====== Alquimia ====== //Paracelsus. Selected Writings. Ed. Jolande Jacobi. Princeton: Princeton University Press, 1973// //HOMEM E O MUNDO CRIADO// * A água como matriz primordial do mundo e de todas as criaturas, da qual o mundo emergiu quando o Espírito do Senhor se movia sobre a face das águas, e que se tornou a matriz do homem, criado por Deus para dar ao Seu Espírito uma morada na carne. * A matriz é invisível e sua substância primal é insondável, pois existia antes do homem e nenhum ser humano a pode ver, embora todos provenham dela e do mesmo modo o mundo, o homem e todas as criaturas vivas tenham dela saído. * O Espírito de Deus era conduzido por essa água matriz, o mesmo Espírito que vive no homem, criado por causa desse Espírito para que Deus não vivesse só, e portanto o Espírito de Deus vem habitar no homem, é de Deus e retorna a Deus. * A fundação do mundo como um corpo primordial por Deus, baseado na trindade do mercúrio, enxofre e sal, que contêm todas as forças e faculdades das coisas perecíveis, incluindo dia e noite, calor e frio, pedra e fruto, e todas as demais coisas ainda informes. * A analogia do oleiro ou do entalhador, que retira formas diversas de uma única massa, tal como "Deus tirou, extraiu e separou todas as Suas criaturas de uma única massa e material, e não deixou lascas no processo, e formou tudo o que Se propôs a criar em seis dias, em Sua matéria última". * A terra, inicialmente negra, parda e fétida, contém em si, de forma oculta, todas as cores nobres e delicadas, que surgem na primavera e no verão, assim como várias criaturas brotaram da substância primordial que era apenas imundície informe, tal como do elemento água indiferenciado derivam todos os metais, pedras e gemas, pois "Deus extraiu das substâncias básicas aquilo que nelas havia posto, e atribuiu cada coisa criada ao seu propósito e lugar". //CRIAÇÃO DO HOMEM// * O princípio de cada nascimento repousa sobre o dador do nascimento e o gerador – a separação –, que é a maior maravilha das filosofias, iniciando-se no mysterium magnum e perdurando até o fim, a grande colheita, que é o fim de todo crescimento. * A matéria estava no princípio de todas as coisas, e somente após ter sido criada foi dotada com o espírito da vida, para que este se desdobrasse nos corpos conforme a vontade de Deus, e somente então o homem foi criado à semelhança de Deus e dotado do Seu espírito. * A origem do homem não a partir do nada, mas de uma substância, o limus terrae, o limo da terra, que é também o Grande Mundo, um extrato do firmamento e de todos os elementos, provando que o homem foi criado do céu e da terra. O limbus como a matéria primordial do homem, sendo que "aquele que conhece a natureza do limbus conhece também o que é o homem", e o limbus* é o céu e a terra, as esferas superior e inferior do cosmos, os quatro elementos e tudo o que compreendem, identificando-se justamente com o microcosmo. * A delimitação entre o Grande Mundo (macrocosmo) e o Pequeno Mundo (homem) através da pele do homem, que impede a mistura do que é mortal com o que é imortal, mantendo cada mundo completo e indiviso em sua própria "casca" ou "casa". * A emergência do homem da primeira matriz, o ventre maternal do Grande Mundo, que o tornou "terreno" e "carnal", constituído na sua vida terrena pelos quatro elementos, possuindo dois tipos de vida – a vida animal e a vida sidérea – e dois corpos – o animal, de carne e sangue, e o sidéreo, de fogo e ar – que são um só e inseparáveis. * A paternidade dual do homem, sendo a terra seu pai material, que molda sua forma, e o céu seu pai espiritual, que dota esta forma com a luz da natureza, permitindo-lhe realizar o que é inato nele e dispor de sua herança paternal. * A constituição do edifício mundial e do homem a partir de duas partes – uma tangível (o corpo, composto de enxofre, mercúrio e sal) e outra invisível (as Estrelas, compostas de sentimento, sabedoria e arte) – que juntas constituem a vida, sendo os mistérios do Grande e do Pequeno Mundo apenas uma coisa, um ser. * A teoria dos quatro sabores – o azedo, o doce, o amargo e o salgado – e sua correlação com os quatro temperamentos (melancólico, fleumático, colérico e sanguíneo), que estão "enraizados no corpo do homem como em molde de jardim". * A presença dos astros internos no homem, que em suas propriedades, espécie e natureza são como os astros externos, pois "o sol e a lua e todos os planetas, bem como todas as estrelas e todo o caos, estão no homem", que atrai o céu de acordo com a grande ordem divina e consiste dos quatro elementos, participando de sua natureza, essência e propriedades. * A grandeza e nobreza da estrutura do homem, que só pode ser entendida como uma imagem do macrocosmo, pois "o que está fora também está dentro; e o que não está fora do homem não está dentro", sendo o limbus a matéria primordial que contém todas as criaturas em germe, e o homem nada mais é do que céu, terra, água e ar. * A afirmação de que "o céu não imprime nada em nós; é a mão de Deus que nos criou à Sua semelhança", sendo Deus quem nos dotou com nossas compleições, qualidades e hábitos quando nos dotou de vida. //CRIAÇÃO DA MULHER// * A criação da mulher a partir do homem, como uma matriz própria concedida a ele, para que daí em diante houvesse dois, e ainda assim apenas um, significando que "nenhum deles é perfeito sozinho, que apenas ambos juntos são o homem inteiro". * A existência de três tipos diferentes de matriz: a primeira é a água sobre a qual o espírito de Deus era conduzido; depois, o céu e a terra, nos quais Adão foi formado; e, por fim, a mulher, criada do homem, que se tornou o ventre maternal de todos os homens. * A mulher é envolta em sua pele como em uma casa, formando um único ventre, e embora sua forma seja semelhante à do corpo masculino por carregar a imagem de Deus, em sua essência, propriedades, natureza e peculiaridades é completamente diferente do corpo masculino, pois "o homem sofre como homem, a mulher sofre como mulher; mas ambos sofrem como criaturas amadas por Deus". * O corpo maternal como um vaso fechado, análogo ao céu e à terra, no qual o homem, sendo uma criança do cosmos e ele próprio o microcosmo, deve ser gerado cada vez de novo por sua mãe, tal como foi criado dos quatro elementos no princípio, de modo que "a vida no mundo é como a vida na matriz". * A mulher é como a terra e todos os elementos, considerada uma matriz, sendo "a árvore que cresce da terra, e a criança é como o fruto que nasce da árvore", e todos os seus membros, qualidades e sua natureza inteira existem por causa de sua matriz, seu ventre. * A vontade divina de que a semente do homem fosse semeada não no corpo dos elementos, mas na mulher, que é também um campo da terra, "o campo e o molde do jardim em que a criança é semeada e plantada, depois crescendo para ser um homem". * A contemplação da mulher deve revelar nela o ventre maternal do homem; ela é o mundo do homem, do qual ele nasce, pois "assim como Deus outrora criou o homem à Sua semelhança, assim ainda o cria hoje". * A impossibilidade de ser inimigo da mulher, "seja ela o que for", pois "o mundo é povoado com seus frutos, e é por isso que Deus a deixa viver tanto tempo, por mais repulsiva que possa ser". //MULHER: ÁRVORE DA VIDA// * A analogia da mulher com uma árvore que dá fruto, e do homem com o fruto que a árvore carrega, onde "a árvore deve ser bem nutrida até ter tudo por meio do qual dar aquilo por causa do qual existe", suportando mais injúrias que o fruto, sendo, portanto, superior ao homem. * A estação do florescimento da mulher ocorrendo quando ela concebe, momento em que está em flor, seguido pelo fruto, a criança, pois "esta é a natureza da mulher, que se transforma assim que concebe; e então todas as coisas nela são como um verão, não há neve, nem geada, nem inverno, mas apenas prazer e deleite". * A compreensão, através da analogia da casa e do mestre, de que "não julgue uma coisa que pode se tornar visível pela sua invisibilidade presente. Uma criança que está sendo concebida já é um homem, embora ainda não seja visível… Já se assemelha ao homem visível". * O processo de combinação das sementes do homem e da mulher no útero, onde a semente melhor e mais forte formará a outra de acordo com sua natureza, mas "a segunda semente quebra a força da primeira, e isso sempre resulta numa mudança de natureza". * A reunião das sementes de todos os membros na matriz, que as combina e coloca cada uma em seu lugar próprio, "assim como um carpinteiro constrói uma casa com pedaços de madeira", faltando apenas a vida e a alma, sendo a matriz também chamada de microcosmo. * A vontade divina de fazer o homem a partir de dois, e não de um, pois "a mistura das sementes do homem e da mulher resulta em tanta mudança que nenhum indivíduo pode ser igual ao outro… O germe de cada indivíduo quebra a unidade do outro, e é por isso que nenhum homem é igual a outro". * A semente como a seiva vital, a quinta essentia da erva, sendo "a parte mais preciosa, a mais nobre, que deve ser mais valorizada e prezada" em todos os frutos da terra. * A importância da qualidade tanto da árvore (a mãe) quanto da semente para a produção de um bom fruto, pois "uma boa árvore traz bons frutos" e "um bom fruto só pode nascer de uma boa semente". * A parábola do bom e do mau germe, onde "o bom germe é Deus, e o mau germe é o diabo, e o homem é apenas o campo", e "todo campo é ordenado por sua semente, e nenhuma semente por seu campo, pois a semente é a mestra do campo", sendo o homem como um campo de tipo incerto, nem totalmente bom nem totalmente mau. * O prazo de quarenta semanas estabelecido por Deus para a formação de uma criança, durante o qual a semente se desenvolve seguindo um processo ordenado: primeiro a natureza ordena as sementes em seus lugares; depois, a natureza material faz a criança crescer, transformando a semente em carne e sangue; então, a ação pela graça de Deus infunde a vida e os sentidos; e, finalmente, a criança é dotada de espírito, alma, razão e entendimento, pois "a alma não se muda para qualquer corpo em que o espírito não habita". * A reflexão sobre a herança recebida do pai e da mãe, pela qual o homem não pode se gabar, pois em sua natureza e qualidades não é nada além do que eles foram, possuindo verdadeiramente apenas o que Deus nele colocou. * Os quatro fatores que desempenham um papel na concepção e no nascimento: o "corpo", que deve tornar-se um corpo; a "imaginação", da qual a criança recebe sua razão; a "forma", que obriga a criança a se assemelhar àqueles de quem descende; e a "influência", que determina a saúde ou a doença do corpo. * O poder da imaginação de uma mulher grávida, que "pode influenciar a semente e mudar o fruto em seu ventre em muitas direções", pois "a criança no ventre da mãe está exposta à influência da mãe, e é como se estivesse confiada à mão e à vontade de sua mãe, como o barro é confiado à mão do oleiro". * A consequência de que "a criança não requer estrelas ou planetas: sua mãe é sua estrela e seu planeta". * A vontade divina de que nem o homem nem a mulher fossem como uma árvore que sempre dá o mesmo fruto, e de que nem todo homem multiplicasse sua raça, pois Deus "criou muitos sem e muitos com sementes; Ele fez cada um diferente do outro". //SEMENTE E FRUTO// * A liberdade concedida por Deus ao homem para propagar sua espécie, dependendo de sua vontade, pois "Deus plantou a semente em toda a sua realidade e especificidade profundamente na imaginação do homem… Se um homem tem a vontade, o desejo surge em sua imaginação, e o desejo gera a semente". * A necessidade de um objeto, como a visão de uma mulher para o homem (e vice-versa), para inflamar o desejo, cabendo a cada um, dotado de razão, decidir se cede ou não a ele, pois "Deus confiou a semente à razão reflexiva do homem" e "Deus deixou a semente à livre decisão do homem, e a decisão depende da vontade do homem". //HOMEM E MULHER// * A origem inseparável da mulher a partir do homem, tal como a do homem a partir do Grande Mundo, pois "se a Senhora Eva tivesse sido formada de outro modo que não do corpo do homem, o desejo nunca teria nascido de ambos", e por serem de uma só carne e um só sangue, não podem se soltar um do outro. * A existência de um amor de tipo animal entre os homens, herdado dos animais, útil e recompensador, mas mortal e sem objetivos mais elevados, que é a raiz de comportamentos hostis, invejosos e desleais, tanto entre indivíduos quanto entre nações. * A união natural e sem adultério entre um homem e uma mulher que pertencem um ao outro e foram criados um para o outro, formando um só ser em sua estrutura, ao passo que a falta dessa união resulta em um amor instável, e o cortejo a múltiplos parceiros indica que não se encontrou o cônjuge próprio. * A existência de dois tipos de casamento – o que Deus faz, e o que o próprio homem faz –, sendo que no primeiro o mandamento é observado por própria vontade, e no segundo, por compulsão. * A castidade como um dom de Deus que dota o homem com um coração puro e poder para estudar as coisas divinas, embora "aquele que não é capaz de ser seu próprio mestre faça melhor não viver sozinho". * A proposta de poligamia como solução prática para um suposto desequilíbrio numérico entre homens e mulheres, argumentando que seria preferível que um homem tivesse várias esposas para evitar a fornicação, uma vez que "Deus ordenou que o casamento fosse sagrado, mas não prescreveu o número de esposas", e as leis humanas devem ser adaptadas às necessidades dos tempos. * A distinção entre o homem como Pequeno Mundo e a mulher como o Menor Mundo, com anatomia, teoria, efeitos, causas, divisões e cuidados diferentes, formando, juntamente com o cosmos, três impérios separados mas suportados pelo mesmo espírito, cada um com sua própria filosofia e "arte", embora todos igualmente transitórios. //O HOMEM NO COSMOS// * A relação do homem com o mundo, onde "o mundo inteiro cerca o homem como um círculo cerca um ponto", sendo o homem uma semente e o mundo sua maçã, e a sabedoria, celestial ou terrestre, só pode ser alcançada através da força atrativa do centro e do círculo. * A necessidade de o homem considerar quem é e o que deve e precisa se tornar, pois "a compositio humana é prodigiosa, e sua unidade é formada de uma diversidade muito grande", requerendo mais do que inteligência comum para se conhecer. * A tripla origem dos atributos humanos: o que vem da carne é animal e segue um curso animal; o que vem das estrelas é especificamente humano e sujeito à sua influência; e o que vem do espírito, a parte divina do homem, foi formado à semelhança de Deus e sobre isso nem a terra nem o céu têm influência. * A concepção do homem como parte da natureza cujo fim está no céu, sendo ele feito do céu, e onde "a natureza externa molda a forma da natureza interna, e se a natureza externa desaparece, a natureza interna também se perde; pois a exterior é a mãe da interior", sendo o homem como a imagem dos quatro elementos em um espelho, e a filosofia o conhecimento daquilo que tem seu reflexo nesse espelho. * A identidade entre o céu e o homem, onde "o céu é o homem, e o homem é o céu, e todos os homens juntos são o único céu, e o céu nada mais é do que um homem", sendo que cada homem tem um céu próprio e indiviso dentro de si, correspondendo à sua especificidade, impresso nele no momento do nascimento, o que explica a diversidade de cursos de vida, doenças e mortes. * O homem como um firmamento livre e poderoso em si mesmo, não governado por outras criaturas, tal como o firmamento celeste, de modo que tudo o que a teoria astronômica descobre estudando os aspectos planetários e as estrelas "também pode ser aplicado ao firmamento do corpo". * A operação de duas influências no homem: uma da luz firmamental, que inclui sabedoria, arte e razão, e outra da matéria, que inclui concupiscência, comer, beber e tudo o que se relaciona com a carne e o sangue, não devendo-se atribuir aos astros o que se origina no sangue e na carne. * A contradição no homem entre os dois corpos – o visível, material, e o invisível, etéreo – que possuem naturezas, disposições e orientações diferentes e antagônicas, levando a uma inimizade interna, pois "cada um quer expulsar o outro; pois tudo que excede sua medida traz destruição em seu séquito". * A necessidade de que tudo o que o homem realiza, faz, ensina ou quer aprender "deve ter sua proporção certa; deve seguir sua própria linha e permanecer dentro de seu círculo, para que se preserve um equilíbrio", sendo "bendito e três vezes bendito aquele que observa a justa medida e não precisa de nenhuma ajuda concebida pelos homens, mas segue o caminho que Deus lhe prescreveu". * A relação de mutualidade entre o homem e a natureza, da qual foi tirado e à qual está sujeito como filho, mas que também está sujeita a ele como a um pai, pertencendo-lhe como a um de seu sangue. * A existência de uma luz na natureza que ilumina mais do que o sol e a lua, permitindo explorar a outra metade do homem e das criaturas, que não consiste apenas de sangue e carne, "mas também de um corpo que não pode ser discernido pela nossa visão grosseira". * A superioridade da luz da natureza sobre o poder dos olhos, tal como a luz do sol excede a da lua, tornando visíveis todas as coisas invisíveis em seu brilho. * A existência de duas metades do cosmos – a visível e a invisível –, sendo que "o mundo que não vemos é igual ao nosso em peso e medida, em natureza e propriedades", implicando que existe outra metade do homem na qual este mundo invisível opera, e ambas as metades são necessárias para constituir o homem inteiro. * A capacidade do corpo humano de agir à distância através de forças que fluem dele, sem que o próprio corpo se mova, "assim como o sol pode brilhar através de um vidro, e o fogo pode irradiar calor através das paredes do fogão, embora o sol não passe pelo vidro e o fogo não atravesse o fogão". * A existência no homem de uma luz além daquela inata na natureza, através da qual ele experiencia, aprende e investiga o sobrenatural, pois "o homem é mais do que a natureza; ele é natureza, mas é também um espírito, é também um anjo, e tem as propriedades de todos os três". //DIGNIDADE DO HOMEM// * O homem como o livro no qual "as letras dos mistérios são escritas visivelmente, discernivelmente, tangivelmente e legivelmente", sendo este livro, inscrito pelo dedo de Deus, superior a todos os outros livros, que são meras letras mortas, e que "deve ser procurado apenas no homem alone", embora seja interpretado por Deus. * A compreensão do tesouro contido nas letras deve ser obtida "dAquele que ensinou o homem a compor as letras… pois não é no papel que você encontrará o poder de entender, mas nAquele que colocou as palavras no papel". * A dupla natureza do homem: nascido da terra, tem a natureza da terra; mas em seu novo nascimento, é de Deus e recebe a natureza divina, sendo que "ninguém pode conhecer Deus a menos que seja de natureza divina, e ninguém pode conhecer a natureza a menos que seja da natureza", e cada um está ligado àquilo em que se origina e deve retornar. * A luz da natureza como um mordomo da Luz Santa, sendo que ambas as luzes foram dadas ao homem para habitar dentro dele, tal como um homem e uma mulher são necessários para dar à luz uma criança. * A maravilha da formação do homem, em cuja verdadeira natureza "não há nada no céu ou na terra que não esteja também no homem", estando Deus nele, e todas as forças do Céu operando igualmente nele, pois "Deus fez o Seu Céu no homem belo e grande, nobre e bom; pois Deus está no Seu Céu, isto é, no homem". * A liberdade dos pensamentos, que "estão sujeitos a nenhuma regra" e dão à luz "uma força criativa que não é nem elemental nem sidérea", criando "um novo céu, um novo firmamento, uma nova fonte de energia, da qual fluem novas artes", demonstrando que "tal é a imensidão do homem que ele é maior do que o céu".