===== Ouve-se a própria informação ===== **QUINTA-FEIRA, 22 DE DEZEMBRO DE 1977** 1. Cada um é a única testemunha do próprio sonho e o próprio universo restringe-se a si mesmo, cabendo ao Sadguru a tarefa de libertar dos conceitos, sendo necessária a graça do Guru para saber que não se é o corpo, assim como não se são as roupas vestidas, pois "Mantra moolam Guru vakyam" significa, conforme a palavra do Guru, "eu sou o puro Brahman". 2. A verdadeira natureza jamais se altera, e quanto mais é conhecida, mais se dissipam desejos e anseios, uma vez que o Si, sendo isento de desejos, não permite que os anseios subsistam. 3. Enquanto almas individuais, os seres humanos amam seus corpos, mas mesmo depois de despertado o amor pelo Si o cuidado com o corpo prossegue de maneira espontânea, fato que merece ser lembrado. 4. O Guru-mantra, ou palavra do Guru, descreve a verdadeira natureza passível de realização, e mesmo uma breve meditação sobre o Si liberta de todos os desejos, inclusive o de buscar o favor de Deus, tornando impossível causar dano até a uma formiga ou a um verme, até que, após a realização do Si, já não haja necessidade de desejar coisa alguma. 5. O corpo não foi criado pelos pais nem por Deus, mas desenvolveu-se espontaneamente, e diante do Si todos os centros de peregrinação do mundo parecem demasiado pequenos, pois adquiriram importância apenas na luz própria de cada um, sendo o maior dos pecados duvidar do Si ou do Guru. 6. A luz exterior é apenas expressão da luz interior, que raramente se pensa em utilizar, e embora o corpo seja humano a consciência é a mesma em todos os seres vivos, distinguindo-se o humano apenas pelo intelecto, de modo que o corpo vive em razão do Si e a identidade corporal que faz alguém tomar-se por uma pessoa desaparece com o verdadeiro conhecimento do Si, restando a pergunta sobre com que identidade se deseja morrer, já que o fim do corpo é certo e a luz do sol e da lua nada é comparada à do Si. 7. A meditação sobre a consciência, mais fácil para quem se desgostou de todas as demais atividades, revela que ela move não um, mas inúmeros corpos, devendo ser reconhecida como os pés de Shri Guru e como a semente divina do Paramatman contida naquilo que de outro modo seria apenas um cadáver, chama do Si que, uma vez conhecida, se mostra infinita, de sorte que, ao perceber que tudo isso é a própria informação e ao praticar a lembrança de ser Brahman tal como antes se recordava ser homem ou mulher, a identificação corporal que conduz à morte cede lugar à permanência como Brahman que salva, dissolvendo-se o tempo em si e não si no tempo, pois o Si é o mesmo que Gurudeva, único lugar de entrega, e o verdadeiro conhecimento é a grande e invencível arma de Brahma. 8. O Sábio assemelha-se aos demais na aparência, mas em realidade é indescritível, e conhecê-Lo verdadeiramente torna semelhante a Ele, razão pela qual se deve meditar sobre o meditador e nada mais, sendo grande fortuna poder ouvir o conhecimento do Si explicado dessa maneira. {{tag>Nisargadatta escuta informação}}