====== 2 ====== //ALP// ** Serafiel e a Trombeta ** O Peregrino apresenta sua petição a Serafiel, descrevendo as funções cósmicas do anjo como aquele que sustenta o Trono e governa os ciclos de vida e morte. * Serafiel é reconhecido como o Intimo atrás do véu, aquele cujo pé repousa sobre o Empíreo e cuja cabeça sustenta o Trono divino. * Atribui-se à Trombeta de Serafiel a origem da luz dos sete céus e a animação do corpo e da alma sob o sopro da misericórdia. * O anjo é identificado como a causa do colapso universal, capaz de precipitar montanhas ao mar e semear estrelas como poeira. * Descreve-se a ação de Serafiel em dispersar os dois mundos no nada e, com um segundo sopro, vestir as criaturas para a Ressurreição. * O Peregrino suplica que o anjo lhe insufle a vida ou, alternativamente, que o devolva à terra por meio da morte. Serafiel rebate a presunção do Peregrino, enfatizando a própria condição de terror diante do Eterno apesar de sua magnitude perante a criação. * O anjo censura a infatuação do caminhante, comparando a pretensão deste à de um gato que se imagina um tigre. * Serafiel afirma sua prontidão constante para destruir a Morada habitada e colidir o aquém com o além como se fossem vidros. * Revela-se que o anjo, para quem o mundo não passa de um grão de mostarda, aproxima-se de Deus sob constante temor. * A resposta final ordena o afastamento do Peregrino, para que o anjo possa lamentar sozinho o destino das almas e o próprio fardo. O Sábio apresenta a natureza de Serafiel como um raio de vida e um anunciador da morte, destacando sua submissão absoluta. * Serafiel é descrito como possuidor de uma beleza infinita e glória inigualável entre as hostes angélicas. * Relata-se que, por temor a Deus, o anjo permanece diante do Trono em estado de tremor superior ao de um pássaro. A submissão perpétua ao Criador é estabelecida por meio da presença de um único átomo de temor em relação a Ele. A condição comum de terror diante dos elementos anula as hostilidades naturais, conforme exemplificado pela convivência forçada entre o gato e o rato em um naufrágio. * Em uma embarcação destruída, os antigos inimigos encontram refúgio na mesma tábua e estabelecem entendimento mútuo. * O medo das águas retira de ambos a força para o movimento ou a percepção da própria individualidade. * Projeta-se que no tumulto da Ressurreição a distinção entre o eu e o outro cessará de existir da mesma forma. * A aspereza da via e a proximidade do sagrado são apontadas como causas de interdito e sofrimento para o coração. A história do escravo do rei demonstra que o amor-próprio e a autocontemplação são incompatíveis com o serviço e a devoção verdadeira. * O escravo é descrito com elegância superlativa, possuindo lábios de rosa, face solar e cabelos que cativam as almas. * A beleza física do servo é detalhada como um autêntico altar para os apaixonados, possuindo uma cintura fina e hálito quase imperceptível. * O rei executa o escravo com um golpe de sabre no momento em que este desvia o olhar do serviço para contemplar a própria imagem. * O monarca questiona se o servo é um adorador de si mesmo ou um servidor, ordenando que ele se retire para a própria companhia caso prefira a autoerótica. * Estabelece-se que aquele que se compraz na própria observação está, na verdade, servindo a si mesmo e não ao senhor. A posição da pupila no olho é justificada por sua incapacidade de olhar para si mesma, servindo de metáfora para os perigos da Proximidade. O diálogo entre o sultão Mahmud e Ayaz revela que a vigilância constante sob a graça é mais árdua do que a própria morte física. * Mahmud ordena a retirada de Ayaz antes da execução de um criminoso, desejando poupar o favorito da visão da ira real. * Ayaz afirma que o executado é afortunado por ser libertado de uma vez do tormento e da pena mundana. * O favorito descreve sua própria condição como a de alguém transpassado diariamente pela espada do temor diante do rei. * Conclui-se que manter a cortesia e a circunspecção diante do soberano é mais difícil do que enfrentar a decapitação cem vezes. A magnitude da prova é diretamente proporcional à grandeza da graça recebida pelo indivíduo. A resposta de um louco a um homem compassivo ilustra a percepção de que a privação é uma forma de manutenção do vínculo com o Divino. * O louco solicita alimento em voz baixa, advertindo o benfeitor para que Deus não ouça o segredo da oferta. * Argumenta-se que, se a divindade percebesse a tentativa de auxílio, impediria o sustento e exigiria o fim da vida do suplicante. * A fome é apresentada como o meio pelo qual o Amigo se desprende dos dias mundanos para ansiar apenas pelo Amado. Um antigo devoto, tornado louco e marginalizado pela sociedade, adverte um jovem sobre as feridas inerentes à busca pela Fé. * O homem, que vive há cinquenta anos na poeira e é alvo de escárnio, traz os olhos injetados de sangue e o coração em chamas. * Ao ver um jovem entrando na mesquita, o ancião ordena que ele fuja para evitar a ferida que o quebrou. * Afirma-se que a União não é uma oferta cotidiana e que o ingresso na Via implica ser apreendido por uma mão violenta. * O estado de desvario do louco é apresentado como a consequência direta de ter um dia buscado cumprir o dever religioso.