===== SABEDORIA DA LIDERANÇA NO VERBO DE ARÃO ===== //Fusus, RABW// **A Misericórdia Criativa** A Misericórdia criativa é retomada como tema central a partir da profecia de Aarão. * Ibn Arabi afirma que a profecia de Aarão derivava da Misericórdia divina. * A Misericórdia criativa é vinculada à mãe de Moisés e Aarão, pois a maternidade representa melhor essa misericórdia do que a paternidade, que representa a Misericórdia mais irada e obrigadora. * Anteriormente na obra, o conceito de maternidade é relacionado à Natureza e o de paternidade ao Espírito. * A Misericórdia infinita do devir cósmico, em sua múltipla e complexa profusão de formas, é pensada em termos maternos e femininos, sendo que a palavra rahmah (Misericórdia) se relaciona com rahim (ventre). * A Misericórdia absoluta da reintegração espiritual, em sua rigorosa simplicidade de princípio, é pensada em termos paternos e masculinos. * No contexto de uma tradição patriarcal, o masculino domina o feminino, o Espírito governa a Natureza, e a Realidade como “Deus” tem precedência sobre a Realidade como Cosmo. **A Sujeição** A sujeição do Cosmo ao homem, do homem a Deus e do animal no homem ao espírito no homem é o tópico seguinte. * Semelhantes não podem estar sujeitos uns aos outros, portanto um homem, como ser humano, não pode estar sujeito a outro homem. * Distingue-se entre sujeição por força de vontade e sujeição por circunstância. * O homem como servo está sujeito à vontade de seu Senhor, enquanto o homem como parte do Cosmo está circunstancialmente sujeito a Deus. * Assim como no caso do sustento e da causalidade, aquilo que está sujeito também pode, em certo sentido, sujeitar aquilo que o sujeita. * Deus, em Seu papel criador e governante, é, por assim dizer, responsável e, portanto, sujeito à necessidade e dependência de Sua criação. * No conhecimento que Deus tem de Si mesmo, seja como Essência ou como Cosmo, Ele está sujeito àquilo que as essências latentes Lhe dão a conhecer de Si mesmo. **A Paixão Divina (hawa)** O conceito de paixão divina (hawa) é apresentado como uma das ideias mais ousadas e profundas de Ibn al-‘Arabi. * A palavra hawa geralmente denota paixão cega, impulso, capricho, fascinação e desejo do tipo mais terreno. * Entre os significados da raiz hawa estão: cair de cabeça, morrer, ser amplo e profundo, vento, ar, soprar, espaço e abismo. * O sentido pretendido é o de apaixonar-se espontaneamente, lançar-se como uma rajada de vento no vazio profundo do abismo. * Ibn Arabi afirma que essa experiência é universal e necessária para toda a noção de adoração. * Sem esse impulso desesperado do todo para integrar sua parte e da parte para fundir-se com o todo, não haveria amor, adoração ou afirmação, cuja consumação está na Unidade do Ser. **O Amor Divino e o Sopro do Misericordioso** O conceito de paixão divina relaciona-se ao de Amor divino (mababbah) e ao Sopro do Misericordioso. * O Amor divino é outra maneira de descrever o Sopro do Misericordioso, que age em resposta ao anseio divino interior por Autoconsciência. * Esse sopro produz a radiação impetuosa, extrovertida e “soprante” do Espírito em seu desejo urgente (hawa) de informar e vivificar o abismo onirreceptivo da matriz de todo devir. * O amor-adoração apaixonado que impele o homem a afirmar o real e eterno em seu objeto de adoração é um reflexo do desejo divino da Realidade onipresente de conhecer-Se como Objeto e, tendo-Se conhecido, amar-Se a ponto de reconsumir-Se. * O adorador, que essencialmente não é outro senão Ele, está apenas adorando aquilo que também não é outro senão Ele. * A palavra hawa combina a noção de conteúdo ativo e a de receptáculo passivo, pois todo objeto de amor ou adoração é um abismo assimilador, e todo adorador ou amante é um “cassador de cabeça”. **A Conformidade Externa do Gnóstico** Ibn al-‘Arabi conclui o capítulo afirmando a importância da conformidade externa para todo verdadeiro gnóstico. * Todo gnóstico verdadeiro, embora interiormente ciente da universalidade irrestrita da verdade e da onipresença da Realidade em todas as coisas, conforma-se externamente às formulações doutrinárias e práticas rituais da dispensação religiosa à qual seu destino o sujeitou pelo tempo e lugar de seu nascimento e vida. * A gnose verdadeira revela não apenas a totalidade indiferenciada da Unidade do Ser, fundamental para todo ser e experiência de ser, mas também que a distinção, diferenciação, tensão e alteridade são um aspecto inescapável dessa totalidade. * Em certos níveis, essa totalidade exige o devido reconhecimento e conformidade com a distinção, diferenciação, tensão e alteridade.