====== SANTO CRISTÃO ====== //ZIMMER, Heinrich. A Conquista Psicologica do Mal. São Paulo: Editora Palas Athena, 2005.// * O paradoxo de que o destino do herói é salvar e redimir os próprios poderes do reino divino que o guiam e o salvam é idêntico ao tema fundamental da crença judaico-cristã: o da redenção do deus pelo salvador humano. * Jesus Cristo, o messias, segunda pessoa humana da Trindade, traz a redenção aplacando o Deus Pai vingativo, Javé, que se havia fechado em uma atitude puramente negativa em relação à humanidade, seu povo eleito. * O herói universal se submete à própria imolação, morre, mas ressurge transfigurado do túmulo. * Por mérito do sangue-que-tudo-cura desse Cordeiro, o próprio Pai se transforma: o Javé tribal judaico, libertado do encantamento de sua cólera, torna-se o Espírito Santo universal. * Richard Wagner apresenta e desenvolve esse mesmo tema como eixo central de suas obras mais tardias, em que o Salvador, o Jesus Cristo do Novo Testamento, deve ser por sua vez salvo. * Em Parsifal, Parsifal restitui seu poder ao princípio divino do sangue de Cristo na taça do Graal, fazendo o que havia se tornado latente e ineficaz se difundir, e o coro dos anjos exulta. * As últimas palavras da ópera mística são: Redenção ao Redentor. * Da mesma forma, a Brunilda de Wagner, que simboliza a humanidade encarnada, a deusa caída, sofredora e compassiva, redime Wotan, o Pai de Tudo, do encantamento de sua impotência espiritual. * O feroz Javé tribal era a projeção arquetípica da ansiedade de procriação paterna do próprio Abraão, patriarca dos patriarcas, que ansiava por gerar uma multidão de descendentes numerosos como os grãos de areia do mar. * O Javé muito pessoal e particular de Abraão, ciumento, irritadiço, irascível, meticuloso e vingativo, devia se transformar no universal e suprapessoal Espírito Santo, além das fronteiras de raça e língua. * A progressão foi de uma religião tribal, nacional, chauvinista e cheia de orgulho a uma religião que deveria ser universal. * Essa transformação é comparável à ocorrida na Índia com a evolução do hinduísmo ao budismo Mahayana. * O milagre de metamorfose se cumpriu no plano espiritual pela mediação de Jesus Cristo, mas no plano físico das nações da civilização cristã os efeitos são ainda mal perceptíveis, apesar da Páscoa, da comunhão semanal, do hino cristão e da redenção wagneriana do redentor. * O problema da redenção humana mediante a integração do mal recebe nova luz a partir de uma lenda medieval alemã do século quinze, uma versão obscura e perturbadora da vida de São João Crisóstomo, João Boca de Ouro, o famoso bispo de Constantinopla nascido em Antioquia por volta do ano 345. * João Crisóstomo conquistou o amor de seu povo por suas dotes oratórias e o ódio de muitos na corte e na cúria por seu zelo de reformador ascético. * Após ter reduzido à obediência sínodos, imperadores e papas, morreu no exílio aos sessenta e dois anos. * A estranha história narra que havia em Roma um papa que costumava sair a cavalo para fora da cidade, escoltado por seus cavaleiros, e que, durante essas saídas, o hábito de se afastar de seu séquito para rezar sozinho o levou a ouvir uma voz que chorava. * O papa percebeu que havia ouvido os lamentos de um espírito e lhe ordenou, em nome de Deus, que revelasse quem era. * O espírito respondeu que era uma alma infeliz sofrendo nas chamas do inferno. * A alma disse que havia em Roma um certo homem piedoso cuja esposa virtuosa esperava um filho chamado João, destinado a ser um homem abençoado que se tornaria padre, e que se esse padre celebrasse dezesseis missas em seu sufrágio ela seria libertada das chamas do inferno. * O papa encontrou o casal piedoso, batizou o recém-nascido com o nome de João e o tomou sob sua proteção, cuidando dele como de um filho. * Aos sete anos, João foi mandado à escola, mas era muito fraco nos estudos, e os outros rapazes começaram a zombar dele. * João ia à igreja toda manhã e rezava diante da imagem de Nossa Senhora pedindo ajuda para estudar. * Um dia os lábios da imagem se moveram e a Virgem falou, convidando João a beijar sua boca para ser preenchido de sabedoria e conhecimento de todas as artes. * João beijou a imagem da Beata Virgem, com ela absorveu a sabedoria e um milagroso conhecimento de todas as artes, e voltou à escola, logo revelando que sabia mais do que todos os outros juntos. * Um círculo de ouro em torno de sua boca resplandecia como uma estrela. * Seus companheiros ficaram estupefatos e, quando João descreveu o milagre pelo qual havia adquirido sua marca de ouro, chamaram-no de João Boca de Ouro. * A partir de então foi João Boca de Ouro quem ensinou toda a escola. * O bom papa nutria grande afeto por João Boca de Ouro e, ansioso por libertar a alma sofrente do inferno, apressou a ordenação do rapaz. * João celebrou sua primeira missa aos dezesseis anos. * Enquanto estava no altar, um pensamento inquietante o acometeu: ainda era muito jovem e tornar-se padre antes de estar verdadeiramente preparado devia ser contrário à vontade divina. * Uma resolução foi se formando em sua mente: faria voto de pobreza por amor a Deus e, ao final do banquete em honra de sua primeira missa, se retiraria para um lugar deserto e viveria lá como eremita pelo resto da vida. * Após o banquete, João se afastou secretamente e, vestido miseravelmente, construiu uma cabana de folhas e casca de árvore em um lugar solitário, perto de uma nascente à beira de um rochedo. * O eremitério não foi descoberto, apesar de o papa e seu séquito buscarem por todo lugar o prodígio desaparecido. * Vivendo de raízes e ervas, João permaneceu ali servindo a Deus dia e noite, rezando, jejuando e se mantendo continuamente desperto, firme em sua devoção. * Não longe da floresta onde João havia construído seu eremitério, vivia em seu castelo um imperador, cuja filha saiu certo dia para colher flores com as donzelas de seu séquito e foi solitariamente depositada pela tempestade à porta do eremitério de João. * Uma tempestade terrível levantou no ar todas as donzelas assustadas, e quando pousaram, a princesa havia desaparecido. * Perdida e consternada, a princesa viu a pequena cabana e João ajoelhado a rezar, sentiu-se tranquilizada e o chamou. * João traçou uma linha no chão da cela, dividindo-a em duas partes, ordenou à jovem que não cruzasse a linha e que levasse, de seu lado da cela, a vida que se coadunava a uma verdadeira reclusa. * O Tentador teve inveja de sua vida de santidade, e uma noite conseguiu provocar João, que cruzou a linha e tomou a jovem nos braços, e os dois caíram no pecado. * Após isso, foram atormentados pelo remorso. * João temeu que, se a jovem permanecesse com ele, cairia de novo no pecado, então a conduziu à beira do rochedo e a empurrou abaixo. * Mal o fez, percebeu que havia pecado de forma ainda mais terrível do que antes, e exclamou em desespero que havia assassinado aquela jovem inocente. * João abandonou o eremitério em desespero, depois se confessou ao papa, confessou seu pecado e professou penitência, mas seu padrinho, que não o havia reconhecido, o expulsou em um terrível acesso de indignação. * O papa disse que João se comportara como um animal com aquela jovem inocente e que o pecado estava sobre sua cabeça. * João pensou que não devia duvidar de Deus e retornou, profundamente aflito, à sua cabana, onde se ajoelhou e pronunciou uma oração e um voto solene. * Fez voto de caminhar de quatro patas, como uma besta, até que merecesse a graça de Deus. * João se abaixou com as mãos no chão e caminhou de quatro patas por muitos anos, sem nunca erguer o corpo em posição ereta, até que sua veste apodreceu, sua pele ficou áspera e peluda e ele não era mais reconhecível como ser humano. * Enquanto isso, a esposa do imperador deu à luz outro filho e pediu ao papa que o batizasse. * O papa chegou e tomou o recém-nascido nos braços, mas o bebê gritou em alta voz que não era ele quem devia batizá-lo. * O bebê respondeu que São João, o homem santo, era quem o batizaria, e que Deus o mandaria para aquele lugar deserto. * Os cães de caça do imperador farejaram uma besta muito estranha na floresta, que capturaram facilmente, cobriram com um manto e levaram ao castelo do imperador. * A baba com o bebê estava entre os curiosos, junto com muitas damas e cavaleiros. * O bebê ordenou que lhe mostrassem a besta. * Na terceira tentativa, a criatura ficou descoberta e o bebê lhe dirigiu a palavra, declarando com voz firme e clara que João era seu caro senhor e que devia receber o batismo de suas mãos. * A criatura quadrúpede, bizarra e peluda, ergueu a voz com firmeza e respondeu ao bebê, pedindo que falasse uma segunda vez se suas palavras fossem verdadeiras e aquela fosse a vontade de Deus. * O bebê respondeu que João devia ser batizado por suas mãos. * João clamou a Deus que lhe revelasse pela voz da criança se seus pecados haviam sido expiados. * O bebê prosseguiu dizendo a João para se alegrar, pois Deus lhe havia perdoado todos os pecados, e ordenando-lhe, em nome de Deus, que se levantasse e o batizasse. * João se ergueu do chão e ficou ereto como um ser humano, e a sujeira e a imundície que o cobriam caíram como uma casca ressequida, devolvendo ao seu corpo a limpeza e o brilho. * Foram trazidas vestes, e o papa e os nobres lhe deram as boas-vindas. * Após João batizar o bebê, o papa o convidou a sentar-se ao seu lado. * João revelou ao padrinho sua identidade e descreveu com toda a franqueza como havia seduzido e matado a jovem, confessando seu pecado ao próprio papa. * O imperador foi informado da história, entristeceu-se ao saber que aquela era sua amada filha e pediu a João que o conduzisse ao rochedo onde a jovem havia sido morta para encontrar seus ossos e dar-lhes digna sepultura cristã. * João guiou os caçadores até a cabana onde o haviam capturado e depois cavalgou com eles através da floresta até o rochedo. * Ao se debruçarem sobre o rochedo, viram lá embaixo uma jovem sentada tranquilamente. * A jovem declarou que Deus a havia mantido suspensa no ar, de modo que nenhum dano lhe tinha vindo, e estava bela como sempre fora, vestida com vestes reais. * O imperador e a imperatriz abraçaram a filha, rendendo graças a Deus por tê-la salvo, e o papa partiu para Roma, tendo pedido a João que o acompanhasse. * O papa perguntou a João quantas missas ele havia dito, e João respondeu que apenas aquela uma. * O papa ficou triste, lembrando da pobre alma que ainda sofria nas chamas do inferno. * João ofereceu uma missa por dia durante dezesseis dias, e a alma sofrente foi resgatada de sua pena. * Com o tempo o papa ordenou João bispo, e ele exerceu esse ofício com humildade, servindo a Deus com a maior devoção, com sermões como rosários de ouro e livros escritos com letras de ouro puro que fluíam de sua boca. * Esse é um conto muito alemão, sombrio e ao mesmo tempo carregado de significado profundamente consolador. * Apareceu pela primeira vez impresso em 1471, dezoito anos antes do nascimento de Martinho Lutero, mas já exprime certos motivos luteranos que estavam no ar, difundidos pelo espírito da época. * Martinho Lutero foi a mente soberana e o coração ardente que harmonizou, amplificou e projetou essas ideias no futuro, sendo um dos primeiros e mais significativos meios pelos quais o homem moderno ocidental afirmou e descobriu a si mesmo. * A versão da biografia de São João Crisóstomo presente na Lenda Dourada de Jacopo de Varazze é inferior à versão da lenda medieval alemã por carecer de biografia interior, de evolução do caráter através de provas e triunfos, tentações, quedas e redenção final pela graça divina. * Na Lenda Dourada, João é apenas um soldado ideal da Igreja militante, um oficial do clero entre o clamor de contendas partidárias esquecidas que não revelam nenhum segredo da alma humana. * Os gloriosos dias cristãos dos primeiros mártires haviam passado, e o idealismo agressivo e a fúria sagrada eram agora dirigidos para dentro. * São João Crisóstomo, entre esses briguentos, se batia valorosamente, mas no total era apenas um dignitário de grande sucesso, inflexível e avesso aos compromissos. * Na história da lenda medieval, o papa não é capaz de resgatar a pobre alma nem de batizar o recém-nascido, o que questiona radicalmente a magia automática e institucionalizada dos sacramentos administrada pelo mais alto representante da rotina eclesiástica. * São João, o herói, antecipa a palavra ousada e paradoxal de Martinho Lutero: Fortiter pecca! Somente o pecador pode tornar-se santo. * É apenas através da experiência pessoal, de um processo de pecado, sofrimento e penitência individuais, que se pode adquirir o poder de dispensar a graça de Deus. * A graça precisa ser conquistada, e as próprias potencialidades da natureza humana que se chamam diabólicas são o bater de asas da águia que transporta ao reino sobrenatural da graça. * João havia sido encaminhado depressa demais pelo caminho da santidade e da perfeição, e as potências do céu e do inferno haviam colaborado com as autoridades da terra para agir milagrosamente em seu favor, mas sem levar em conta a tentação nem a experiência. * O caminho lhe foi aberto pelo grito incalçante da pobre alma do inferno; a sabedoria e a cultura religiosa lhe foram conferidas pela generosidade de Maria; o papa o havia adotado como filho espiritual e o ordenou padre o mais cedo possível. * Apesar disso, todas essas autoridades não estavam completamente certas, e o próprio João percebeu isso. * Ele compreendia que o mais alto ofício humano, o de comunicar-se com Deus e dispensar a graça de Deus sob a forma da Eucaristia, devia ser exercido não por um inocente, mas por alguém que tivesse experiência. * O sentimento de indignidade que o jovem padre tinha de si mesmo o impeliu a fugir para um lugar deserto, mas era o deserto da vida, e João Boca de Ouro, o santo cristão, é superior a Conn-eda por ter sido movido pela consciência de uma insuficiência pessoal. * Oficialmente o sacramento é válido quando dispensado por qualquer padre devidamente ordenado segundo a linha ortodoxa da sucessão apostólica, quaisquer que sejam suas características pessoais. * Mas João sente que o padre de Deus deveria ser aquele que sabe, e que, apesar da unção de suas mãos, é inadequado. * Esse sentimento o salva do destino comum do mero dignitário da igreja e lhe abre o caminho da santidade. * Ainda que o favor do papa e a admiração popular suscitada por sua sabedoria e por suas faculdades de palavra pudessem ter criado em João ilusões lisonjeiras, o fato de perceber intuitivamente seu real estado espiritual, unido à sincera humildade de seu caráter, impede-o de ceder a esses atrativos. * Seu gênio sabe o quanto é importante integrar a sabedoria das potências tenebrosas das quais a educação clerical e a inocência de sua natureza modesta o haviam defendido. * Ele não pode, porém, prever as humilhações, os sofrimentos e as injustiças encerrados no caminho áspero da integração mediante a experiência. * Nesse aspecto, ele é tão ignorante quanto o príncipe pagano Conn-eda, que simplesmente confia seu destino à muda bola de ferro e obedece sem fazer perguntas aos conselhos do cavalo de pelo eriçado. * João vai mais além que Conn-eda, pois é ele próprio quem prescreve o tratamento de que necessita, e enquanto avança tropeçando em seu perigoso caminho é protegido pelas qualidades morais e irracionais da humildade, da sinceridade, da honestidade e do desinteresse. * Graças a essas qualidades, as indicações de seu intuito podem ser ouvidas e o instinto de seu coração pode avançar às apalpadelas, infligindo a si mesmo uma punição e uma expiação para poder curar. * João envia a si mesmo à busca, inevitável e necessária, da experiência, fugindo para o deserto da vida. * Depois de ter seguido o impulso da besta que se acoitava sob seu traje de inocência, inventa sua própria cura expiatória: encarna literalmente nas feições daquela besta, até que a palavra de Deus lhe ordene sair dela. * Enquanto no mito pagano as forças guia eram completamente exteriorizadas sob várias máscaras, na lenda cristã elas se fundem com o ator no qual agem, e seu instinto, sua intuição, suas reações morais e os impulsos de seu sentir procedem todos de uma só e profunda raiz interior. * Conn-eda havia aceitado e assumido seu aspecto animal vestindo a pele ensanguentada do bom cavalo inocente, e por meio desse gesto simbólico de consentimento e identificação as virtudes divinas de sua natureza humana animal foram liberadas das trevas. * A sabedoria da doutrina pagana representada nessa imagem era fundada na familiaridade com as virtudes instintivas e sub-humanas do homem, e precisamente dessa familiaridade haviam nascido a simpatia e a confiança. * Para o santo cristão não podia haver nenhuma possibilidade de uma aceitação tão imediata, pois as forças elementares da natureza haviam sido excluídas longa e deliberadamente de seu sistema de integração. * João havia partido do cume da escada da evolução espiritual, ocupando por graça do favor humano e sobre-humano o papel da mais elevada dignidade humana, o de padre, dispensando a graça do Onipotente e renovando o sacrifício do Redentor. * Esse poder era absolutamente desproporcional a seus méritos pessoais, derivando do tesouro do mérito sobreabundante do próprio Salvador, Jesus Cristo, e havia sido canalizado através dos séculos pela sucessão apostólica dos bispos da Igreja Católica. * Mas quem era ele realmente para poder conter e dispensar esse tremendo mistério da graça que derrota o pecado? * Por mais dotado do dom da mais suave eloquência e repleto da bênção da sabedoria eclesiástica, João sabia, em sua alma cândida, que não sabia nada, e tinha toda a razão. * João, portanto, desce de seu degrau de ouro e se adentra nas regiões inferiores, tirando a máscara inconsistente da santidade e tornando-se uma besta, onde as forças originárias da existência, desconhecidas de seu estado anterior de inocência, irrompem sobre ele com fúria irresistível. * Sabendo que pecará de novo se não mandar a jovem embora, resolve o problema do modo mais rude: lança-a fisicamente para fora da esfera de sua vida num gesto brutal de desespero impotente, limitando-se a remover o objeto de atração, a ocasião imediata de tentação. * Após esse ato, está ainda pior do que antes, experimenta o choque completo com a elementaridade e descobre as mais remotas profundezas do demoníaco que há nele. * A veste sacerdotal apodrece e o santo eremitério torna-se a fatídica toca de um monstro. * João persevera em sua sórdida existência de bruto até que as forças superiores lhe falam pela segunda vez com uma intensidade de persuasão igual à da revelação no tempo de sua primeira missa, libertando-o da penitência purificadora que ele mesmo se infligira. * Já em sua concepção, João havia sido saudado como um redentor por nascer que, porém, devia tornar-se algo antes de poder cumprir sua missão. * Devia passar por uma irracional, louca, desprezível e sub-humana iniciação de derrota. * As forças superiores não o abandonaram: anunciaram-se pela segunda vez pela voz de um recém-nascido ainda não batizado, não ainda plenamente humano, e o padre foi libertado da penitência purificadora para renascer como santo. * João Crisóstomo provocou conscientemente a crise de transformação pela qual foi oprimido o Rei Nabucodonosor no Livro de Daniel. * No Livro de Daniel, Nabucodonosor foi expulso de entre os homens por se orgulhar de sua grandeza, e comeu erva como os bois, seu corpo foi banhado pelo orvalho do céu, e seu pelo cresceu como penas de águias e suas unhas como as de aves. * Ao fim desse tempo, Nabucodonosor ergueu os olhos ao céu, seu conhecimento retornou, e ele abençoou o Altíssimo, louvando e glorificando aquele que vive eternamente. * Em seguida, seu conhecimento lhe foi restituído, junto com a glória de seu reino, sua majestade e seu esplendor, e foi acrescentada a ele maior grandeza.