crime do que seu desejo (e a cumplicidade de seu marido é importante) de sobreviver à fome. | ||
| + | * Este ato " | ||
| + | * Da perspectiva de Wilhelm, os homens eram superiores às mulheres e representavam os princípios da razão e do " | ||
| + | * Portanto, o triunfo sobre a bruxa só poderia ocorrer por meio da fé e confiança em Deus, que leva as crianças de volta ao pai governante adequado, que havia negligenciado seus deveres, mas agora está pronto para supervisionar a criação das crianças por si mesmo. | ||
| + | |||
| + | **" | ||
| + | |||
| + | * "João e Maria" é uma história didática cristã, com nada realmente mágico no conto, com exceção da casa e do pato, quando se considera que naquela época as pessoas acreditavam que as bruxas realmente existiam. | ||
| + | * É uma narrativa sobre o abandono de crianças que Wilhelm organizou de acordo com suas próprias linhas de pensamento e desejo. | ||
| + | * Como um conto bem elaborado, cada palavra e frase foram cuidadosamente pesadas e elaboradas após a escrita inicial de 1810. | ||
| + | * Como alguns dos outros contos da coleção dos Grimm, tem sido um favorito dos leitores em todas as sociedades ocidentais e, como mencionado, tornou-se um clássico, embora essa não fosse necessariamente a escolha ou intenção de Wilhelm. | ||
| + | * Portanto, é importante perguntar por que o conto foi honrado da maneira que foi durante os últimos 150 anos e quais são as possíveis consequências para as crianças. | ||
| + | |||
| + | **A recepção do conto e a necessidade de focar na racionalização do abandono** | ||
| + | |||
| + | * Como Böhm-Korff fez um estudo abrangente da maneira como o conto foi interpretado e usado na Alemanha desde suas origens, não é necessário repetir seus resumos das diferentes abordagens, mas é necessário expandir e elaborar seu trabalho porque ela não lida com a recepção do conto em outras culturas, e ela chega a uma conclusão cautelosa que limita seu trabalho. | ||
| + | * Admitindo que o conto pode legitimamente ser interpretado de muitas maneiras diferentes, Böhm-Korff acredita que o foco histórico do conto no abandono deve ser o ponto de partida primário para compreender seu significado central. | ||
| + | * No entanto, o autor do texto gostaria de ser menos cauteloso, ir um passo além de Böhm-Korff e insistir em um foco histórico não simplesmente no abandono, mas na racionalização do abandono e na domesticação da imaginação. | ||
| + | |||
| + | **Dificuldades e influências culturais na recepção do conto** | ||
| + | |||
| + | * Uma das dificuldades em discutir a recepção de um conto como "João e Maria" e suas ramificações sociopsicológicas é que cada cultura tem sua própria história única de adaptar, receber, disseminar, discutir, debater e usar um conto de fadas clássico. | ||
| + | * Cada vez que um conto é lido, ouvido ou visto, o receptor projetará sentimentos conscientes e inconscientes sobre ele em um nível individual, e não se pode saber se o receptor sequer encontrou a versão de 1857 de "João e Maria" | ||
| + | * Na Alemanha, a ópera " | ||
| + | * Wette não apenas transformou a madrasta dos Grimm na mãe biológica, mas também tornou ambos os pais simpáticos e transformou o conto em uma espécie de parábola cristã, celebrando a majestade e benevolência de Deus Pai. | ||
| + | * No final da ópera, a mãe e o pai vão procurar as crianças e as encontram na casa da bruxa. | ||
| + | * Na versão de Wette, as crianças são transformadas em " | ||
| + | * A linha de raciocínio de Wette é o cumprimento da racionalização do abuso infantil que pode ser rastreada até o próprio conto dos Grimm e faz parte de uma " | ||
| + | |||
| + | **Adaptações, | ||
| + | |||
| + | * O que Wette fez não foi um crime, mas estava de acordo com uma recepção tradicional de contos de fadas que reflete as preocupações das forças ideológicas dominantes, as condições na indústria cultural e as crenças sociais e culturais. | ||
| + | * É bem conhecido que "João e Maria" foi traduzido e adaptado centenas senão milhares de vezes em todo o mundo, e escritores e editores tomaram muitas liberdades com ele. | ||
| + | * Alguns educadores e pais objetaram que Gretel empurrasse a bruxa para dentro do forno e pressionaram os editores a eliminar este episódio. | ||
| + | * No final da Segunda Guerra Mundial, algumas chamadas autoridades entre as Forças Aliadas de Ocupação pensavam que a crueldade e o sadismo nos contos de fadas dos Grimm haviam contribuído para o nazismo, e a cena do forno em "João e Maria" foi particularmente perturbadora para muitos leitores depois de 1945. | ||
| + | * Não há dúvida de que cenas, símbolos ou motivos particulares podem causar uma reação traumática ou altamente afetiva em um leitor, e aqui talvez seja papel de um terapeuta considerar por quê, ou é tarefa do próprio leitor refletir sobre por que ele ou ela tem uma resposta emocional tão forte a um determinado conto de fadas. | ||
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| + | **Um denominador comum para a popularidade do conto nas sociedades ocidentais** | ||
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| + | * Apesar do vasto número de respostas possíveis a "João e Maria" e a validade dessas respostas, e apesar das diferentes tradições culturais e mudanças históricas na recepção deste conto, pode haver um denominador comum para explicar por que o conto se tornou tão popular nas sociedades ocidentais. | ||
| + | * Embora seja difícil fazer comparações demográficas com as sociedades ocidentais dos séculos XVIII, XIX e início do XX, o abuso infantil na forma de espancamento, | ||
| + | * Em concordância com a psicanalista Alice Miller, toda criança encontra alguma forma de abuso e cresce temendo abuso e abandono, sendo a experiência real com abuso e o medo do abandono uma questão de grau, e uma vez atingida a idade adulta, quer-se minimizar esse grau, bem como a cumplicidade em tal abuso. | ||
| + | * "João e Maria" sempre minimizou e continuará a minimizar esse grau em todas as sociedades. | ||
| + | * É um conto calmante e pacificador que toca em questões de abuso e abandono e fornece esperança de que segurança e felicidade podem ser encontradas após um episódio traumático, | ||
| + | * No entanto, o autor do texto teme que também seja um conto que reforça a hegemonia masculina e inocenta os homens de um crime contra crianças, ou que racionaliza a maneira como os homens usam os laços de amor para reforçar seu controle sobre as crianças. | ||
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| + | **Relações objetais paradigmáticas e hegemonia masculina** | ||
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| + | * Ao reexaminar as relações objetais paradigmáticas no conto, é fascinante ver como ele é estruturado para focar na superação do abandono e na celebração do complexo de Édipo e do poder do masculino no retorno para casa, para o pai. | ||
| + | * Psicologicamente, | ||
| + | * É em fuga da mãe sufocante e onipotente que as crianças buscam consolo e segurança em um pai, que se torna sua figura de autoridade final quando a mãe é apagada de suas vidas. | ||
| + | * As relações objetais dentro do conto refletem em grande parte a maneira como as relações objetais foram arranjadas nas sociedades ocidentais até o presente. | ||
| + | * Como Jessica Benjamin apontou em "The Bonds of Love", a figura materna é a nutridora dominante durante os primeiros dois anos de vida de uma criança e é uma figura tanto positiva quanto negativa, certamente assustadora e onipotente, e por medo dessa onipotência, | ||
| + | * Esta virada em direção ao masculino, no entanto, é uma concessão e permitirá que a autoridade masculina dite a vida da criança em seus próprios termos, pois uma vez que o homem tem a criança em seu poder, ele pode ser benevolente ou sádico – não importa, mas ele está no controle, e parece razoável que ele permaneça no controle. | ||
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| + | **Abandono na literatura e a função ideológica dos finais felizes** | ||
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| + | * Não por acaso, as relações objetais paradigmáticas dentro de "João e Maria" foram continuamente aceitas e representadas nas mentes de leitores e escritores da maneira sugerida pelo autor do texto. | ||
| + | * Como John Boswell afirma em seu importante estudo "The Kindness of Strangers: The Abandonment of Children in Western Europe from Late Antiquity to the Renaissance", | ||
| + | * O abandono é um motivo importante na literatura até o presente, assim como tem sido, de alguma forma, parte da experiência da maioria das pessoas até o presente, e geralmente é associado ao abuso de alguma forma ou outra. | ||
| + | * O que é significativo, | ||
| + | * Boswell é novamente esclarecedor sobre este ponto: "O resultado mais feliz, mas menos convincente do abandono nos tratamentos literários é a recuperação extática das crianças pelos pais biológicos (ou vice-versa)", | ||
| + | * Boswell então levanta questões importantes sobre os finais felizes do abandono, questionando se tais cenas são realistas, se eles podem ter distorcido a probabilidade de recuperação parental para alcançar fins dramáticos ou enfatizado uma possibilidade deliciosa, mas remota, e nota que é revelador que, de muitas resoluções possíveis de enredo disponíveis para eles, os contadores de histórias escolheram esta. | ||
| + | * Talvez um público que incluía muitos pais que haviam exposto seus filhos ansiavam por tal consumação, | ||
| + | * Dado que desde a antiguidade até o presente, o abandono tem sido aceito como uma maneira " | ||
| + | * Como Boswell sugere, os adultos sempre se sentiram desconfortáveis com o abandono, mesmo enquanto o praticavam com aparente equanimidade. | ||
| + | * Portanto, o final feliz ou recuperação serve a uma função ideológica, | ||
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| + | **Conclusão sobre a aceitação de contos clássicos e a função de "João e Maria" | ||
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| + | * Politicamente, | ||
| + | * Para ser verdadeiramente aceito como um conto de fadas clássico e presumido " | ||
| + | * Caso contrário, não se tornará clássico ou popular. | ||
| + | * "João e Maria" é clássico e popular. | ||
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