====== CONTO SIMPLES ====== //THOMPSON, Stith. The folktale. Berkeley: Unv. of California Pr, 1977.// **1. ANEDOTAS E CASOS ENGRAÇADOS** * Narrativas breves de estrutura simples, compostas por um único motivo, são tão numerosas quanto as complexas na tradição popular da Europa e Ásia. * Contos simples não são necessariamente menos duradouros que os complexos. * Centenas de histórias simples possuem históricos longos e interessantes. * Exemplos de anedotas simples incluem um homem pescando na rua para enganar um vigarista e um menino que mata uma mosca no nariz do juiz. **A. CONTOS DE ESPERTEZA** * Grande parte das anedotas e piadas populares giram em torno da esperteza, contrastando tolos com espertos ou exibindo a própria arte do engano. * A detecção da verdade é um tema comum, com exemplos literários como Susana e os anciãos e a mensagem falsa para a esposa do ladrão. * A anedota do homem que pesca na rua, conhecida nos estados bálticos e na Espanha, ilustra a esperteza usada para enganar um vigarista. * Histórias sobre esposas tagarelas que estragam os planos dos maridos são populares na literatura medieval e na tradição oral da Europa e Norte da África. * Anedotas sobre o tribunal, como a do menino que mata uma mosca no nariz do juiz, têm origens em fontes budistas e literárias medievais. * Contos sobre a regra que deve funcionar para ambos os lados, embora literários, têm alguma popularidade oral, principalmente em torno do Báltico. * Contos de esperteza são menos atraentes para o contador oral, a menos que façam parte de uma série ou de um conto complexo, sendo mais encontrados em livros de piadas renascentistas e coleções orientais. **B. TOLOS E SIMPLÓRIOS** * Uma quantidade surpreendente de contos simples contados por pessoas iletradas em todo o mundo trata de tolos e suas absurdas ações. * Povos primitivos e camponeses britânicos ou dinamarqueses têm suas próprias tradições de histórias de tolos. * A anedota do simplório que pensa que uma abóbora é um ovo de asno e que um coelho é seu poldro é contada na Turquia, Europa, Ásia e Virgínia. * A história do camponês que confunde um navio a vapor com o diabo é conhecida na Finlândia e, recentemente, na Virgínia, sugerindo ampla distribuição. * A anedota do tolo que mata sua vaca porque acha que ela está o imitando ao ruminar é popular nos países bálticos e conhecida até na Índia. * Histórias de tolos compassivos incluem alimentar repolhos com carne, encher rachaduras no chão com manteiga e enviar um queijo para buscar outro que rolou morro abaixo. * O conto literário "O Boi como Prefeito", que aparece nas "Mil e Uma Noites", é popular como conto oral principalmente no norte da Europa. * A anedota do tolo que leva sua vaca para pastar no telhado, amarrando a corda na própria perna, é amplamente conhecida na Europa e na América. * A história de marinheiros tolos que marcam no barco o local onde um objeto caiu na água para procurá-lo depois aparece na literatura budista chinesa. * O tolo que tenta cavar um poço para levá-lo para casa ou o homem que fica na frente do espelho de olhos fechados para ver como dorme são exemplos de absurdos literários. * Anedotas modernas contam sobre o pai que recebe o pedido de botas do filho e as pendura num poste telegráfico, seguindo o conselho de um vigarista. * Histórias sobre tolos que não se reconhecem após mudanças na barba ou nas roupas são conhecidas, incluindo a de um grupo que conta seus membros sem se incluir. * A anedota do casal que briga sobre planos futuros e destrói o que lhes traria riqueza, como quebrar o pote de mel, é popular na literatura oriental e medieval. * A história de "Helena, a Esperta", que chora na adega por causa de um possível acidente futuro com um machado, tem ampla distribuição oral e provável origem literária oriental. * A anedota do homem que troca seu cavalo por uma vaca, e assim por diante, até não ter nada, mas recupera a prosperidade apostando que sua esposa não ficará zangada. * Contos sobre tolos que queimam a casa para se livrar de um gato ou que cortam o galho da árvore em que estão sentados são de origem literária oriental. * A história do tolo que deixa o vinho escorrer na adega enquanto pensa ou persegue um cão, tentando depois secá-lo com farinha, é bem conhecida como anedota oral. * A anedota do homem que acredita estar morto por engano da esposa, comendo geleia que acredita estar envenenada, é principalmente literária. * A história do padre que é levado a crer que dará à luz um bezerro, devido a um erro médico com urina de vaca, tem alguma circulação oral. * Anedotas de imitação tola incluem o filho do médico que diagnostica mal uma doença por ver uma sela de burro e o homem que ganha uma beterraba gigante de presente do rei. * O conto do marido que troca de tarefas com a esposa e falha miseravelmente nas lidas domésticas é amplamente aceito como conto popular e balada, especialmente em países de língua inglesa. * A história do filho que segue instruções da mãe de forma tão literal que arrasta um bacon com uma corda ou carrega uma gradinha na mão tem origem budista chinesa. * A anedota do noivo tolo que segue instruções à risca, como atirar olhos de carneiro na noiva e jogar a mobília para fora, tem origem literária no livro de piadas de Heinrich Bebel. * A aposta do silêncio entre marido e mulher, que tem origem budista, é conhecida em contos, comédias, baladas e contos orais da Inglaterra ao Japão. * Na Finlândia, um ciclo popular de histórias conta sobre um tolo desastrado que mata o cachorro, afoga a parteira e mata a criança, ou que se cobre de alcatrão e penas. **C. CONTESTES VENCIDOS POR ENGANO** * Contos populares às vezes mostram um simplório que de repente adquire sabedoria para enganar os outros, ou um herói pequeno e fraco que vence usando a astúcia. * A história da corrida entre a lebre e a tartaruga, desde os dias de Esopo, é conhecida mundialmente, mas é menos popular que a corrida onde a tartaruga coloca parentes ao longo do percurso. * A história de um competidor que rouba carona nas costas do outro, geralmente contada sobre animais, remonta a Esopo e é conhecida na Europa, África e América. * Uma forma especial de corrida enganosa no leste europeu envolve um ogro que corre contra o "filhinho" (um coelho) do herói, que também usa um "avô" urso em uma luta. * O conto do "Alfaiate Valente" inclui competições de arremesso onde o herói mostra um ponto brilhante numa nuvem, dizendo ser um porrete de ouro, ou joga um pássaro fora de vista. * Incidentes do "Alfaiate Valente", como fazer um buraco na árvore antes da competição e espremer água de um queijo em vez de uma pedra, são muito populares no norte da Europa e além. * A anedota da competição de comer ou beber, onde o trapaceiro usa um saco ou um buraco para o ogro comer ou beber até morrer, é popular no norte da Europa e entre os índios norte-americanos. **D. BARGANHAS ENGANOSAS** * O princípio do "caveat emptor" é antigo, e o interesse no engano aumenta se o trapaceiro é mais fraco ou mais pobre que seu adversário. * A anedota da divisão enganosa da colheita, onde um fica com o que cresce acima e o outro com o que cresce abaixo do solo, aparece em muitas variações. * Um acordo aparentemente simples sobre dizer "bom dia" para definir a posse de uma propriedade pode levar à chantagem, como na história envolvendo um padre adúltero. * A lenda de Dido, que compra um terreno delimitado por uma tira de pele de boi cortada em tiras finas, aparece em Virgílio, Heródoto, literatura budista e sagas islandesas. * A história dos golpes que foram divididos, onde um menino força o porteiro a aceitar a parte da recompensa do rei, que acaba sendo uma surra, é conhecida no norte e leste europeu. * A anedota do homem que recebe todo o dinheiro que seu chapéu puder conter, mas faz um buraco no chapéu sobre um fosso, é extremamente popular no norte e leste europeu. **E. FURTOS E TRAPACEIOS** * Existem várias anedotas sobre ladrões, algumas conectadas a contos mais longos e outras independentes, como a da pedra de moinho ou porta derrubada em ladrões contando dinheiro. * Variações da anedota dos ladrões assustados incluem uma usando um cadáver ou um falso morto, incidentes que vêm da literatura budista e se estabeleceram no folclore oral. * A história do "Inverno Longo", onde um simplório fala sobre suas instruções e um vigarista se apresenta como "Inverno Longo" para receber sua salsicha, é um conto oral bem conhecido. * A anedota do ladrão que rouba um cavalo da carroça e se atrela no lugar, convencendo o dono de que se transformou de cavalo em homem, vem do Oriente e é contada em toda a Europa. **F. ESCAPE POR ENGANO** * Além dos contos de animais, duas aventuras de escape enganoso com atores humanos alcançaram ampla circulação: a história de Polifemo ("Ninguém") e a fuga sob o ventre de um carneiro. * O ciclo de Polifemo, que inclui cegar o monstro com uma estaca em brasa, foi estudado por Oskar Hackman e é encontrado na Odisseia, nas Mil e Uma Noites e no Dolopathos. * Uma anedota literária sobre um simplório que comete um assassinato e tem o corpo substituído secretamente por uma cabra pelos irmãos é conhecida nos estados bálticos, Rússia e Índia. **G. ENGANOS CRUÉIS** * A violência e a crueldade são características comuns nos contos populares de todo o mundo, refletindo as sociedades simples e os conflitos elementares de onde surgem. * Anedotas curtas de auto-mutilação enganosa são populares nos estados bálticos, como a do herói chamado "Fulano" que engana um ogro a queimar a barba num caldeirão de piche. * Outras anedotas bálticas incluem enganar um ogro a comer mingau muito quente, colocar os dedos na fenda de uma árvore ou permitir que sua barba fique presa nessa fenda. * Uma anedota báltica sobre medo de trovão tem um paralelo peculiar num conto aparentemente nativo dos índios norte-americanos, onde a baleia é morta pelo trovão. * A anedota sobre o trapaceiro que faz um tolo acreditar que está segurando uma grande rocha para roubar seus bens é conhecida na África, América e Europa (estados bálticos). * A história do tolo que guarda um chapéu supostamente cobrindo um tesouro, apenas para encontrar estrume debaixo dele, é contada na América, Indonésia e Lituânia. **H. SEDUÇÃO E ADULTÉRIO** * Enganos relacionados a conduta sexual, incluindo sedução, vexame de amantes indesejados e punição de adúlteros, são de grande interesse em contos literários e populares. * A anedota amplamente conhecida do servo que interpreta mal a ordem "Ambos?" do mestre para ter sua vontade com as duas filhas é tão antiga quanto as Mil e Uma Noites. * O conto literário oriental e renascentista "Os Amantes Aprisionados" (Lai l'épervier) alcançou popularidade no folclore do leste europeu, Espanha e Indonésia. * A história do homem escondido no telhado que vê um caso e cai, ou que ameaça contar e recebe dinheiro para ficar quieto, são conhecidas no leste europeu. * O conto do "Velho Hildebrando", onde o marido se esconde numa cesta e responde em rimas à esposa e ao padre, é popular em toda a Rússia, Europa e partes da América. * O incidente do trapaceiro que, agindo como mágico fingido, descobre o adultério e faz o mestre correr atrás do paramour é o mais popular entre as variações, aparecendo nas Mil e Uma Noites. **I. ENGANO POR MEIO DE FANFARRONICE** * O herói pequeno e fraco usa sua esperteza para escapar e vencer, às vezes meramente por meio de fanfarrice que amedronta o oponente maior. * A história do herói fraco que faz o forte acreditar que comeu vários de seus companheiros, ou que tem um aliado que confirma dez tigres, remonta ao Panchatantra. * A anedota do treinador de urso cujo urso afugenta um ogro, e no ano seguinte o ogro pergunta pelo "gato grande", é extraordinariamente popular no norte da Europa. * Contos de fanfarrice incluem o herói que sugere derrubar a floresta inteira em vez de uma árvore, ou carregar o poço inteiro em vez de apenas água. * Duas histórias de marinheiros fanfarrões, sobre uma competição de natação com mochila de provisões e sobre cair na cordoalha do mastro, são conhecidas na Finlândia e entre portugueses em Massachusetts. **J. IMPOSTURAS** * A suposição de um papel falso pode ser uma parte necessária das aventuras do herói ou do vilão, e em anedotas curtas é usada para criar situações engraçadas. * Um ciclo de contos sobre falsos clérigos, incluindo o camponês que prega sobre os problemas da congregação ou que faz o púlpito cair, é popular no norte e leste europeu. * A anedota do homem atrás de uma árvore ou estátua que finge ser Deus ou um espírito a quem um suplicante reza tem uma longa história literária da Índia à Europa renascentista. * Variações do tema do marido respondendo à oração da esposa incluem a esposa atrás da árvore aconselhando o marido e a solteirona atrás da estátua recebendo uma resposta do Cristo Criança. * Um milagre fingido é usado por vigaristas para enganar um empregador, fazendo a grama crescer novamente ou transformando o mel em vespas através de uma maldição. * Anedotas populares contam sobre garotas que mantêm aparências para enganar pretendentes, como uma com defeito de fala ou que come pouco, mas é descoberta. * Algumas anedotas contrastam a decepção de uma garota com as boas qualidades de outra que passa por testes, como cortar queijo da maneira certa ou não enganar na fiação. **K. ACUSAÇÕES FALSAS** * Embora acusações falsas em contos maravilhosos sejam trágicas, em anedotas curtas podem criar situações humorísticas, como no conto do servo que come galinhas e acusa o convidado. * Um pequeno grupo de contos macabros envolve um cadáver passado de um tolo a outro, cada um acusado do assassinato e pagando o trapaceiro para ficar em silêncio. * A história dos três irmãos corcundas afogados, onde um homem bêbado pensa que eles continuam voltando à vida e acaba afogando o marido corcunda da mulher, é principalmente literária. **L. A ESPOSA MÁ** * Em contos de esposa má, influenciados por fabliaux e novelas, a mulher geralmente aparece como perversa, dominadora, infiel ou extremamente estúpida. * A história da viúva que planeja um novo casamento no dia do funeral do marido é conhecida na Europa, mas apenas a variante em que o marido finge a morte para testá-la se tornou popular. * O conto literário de Belfagor, sobre um homem que se livra de sua esposa briguenta enganando um demônio, tem origem indiana e foi registrado mais de cem vezes na Europa. * A anedota da esposa obstinada que afoga num rio, mas com quem o marido procura a montante porque ela seria obstinada demais para ir com a corrente, aparece em três formas na Europa. * A história do marido que procura três pessoas tão estúpidas quanto sua esposa e descobre que ela não é tão tola assim é contada em toda a Europa e Virgínia. **M. PREGUIÇA** * Contos sobre preguiçosos são humorísticos e evitam pregar lições de moral, focando em casos absurdos de extrema preguiça, como competições de inércia. * Histórias de servos preguiçosos incluem o que sente as patas do cachorro para saber se está chovendo e o que sente o calor do gato para saber se há fogo na casa. * O conto do menino que come café, almoço e jantar um após o outro e depois dorme é bem conhecido no leste europeu. * O conto do gato que é espancado por não trabalhar, e a esposa preguiçosa que o segura e se arranha, é talvez o mais conhecido sobre esposas preguiçosas no leste europeu. **N. SURDEZ** * Afecções físicas são tratadas humoristicamente em contos, incluindo enganos cometidos por surdos, dos quais Antti Aarne estudou mais de uma dúzia de anedotas de fontes literárias. * Quatro anedotas sobre surdos são especialmente populares: o encontro de dois surdos que gera uma disputa levada a um juiz surdo; o trabalhador surdo que responde a cortesias com comentários sobre seu trabalho; as variações sobre o comprador e o vendedor surdo; e a história do trapaceiro que faz duas pessoas normais gritarem uma com a outra. **O. PADRES** * Anedotas sobre padres exploram a posição especial do clero na comunidade, com cenários como a igreja, o púlpito, os sermões e o confessionário. * Um grupo de anedotas conta como o padre é colocado em fuga durante seu sermão, seja pelo cachorro do sacristão roubando uma salsicha, uma agulha no pão sacramental ou um ninho de vespas no banco. * Histórias sobre padres que tentam variar o serviço religioso, como andar de boi na igreja ou soltar uma pomba morta, resultam em ridículo. * A anedota do padre que mantém sua vaca pastando no cemitério e faz comentários inapropriados num funeral é um exemplo de experiências com gado. * Anedotas sobre interpretações literais erradas de conceitos teológicos incluem o menino que responde "Pague suas dívidas antigas" quando o padre pergunta "O que Davi diz?". * A história do padre e do sacristão que viajam e passam a noite na casa de um camponês, com o padre se metendo em enrascadas no escuro, é uma das mais conhecidas. * A segunda anedota popular sobre padres conta que um velho chora no sermão porque a voz do padre lhe lembra a cabra que perdeu. * O conto mais popular de todos sobre padres envolve o diabo no cemitério: um sacristão ouve ladrões quebrando nozes e pensa ser o diabo quebrando ossos, levando o padre com gota às costas. **P. MENTIRAS E EXAGEROS** * Nos Estados Unidos, contos exagerados (tall tales) são muito populares, como a história do homem que se salva de um barril agarrando-se ao rabo de um lobo e sendo puxado para fora. * Relatos absurdos de sorte na caça, como a arma que dispara acidentalmente e mata um pássaro que cai num galho que cai num urso, são populares na América e Europa. * A história de Munchausen sobre o homem que cai, é enterrado na terra e vai buscar uma pá para se desenterrar é conhecida na Europa e na América, ao contrário do menino atirado de um canhão. * A anedota sem sentido em que um mentiroso anuncia que o mar queimou e o outro o consola com "Muitos peixes fritos" é conhecida no Báltico, leste europeu e Índia. * A história na qual todos os animais e coisas são designados por nomes sem sentido, como a galinha "có có" e o pato "quá quá", é contada na maior parte da Europa. * O ciclo de contos sobre Paul Bunyan, centrado no tamanho gigantesco, tem paralelos na Escandinávia e Finlândia, embora a história do grande repolho e do caldeirão não faça parte dessa tradição. * A anedota da grande repolho e do imenso caldeirão, que é literária, tornou-se parte do repertório de contadores de história em toda a Europa, Índia, Indochina e Virgínia. * A pesquisa sugere que muitas anedotas europeias não se enraizaram na América, e que contos simples pertencem a uma tradição semi-literária, sendo mais aprendidos pela leitura do que pela escuta. * Contadores habilidosos de contos maravilhosos desprezam anedotas simples, que não possuem a complexidade e o mundo irreal que auxiliam na preservação fiel por séculos. **2. CONTOS DE ANIMAIS** * O mundo humano e o animal nunca estão distantes nos contos populares, com animais atuando em situações humanas, sendo o urso estúpido, a raposa astuta e o coelho rápido e enganador. * As quatro principais fontes para contos de animais na tradição ocidental são: coleções de fábulas literárias da Índia, as fábulas de Esopo, o ciclo medieval de Renart, e a tradição oral russa e dos estados bálticos. **A. A FÁBULA LITERÁRIA** * Das cinco ou seiscentas fábulas das tradições indiana e grega, menos de cinquenta foram registradas a partir de contadores de histórias orais, geralmente com ocorrência rara. * Cita-se como tendo sido registradas no folclore de um ou mais países as seguintes fábulas: O animal que se salva fazendo seu captor falar; A raposa sobe do poço nas costas do lobo; O lobo desce no poço num balde para resgatar a raposa no outro; A raposa finge de morta e é jogada fora do poço; O lobo mergulha na água pelo queijo refletido; O urso é persuadido a enfiar a garra na fenda de uma árvore; O lobo come demais na adega; O cavalo chuta o lobo nos dentes; O leão doente; A parte do leão; A raposa engana a pega que é vingada pelo cão; A raposa e a cegonha se convidam; A paz entre os animais; Mais covarde que a lebre; A lebre não constrói casa em bom tempo, não pode em mau; O rato salva o leão; A cegonha tira o osso da garganta do lobo; O veado se admira; O único truque do gato; Colocar o sino no gato; O rato do campo e o rato da cidade; O lobo adia até as crianças serem batizadas; A ovelha persuade o lobo a cantar para chamar os socorristas; O conselho da raposa; A serpente ingrata é devolvida ao cativeiro; A farpa na pata do leão; Aprender a temer os homens; Os animais gratos e o homem ingrato; O gato perde o certificado do cão; O cão magro prefere a liberdade à comida abundante e à corrente; Duas cabras teimosas se empurram uma à outra na água; A carriça é eleita rei dos pássaros; A cegonha voa com a raposa e a deixa cair; O corvo com penas emprestadas; O caçador curva o arco; O macaco gosta mais de seus próprios filhos; A formiga e o grilo preguiçoso; O peixinho escapa pela rede. **B. O CICLO ANIMAL NORTE-EUROPEU E RENART, A RAPOSA** * Kaarle Krohn aplicou o método histórico-geográfico a um ciclo de histórias onde o urso ou lobo estúpido se opõe à raposa astuta, geralmente consistindo de cinco partes, cada uma também encontrada como anedota independente. * O ciclo de Krohn inclui: a raposa que finge de morta para ser jogada numa carroça de peixes; a raposa que sugere ao urso pescar com o rabo no gelo, fazendo-o perder a cauda; a raposa que se cobre de leite e manteiga e faz o urso acreditar que seus miolos foram espancados; a raposa que monta no urso e canta "O doente carrega o são"; e a raposa que escapa do urso numa toca, fazendo-o morder a raiz da árvore. * Krohn concluiu que o ciclo se desenvolveu na tradição popular do norte da Europa há cerca de mil anos, com a Alemanha setentrional como provável lar, e que a Finlândia foi o destino final de duas correntes de tradição. * A anedota da raposa que se oferece para pintar o urso para deixá-lo bonito, incendiando o palheiro em que ele está, explica por que a pele do urso agora parece chamuscada. * O conto da raposa que finge ser padrinho para roubar a manteiga ou mel que compartilha com o urso aparece no ciclo de Renart e é muito conhecido em toda a Ásia, África e Américas. * O episódio do juramento no ferro, de Renart, não é encontrado fora da Rússia e Iugoslávia, geralmente como sequência do conto da raposa como padrinho. * Dois contos sobre os poderes de persuasão da raposa, confinados ao norte da Europa, incluem animais fugindo por medo do fim do mundo e a raposa persuadindo o lobo a comer suas próprias entranhas. * Outros episódios estudados por Krohn, com história semelhante ao ciclo principal, incluem a raposa disfarçada que viola a ursa presa na fenda de uma árvore, a raposa que come os filhotes de urso e a raposa com casa de gelo e o urso com casa de madeira. * Gerber acredita que o conto da casa de gelo e madeira, assim como outros incidentes de construção, pertence essencialmente a uma série de transações entre um homem e um demônio ou ogro. * O conto do urso persuadido a morder o rabo do cavalo aparentemente morto, sendo arrastado, e a lebre rindo tanto que racha o lábio, não é originalmente um conto urso-raposa. * O conto simples do lobo que é convidado do cão, bebe demais e insiste em cantar até ser atacado e morto é familiar em toda a Europa, Ásia central e entre índios americanos. * A história do cão e do pardal, que tem afinidades orientais e aparece no Jataka, tornou-se bem conhecida na Europa e entre os negros da Jamaica. * Incidentes sobre guerra entre grupos de animais, como entre animais domésticos e selvagens, ou pássaros e quadrúpedes, são muito populares nos estados bálticos e nas Américas. * O conto dos objetos que viajam juntos (ovo, escorpião, agulha, etc.) e se escondem para prejudicar uma velha é encontrado na Índia, Indonésia, China, Japão e Europa. * O conto do feijão, da palha e do carvão, onde o carvão queima a palha e cai na água e o feijão ri até rachar, tem distribuição oral peculiar da Alemanha para o leste e nas Índias Ocidentais. * Além dos contos encontrados em outros países e obras literárias, muitos contos animais alcançaram popularidade apenas em uma área geográfica limitada, como Finlândia, Estônia, Lituânia e Rússia. **C. OUTRAS RELAÇÕES LITERÁRIAS** * As coleções de contos budistas Jataka, os livros de exempla medievais e o trabalho dos fabulistas renascentistas contêm contos de animais também conhecidos na tradição popular. * A história da raposa que ameaça derrubar a árvore da pega, que recebe conselhos do corvo, aparece no Panchatantra, no ciclo de Renart e no folclore do norte e leste europeu. * A história do cão velho salvador da criança, que aparece na coleção de fábulas de Steinhöwel do século XV, é popular da Alemanha para o leste. * O conto da aposta entre a raposa e o porco sobre quem verá o nascer do sol primeiro, que aparece no Schimpf und Ernst de Pauli, é conhecido da Irlanda à Sibéria central. * A história do "Fantasma de Alcatrão" (Tarbaby), onde o coelho é pego por uma imagem grudenta e convence seus inimigos a jogá-lo num mato de espinhos para escapar, foi estudada por A. M. Espinosa. * A história "Comida de Urso", estudada por Kaarle Krohn, consiste em três episódios: o urso ouve o homem chamar seus cavalos de "comida de urso", a raposa ajuda o homem em troca de galinhas, e a raposa conversa com seus membros corporais. * Além das histórias de distribuição limitada, alguns contos animais tradicionais orais ganharam circulação em uma área maior, como "Os Pretendentes da Raposa Viúva", conhecido na Alemanha e Escandinávia. * O conto do cão que age como sapateiro do lobo, concentrado na Finlândia e Lituânia, é também conhecido na Hungria e entre os habitantes de Cabo Verde em Massachusetts. * Dois contos orais semelhantes a fábulas são mais populares na Escandinávia e nos países bálticos: o do rato que conta uma história para apaziguar o gato e o do rato que persuade o gato a lavar o rosto antes de comê-lo. * O conto do chapim e do urso, confinado à Finlândia e Estônia, conta como o chapim se enfezou, mas só enganou seus próprios filhos, voando para dentro da orelha do urso e o matando. * A história da cabra mentirosa, onde um pai manda seus filhos pastorear a cabra que sempre diz que não comeu nada, é popular na maior parte da Europa. * O conto dos animais como construtores de estradas, onde a raposa pune os animais preguiçosos, explicando características dos animais atuais, é popular na Finlândia, África e entre índios americanos. * O conto de como a cotovia empresta a pele do cuco e não a devolve é principalmente báltico, embora análogos sejam conhecidos na Indonésia. **3. CONTOS DE FÓRMULA** * Contos de fórmula possuem uma forma que é mais importante que a trama ou os atores, com um mínimo de narrativa real e um padrão que é interessante por sua forma exata, frequentemente uma estrutura de repetição acumulativa. * Países do leste europeu são especialmente inclinados a contar contos intermináveis, onde uma tarefa deve ser repetida um número indefinido de vezes, como colocar milhares de ovelhas sobre um rio uma a uma. * O "round" é um tipo de conto interminável onde a história recomeça depois de chegar a um certo ponto, sendo mais comum como canção folclórica do que como conto em prosa. * O final de uma narrativa oferece oportunidade para tratamento formulístico, como parar no auge do interesse ou fazer uma pergunta que leva a uma resposta ridícula. * Os contos de fadas acumulativos, como "A Casa que João Construiu", envolvem repetições acumuladas que devem ser recitadas exatamente, mantendo sua forma por longos períodos. * Um importante grupo de contos acumulativos lida com a morte de um animal, geralmente um galo ou uma galinha, como "A Morte do Galo" e "A Morte da Galinha Pequena". * Vários contos acumulativos envolvem a ingestão de um objeto, como "A Panqueca Fugitiva" (conhecida na América como "O Homem de Pão de Gengibre"), "O Gato Gordo" e "O Troll Gordo". * A história do "Bode que Não Queria Ir para Casa", onde um lobo ou abelha finalmente o morde para obrigá-lo a ir, é extraordinariamente popular na Europa. * O conto acumulativo "A Velha e Seu Porco" tem ampla distribuição na Europa, Ásia, África e América, com detalhes que variam, mas o padrão é notavelmente mantido. * A corrente de histórias "Mais Forte e o Mais Forte", que mostra Deus como a causa última de um pé queimado de gelo, é essencialmente literária, encontrada em coleções orientais e medievais. * A história dos "Bigodes do Galo" é muito conhecida na Rússia e Suécia e, curiosamente, entre os Zuñi do Novo México, onde foi adaptada ao cerimonial Zuñi. * A história do fim do mundo, onde uma noz atinge o galo na cabeça, é tão antiga quanto o Jataka e é mais popular na Escandinávia. * A fórmula de "Como o Rato Recuperou o Rabo", onde o gato o troca por leite, é comum em toda a Europa e tem análogos em toda a África. * "A Casa que João Construiu" é familiar ao leitor de língua inglesa, mas não é frequentemente contada no continente europeu, com alguns análogos africanos. **4. LENDAS E TRADIÇÕES** * Diferentemente dos contos de ficção, as lendas são relatadas como eventos factuais, baseando-se na própria ciência e história do homem simples, que explica como os animais adquiriram seus hábitos e por que o clima se comporta de determinada maneira. **A. LENDAS MITOLÓGICAS** * Para os povos cristãos, muçulmanos ou judeus, as lendas de criação são normalmente baseadas no Antigo Testamento, mas elaboradas com considerável número de histórias sobre o Jardim do Éden e o Dilúvio. * Lendas explicam que Adão foi feito de barro, Eva da costela de Adão ou de um rabo de cachorro, e que o corpo de Adão foi feito de oito coisas. * Satã se opõe a Deus na criação, mas não consegue dar vida aos seus animais, e os animais malignos ou desagradáveis são criações do diabo. * O sucesso de Satã no Jardim do Éden é familiar, com a maçã alojada na garganta de Adão explicando o pomo de Adão. * Eva esconde alguns de seus muitos filhos de Deus, que não recebem sua bênção, explicando classes superiores e inferiores de pessoas, raças oprimidas e a existência de macacos. * Lendas sobre o dilúvio de Noé são populares, com elaborações como o diabo entrando na arca como rato, o leão espirrando um gato que come o rato, e a grifina e o unicórnio se recusando a entrar na arca e sendo extintos. * O pensamento popular explica a Via Láctea como uma estrada de almas, um rio ou uma costura no céu, e as Plêiades como sete irmãs, com histórias sobre uma delas ter se perdido. * O sol é frequentemente imaginado como sendo roubado por um monstro que o esconde numa caixa, e a lua tem explicações para o "homem na lua" (pode ser um homem, um coelho ou um sapo) e suas fases. * Existem lendas de outras mundos, como paraísos terrestres em ilhas distantes, alcançados por uma ponte do arco-íris ou atravessando um rio proibido, e o mundo inferior pode ser alcançado descendo uma corda ou escada. * Muitas lendas explicam características da paisagem, como montanhas formadas por pedras caídas das roupas de um gigante ou por deuses atirando pedras, e penhascos formados por amantes que saltaram para a morte. * A lenda do moinho de sal roubado que afunda o navio e continua moendo sal explica a salinidade do mar, e o pássaro gigante que causa ventos batendo as asas é conhecido na Islândia e entre índios norte-americanos. * Lendas de origem sobre animais explicam a criação do animal (a pulga criada para dar trabalho às mulheres), características corporais (a solha é chata porque a Virgem Maria a comeu pela metade) e hábitos (a lebre tem o lábio rachado por rir de uma visão engraçada). * Recompensas por ajudar Cristo na crucificação explicam o peito vermelho do pisco, a permissão para moscas comerem à mesa do rei e a imunidade dos ninhos de andorinhas. * Punições por descortesia explicam por que os cavalos pastam o tempo todo e por que as solhas têm a boca torta, e punições por petulância explicam as orelhas curtas do camelo e o ferrão fatal das abelhas. **B. SERES E OBJETOS MARAVILHOSOS** **1. Animais Maravilhosos** * O dragão, concebido como um crocodilo ou lagarto que cospe fogo e tem múltiplas cabeças que podem crescer de novo, é frequentemente o guardião de tesouros e o devorador de países em contos como "O Matador de Dragões". * Sereias e tritões, metade mulher metade peixe, são amplamente acreditados e têm lendas como a da esposa humana do tritão que é atraída de volta à terra pelo som dos sinos da igreja. * Espíritos da água, frequentemente associados a lagos e rios, são indistinguíveis das fadas e têm forma puramente humana ou parcialmente animal. * Animais que falam, possuem poderes de percepção sobre-humanos, dão bons conselhos, veem fantasmas, profetizam e fornecem presságios são crenças comuns em contos populares. * A crença em reis de cada espécie de animal, assembleias de pássaros para eleger governantes e bois que se ajoelham e falam na véspera de Natal são tradições populares. * Casamentos entre membros de diferentes espécies de animais são temas de contos muito antigos, aparecendo em versões iniciais das fábulas de Esopo e em canções americanas como "O Sapo Foi Namorar". * Crenças em características extraordinárias de animais incluem a pedra mágica na cabeça de uma serpente, a respiração de fogo por leões, e hábitos como cobras engolindo seus filhotes para protegê-los e o cisne que canta ao morrer. **2. Outras Criaturas Maravilhosas** * As fadas, conhecidas por muitos nomes, são geralmente pensadas como vivendo em uma terra própria, a Terra das Fadas, acessível através de colinas ou debaixo de árvores, e são normalmente invisíveis aos mortais. * Acredita-se que as fadas têm governantes (Oberon, Titânia, Rainha Mab), dançam, realizam trabalhos como ferreiros e podem ordenhar vacas e suar cavalos à noite. * Lendas sobre amantes fadas incluem a proibição de fazer certas coisas, como na história de Melusina, onde o marido a vê transformada e ela desaparece para sempre. * As fadas podem remover uma corcunda, dar carvões que se transformam em ouro, e presentear com um cálice que traz má sorte se quebrado, como em "A Sorte de Edenhall". * Histórias de crianças trocadas (changeling) são comuns na Europa, onde uma fada rouba uma criança do berço e deixa um substituto que é enganado para revelar sua idade. * Os anões são espíritos subterrâneos, mais grotescos que as fadas, com pés de pássaro ou virados para trás, que viram pedra ao nascer do sol e temem o canto de hinos ou sinos de igreja. * O gigante é pensado como uma pessoa enorme, de forma humana, que vive uma vida comum, atira grandes pedras, muda a paisagem e constrói grandes estruturas. * O conto "O Brinquedo do Gigante" conta como uma jovem giganta pensa que um lavrador com seus cavalos é um brinquedo e o leva para sua mãe, que avisa que ele os expulsará. * As bruxas são essencialmente más, às vezes humanas com poderes místicos, às vezes sobrenaturais, frequentemente pensadas como irmãs (geralmente três), que podem assumir forma animal. * As bruxas se opõem ao cristianismo, parodiam serviços religiosos no sábado das bruxas, voam em vassouras, montam animais incomuns, têm espíritos familiares e roubam crianças. * O diabo, uma figura inconsistente que mescla o Satanás bíblico, o deus Pã, os sátiros e os gênios orientais, aparece em contos fazendo barganhas, sendo enganado e aprisionado. **3. Objetos Maravilhosos** * O mundo está cheio de objetos que desafiam as leis da natureza, obtendo resultados milagrosos, como rios que emanam de nozes mágicas, castelos de ouro ou prata, e castelos giratórios que confundem invasores. * Acredita-se que existam castelos no fim do mundo, abandonados ou com todos os habitantes dormindo, e a lenda do sino submerso que ainda é ouvido debaixo d'água é amplamente acreditada. **C. RETORNO DOS MORTOS** * A atitude em relação à credibilidade das lendas de retorno dos mortos varia, sendo geralmente aceitas em tradições menos influenciadas pelo pensamento racionalista. * O ressuscitamento em contos de fadas pode ocorrer cortando a cabeça, queimando, removendo uma maçã envenenada, usando uma pomada mágica, juntando partes do corpo ou usando a Água da Vida. * O método de Thor, que ressuscita suas cabras após montar seus ossos, é empregado por muitos heróis, frequentemente com um osso faltando causando deformidade. * Lendas de fantasmas variam desde o retorno completo de um morto-vivo (como o Morto Agradecido) até aparições espectrais que assustam pessoas em cemitérios. * O amante morto pode retornar para levar sua amada para o túmulo, a esposa morta para protestar contra o novo casamento do marido, e o morto pode retornar para punir indignidades sofridas por seu cadáver. * O vampiro, que sai de seu túmulo à noite para sugar sangue, é especialmente temido no leste europeu e na Índia, sendo estacado para ser eliminado. * Lendas de túmulos inquietos explicam que o morto não pode descansar devido a grandes pecados (assassinato, adultério, usura), excomunhão, falta de batismo ou rituais fúnebres inadequados. * A Caça Selvagem, a aparição de um caçador com matilha de cães cruzando o céu à noite, remonta à antiguidade clássica em toda a Europa. * O Holandês Voador, capitão que navega eternamente num navio fantasma devido à sua maldade, e o Exército Adormecido, soldados mortos que saem de seu descanso para marchar, são lendas conhecidas. **D. PODERES E OCORRÊNCIAS MARAVILHOSOS** **1. Transformação e Desencantamento** * O lobisomem, que periodicamente se transforma em lobo feroz combinando mente humana com crueldade de lobo, é uma crença popular, com histórias sobre como reconhecê-lo. * O desencantamento de uma pessoa transformada geralmente envolve quebrar um feitiço mágico, como no conto da "Dama Horrível" que é liberta quando abraçada por um homem bonito. * A lenda da "Dama Branca" ou "Os Três Beijos Redentores" envolve beijar uma mulher em três formas de animais diferentes para desencantá-la, invertendo os sexos na lenda do "Eremita Peludo". * O desencantamento pode depender de uma sucessão complicada de eventos, como pegar uma chave com a boca da boca da mulher em forma de serpente ou completar uma tarefa sobre-humana. **2. Outros Poderes Mágicos** * Crenças populares incluem adquirir sabedoria mágica comendo parte de uma serpente, ter a força no cabelo (Sansão) e obter visão mágica colocando unguento nos olhos. * Amuletos são usados contra o poder do "Mau Olhado", e acredita-se que queimar ou espetar uma imagem de um inimigo pode causar tortura ou morte. * Rochas gigantes movidas por poder mágico, como as de Stonehenge, e a capacidade de fazer jornadas instantâneas com velocidade de pensamento ou com botas de sete léguas são comuns na tradição popular. **3. Ocorrências Maravilhosas** * Lendas sobre igrejas que afundaram na terra, com a congregação ainda cantando debaixo do solo ou do mar, e cidades inteiras que submergiram no oceano são exemplos de maravilhas. * A reversão da ordem natural com flores e plantas, como a vara seca que floresce e a árvore que dá maçãs apenas no Natal, são temas de lendas populares e eclesiásticas. **E. TESOUROS ESCONDIDOS** * A busca por tesouros enterrados, guardados por dragões ou demônios, é um tema comum, com métodos para encontrá-los, incluindo seguir a luz do arco-íris ou uma luz misteriosa. * Inscrições em estátuas apontando e dizendo "Cave aqui" são lendas populares, e o tesouro encontrado frequentemente traz uma maldição ou se transforma em carvão. **F. LENDAS DE LUGARES E PESSOAS** * Muitas tradições são fortemente ligadas a lugares ou pessoas específicos, mas tendem a vagar, tornando difícil determinar a origem original. * A lenda do retorno do grande rei em momento de necessidade, como Rei Artur, é encontrada na maioria das partes do mundo. * Lendas sobre animais incluem a loba que amamentou Rômulo e Remo e o cão fiel que mata uma serpente ameaçando a criança, sendo morto pelo dono por engano. * O Flautista de Hamelin, o Bispo Hatto e a Torre dos Ratos, o rei Barbarossa sentado em Kifhäuser, e os Sete Dorminhosos de Éfeso são lendas históricas e medievais conhecidas. * A lenda de Lady Godiva e Tom, o Espreitador, que viola a proibição de olhar, e o Rei Midas, com suas orelhas de asno e poder de transformar tudo em ouro, são lendas populares. * Lendas bíblicas, como a sabedoria de Salomão testada pela Rainha de Sabá com enigmas, e lendas da antiguidade clássica, como a de Orfeu, persistem na tradição popular. * Lendas medievais incluem o Judeu Errante, punido por blasfêmia com a incapacidade de morrer, e a história do rei Roberto da Sicília, humilhado por um anjo que toma seu lugar. * Lendas sobre santos incluem São Cristóvão carregando o Menino Jesus, e o conto do homem santo que morre como peregrino desconhecido em sua própria casa. * Lendas sobre escapatórias incluem a aranha que tece sua teia sobre o buraco do fugitivo, os sapatos invertidos no cavalo para enganar perseguidores, e as mulheres de Weinsberg que carregam seus maridos adormecidos ao sair da cidade sitiada.