====== RELÂMPAGO ====== //René-André Lombard. L'Enfant de la nuit d'orage// Alguns vocábulos sagrados pré-indoeuropeus **Z** ou **TsyeW** ou **DyeW** são encontrados, conservados, na pronúncia de //Tues-day//. Vocábulo do relâmpago ofuscante. Zeus, genitivo //Dios//, é o Trovejante por excelência, e //Dio-Nysos//, nascido de um golpe de relâmpago de Zeus, torna-se //Z-agreus//, relâmpago e caça selvagem quando é perseguido pelos Titãs. **TsyeW**, o sibilar do relâmpago, também dá seu nome a //TiuZ//, //Tues//, a antiga divindade germânica da tempestade, a quem "Tues-day" é consagrado, enquanto que, sob a forma **Dyou**, **Ju**, ele reina sobre nossa "Quinta-feira", //Jovis-dies//, na qualidade de Pai trovejante dos Latinos, //Ju-Piter//. A reguladora da meteorologia celeste, a quem o relâmpago não escapa, será **DyeW.N**, //Diana//, a //Artemis// latina, cujo nome é o equivalente de //Diônè//, grego, de //Junôn//, latino, esposa e irmã de Júpiter assimilada a Hera, e de //Tuôni//, o cisne lunar do reino dos mortos entre os finlandeses. **Tyew**, o relâmpago que calcina, é inseparável do sacrifício ritual onde a vítima é passada pelo fogo e da fumaça sacrificial que leva sua energia para o céu: - //Thuô//, grego, eu sacrifico pelo assassinato, - //Thusia//, a fumaça do sacrifício agradável aos deuses. O nome de **Tiestes** guarda a memória dos sacrifícios onde se imolava – a Zeus precisamente – e onde se devorava uma criança. A Grécia clássica rejeitará com horror esses ritos de antropofagia e o "Banquete de Tiestes" se tornará o símbolo das abominações que atraem a maldição dos deuses sobre toda uma raça (Lenda dos Átridas). Aliado a esse outro tema sacrificial **Kw.N** ou **Ph.N**, //Kwon// ou //Phôn//, ele designa essa entidade primordial gigante e devastadora: **Tu-Phôn** ou **Tu-Pheus**, que subsiste para nós em "Tufão". Tufão, evocado por imagens de dragão e serpentes, foi assimilado a //Seti//, //Seth//, o temível gêmeo fratricida de Osíris, também ele em certa relação com a Tempestade. Seth-Tufão nos coloca em presença de uma camada arqueológica de divindades anteriores aos "deuses" dos Gregos, a dos Titãs. Ele dirigirá essas potências em sua guerra contra os "deuses" e terminará, fulminado é claro, e esmagado sob o Etna onde vomita fogo e chamas por suas cabeças de serpentes. A filiação que lhe é atribuída sinaliza, também ela, as figuras sagradas compostas em relação com as crenças anteriores à Grécia clássica: O Cão do Além (Cérbero e Ortro), a Potência do relâmpago com corpo de fera e cabeça-lua (a Esfinge), as Harpias, o triplo Geryon, etc., todas imagens rejeitadas para o domínio dos monstros maléficos. Tudo indica, portanto, que o vocábulo e o conceito Tu-Phôn remontam a uma altíssima pré-história e é perturbador reencontrá-lo na China onde //Ta-Feng// designa o furacão. Passagem ao patriarcado agrícola: o próprio vocábulo do "deus luz": **Theos**, **deus**, **divus**, **deva**, que pronunciamos ainda em "deus", masculiniza-se e solariza-se no momento em que se estabelece o patriarcado agrícola, segundo a mesma evolução que //SwR/SwL//. //Dies//, //Diurnum//, tornam-se "diurno", "giorno", "Jour", guardando do passado apenas a imagem da luz e a velha noção calendária de divisão do mês. O inglês //Tues-day// como nosso //jeudi// (quinta-feira), por onde começamos, associam o sentido antigo e o sentido recente por um impressionante resumo, sem, no entanto, designar o mesmo dia da semana.