====== Deusa Natureza ====== //[[..:start|KERÉNYI, Károly]]. [[.:start|Miti e misteri]]. Torino: Bollati Boringhieri, 2017.// * A distinção entre as noções clássica e romântica de natureza fundamenta-se na transição da ideia de uma artífice engenhosa para uma relação intrínseca com o sentimento humano. * Klopstock — menção às premissas que delimitam os conceitos antigo e moderno. * Goethe — citação de dez anos antes do fragmento A Natureza sobre a força que devora a força, o transitório e a arte como esforço de autoconservação. * A inserção do conceito antigo de natureza na modernidade revela a persistência de uma forma definida apesar das contradições inerentes à visão europeia. * Goethe — oposição entre natureza e arte e a nova correlação com o espírito. * Walter F. Otto — observação sobre a exclusividade europeia desses conceitos em contraste com o Oriente. * Oriente — caracterizado pela coesão com o mundo sensível e pela busca da redenção e libertação absoluta, sem um termo correspondente para natureza. * O conceito de natureza comum a gregos e europeus define-se como uma forma que nasce do espírito a partir do elemento sensível. * Walter F. Otto — reflexão sobre a natureza não existir sem o espírito e a origem grega da ciência e do mito natural. * Luta entre natureza e espírito — fenômeno permanente para o herdeiro dos gregos, onde as partes dependem uma da outra para existir e ter forma. * O dualismo grego entre o ser e o ser conhecido diferencia-se da interpretação moderna que introduz a ideia de combate entre os elementos. * Zeus — o nous que reflete tudo e é onisciente. * Goethe — oposição entre arte e força destruidora do universo. * Hölderlin — citação do poema Natureza e Arte ou Saturno e Júpiter: E se queres permanecer, serve ao mais velho! * Cristianismo — fator que moldou o dualismo europeu como uma luta entre a corporeidade sensível e um espírito desprendido de sua base materna. * A negação do dualismo cristão em favor de um individualismo que atua como porta-voz da natureza mantém traços não antigos na modernidade. * Nietzsche — menção ao segundo canto de dança de Zaratustra e à vida como grande companheira e adversária. * Culto à natureza — caracterizado como o de uma grande cortesã e parturiente irresponsável. * O fragmento A Natureza, embora incorporado por Goethe, possui origens que remetem ao círculo de teólogos e entusiastas de Zurique. * Goethe — confissão de 1828 sobre não se recordar da autoria, embora as ideias correspondessem ao seu espírito da época. * Christof Tobler — provável autor suíço do texto e tradutor dos Hinos de Orfeu. * Lavater — ligação com o círculo de Zurique. * Stein — menção ao quadro da natureza visível de muitos lados. * Bernhard Huber — citação de um lema atribuído a Tobler sobre a inteligência reservada da natureza que nenhum homem pode copiar. * A comparação entre o fragmento moderno e as fontes clássicas revela paralelos estruturais na descrição dos movimentos naturais. * Cícero — obra Sobre a Natureza dos Deuses e a descrição da natureza que abrange e contém tudo em seu complexo. * Cota — observação sobre a natureza arrastando tudo consigo. * A imagem da dança na natureza diferencia-se entre a harmonia celeste antiga e a violência impetuosa moderna. * Christof Tobler — tradução do epíteto sempre móvel no hino à deusa Physis. * Hino à deusa Physis — versos sobre a condução das estrelas e o correr sem ruído sobre as pontas dos calcanhares. * Zaratustra — relação entre a imagem da dançarina violenta e a heroína de Nietzsche. * O caráter enigmático e lúdico da natureza no pensamento moderno afasta-se da solenidade religiosa dos hinos antigos. * Bernhard Huber — carta a Lavater sobre a grande prestidigitadora e seu jogo tragicômico. * Goethe — comentário de 1828 sobre o panteísmo, o ser imperscrutável e o jogo não isento de uma amarga seriedade. * Soret — citação de 1831 comparando a natureza a uma jovem coquete que atrai e se esquiva. * A noção de um caminho predeterminado e desconhecido para as criaturas encontra raízes no pensamento estoico e heraclítico. * Heráclito — origem da ideia do homem que desconhece seu caminho. * Marco Aurélio — citação da ideia estoica. * Cícero — exposição da doutrina de Zenão sobre a natureza como artista providente, consultora e criadora da beleza e dos sexos. * Cota — crítica vulgar à natureza como alcoviteira de si mesma. * O tom das relações entre natureza e amor no fragmento moderno distancia-se tanto da vulgaridade acadêmica quanto da elevação religiosa latina. * Lucrécio — hino à deusa Natureza no proêmio a Vênus. * Christof Tobler — erro de tradução do adjetivo referente a ajudantes de parto e reflexão romântica sobre o amor como coroamento da natureza. * Espinozismo — subordinação do coração à natureza. * Sábio estoico — apelo à divindade para ser conduzido. * A concepção moderna de Mãe Natureza potencializa a contradição e o sofrimento em uma unidade que premia e pune a si mesma. * Diferença fundamental — contraste entre a existência de volúpia e tormentos moderna e a deusa Physis do hino órfico, definida como domadora de tudo e indivisivelmente única. * A palavra Physis atua como um termo primordial que domina o pensamento filosófico por meio de seu conteúdo conceitual intrínseco. * Pensador moderno — confissão sobre ser dominado pela linguagem e a gravidez de ideias como uma graça que exige exatidão. * Logos — termo que, junto a Physis, possuía uma medida insuperável de influência sobre os filósofos arcaicos. * O surgimento da palavra Physis na literatura grega ocorre de forma simbólica através da revelação divina de uma qualidade essencial. * Homero — na Odisseia, o deus Hermes mostra a Ulisses a natureza da erva mágica moly. * Significado original — a qualidade ou o gênero do existente, identificável por quem possui o saber. * A etimologia de Physis vincula-se ao crescimento orgânico, mas estabelece o ser como um estado permanente e dominador do devir. * Aristóteles — derivação do significado de nascimento ou origem, embora observe a necessidade da vogal longa para o sentido de tornar-se. * Língua latina — raiz correspondente ao significado de ter sido ou ser definitivo. * Filolau — menção à natureza do número como guia e mestre, sem rastro de devir. * O conceito de Physis ocupa o lado do ser no dualismo grego, representando aquilo que é efetivamente e sempre será. * Heráclito — fragmento sobre a natureza que ama esconder-se. * Homem divino — aquele que possui o olhar penetrante necessário para distinguir cada coisa segundo sua natureza. * A simplicidade espontânea do termo Physis permitiu sua transformação de palavra primordial em conceito científico e slogan sofístico. * Filósofos arcaicos — uso do termo para designar o que é sem causa humana. * Antítese entre Physis e Nomos — contraposição entre o verdadeiro ser e a pura aparência humana. * Platão e Aristóteles sistematizaram as contradições de Physis como gênese das coisas primeiras e essência permanente. * Aristóteles — definição de natureza como via para o ser, matéria primordial, forma ou síntese. * Platão — definição como gênese das coisas primeiras, incluindo a alma. * Leucipo e Demócrito — os átomos como natureza. * Epicuro — definição de natureza como corpos, vácuo e seus acidentes. * Empédocles — negação da natureza e da morte para os mortais por considerar apenas os quatro elementos como realidades primordiais. * Parmênides abordou a Physis como o problema do ser, situando-a entre a revelação da unidade e a descrição dos fenômenos celestes. * Poema de Parmênides — menção à natureza do éter, do sol, da lua e do céu que limita as estrelas sob o comando da Necessidade ou Ananke. * A cosmogonia parmenidiana introduz uma figura divina central que governa a mistura e o nascimento. * Teofrasto — provável fonte do comentário sobre o fundamento do movimento e da gênese. * Deusa governante — entidade que preside o parto doloroso e a mistura dos sexos. * A identificação da divindade governante ocorre através de suas múltiplas denominações na poesia filosófica e religiosa. * Simplício — comentário sobre a deusa da renascimento. * Deméter e Reia Cibele — possíveis equivalências à grande mãe das almas pitagórica. * Justiça e Necessidade — outros nomes para a senhora da mistura. * A figura mitológica próxima ao conceito de Physis associa-se a divindades primordiais e seus descendentes simbólicos. * Parmênides — invenção de Eros como o primeiro dos deuses. * Hesíodo — filhos da Noite, incluindo Guerra, Morte, Sono e Esquecimento. * Aristófanes — paródia da cosmogonia órfica com Eros filho da Noite. * Afrodite — identificada por Plutarco na descrição de Parmenides. * Empédocles descreve a ação de uma senhora da mistura que atua como potência de união na esfera dos elementos. * Philotes ou Philia — o amor como princípio de união contraposto ao Neikos ou Discórdia. * Alegria e Afrodite — nomes humanos para a potência de união. * Harmonia — nome mitológico e filosófico. * Sphairos — o núcleo cósmico esférico e alegre em sua solidão. * Lucrécio integra a tradição filosófico-mitológica em seu proêmio dedicado a Vênus como regente da natureza. * Vênus — celebrada como prazer de homens e deuses e guia da natureza das coisas. * Epicuro — mestre cuja doutrina de tranquilidade divina o poeta parece tensionar ao pedir auxílio à deusa. * A celebração de Vênus como genetrix em Lucrécio corresponde à divindade governante da tradição grega. * Virgílio — menção à primavera como época do surgimento do mundo. * Natureza governante — expressão que substitui Vênus na condução do universo. * Fortuna governante — outra denominação para a potência complexa da natureza. * Epicuro expressa gratidão à natureza por equilibrar as necessidades humanas e a facilidade de seu provimento. * Graças à beata Physis por tornar fácil o necessário e difícil o desnecessário. * Natureza — concebida simultaneamente como acaso cego e necessidade inexorável. * Tyche e Ananke — elementos pertencentes à natureza daquela que doa sem ser solicitada. * Orações mágicas da antiguidade tardia evidenciam a equivalência entre Vênus, Afrodite, Physis e a Lua. * Incantamento evocador — Afrodite invocada como Physis mãe universal e indomável. * Lecanomancia — invocação da Physis biforme e indivisível identificada com a luz da lua. * Textos mágicos e filosóficos tardios vinculam a origem da natureza a figuras femininas da fertilidade e do céu noturno. * Selene — invocada como mãe universal da natureza, geradora de tudo e mãe do amor. * A grande oração a Selene descreve uma divindade trifronte que governa o cosmos, o destino e o tempo. * Atributos de Selene — ornamento da noite, portadora de luz, rainha sentada sobre touros, Dike, Cloto, Láquesis e Átropo. * Domadora — epíteto gravado por Cronos no cetro da deusa para garantir a permanência de todas as coisas. * A busca pela deusa Physis original aponta para uma figura mitológica que compartilha traços com Afrodite e a divindade lunar. * Mesomedes — músico e poeta do século II d.C. autor de hinos atribuídos a Pitágoras. * O hino de Mesomedes celebra uma mãe do mundo identificada com a noite, a luz e o silêncio. * Reia — mencionada como a gloriosa guarda que acolhe os discursos e ações dos homens. * A parte final da oração de Mesomedes solicita virtude para a alma e saúde para o corpo físico. * Súplica — por uma linha reta para a alma e uma mobilidade sem mentira para a língua. * A conexão entre a deusa natureza e o deus solar é uma constante na poesia religiosa e filosófica da época. * Aion, Paian e Titan — nomes para invocar o Sol. * Homem em grilhões — autodescrição do suplicante que professa fé órfica ou pitagórica. * Claudiano descreve a natureza como guardiã de uma gruta eterna onde o tempo é processado. * Stilicho — protetor do poeta no ano 400 d.C. * Aion — personificação do tempo infinito. * Cibele e Reia — identidades da deusa que guarda a entrada da gruta. * A gruta do tempo em Claudiano é cercada pela serpente da eternidade e habitada por almas aladas. * Ouroboros — o serpente que devora a própria cauda simbolizando o eterno retorno. * Natureza — descrita como uma guardiã longeva de belo rosto. * A fusão de elementos orientais e gregos caracteriza a cena mitológica da saudação entre a Natureza e o Sol. * Encontro — a Natureza potente e idosa inclina sua cãs diante dos raios do Sol. * A fonte comum para a conexão entre Physis e Hélios reside no mitologema órfico da gruta da noite. * Identificação — Aion como criança recém-nascida na gruta, semelhante a Zeus no monte Ida. * A cosmogonia órfica situa a origem de todo existente em uma obscuridade primordiale habitada por divindades noturnas. * Nix — a Noite, por vezes triplicada, habitante da gruta. * Fanes — o princípio da luz que surge da escuridão. * Aristóteles — discussão na Metafísica sobre os teólogos que derivam tudo da Noite. * Adrasteia atua como a legisladora e guardiã que domina a entrada da gruta e a vida dos homens. * Mãe Idaia e Adrasteia — formas da grande mãe Reia Cibele. * Inelutável — significado do nome Adrasteia, a senhora do destino e das leis da mortalidade. * Platão — conceito da lei de Adrasteia sobre a predeterminação da alma. * A pesquisa revela que Reia Cibele personifica a inelutabilidade das leis da existência psicofísica humana. * Monumentos — representação como deusa lunar. * Átis — ligação com o ciclo da Afrodite oriental. * Ananke — identificada com Physis e Adrasteia na cosmogonia de Hierônimo e Helânico. * Crisipo e Zenão — identificação da lei do destino com a providência e a natureza. * O hino órfico à natureza sintetiza influências estoicas e órficas em uma figura divina multifacetada. * Christof Tobler — preparador da versão alemã do hino. * Estrutura — imagem cósmica filosófica mesclada com figuras divinas delineadas. * O texto do hino atribui à natureza funções de governante, criadora e destino universal. * Atributos — mãe de tudo, deusa de muitos recursos, rainha, domadora de tudo, indomável, governante, luz total, soberana absoluta. * Características — imortal, primogênita, antiga, ilustre, noturna, portadora de brilho, pura, ordenadora dos deuses, fim sem fim. * Dualidade — pai e mãe, nutrição e dissolução, doce para os obedientes e amarga para os maus. * Movimento — portadora do movimento, gira o fluxo rápido em um turbilhão eterno, circular, de formas variadas. * Súplica final — por paz, saúde e crescimento de todas as coisas em tempos prósperos. * A natureza como artífice de invenções evolui de um conceito estoico para uma imagem purificada da Grande Mãe. * Polymechanos — conceito de artífice engenhosa legado pelos estoicos. * Kyberneteira — a demone governante de Parmenides e Lucrécio. * Síntese — a Physis como imagem da mãe definida, distinta tanto da passividade da terra quanto do desespero das mães sofredoras.