====== 12 ====== //[[.:start|LE TCH’AN (ZEN)]]. RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985// Yuan-men: “Não sei o que se entende por Buda, Via, transformação e permanência. — Jou-li: Aquele que desperta para a ausência de objeto é chamado Buda. Aquilo que penetra tudo universalmente é chamado Via. As produções oriundas do domínio do absoluto são chamadas transformações. A extinção final é chamada permanência. — Que significa: ‘Todas as aparências são as aparências da budeidade’? — Quando não há nem aparências nem não-aparências, toda aparência é a budeidade. — Que se entende por ‘aparências’? Que se entende por ‘não-aparências’? Que se entende por ‘nem aparências nem não-aparências’? — Afirmativamente fala-se de aparência; negativamente fala-se de não-aparência; como nem a afirmação nem a negação podem avaliá-la, diz-se que não há nem aparência nem não-aparência. — Quem prova a verdade dessas palavras? — Essas palavras nada têm a ver com alguém; por que prová-las? — Que pode ser enunciado sem alguém? — Tem-se precisamente o enunciado real quando não há nem pessoa nem enunciado. — Que é um enunciado errôneo? — Quando existe a intenção de dizer alguma coisa. — Isso é a intenção de alguém; como pode então não haver intenção? — A intenção não passa de uma palavra; as palavras em si mesmas não são palavras, e tampouco existe intenção. — Se é como dizeis, então todos os seres são desde a origem libertos? — Uma vez que não existe vínculo, por que haveria libertação? — Que nome recebe então essa verdade? — Não existe verdade, e menos ainda nome. — Se assim é, realmente não consigo compreender. — Não existe verdade a compreender; não procureis então a compreensão. — Então, afinal, o quê? — Nem começo nem fim. — Pode não haver nem causa nem efeito? — Nem tronco nem ramo. — Como prová-lo pelas palavras? — A verdadeira realidade não se exprime para provar-se. — Como se pode vê-la e conhecê-la? — Sabendo que tudo é realmente tal qual é, vendo que todas as coisas são iguais. — Que espírito conhece isso, que olho pode vê-lo? — O não-conhecimento conhece isso; a não-visão vê isso. — Quem diz isso? — É precisamente o que eu ia perguntar. — Que significa ‘É precisamente o que eu ia perguntar’? — Contemplai vós mesmo vossa pergunta, e podereis conhecer a resposta.” Ao ouvir essas palavras, Yuan-men ainda refletiu, depois permaneceu silencioso. “Por que não falais?”, perguntou-lhe então o mestre Jou-li. “Não vejo uma única coisa, nem mesmo um grão de poeira ao qual devesse reagir”, respondeu Yuan-men. Então o mestre Jou-li disse a Yuan-men: “Parece que vedes o princípio da verdadeira realidade.”