====== DIONISO – TEMAS ====== //René-André Lombard. L'Enfant de la nuit d'orage// * O raio: o relâmpago que incendeia; a eletricidade divina que transmite a vida. * A mulher: figura dominante no culto, seja no personagem masculino do deus "efeminado", no número das Mênades, no papel de sacerdotisa inspirada, nas atividades de criação de pequenos animais, horticultura e apicultura, ou na libertação total pela dança. * A criança: o deus-menino; a criança vítima do sacrifício ritual, esquartejada e devorada; a criança portadora da salvação moral dos humanos. * O felino: dominante em toda a imagística, associado ao próprio deus, à vítima do ritual e à sacerdotisa sacrificadora. * Um setor celeste particular: Sirius, Touro, Plêiades. * A máscara gorgônea: cabeça separada do corpo, associada ao próprio deus e à cabeça cortada da vítima. * A bebida de exaltação: que proporciona o transe, extraída das bagas de hera (outono) ou da uva da videira (também outono), cuja invenção é nova. * A montanha arborizada: lugar dos milagres de fertilidade; lugar de caça, perseguição e devoração. * O espeto de madeiro: arma única do caçador; vara simbólica de fertilidade, o Tirso. * O mar: refúgio onde se mergulha; abertura para os países longínquos. * O navio: lugar de metamorfoses; lugar onde os maus são castigados e o arrependido é perdoado. * De todos esses temas visuais, nenhum evoca a agricultura, reportando-se, em vez disso, a uma sociedade e cultura mais antigas, correspondentes ao período em que o caçador-coletor, por impulso das mulheres, começa a enriquecer suas atividades com um pré-criação de animais, uma horticultura e uma apicultura, no qual a imagem feminina é dominante. * Esse contexto socio-cultural, marcado pelo conhecimento dos ciclos lunares e do céu, pelo desenvolvimento de rituais funerários e pela substituição gradual de crianças humanas por animais nos sacrifícios, parece ser o berço da imagística dionisíaca, em coincidência com o que se observa na imagística osiriana. * É nesse mesmo contexto de transição do sacrifício humano para o animal, com todo o jogo de substituição mental implicado, que se deve buscar a origem do ato teatral propriamente dito, justificando a permanência de Dioniso como "patrono do teatro" para os gregos.