====== 11 ====== //[[.:start|LE TCH’AN (ZEN)]]. RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985// Yuan-men: “Se, por causas cármicas, um noviço na busca da Via encontra uma pessoa que procura prejudicá-lo, como pode remediar isso permanecendo ao mesmo tempo em união com a Via? — Não há necessidade de remediá-lo. Por quê? Porque evitará aquilo que pode ser evitado e se curvará diante do inevitável. Suportará aquilo que pode suportar e lamentará aquilo que não pode suportar. — Se ele se lamenta, qual é então a diferença em relação àqueles que possuem a noção de um ego? — Quando o badalo golpeia o sino, o som sai inteiramente de maneira natural. O mesmo ocorre aqui. Por que haveria necessariamente um ego? Se, no momento de uma morte violenta, mordeis os lábios para resistir e impedir-vos de lamentar, dais existência a um ego ainda maior. — Mas as emoções abalam aquele que conhece tristeza e lamentações; como se pode comparar isso ao som do sino? — O próprio fato de falardes de similitude ou de diferença prova que tendes muitas coisas no espírito. São os pensamentos falsos e a avaliação cognitiva que vos incitam a formular essa pergunta. Quando não há nem espírito nem diferenciação, a Via permanece tal qual é. — Ouvi dizer que o Homem Santo não é ferido pelas armas, nem atingido pelas desgraças, nem perturbado pelas aparências, e que seu espírito permanece imutável. Que significa isso? — Se se compreende que todas as coisas são sem existência própria, então som e ausência de som, movimento e imobilidade estão em acordo com a realidade da Via; não há nem obstáculo nem obstrução.”