====== AFORISMOS DE SHIVA ====== //RTVAS. VASUGUPTA. GLI AFORISMI DI SIVA. Con il Commento di Ksemaraja (Shivasutravimarshini). Traduzione dal sanscrito, introduzione e note di Raffaele Torella. 1999// ** INTRODUÇÃO: RUDRA-ŚIVA ** O nome Śiva aparece poucas vezes no Rgveda como um adjetivo que significa “benigno”, dirigido a várias divindades para que abandonem sua forma terrível. * A referência a Rudra como “benigno” ocorre uma única vez (X, 92, 9). * Rudra significa “O Uivante” segundo a etimologia tradicional. * Rudra prefere lugares evitados, montanhas e florestas, sendo de aspecto terrível e portador de morte. * Caçadores e bandidos invocam Rudra como protetor, e as feras são uma encarnação de sua ferocidade. * Enquanto os deuses habitam o Leste, Rudra habita o Norte, para onde são voltados os sacrifícios apotropaicos. * Rudra é seguido por divindades impetuosas e pode se multiplicar na vasta assembleia dos Rudras. Rudra também é aquele que, sendo forte por excelência, tem o poder de afastar toda ameaça. * São citadas estrofes do Rgveda que imploram: “Que tua flecha nos evite... Não nos mates, Rudra, não nos traias”. * Outra estrofe pede: “Que o projétil de Rudra nos passe ao largo... Desvia, Gentil, teu sólido arco de nossos príncipes”. * As preces oferecidas a Rudra pedem que ele seja benevolente com homens e animais, e que tudo seja próspero e sem doenças na aldeia. * Invoca-se “O javali do céu, o vermelho, de cabelos trançados, a figura tremenda”, para que ele dê proteção e um lugar seguro. * O mortal pede a Rudra: “Dá-nos, ó Imortal, o alimento que os mortais comem, sê doce comigo, minha semente, minha progênie”. * Uma estrofe agradece: “Graças às tuas benéficas medicinas possa eu viver por cem invernos; mantém longe de nós a inimizade e o ódio”. * Rudra é reconhecido como o mais forte entre os fortes e o mais médico entre os médicos. O aspecto potencialmente benéfico de Rudra está ligado aos epítetos Śiva, Śaṅkara (“Benéfico”), Śambhu (“Benevolente”), que são opostos a Ugra (“Violento”). * O epíteto Paśupati, “Senhor dos Animais” ou “Protetor do Gado”, remete a possíveis origens extravédicas de Rudra-Śiva. * Um selo de steatite de Mohenjo Daro representa uma figura em posição yógica e itifálica, cercada por animais (elefante, tigre, rinoceronte, búfalo). * Esses elementos foram relacionados às características de Rudra-Śiva como Paśupati, Yogīśvara e representado iconograficamente pelo falo ereto (liṅga). * A hipótese de um protótipo não-ariano de Rudra-Śiva caiu em progressivo descrédito após as descobertas arqueológicas da civilização do Indo. A primeira condensação das formas de Rudra ocorre na seção Śatarudriya do Yajurveda Branco. * A recitação do Śatarudriya é indicada pelo sábio Yājñavalkya como o meio para alcançar a imortalidade na Jābāla Upaniṣad. * Muitos nomes enumerados (Girīsa, Nīlagrīva, Paśupati, Bhava, Śarva, Rudra, Ugra, Bhīma) se tornarão epítetos recorrentes de Śiva. * As invocações alternam entre o aspecto terrível e o benevolente: “ao vencedor, ao perfurador senhor de bandos assaltantes... ao senhor dos ladrões... ao enganador... aos assassinos armados de flechas... à fonte de felicidade, de alegria, ao auspicioso”. * Uma passagem roga: “Com esta tua forma benéfica que cura cada dia, benéfico curador de doenças, sê gentil conosco, que possamos viver”. * Outra passagem suplica: “Milhares e milhares são as flechas, os dardos prontos em tuas mãos; santo senhor, que tens o poder, afasta suas pontas de nós”. A alternância entre formas terríveis e benevolentes deságua em visões unificantes e onicompreensivas. * As visões incluem: “A ele que está além e que está aqui... na areia e na água que corre; de cabelos trançados e de cabelos lisos; que está nos desertos e nas largas estradas, nas coisas secas e nas coisas verdes...”. No Atharavaveda, as direções do espaço são presididas por Bhava (leste), Śarva (sul), Paśupati (oeste), Ugra (norte), Rudra (nadir), Mahādeva (zênite) e Īśāna (direções intermediárias). * Paśupati Śiva Śaṅkara é o destinatário de um sacrifício descrito no Āśvalāyanagṛhyasūtra. * A mesma divindade é chamada em outro ponto de Rudra Śiva Ugra Bhīma. Na Śvetāśvatara Upaniṣad, os nomes Rudra e Śiva são intercambiáveis e o deus é projetado a um rango supremo. * A ele são atribuídos os papéis de criador, mantenedor e destruidor do universo. * A Upaniṣad afirma: “Rudra em verdade é o único; não há nenhum outro além dele a reger esses mundos com poderes soberanos”. * “O Bem-aventurado é o rosto, a cabeça, o pescoço de tudo, habita na cavidade do coração de cada ser, tudo pervade: por isso é [dito] o onipresente Śiva”. * “É ele origem e fonte dos deuses, Rudra, o senhor do todo, o grande vidente...”. * O verso final da seção retoma o Rudra védico: “Não nos firas na prole, na descendência ou na vida; não nos firas nas vacas e nos cavalos. Não mates, ó Rudra, nossos heróis, em tua cólera...”. É no Mahābhārata e sobretudo nos Purāṇa que a figura de Śiva se articula em toda sua complexidade, definindo-se em um corpus mitológico de extraordinária riqueza.