====== TÓPICOS DA APRESENTAÇÃO DE BERTRAND SCHEFER ====== //PIC DE LA MIRANDOLE, Jean. Neuf cents conclusions philosophiques, cabalistiques et théologiques. Tradução: Bertrand Schefer. 4e éd ed. Paris: Éditions Allia, 2017// * A percepção de Pico della Mirandola sobre as ilusões e contradições de seu tempo * O reconhecimento de que a harmonia e o progresso do Renascimento eram uma ilusão, mascarando profundas divisões. * A expansão do conhecimento e das fronteiras contrastando com a desunião entre nações, religiões e facções políticas. * A fragmentação da fé "universal" e os conflitos religiosos que ensanguentavam a Europa. * A estagnação da filosofia escolástica, reduzida a disputas sectárias entre tomistas, escotistas e averroístas. * A incapacidade das tradições escolares e do novo humanismo em resolver a questão da verdade, deslocando-a para o verossímil. * O projeto das Novecentas Teses como concílio filosófico para uma nova era * A concepção de um grande concílio filosófico em Roma para debater publicamente as Novecentas Teses*. * O objetivo de reexaminar os fundamentos do saber ocidental e repensar sua constituição. * A necessidade de remontar às origens para resolver as divergências na fonte única da filosofia e da religião. * A proposta de uma nova forma de ingressar no mundo do espírito para pacificar e harmonizar a comunidade humana. * O empreendimento titânico de repensar o conhecimento para garantir que a discórdia não estava fundada nas coisas mesmas. * O método radical e conciso de Pico della Mirandola: o modelo da conclusão * A opção por uma via radical e concisa, focada em um modelo de pensamento, e não no acúmulo de doutrinas. * O uso da "conclusão" como termo que leva ao fim do discurso filosófico, mas que, paradoxalmente, não é um fim. * O efeito da conclusão extraída do processo demonstrativo: abrir um espaço de conhecimento que pertence à experiência filosófica direta. * O exame histórico e genealógico para estabelecer a concórdia das doutrinas * A primeira fase do empreendimento: um exame histórico e genealógico da transmissão do saber. * A reconstituição de uma cadeia quase ininterrupta de doutrinas, desde as escolas modernas até as fontes antigas. * O rastreamento de uma genealogia ideal que une Pitágoras, Orfeu, os Caldeus, os Egípcios e os Hebreus. * A busca de uma coerência superior para todo o saber, partindo dos primeiros mestres. * A rejeição da completude exaustiva em favor de uma concórdia doutrinal que se extrai da substância, e não da "superfície das palavras". * O deslocamento para um plano metafísico e a estrutura do saber em ato * O deslocamento operado para pensar o saber em outro plano, para além das contradições. * A restituição da soma infinita de dados enciclopédicos em termos filosóficos e metafísicos. * A imposição de uma estrutura em que o leitor deve passar do saber dado ao saber em ato, realizado por sua enunciação. * A concepção de que cada conclusão engendra um novo conhecimento, fazendo o saber recomeçar incessantemente. * O princípio de que, em uma totalidade, a parte não é distinta em ato de sua própria totalidade, atualizando-a a cada instante. * A ciência não demonstrativa e a experiência do pensamento puro * A circulação interrompida da ideia como realização de uma ciência não demonstrativa. * A superação da lógica "prática e material", que trata apenas de predicados e acidentes. * A inspiração nos filósofos platônicos e sua "purificação" como atitude de confrontar as Ideias sem investigação. * A compatibilidade dos inteligíveis no mesmo "lugar" mental, onde os contraditórios são compatíveis. * A realização da concórdia no próprio ato do pensamento, liberto da coerência demonstrativa. * O livro como imagem do mundo e o lugar do homo philosophus * A ausência de começo e fim no livro, por este já ter concluído, iniciando uma questão perpétua. * A entrada no texto como um exercício de se situar "por toda parte e em parte alguma". * A oferta ao filósofo do mesmo lugar central que Deus concedeu ao homem na criação. * A imagem do homem livre para filosofar "ao longo dos degraus da escada, isto é, da natureza, penetrando todas as coisas desde o centro até ao centro". * A restituição, pelo livro, da imagem mais exata do mundo no instante em que o homem foi colocado em seu centro. * A busca de uma língua universal: magia, matemática e cabala * A extensão da sede de coincidência e união para o domínio da linguagem. * A insuficiência do nominalismo, do realismo e do alegorismo para resolver a questão da linguagem e da verdade. * A renovação da ideia de uma língua universal, natural, racional e divina. * As três hipóteses de língua universal: a magia, com seus signos e palavras atuantes sobre as forças da natureza; a matemática, cujos números são ideias em si; e a língua hebraica, cujas letras expressam a realidade mesma na Cabala. O destino histórico dessas três línguas: a matemática restrita às quantidades; a magia e a Cabala relegadas ao ocultismo; e as Novecentas Teses queimadas em praça pública, sem que a concórdia se realizasse.