====== Kabiri ====== //[[..:start|KERÉNYI, Károly]]. [[.:start|Miti e misteri]]. Torino: Bollati Boringhieri, 2017.// ** O significado do termo mistério ** * A investigação sobre a origem da palavra mistério e seu uso no plural é fundamental para a introdução ao estudo das religiões antigas e do culto dos Cabiros. * Heródoto define o culto secreto como os Mistérios dos Cabiros. * Menção mais antiga de mistérios gregos na literatura. * Santuário dos Cabiros próximo a Tebas em dialeto beótico. * Análise de tradições relativas aos Cabiros como pressuposto científico. * O sentido antigo e originário dos mistérios revela—se na conexão festiva com núpcias mitologicamente representadas e vivenciadas. * União de uma esposa divina com um esposo divino como modelo para núpcias humanas. * O velamento como fase preparatória necessária para o desvelamento. * O casamento como ápice de uma iniciação — o casamento é o fim. * A ação cultual baseada em elementos naturais eleva o plano instintivo a uma esfera metafísica ligada às raízes da existência. * Festa misteriosa de Eleusis como representação sublime da vida. * Superação do caráter momentâneo da vida animalesca. * Repetição periódica do rito como forma de conexão consciente com o mundo dos ancestrais. * O ato de velamento na transição da natureza para o culto representa a superação da esfera puramente biológica no jogo erótico. * Fuga, captura e sujeição da noiva como reflexo do comportamento animal. * O desaparecimento no próprio escuro inspirado na conjunção entre sol e lua no céu. * O momento místico—antigo como preparação, elevação e enraizamento profundo. * Os mistérios dos Cabiros mantiveram um caráter primitivo e geográfico distante da religião clássico—homérica. * Ilha de Samotrácia como centro principal diante da costa trácia. * Notícias sobre traços antiquíssimos surgidas no período helenístico. * Escavações no santuário da Samotrácia e no santuário continental perto de Tebas. * Relíquias ilustradas exaustivamente a partir de 1940. * A sobrevivência de uma língua antiga não grega nos ritos de Samotrácia documenta o caráter bárbaro e primitivo do culto. * Diodoro menciona o uso de uma língua indígena antiga pela população local. * Inscrições em Lemnos com afinidades com o etrusco. * Título do sacerdote samotrácio como koes ou kaves, termo encontrado na língua lítica da Ásia Menor. * Anedotas históricas sobre generais espartanos ilustram o estranhamento grego diante das exigências confessionais de Samotrácia. * Antálquidas e a pergunta do sacerdote sobre crimes horríveis cometidos na vida. * Lisandro e a interrogação ao oráculo de Samotrácia. * Resposta de Antálquidas: Se cometi algo semelhante, os deuses devem sabê—lo por si mesmos! * Expulsão do sacerdote por Lisandro: Então retira—te, direi a eles se quiserem saber! * O requisito de denunciar—se como pecador indica que os primeiros iniciados, modelos para os posteriores, eram originalmente criminosos. * Purificação da impiedade por meio do koes. * Tradição de Tessalônica sobre o assassinato de um irmão pelos outros dois Cabiros. * Invocação em Imbros que enumera nomes de Titãs como primeiros pecadores. * O contraste entre os ritos de Samotrácia e Eleusis evidencia a distinção entre a aceitação da impureza e a exigência de imunidade grega. * Língua grega e ausência de crime de sangue como condições em Eleusis. * Proclamação do sacerdote eleusino para afastar bárbaros. * Samotrácia como preservação de caracteres pré—helênicos e cuidado religioso com os impuros. * Os mistérios dos Cabiros precedem logicamente os eleusinos ao revelarem uma natureza mais arcaica e autóctone. * Heródoto atribui os mistérios à população pelásgica. * Migração dos pelásgos da Beócia e da região de Tebas para a Ática. * Interpretação de documentos e monumentos do santuário de Tebas como fontes mais abundantes. * A topografia do santuário de Tebas estabelece uma relação simbólica com a luz solar nascente antes da entrada na escuridão dos mistérios. * Planície da Aurora — Planície Aônia. * Samotrácia como ilha da luz branca matinal — Leucânia. * Ilha de Electra como referência à deusa solar luminosa. * Localização dos mistérios em um ângulo escuro da montanha. * O acesso ao santuário e aos bosques sagrados era restrito aos iniciados, envolvendo termos específicos para as ações rituais. * Pausânias descreve o bosque de Deméter Cabíria e de sua filha. * Somente quem é iniciado pode entrar. * Santuário situado a sete estádios de distância do bosque. * Uso das palavras dromena, telete e orgia para designar atos e trabalhos sagrados. * O nome dos Cabiros e sua invocação por marinheiros em perigo apontam para uma origem vinculada a deuses misteriosos de línguas estrangeiras. * Denominação frequente como Grandes Deuses. * Possível forma helenizada do semítico kabirim. * Caráter de divindades meramente misteriosas sem definição funcional exclusiva. * A conexão dos Cabiros com a Grande Mãe dos deuses sugere uma origem em cultos antigo—mediterrâneos da Ásia Menor. * Nomes variantes como Cabira, Caeira e Capeira. * Monte Berecíntia na Frígia como domínio da Grande Mãe. * Scorta masculina composta por Curetes, Coribantes e Dáctilos Ideus. * Demônios fálicos considerados espíritos dos instrumentos de culto conhecidos como rombos. * A natureza espectral dos Cabiros permite que sejam representados simultaneamente como gigantes titânicos e anões. * Menção de Titãs como Coios, Crios, Hiperion, Jápeto e Crono em Imbros. * Inclusão de Pataicos ou anões na mesma série. * Fratricídio como ato de caráter titânico. * Relação entre Prometeu e os homens—cabíricos no mito de fundação. * O mito de fundação tebano estabelece Deméter como a doadora do culto secreto aos habitantes cabíricos originais. * Cidade habitada por homens chamados Cabiros no local do santuário. * Deméter confia algo a Prometeu e seu filho Etneu. * Etneu como nome alusivo a Hefesto, o deus ferreiro. * Deméter Cabíria ou a Mãe como fundadora dos mistérios. * A segunda versão do mito introduz Pelarge como restauradora do culto e reforça a identidade divina por trás dos nomes humanos. * Fuga dos nativos diante dos conquistadores argivos. * Pelarge, filha de Potnieu, e seu marido Istmíades. * Oráculo de Dodona sugere veneração cultual a Pelarge. * Sacrifício de um animal prenhe — uma porca. * Potnieu como referência ao homem de Potniai, cidade de Deméter. * Istmíades relacionado a Posêidon, o esposo de Deméter. * A compreensão dos relatos de fundação depende da interpretação do papel de Deméter como iniciadora dos mistérios masculinos. * Natureza unívoca dos nomes transparentes para os iniciados. * O nome Pelarge remete à ideia de cegonha e a crenças populares sobre a origem da vida. * Forma feminina para cegonha. * Mitologia da cegonha como portadora de crianças. * Presença de imagens arquetípicas em cultos sobre o nascimento. * A variação fonética entre Pelarge e Pelasge sugere uma identificação entre os iniciados e o povo pelásgico. * Correspondência regular entre as sucessões de letras no dialeto. * Evocação dos pelásgos por meio do nome da deusa. * Tradições de Argo vinculam a fundação de templos e mistérios de Deméter ao eponímio Pelasgo. * Deméter Pelasgis como nome da deusa em Argo. * Pelasgo como anfitrião da deusa durante a busca pela filha raptada. * A identificação tribal com animais em iniciações primitivas pode explicar a origem do nome do povo pelásgico como aves—cegonhas. * Iniciados de uma deusa cegonha. * Diferenciação posterior entre o nome do povo e o nome do animal. * Subsistência de sociedades secretas baseadas em identificações animais. * O sacerdócio eleusino preserva vestígios de uma antiga identificação com aves através da linhagem de Eumolpo. * Hierofantes e hierofantides como descendentes do primeiro sacerdote. * Perda do nome próprio ao assumir o cargo de Eumolpo. * O nome Eumolpo designa um bom cantor, atributo associado ao cisne na simbologia grega. * Atributo do cisne em representações de Triptólemo. * Origem trácia de Eumolpo vinculada à pátria dos cisnes. * Mãe de Eumolpo chamada Quíone ou a nívea, filha de Bóreas. * Desaparecimento do nome civil nas águas como retorno a um estado sagrado. * Posêidon e Deméter aparecem como figuras centrais em núpcias arcaicas representadas sob formas animais. * Posêidon como o Pai em Eleusis. * União em forma de cavalo. * Variação do mito com cisne e gansa representando Zeus e Nêmesis. * Filha de Deméter como esposa nas núpcias de aves. * A presença de aves aquáticas em vasos do santuário de Tebas reforça o vínculo entre a deusa, o rapto e o ambiente palustre. * Perséfone brincando com uma gansa em uma gruta perto de Lebadeia. * Atributos de aves para Deméter e Hécate Angelos. * Grupos de aves de pernas curtas ou longas constituem o material mitológico para expressar o destino da alma e da mulher. * Cisne, gansa e pato versus cegonha, garça e grou. * Formas transitórias nas representações artísticas. * As escavações em Tebas revelam uma sucessão de templos de pedra e cerâmicas com decorações grotescas e tradicionais. * Templos destruídos por persas e macedônios entre os séculos seis e quatro antes de Cristo. * Telestério de Aleciaro como local de iniciação mais antigo. * Estilização de aves palustres em tradição arcaica. * Representações mitológicas com inscrições mostram o deus Cabiro e seu filho em uma linhagem de dignidade paterna e origem da vida. * Kabiros gigante semelhante ao tipo de Dioniso. * Pais como o filho diante do pai. * Pratolaos como o primeiro homem ou espírito por nascer. * Mitos ou o sêmen como esposo de Crataia — a Forte. * O contraste entre os pigmeus e os grous simboliza a relação entre o iniciado masculino e a iniciadora feminina. * Anões fálicos ridicularizados e atormentados. * Derrota aparente seguida de elevação. * Caráter celeste das aves aquáticas elevando a virilidade rudimentar. * O elemento nuzial nas cenas de iniciação é marcado pela presença de uma noiva velada e ramos cultuais. * Uso de guirlandas e ramos específicos. * Ramos que distinguem o esposo em núpcias dionisíacas. * Bakchos traduzido como virgulto ou rebento. * O virgulto simboliza o ser tenro que nasce das núpcias e aparece associado a aves aquáticas e grifos matutinos. * Repetição decorativa do ramo entre duas aves. * Grifos estilizados como galos que protegem o surgimento da luz. * Definição mitológica do lugar como plano matinal. * Os mistérios dos Cabiros visavam transformar a virilidade agressiva em consciência de origem da vida através da mediação feminina. * Pelarge como a feminilidade primordial dedicada ao rebento humano. * Aleciaro significando aquele que afasta o deus da guerra. * Transformação de assassinos em fontes de vida e espíritos nutridores. * Recondução do homem à forma mais simples de humanidade.