mitologia:durand:1964:simbolismo
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| + | ====== 1 Vocabulário Simbolismo ====== | ||
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| + | === INTRODUÇÃO O VOCABULÁRIO DO SIMBOLISMO === | ||
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| + | //"Um sinal é uma parte do mundo físico do ser (being), um símbolo é uma parte do mundo humano da significação (meaning)." | ||
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| + | Sempre reinou extrema confusão no uso de termos relativos ao imaginário. Talvez se deva presumir que esse estado de coisas provém da extrema desvalorização que sofreu a imaginação, | ||
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| + | A consciência dispõe de duas maneiras de representar o mundo. Uma, direta, na qual a própria coisa parece estar presente na mente, como na percepção ou na simples sensação. A outra, indireta, quando, por qualquer razão, o objeto não pode se apresentar à sensibilidade "em carne e osso", como, por exemplo, nas lembranças de nossa infância, na imaginação das paisagens do planeta Marte, na inteligência da volta dos elétrons em torno de um núcleo atômico ou na representação de um além-morte. Em todos esses casos de consciência indireta, o objeto ausente é re-(a)presentado à consciência por uma imagem, no sentido amplo do termo. | ||
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| + | Na verdade, a diferença entre pensamento direto e pensamento indireto não é assim tão nítida como acabamos de expor com a preocupação de sermos claros. Seria melhor afirmar que a consciência dispõe de diferentes graus da imagem (conforme ela seja uma cópia fiel da sensação ou simplesmente assinale o objeto), cujos dois extremos seriam constituídos pela adequação total, a presença perceptiva ou a inadequação mais acentuada, ou seja, um signo eternamente privado do significado, | ||
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| + | O símbolo se define, primeiramente, | ||
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| + | Como os signos desse tipo nada mais são do que um meio de economizar as operações mentais, nada impede (pelo menos em teoria) que sejam escolhidos arbitrariamente. Basta declarar que um disco vermelho com uma barra branca significa que eu não devo avançar, para que esse sinal se transforme no de " | ||
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| + | Mas há casos em que o signo é forçado a perder sua arbitrariedade teórica: quando remete a abstrações, | ||
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| + | Pode-se, então, pelo menos em teoria, distinguir dois tipos de signos: os signos arbitrários, | ||
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| + | E assim chegamos, finalmente, à imaginação simbólica propriamente dita, quando o significado não é mais absolutamente apresentável e o signo só pode referir-se a um sentido, não a um objeto sensível. Por exemplo, o mito escatológico que coroa Le Phédon é um mito simbólico, já que descreve o domínio proibido a toda experiência humana, o além-morte. Pode-se também distinguir, nos Evangelhos, as " | ||
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