===== ILUMINAÇÃO ===== //MWFZ// * O objetivo búdico primordial consiste no conhecimento da Suprema e Perfeita Iluminação, identificada como liberação e nirvana. * Termos como alcançar ou conseguir são considerados apenas aproximações falaciosas. * A conceituação da iluminação como um objetivo exterior resulta em uma percepção distorcida pela natureza discriminatória da linguagem. * As palavras geram confusão ao tentarem delimitar uma realidade que, em última instância, é inefável. * Multiplicação de termos nos sutras para tornar a questão compreensível diante da limitação do discurso. * A liberação no budismo mahaiana provém da sabedoria transcendental denominada prajna, presente em todos os seres. * A ação da prajna permite o despertar do desejo de Iluminação, definido como bodhichittotpada. * A prajna caracteriza—se como uma faculdade paradoxal que é simultaneamente a sabedoria e a sua própria obra. * Identificação da prajna com os termos sambodhi, sarvajnata e nirvana. * A prajna é absoluta nas moradas do Ser e se desvanece no silêncio, revelando a unidade que o espírito costuma separar. * Atingir a Suprema e Perfeita Iluminação exige a transcendência das categorias de ser e não ser. * Compreensão de que as coisas são vazias, incriadas e não dualistas. * Conhecimento da verdade última, paramartha—satya, além do pensamento discriminatório. * Realização de atos maravilhosos e inconcebíveis de forma livre e gratuita, sem apego à utilidade. * O ideal do Bodisatva integra a iluminação ao conceito de amor universal. * O desejo de iluminação exige um coração benevolente e puro que abrange o universo inteiro. * Menção ao Dasha—bhumika sobre as virtudes singulares necessárias ao Bodisatva. * O Bodisatva movido pelo amor adquire capacidades extraordinárias para proteger o mundo e purificar o coração. * Obtenção dos dez poderes e do conhecimento onicompreensivo. * Percepção instantânea do passado, presente e futuro para girar a roda do Dharma. * Poder de sustentar e inspirar. * Poder de realizar milagres. * Poder de comando. * Poder de pronunciar os votos originais e adequar a vida a eles. * Poder de beneficência. * Poder de receber os bons protetores. * Poder da fé pura e do puro conhecimento. * Poder de chegar a uma fé infinitamente iluminadora. * Poder de purificar o pensamento bodisátvico. * Poder de caminhar com fervor com a onisciência e cumprir os votos originais. * Os adeptos do Zen reafirmam o ideal mahaiana através de votos monásticos fundamentais. * Faço o voto de ajudar todos os seres a realizar a travessia, embora seu número seja ilimitado. * Faço o voto de destruir minhas más paixões, embora sejam inesgotáveis. * Faço o voto de estudar os ensinamentos do Dharma, embora sejam inumeráveis. * Faço o voto de seguir o caminho de Buda, embora não haja outro parecido. * O Bodhichitta é exaltado no Sutra Gandavyuha como a semente da qual brotam as verdades do budismo. * Diálogo entre o peregrino Sudhana e o Bodisatva Maitreya. * O Bodhichitta é como uma semente: as verdades do Budismo brotam dele. É como um campo onde floresce a pureza. * O Bodhichitta é como a terra: suporta tudo. É como a água: limpa o lodo das paixões. É como o vento: sopra livremente sobre o mundo inteiro. É como o fogo: consome o que alimenta o sombrio pensamento racional. * A natureza do Bodhichitta é comparada a elementos celestiais e ferramentas de orientação. * O Bodhichitta é como o sol: ilumina tudo. É como a lua: tudo purifica. É como a lâmpada: mostra todas as coisas. É como o olho: percebe os obstáculos ao longo do caminho. * O Bodhichitta é como um caminho principal: conduz à cidade da onisciência. É como um carro: transporta os Bodisatvas. É como uma porta: abre—se sobre as ações do Bodisatva. * O refúgio espiritual proporcionado pelo Bodhichitta assemelha—se a moradas e figuras de proteção. * O Bodhichitta é como um palácio: é o refúgio onde se pratica o samadhi. É como um parque: nele se goza da verdade. É como uma morada: ali todos se resguardam. É como um refúgio: os seres que nele penetram estão a salvo. * O Bodhichitta protege os Bodisatvas como um pai; educa—os como uma mãe; cuida deles como uma babá; dirige—os como um protetor. * O Bodhichitta submete os Shravakas e os Pratyeka—budas como um rei. * A imensidão e a pureza do desejo de iluminação são relacionadas a montanhas sagradas e elementos da natureza. * O Bodhichitta é como o oceano: encerra as pedras preciosas das virtudes; é como o Monte Sumeru: eleva—se imparcialmente acima das coisas. É como o Monte Chakravada: sustenta o universo. * O Bodhichitta abunda em plantas do conhecimento como o Monte Himalaia; exala perfumes de verdade como o Monte Gandhamadana; espalha bondades como o espaço. * O Bodhichitta é puro como a flor de lótus; obediente como o elefante; livre como o cavalo; protege o Mahaiana como um condutor. * A compreensão meramente intelectual é insuficiente e estéril, assemelhando—se a sombras ou esqueletos. * A falta de Bodhichitta impede a manifestação da energia necessária para o bem dos seres. * Permanência de obstáculos cármicos e passionais quando não se penetra no reino das coisas inconcebíveis. * O mundo inconcebível é o cenário das metamorfoses e milagres realizados pelos Bodisatvas. * Vigência da harmonia, transparência perfeita e reuniões inumeráveis. * Sublimidade dos sacrifícios, atos perfeitos e irradiantes corpos luminosos. * Prajna e Bodhichitta constituem os suportes fundamentais que transcendem o intelecto seco e a razão fria. * A prajna funciona como o olho espiritual que penetra as trevas e conduz à onisciência. * A prajna é a mãe e antepassada de todos os Budas e Bodisatvas. * Identificação da prajna com os conceitos de shunyata, tathata, bhutakoti, dharma—dhatu e dharmata. * A ausência de prajna torna inúteis as demais virtudes e impede a autêntica liberação. * Comparação da prajna com as asas de um grande pássaro que, se não desenvolvidas, resultam em queda. * A visão prânica permite ao Bodisatva perceber as coisas yathabhutam, ou seja, tais como são. * O Bodisatva assemelha—se a uma nuvem carregada de chuva que alimenta e refresca a natureza exausta. * Compreensão de que a verdadeira morada é o Tathagata—gharba, a matriz do estado de Tathagata. * O Sutra Shurangama define o espírito original do Tathagata—gharba como uma realidade que transcende elementos e sentidos. * Ensinamento de Buda dirigido ao discípulo Purnamaitrayaniputra. * O espírito original não é nem os elementos, nem os órgãos dos sentidos, nem as ideias, nem os elos da cadeia de existência. * O espírito iluminado é maravilhoso por ser idêntico ao todo e, simultaneamente, estar acima do ser e do não ser. * A natureza do Tathagata—gharba é caracterizada como Vazio, Não Vazio e Vazio—não—Vazio. * Ver na própria natureza equivale a perceber a imutabilidade do Vazio. * O Sutra Adaha—pranaparamita detalha as diversas formas de Vazio para desconstruir noções de ipseidade. * Menção à assistência de Hidé Oshiro para a compreensão do texto. * Vazio das coisas interiores: irrealidade dos vijnanas e ausência de ego. * Vazio das coisas exteriores: ausência de substância nos objetos dos sentidos. * Vazio das coisas interiores e exteriores: irrealidade da distinção entre interno e externo. * Vazio do Vazio: irrealidade da própria ideia de Vazio para evitar o dualismo. * Grande Vazio: irrealidade do espaço. * Vazio da Verdade suprema: ausência de aderência no ser verdadeiro das coisas. * Vazio das coisas criadas e das coisas incriadas. * Vazio Supremo: necessidade de afastar a vassoura e quem varre para atingir a ideia absoluta. * Vazio do ilimitado: transcendência das categorias de começo e fim. * Vazio da dispersão: aniquilação dos quatro skandhas — vedana, samjna, samskara e vijnana. * Vazio da natureza primordial e da personalidade: inexistência de natureza individual estável. * Vazio de todas as coisas: impermanência de caracteres como existência e objetividade. * Vazio da inacessibilidade: a prajna permite compreender que o conhecimento do sábio é, na realidade, falta de conhecimento. * Vazio do não ser: vacuidade da oposição entre natureza e ausência de natureza. * A compreensão do Vazio conduz à percepção da Tathata e ao retorno ao país natal do espírito. * Menção ao ensinamento de Huei—neng sobre olhar no Vazio. * Subhuti como o nascido em conformidade com o Tathagata. * A Tathata do Tathagata é a Tathata de Subhuti, pois a Tathata é única e sem dualismo em todos os seres. * A Tathata é descrita negativamente como uma realidade intangível, sem nascimento, sem morada e sem ação. * Trata—se de um eterno presente que escapa às definições da linguagem e do pensamento comum. * Realidade absoluta comparada à água que é água e ao ar que é ar, além do ser e do pensamento. * O Bodisatva iluminado pela prajna compreende que oposições como Samsara e Nirvana são irreais. * Tais distinções só existem no discurso e sua evocação tende a falsificá—las. * A disciplina búdica visa avivar a visão prânica para romper a velha lógica e dissipar as ilusões do eu. * O espírito passa a voar livremente no espaço como um pássaro. * A Palavra e a Lei são comparadas a balsas abandonadas na margem após a travessia. * Foi construída para mim uma excelente balsa. Fiz a travessia até o Nirvana; alcancei a margem oposta; atravessei a torrente das paixões. Mas a balsa tornou—se inútil: Oh, Céu, se desejas, deixa cair a chuva! * O Bodisatva permanece no mundo por amor a todos os seres sem ultrapassar o limite da realidade. * Permanência fiel aos votos para libertar todos os seres do sofrimento e da impureza. * Atuação constante em todas as regiões do espaço enquanto subsistir dor no mundo. * A locomoção do Bodisatva é descrita como um movimento incessante e desapegado para auxiliar os seres sensíveis. * Maitreya responde a Sudhana sobre a origem e o destino do Bodisatva. * O Bodisatva vem como se não viesse nem fosse; como se não se movesse nem se detivesse, como se não morresse nem nascesse. * O Bodisatva utiliza estratagemas hábeis para transmitir o Dharma sem pertencer ao mundo em que atua. * Recusa de recompensa e seguimento dos caminhos engenhosos de todos os Budas. * Embora veja a Shunyata, o Bodisatva não a realiza plenamente para cumprir seus votos de libertação. * É de fato muito difícil que o Bodisatva, habituando—se à Shunyata e alcançando o Shunyata—samadhi, não alcance ainda o limite da Realidade. * O ideal do Bodisatva diferencia—se dos Shravakas e Pratyeka—budas pela dedicação incondicional aos outros seres. * O Vencedor da Ignorância conhece o Nirvana, mas faz o voto de não gozá—lo egoisticamente. * A divergência entre o budismo hindu e o Zen reside na forma da linguagem e não no pensamento fundamental. * Os mestres chineses e japoneses utilizam gestos bruscos, gritos e respostas definitivas em vez de descrições acumuladas. * Exemplo do mestre que define o ensinamento de Buda através do frescor de um abanigo. * As técnicas desorientadoras do Zen visam impedir que os homens fiquem presos no labirinto do próprio raciocínio. * A iluminação é atingida de maneira brusca, invalidando a balsa do Dharma após a travessia. * O que importa é a experiência direta e não o ensinamento teórico. * O conhecimento acumulado é insuficiente sem a experiência transformadora do despertar. * Comparação com o viajante sedento que ouve falar de uma fonte, mas não sacia sua sede apenas com o relato. * Escutar e refletir não permitem alcançar a natureza verdadeira da prajna—paramita. * Tai—huei afirma que o Zen carece de palavras e que o Satori contém tudo.