====== 5 Conscientidade ====== //SCHWALLER DE LUBICZ, René Adolphe. Du symbole et de la symbolique. Dessins de Lucie Lamy. Le Caire: Imprimerie Schindler, 1951. (Reedição: Paris: Dervy-Livres, 1978).// 1. A conscientidade (consciousness) apresenta dois aspectos fundamentais, um resultante da comparação e outro da identificação, ambos dependentes de uma inscrição que, no primeiro caso, é orgânica ou cerebral e, no segundo, vital ou funcional. 2. A conscientidade cerebral e a conscientidade inata possuem modos distintos de funcionamento, cuja compreensão exige delimitar o significado de “conscientidade”, para o qual falta um vocabulário adequado, comparável ao estabelecido pelos mestres de sabedoria nas antigas línguas egípcia e hindu. 3. A conscientidade cerebral resulta da experiência quantitativa e da comparação mecânica entre impressões registradas na memória, cuja atividade depende da evocação desencadeada por fatos sensíveis e das concordâncias ou discordâncias entre lembranças, mas esse mecanismo, inteiramente reproduzível por meios mecânicos, torna-se insuficiente para o pensamento fecundo, que requer a conscientidade inata como fonte do sentido de harmonia e fundamento do gênio e da criação capazes de avançar além do conhecido e do classificado. 4. A conscientidade de um novo caminho impulsiona os artistas, em um mundo decadente, a destruir os ídolos do passado e a buscar expressões irracionais que rompam com as formas anteriormente consagradas. 5. A busca artística de concordância entre elementos das sensações ultrapassa as combinações racionais que satisfazem a inércia dos hábitos adquiridos, criando atmosferas, imagens e formas destinadas a evocar sentimentos e emoções e a provocar reações vitais, pelas quais a arte anuncia a mentalidade de uma época e suas tendências mais profundas. 6. A inteligência do coração consiste na identificação que estabelece a relação entre a conscientidade inata e a observação dos fatos. 7. A identificação consiste em viver com o fato observado e nele, tornando-se esse fato, participando de seu sofrimento, de sua ação e de sua alegria, como conscientidade simpática distinta da conscientidade subjetiva, pois, enquanto a conscientidade cerebral se inscreve na matéria do cérebro, a conscientidade inata se inscreve na natureza do organismo como impulso de sua necessidade funcional, como Ideia ou princípio de harmonia, originando a emotividade no ser humano e nos animais superiores. 8. A sensibilidade emocional favorece a expressão da conscientidade inata, mas uma reação egocêntrica ao fato observado produz conscientidade subjetiva, enquanto a observação em estado neutro e impessoal produz conscientidade simpática, tornando o cultivo de si, o desprendimento do egoísmo e o domínio do pensamento e da atividade mental condições para essa distinção. 9. A conscientidade inata ou simpática possui uma inscrição vital ou funcional porque a vida e a função constituem o próprio princípio da Natureza viva, realidade que ultrapassa a matéria corporal e nela se encarna mediante a harmonia dos elementos circundantes. 10. As relações entre os elementos fazem surgir funções necessárias, como a respiração da terra, a emergência do caranguejo do mar, a germinação vegetal e o crescimento da palmeira masculina em direção à feminina, manifestando uma lei viva ou gênese cujo conhecimento inato constitui a ciência sagrada, pois tudo obedece irresistivelmente à ordem e à harmonia da Causa causal que atua por intermédio da Causa cósmica. 11. A encarnação humana de todas as necessidades e ordens funcionais da harmonia universal constitui o templo em que a energia criadora originária liga a conscientidade inata da inteligência do coração ao universo, mediante a observação objetiva dos fatos, permitindo alcançar uma conscientidade cósmica independente dos componentes destrutíveis ou mortais. 12. A ciência do retorno consciente à fonte constitui a psicologia espiritual, que se manifesta nesta existência por intermédio da Vida, correspondendo ao retorno do Cristo ressuscitado à direita do Pai, sem que esse retorno signifique uma reabsorção no Pai. {{tag>"Schwaller de Lubicz" conscientidade}}