====== Debate ====== //[[.:start|R. CANSINOS ASSENS]], in Libro de las mil y una noches: el de los conocimientos maravillosos y las historias entretenidas, peregrinas ... 5 ̇ed ed. Madrid: Aguilar, 1992.// * O debate chamado de munazira pelos árabes, variedade literária que não é criação exclusiva deles, foi por eles cultivado com insistência e acerto que lhes confere certa paternidade. * Essa variedade literária corresponde ao que as retóricas clássicas denominavam juízos ou moralidades, considerando-os uma derivação da sátira. * Os árabes cultivaram o debate com uma insistência e um acerto que, em certo modo, lhes confere a paternidade do gênero. * O debate, que poderia ser traduzido como disputa ou controvérsia, é definido pelo padre Scheijo em sua Retórica como uma contenção entre dois litigantes sobre a qualidade de duas coisas para fazer ressaltar a mais excelente. * Segundo o padre Scheijo, o debate é uma contenção entre dois litigantes. * O objetivo é fazer ressaltar a mais excelente entre duas coisas. * O debate funciona como um torneio de engenho em que os disputadores usam toda classe de argumentos, naturais, históricos e até teológicos, em defesa da entidade que apadrinham. * Os dois supostos disputadores lançam mão de toda classe de argumentos. * Esses argumentos podem ser naturais, históricos e até teológicos. * A defesa é feita em prol da entidade física ou espiritual que cada um apadrinha. * O autor supõe que ambas as partes defendem sua tese diante de um público que se inclina ora de um lado, ora de outro, e ao final um xeque respeitável, como árbitro, dita o fallo concedendo a palma a um dos contendentes. * O público segue com interesse os raciocínios, inclinando-se já de um lado, já de outro. * Ao final, na maioria das ocasiões, toma a palavra um dos presentes, que costuma ser um xeque respeitável. * Esse árbitro põe fim à discussão e dita seu fallo, concedendo a palma do certame a um dos contendentes. * Por regra geral, o árbitro concede um acessit ao derrotado, quando não reparte equitativamente a palma entre os dois rivais. * O debate começa por um exórdio expositivo, seguido pelos respectivos alegatos dos disputantes, e quando falam em primeira pessoa cantando suas próprias excelências, pronunciam o que se chama mufajira ou panegírico, sendo o fallo do árbitro chamado de hukmu ou juízo. * O exórdio é a parte inicial expositiva. * Seguem-se os respectivos alegatos dos disputantes. * Quando os disputantes falam em primeira pessoa e cantam suas próprias excelências, pronunciam o que se chama de mufajira ou panegírico. * O fallo do árbitro recebe o nome de hukmu ou juízo. * O debate pode versar sobre toda classe de temas, sublimes, vulgares e até insignificantes e ridículos, tratando-se de fazer gala de engenho, sutileza e erudição, com o autor aspirando a surpreender e dar a impressão de que improvisa. * O tema pode ser sublime, vulgar e até insignificante e ridículo. * Trata-se de fazer gala de engenho, sutileza e erudição. * O autor aspira a surpreender e dar a seus leitores ou ouvintes a impressão de que improvisa. * Não em vão se trata de uma criação dos jograis, dos aretólogos encarregados de amenizar os festins dos senhores. * Em As mil e uma noites há muitos exemplos de debate, como os que sustentam entre si seis escravas de distinta cor na presença de seu amo, e o Ar e a Água, e o Azeite e a Carne, lembrando o concurso da Seta, o Papa-figo, a Ostra e o Tordo. * Entre os exemplos estão as disputas que seis escravas de distinta cor sustentam entre si na presença de seu amo. * Também são exemplos as disputas entre o Ar e a Água, e entre o Azeite e a Carne. * Essas disputas recordam o Concurso entre a Seta, o Papa-figo, a Ostra e o Tordo que, segundo Suetônio, valeu um prêmio do imperador Tibério a certo Aselião Sabino. * Quando o debate afeta tons menos pessoais e versa sobre temas filosóficos e de alcance objetivo, converte-se na muchádila ou controvérsia, que se aproxima dos diálogos platônicos. * A muchádila é uma controvérsia que se aproxima dos diálogos platônicos. * Isso ocorre, por exemplo, na discussão que a douta Sayyidetu-l-Muschaij sustenta com seu não menos douto contendente nas Disputas entre o homem e a mulher ilustrada sobre as excelências do varão e da fêmea (Noites 266 a 268). * Nessa disputa, ambos fazem gala de uma erudição e uma sutileza dialética digna dos sofistas gregos ou dos escolásticos medievais. * A afeição a estas disputas ou controvérsias chega até os séculos medievais, tendo-se na literatura da época a famosa Disputa entre Dom Carnaval e Dona Quaresma, e um rebento dessa mesma raiz pode ser visto no “vejame” do Século de Ouro espanhol. * A afeição a essas disputas ou controvérsias chega até esses séculos médios. * Na literatura dessa época, tem-se a famosa Disputa entre Dom Carnaval e Dona Quaresma. * Um rebento dessa mesma raiz pode ser visto no “vejame” do Século de Ouro espanhol. * Como aproximações ao debate podem ser assinaladas nas literaturas clássicas o “idílio” de Teócrito e Virgílio, em que dois pastores contendem na presença de seus companheiros com o rústico caramillo, cantando as excelências de suas amadas e disputando o prêmio. * Dois pastores contendem na presença de seus companheiros. * Eles usam o rústico caramillo e cantam as excelências de suas amadas ou as suas próprias. * Disputam o prêmio de um cordeirinho ou um beijo da rústica beleza que adoram e ensalçam. * Às vezes caem na mufajira ou autoapologia, como Córidon, o que ardia de amor pelo irmão Alexis, quando diz: “Não sou tão feio; há pouco me mirava...”