====== FÉ E SABER EM FRANZ VON BAADER ====== //FAIVRE, Antoine. Accès de l’ésotérisme occidental I. Paris: Gallimard, 1986.// * A indissociabilidade entre Fé e Saber no pensamento gnóstico * A gnose como campo de pensamento que geralmente associa Fé e Saber. * A existência de uma gnose que prescinde da Fé. * Os teósofos do cristianismo moderno como exemplo de pensadores que vinculam intimamente crença e conhecimento. * A relação entre Fé e Saber na teologia paulina e católica * A definição de Fé em São Paulo como "uma firme certeza das coisas que se esperam, uma demonstração das coisas que não se veem". * A citação de que "pela fé que reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus". * A concepção da Fé no Dicionário de Teologia Católica como um assentimento intelectual, ainda que sob a influência da vontade. * O objeto da Fé: Cristo ressuscitado, conforme os textos revelados. * A impossibilidade da Fé sem um ensino recebido e um saber inicial. * A Fé como impulsionadora do desejo pelo Saber, por meio do amor como via de conhecimento. * Os meios para o conhecimento: ensino, reflexão e iluminação. * A Fé como crença em movimento e um aprofundamento incessante do dogma. * A hermenêutica teosófica e a leitura dos textos sagrados * A prática da leitura em múltiplos níveis: literal, alegórico e anagógico. * O interesse do teósofo pelo sentido anagógico e a busca pelo sentido originário das Escrituras. * O papel da imaginatio vera e da especulação baseada em homologias. * A identificação entre conhecimento e salvação na teosofia cristã. * A citação de São Paulo: "o espírito scruta tudo, até as profundezas divinas". * A distinção entre o teólogo e o teósofo * A divergência centrada na natureza do conhecimento e nos métodos para alcançá-lo. * O teólogo como aquele que define a Fé, raciocina sobre a crença e delimita o seu alcance. * O teósofo como aquele que se identifica com o objeto de estudo, transformando o seu ser pelo saber. * O procedimento do teósofo por identificação e a mímica dos dramas cósmicos. * O discurso do teósofo como obra de um anjo Raziel, do qual ele seria apenas o órgão. * O interesse do teósofo pela articulação dos arquétipos e pelas homologias entre todos os níveis do visível e do invisível. * A reação teosófica à separação entre ciência profana e outros domínios do conhecimento * A constituição de uma ciência profana como ideologia alienante do século XIX. * A revolta dos teósofos ocidentais e o desenvolvimento de uma Naturphilosophie. * A vocação da teosofia para o interesse pela natureza e todas as suas manifestações. * A incapacidade da Reforma em remediar a segregação entre saberes. * O problema da escolástica: o conhecimento de Deus no quadro do Logos platônico e do racionalismo aristotélico. * A oposição de Lutero ao princípio racional da conhecimento, privilegiando o princípio irracional da Fé. * O aprofundamento do abismo entre razão e Fé e a consequente busca luterana pela teosofia. * A oposição de alguns luteranos entre a Naturphilosophie de Paracelso e a teologia da Revelação. * A interpretação de J. W. Montgomery de As Núpcias Químicas de Christian Rosenkreuz como uma aplicação lícita da Fé à ciência. * A teoria dos dois arcontes em Paracelso e a revelação divina na natureza * A teoria de Paracelso: o archote da Natureza, cognoscível por suas "assinaturas", e o archote da Bíblia. * A afirmação de que Deus quer ser conhecido em suas obras. * A teoria de Figulus dos três livros: a natureza (macrocosmo), o homem (microcosmo) e a Bíblia. * As obras da Natureza como reflexo visível da obra invisível de Deus. * A citação de que "nas coisas eternas, é a Fé que torna visíveis as obras; nas corpóreas invisíveis, é a luz da Natureza que revela as coisas invisíveis". * A defesa da experiência contra o pseudo-conhecimento baseado apenas no raciocínio lógico. * O aforismo de Paracelso: "Je gelehrter, je verkehrter!". * A superioridade do saber divino contido na criação sobre a razão humana entregue a si mesma. * A inadequação da lógica formal de Aristóteles ou Galeno para o estudo da Natureza. * A cognitio centralis em Friedrich Christoph Oetinger e a Foi como antecipação do saber em Novalis * A cognitio centralis de Oetinger como essência da religião pessoal, permitindo ver além das polaridades da existência. * A definição de Oetinger para "saber": "ver (compreender, penetrar) uma coisa segundo todas as suas partes". * A definição de Novalis: a superstição como tomar uma parte pelo Todo. * A explicação de Oetinger de que a Fé vivifica a ordem silogística dos pensamentos. * O conceito de Novalis: a Fé como Illudieren, uma posição hipotética e imaginária de uma ideia. * A Fé como saber à distância e o saber como conhecimento do presente. * A afirmação de Novalis de que "a Fé é a ação da vontade sobre a inteligência". * A defesa da "fria inteligência técnica" e do "tranquilo sentido moral" para alcançar revelações. * O conhecimento como um alargamento do domínio da Fé e uma Fé continuada. * A reflexão de Franz von Baader sobre os vínculos entre Fé e Saber * A produção de opúsculos dedicados ao tema, como Sobre o Comportamento do Conhecimento em Relação à Fé. * A retomada da ideia baconiana de harmonia luminis naturae et gratiae. * A luta de Baader pela reconciliação entre especulação e crença. * A afirmação de que pensar é a natureza do homem e que Mephisto odeia a especulação. * O divórcio entre Fé e Saber como início de um apodrecimento individual ou coletivo. * A tese de que toda pesquisa começa pela Fé, e não pela dúvida. * A refutação do dito de Rousseau: "cessa-se de sentir quando se começa a pensar". * A união necessária entre amor e conhecimento para que se tornem verdadeiros. * A analogia da luz e do calor: a cabeça como órgão da luz e o coração como órgão do sentimento. * A crítica de Baader ao divórcio entre Fé e Saber e a defesa de uma atitude ativa * A necessidade de agir com ousadia, invocando o nome de Deus. * A afirmação de que "quanto mais superficial o sentimento, mais superficial a especulação". * A complementaridade entre sentimento e saber, Fé e contemplação. * O desprezo pelo misticismo puramente sentimental, qualificado como "religião das mulherzinhas". * A crença como obsequium, um ato de admiração de ordem racional. * A crença cega como fonte de todos os erros e infortúnios na Igreja. * O princípio de que o homem só sabe na medida em que se sabe "sabido" por outro. * A citação de que "nos movimentos livres de minha razão não podem ser senão de uma natureza mais racional". * A Fé do homem em Deus fundamentada no conhecimento de ser visto e sabido por Alguém. * As homologias poéticas e a comunicação do saber na Fé * A imagem de que toda luz é uma visão e todo olho é uma luz. * A citação dos Salmos e Provérbios: "Aquele que plantou o ouvido não ouviria? Aquele que formou o olho não veria?". * A afirmação de que Cristo não acreditava, mas contemplava. * A Fé fundamentada em um saber comunicável, e não em um sentimento obscuro. * A analogia entre Fé e movimento, e Saber e repouso. * A impossibilidade de crer sem saber e saber sem crer. * A oposição entre Fé verdadeira e Fé falsa, e entre saber verdadeiro e falso saber. * A refutação da oposição entre incrédulo sábio e Fé ignorante. * A citação de Baader: "não se pode fazer uso de sua razão sem crer livremente e crer sem fazer uso de sua razão". * A teoria do fundamento: o pensamento como a faculdade de se reunir no Uno. * A noção de fundação e as etimologias significativas * O conceito de "fundação" como elevação e autopotencialização. * A imagem juvenil de Baader da luz reunida em um foco central transformando-se em calor. * A interpretação do verbo hebraico bara (criar) como uma "colocação em luz" ou descoberta. * O recurso à etimologia para elucidar conceitos, como aproximar glauben (crer) de geloben (prometer) e verloben (desposar). * A substituição do "Nemo credit nisi volens" por "Nemo vult, nisi videns". * A interpretação de Andacht (recolhimento) como contendo denken (pensar). * A relação etimológica entre Manu, man (conhecer), Mensch (homem), estabelecendo o homem como aquele que conhece. * O conceito de Anerkennung como síntese de crença e admiração. * A citação de Isaías: "Se não crerdes, não compreendereis". * A crítica de Baader aos filósofos modernos e a defesa da reconciliação entre Fé e Saber * A crítica a Kant, Jacobi e Herbart por não articularem Fé e Saber. * A rejeição da Fé como postulado kantiano. * A contribuição de Kant, Jacobi e Rousseau para a timidez perante a especulação. * A crítica a Hegel por excluir a afetividade do conceito. * A oposição artificial entre racionalismo e supra-naturalismo. * A atitude de Paracelso, para quem a crença é o ato de abrir-se para receber. * A tendência filosófica de ignorar a necessidade de ser conhecido. * A esperança de que a reconciliação parta da Alemanha. * A citação de Louis-Claude de Saint-Martin sobre a necessidade de unir reflexão e sentimento. * A afirmação de Saint-Martin de que "no verdadeiro ordem das coisas, o conhecimento e o gozo do objeto devem coincidir". * O conceito de Joseph de Maistre de "graciabilidade" entre filosofia e teologia. * O sonho de uma religião que fosse uma ciência e uma ciência que fosse uma religião. * A crítica ao protestantismo moderno por seu nihilismo ou seu pietismo não científico. * A consequência da Reforma: o erro de identificar protestantismo com especulação científica. * A natureza militante do conhecimento e a sua relação com a ação * A distinção entre saber dado para a ação e saber proposto obtido pela ação. * A citação atribuída a Jesus: "Pratiqueis meu ensino, compreendereis sua verdade". * A ação como proveniente da crença, esperança e confiança na ciência. * O aforismo de Baader: "sabemos o que fazemos, não sabemos o que não fazemos". * A identidade entre saber e ação como fundamento de toda teoria do conhecimento. * A inseparabilidade entre crença, conhecimento, liberdade e ação. * A complementaridade entre ortosofia e ortodoxia. * A crença como antecipação ativa do futuro e a divinação como receptividade passiva. * A definição de Paracelso: a crença como o ato de abrir-se para receber. * O processo de individuação e a união de elementos dissociados * A imagem alquímica da luz unindo-se ao amor no coração para dissolver as trevas. * A analogia com o anjo de luz descendo ao túmulo de Cristo. * A transformação do frio e das trevas em água. * A manifestação da água nas regiões de luz sob a forma de lágrimas, nuvens e orvalho. * A citação de Saint-Martin: "Nada ilumina tanto o espírito quanto as lágrimas do coração". * A fundamentação na bem-aventurança: "Bem-aventurados os que choram". * O saber simbólico e a experiência do mito * A analogia da luz que se decompõe em cores para se tornar apreensível. * A necessidade de passar pelo jogo das cores para encontrar a luz. * A limitação do saber racional, que conhece apenas estruturas. * A experiência pessoal do Fogo, para além das estruturas, como via de conhecimento. * A inseparabilidade entre Fé, conhecimento e ação na alquimia. * Os três pontos de vista de Baader sobre a relação entre Fé e Saber: independência institucional, reconciliação no dogma e problema filosófico total do conhecimento. * A posição teosófica subjacente ao pensamento de Baader. * A crença na existência de verdades não completamente reveladas por Jesus. * O conceito de "Tradição-mãe" versus a filosofia como tradição degradada. * A crença e o conhecimento "radicais" dados antes da queda. * O princípio de que "não progredir é regredir". * Os dogmas como princípios de conhecimento a serem usados de modo novo e ampliado. * O programa salvador da teosofia cristã: a reintegração no estado natural do homem. * A separação das potências afetiva e cognitiva como consequência da destruição da androginia originária. * A insensibilidade dos doentes mentais à ação magnética devido à separação absoluta dessas potências. * A intuição da necessidade de distanciamento e tensão criadora para o equilíbrio da psique. * A recusa de Baader em explorar as mitologias, concentrando-se na reflexão bíblica. * A teosofia no Ocidente: projeto, características e declínio * A teosofia ocidental como projeto que se esboça no Renascimento. * A sua manifestação principalmente nos países germânicos. * A ausência de originalidade metodológica, compartilhando atitudes com outras tradições. * A característica principal: a vontade de unificar método, reflexão e tradição. * O seu florescimento no período de acentuação do divórcio entre Fé e conhecimento. * O seu declínio com o advento da incredulidade e secularização. * O desmembramento do esoterismo e o seu descrédito após a morte de Baader. * A aparição do termo "esoterismo" neste contexto de decadência. * A "religião" de Allan Kardec construída a partir de um saber-fazer experimental. * A diferença entre a experimentação teosófica de Baader e o espiritismo de Kardec. * A invenção da palavra "esoterismo" por Eliphas Lévi e a sua ambiguidade entre conhecimento oculto e práticas mágicas.