====== Dunyazade ====== //[[.:start|R. CANSINOS ASSENS]], in Libro de las mil y una noches: el de los conocimientos maravillosos y las historias entretenidas, peregrinas ... 5 ̇ed ed. Madrid: Aguilar, 1992.// Dunyazade é apresentada como uma menina que, no Oriente precoce, já é uma mulherzinha, embora ainda muito menina para excitar o apetite do rei * Supõe-se que ela já tem seios e está mais adiantada que a irmã da Sulamita, sendo ainda uma promessa e um prazo com o qual sua irmã talvez conte para prorrogar a própria vida * Nada se diz dela quando é apresentada; é ao final, após as mil noites, ao descrever seus desposórios com o rei Xá-Zamán, que sua beleza é descrita * No tempo entre o prólogo e o epílogo, Dunyazade é um personagem quase totalmente passivo, acusando sua presença apenas quando lhe toca dizer as palavras que sua irmã lhe assignou Ela é a animadora, a torcedora de sua irmã, sua pequena claque, induzindo também o rei Xariar a aplaudir com seus aplausos e rogos * Encolhida no tapete aos pés de sua irmã, está atenta a tudo, não tirando os olhos do rosto do monarca, pronta a intervir com sua graça de menina ao menor indício de enfado ou tédio * Dunyazade é a auxiliar e confidente de sua irmã depois das sessões perigosas, abraçando-se e encolhendo-se junto a seu peito quando estão a sós * Essas são as horas mais felizes das duas irmãs, podendo então falar e comentar os incidentes da noite anterior e entregar-se à alegria de ter ganhado mais um dia Dunyazade contribui ao toucado de Xerazade, arranja um cacho de seus cabelos, uma prega de seu véu, anima e conforta sua irmã com palavras de encorajamento * Ela conta as noites e os dias com não menos inquietude e avidez que sua irmã, pois suas vidas estão ligadas pelo amor e são uma só vida * Com emoção, na hora chegada, ajoelha-se no tapete aos pés de sua irmã, pensando nas palavras que lhe toca dizer para iniciar a sessão * É ela quem recolhe a ponta solta da narração suspensa na noite anterior com palavras que são como a letra das antífonas que nos ritos hebreus correm a cargo de vozes pueris Não se deve pensar que Dunyazade esteja muito transida de espanto diante do sultão terrível, pois é uma menina e tem o valor sereno da infância * O turbante imponente do déspota, suas barbas de Holofernes, seus olhos torvos de maníaco e seu corvo alfanje não a assustam gran coisa, antes a movem a uma risa travessa, fresca, pueril e comunicativa * Por intuição, ela sabe que não é tão feroz o leão como o pintam, e ao final o rei sanguinário ficará vencido como os espíritos malignos dos contos de sua irmã * Às vezes, a fuer de menina, experimentará certo prazer em imaginar-se que tem muito medo O silêncio em que o rapsoda quis envolver Dunyazade é um encanto a mais, sublinhando o poder sugestivo do silêncio e das margens nos livros * Se Xerazade personifica e magnifica a elocução, a arte de dizer, Dunyazade potencializa o valor expressivo do silêncio, que fala pelos olhos e pelo gesto * Quando Xariar se cansa de ouvir Xerazade, como se cansa de ler o melhor livro, volta os olhos para Dunyazade, para a página em branco, e sonha