HUIHAI. Zen teaching of instantaneous awakening: beeing the teaching of the Zen Master Hui Hai, known as the Great Pearl: a complete translation of the Tun Wu Ju Tao Yao Men Lun and the Tsung Ching Record. Tradução: K’uan Yü Lu. Leicester: Buddhist Publishing Group, 1995.
A universalidade do ensinamento da Grande Pérola
A convicção amadurecida aponta que os verdadeiros místicos de todas as religiões são videntes da verdade, e que o Ch'an (
Zen) tem importância peculiar para o Ocidente por enunciar em termos claros e livres de referências a Deus aquilo que místicos como Meister Eckhart e São João da Cruz experienciaram, mas velaram sob o simbolismo religioso aceito por seus contemporâneos.
Meister Eckhart e São João da Cruz expressaram a visão última por meio do simbolismo religioso de sua época, não por livre escolha, mas por necessidade histórica.
Diante da visão última — percepção em que percebedor e perceber são transcendidos — o adepto bem-sucedido enfrenta três alternativas: permanecer em silêncio; revestir a realidade invisível com as vestes da religião vigente; ou apontar o caminho demolindo sistematicamente todas as categorias do pensamento, como cor, forma, tamanho, existência, inexistência, espaço e tempo.
É essa terceira abordagem que deu origem à escola do Budismo conhecida em sânscrito como Dhyana, em chinês como Ch'an ou Ch'an-na, e que chegou ao Ocidente sob o nome japonês de
Zen.
A inevitável complexidade do Budismo
As sementes da doutrina sublime pregada pelo Senhor Buda Shakyamuni — também chamado Gautama — há mais de dois milênios e meio, espalharam-se por territórios tão distintos quanto China, Mongólia, Tibet, Ásia Central, Coreia, Japão, Vietnã, Camboja, Laos, Tailândia, Birmânia, Sri Lanka e outros países que posteriormente se afastaram do Budismo, como Afeganistão, Málaia e Indonésia.
Sementes lançadas em solos tão diversos produziram, ao longo de mais de dois mil anos, plantas essencialmente afins, mas exteriormente diferentes.
Cedo na história budista, surgiu uma divisão entre Mahayanistas e Theravadins quanto à interpretação correta de alguns ensinamentos do Bendito, gerando subdivisões ulteriores em ambas as tradições.
O resultado é que o Budismo parece, na superfície, desconcertantemente complexo — com vastos livros sagrados em múltiplos idiomas que frequentemente parecem contraditórios entre si, perplexizando sobretudo estudiosos e lógicos.
A doutrina básica do Budismo
A vida tal como a conhecemos é, apesar de alguns aspectos agradáveis, no conjunto árdua: o nascimento implica sofrimento, a infância traz suas próprias aflições mentais, e a vida adulta carrega a consciência constante de que doença, luto ou morte podem surgir a qualquer momento, enquanto a velhice avança no horizonte.
Incontáveis pessoas enfrentam, quase permanentemente, a necessidade de trabalho amargo e sofrimento causado por frio, fome ou penúria.
Muitos não budistas encontram refúgio na ideia de felicidade eterna em um estado celestial futuro; porém, como tudo no universo observável é transitório e sujeito a transformações constantes, parece mais sábio supor que o não facilmente observável obedece à mesma lei universal de mudança.
Os budistas estão convictos de que o ser humano tende a passar infinitamente mais do que setenta anos nessas circunstâncias precárias, já que nascimento e morte se sucedem em procissão interminável, éon após éon, enquanto se apega à ideia equivocada de ser uma entidade separada e autoexistente.
O Budismo, ao contrário do que dizem os ignorantes que o chamam de religião do pessimismo, oferece esperança de uma saída relativamente rápida do ciclo do sofrimento, preenchendo seus adeptos de otimismo calmo e sorridente.
A causa de todos os sofrimentos e renascimentos é — se se for obrigado a enunciá-la numa única palavra insuficiente — o desejo, termo que, como muitos outros no vocabulário budista, abrange tanto a si mesmo quanto seu oposto, neste caso a aversão.
É por ignorância que se apega a certas coisas e se abomina outras, girando sem fim na roda de samsara; pois desejo e aversão conduzem ao pensamento em categorias dualistas como “eu” e “outro”, “existência” e “inexistência”, “bom” e “mau”.
Este vasto universo, com sua beleza e seu horror, é criação das próprias mentes — existindo naquela Mente com a qual as mentes individuais são, em verdade, idênticas.
Quem se dispõe a treinar a abstinência do desejo e da aversão, e a retirar-se do reino das aparências para a quietude do coração, verá as criações mentais perderem gradualmente o poder de afligir; a mente torna-se então como um espelho polido, refletindo cada detalhe do espetáculo passageiro sem ser manchado por ele.
Um espelho pode refletir com extrema clareza a loura nudez das filhas libertinas de Mara ou os rostos torpes de demônios, e permanecer perfeitamente imóvel, sem lascívia nem aversão, sem reter nem recuar, brilhante e imaculado.
Críticos afirmam frequentemente que o Budismo prega a retirada da vida, quando na verdade ensina a não se agarrar a nada nem se retirar de nada, mas a enfrentar tudo com calma desapego e sem medo de contaminação.
O objetivo central do Budismo é: quando se aprende a ser completamente desapegado, a ver todas as coisas em sua unidade essencial, e quando nenhum extravasamento pode ser suscitado por objeto algum, os fenômenos perdem o poder de contaminar, e passa-se a habitar quietamente a pureza inata da própria mente — descobrindo que essa mente não é de ninguém, mas é a Mente incriada e eterna em si mesma.
Variedades do Mahayana
Por razões históricas e geográficas, os países mais ao norte do mundo budista adotaram a tradição Mahayana, baseada em textos sânscritos, enquanto os países do Sudeste Asiático aderiram à tradição Theravadin, baseada em textos em páli.
No interior do próprio Mahayana, diversas escolas e seitas floresceram sem a animosidade mútua característica das seitas ocidentais; até hoje é comum que membros de uma seita sentem aos pés de mestres de outra.
Os mahayanistas são livres para aderir à seita em que nasceram ou para ingressar em qualquer outra que lhes pareça mais adequada a seus poderes ou temperamento.
Na China, por exemplo, era comum encontrar famílias em que conviviam harmonicamente um pai confucionista, uma mãe budista e uma nora convertida ao cristianismo.
Em alguns mosteiros chineses havia monges cujas devoções pessoais seguiam os ensinamentos de sua seita de escolha, mas que participavam integralmente dos serviços coletivos exigidos pela seita à qual o mosteiro oficialmente pertencia — e não viam nisso qualquer incongruência.
O surgimento da escola Dhyana
A última grande divisão do Mahayana surgiu na China há cerca de mil e quinhentos anos sob o nome de Ch'an ou Ch'an-na — em japonês e no Ocidente,
Zen — todos derivados do sânscrito dhyana, que designa as mais elevadas formas das práticas budistas de meditação e concentração, bem como o estado mental por elas alcançado.
A doutrina dessa escola foi introduzida na China pelo missionário indiano Bodhidharma, considerado o Vigésimo Oitavo Patriarca em linha direta a partir de Mahakashyapa, a quem Buda Shakyamuni transmitiu silenciosa e intuitivamente esse ensinamento.
Bodhidharma chegou à China no ano 520 d.C. (ou, segundo alguns, 420 d.C.) e fundou uma linhagem de patriarcas cujo sexto e último foi Hui Nêng.
Hui Nêng é o autor dos admiráveis ensinamentos contidos no Sutra do Sexto Patriarca, traduzido em muitos idiomas e considerado texto fundamental para todos os budistas Ch'an (
Zen).
A Grande Pérola, ou Mestre Ch'an Hui Hai
Embora o patriarcado tenha se extinguido após a morte de Hui Nêng, a escola Dhyana — doravante chamada Ch'an (
Zen) — permaneceu muito ativa, e após Hui Nêng surgiram numerosos mestres na China e no Japão cujos ensinamentos são ainda hoje diligentemente lidos e aplicados.
Entre esses mestres — os Primeiros Pais da escola Ch'an — estava Ma Tsu (falecido em 788 d.C.), cujo mosteiro ficava na província de Kiangsi, e a quem acorriam estudantes devotos de toda a China.
Hui Hai, autor do texto em questão, foi discípulo de Ma Tsu; a data mais aproximada que se pode atribuir a Hui Hai é a de que Ma Tsu morreu no primeiro de março de 788 d.C., provavelmente sendo consideravelmente mais velho dos dois.
Natural de Yüeh Chou — provavelmente a cidade hoje chamada Shao Hsing, perto de Ning Po, na província de Chekiang — o Mestre Hui Hai tinha, antes de se tornar monge, o sobrenome de Chu, detalhe de especial importância.
Em sua juventude, ingressou no Grande Mosteiro da Nuvem em sua cidade natal sob a tutela do Venerável Tao Chih, que realizou a cerimônia do raspado de cabeça.
Atraído pela fama de Ma Tsu, viajou para Kiangsi e se matriculou entre os discípulos desse Mestre; foi durante um diálogo com Ma Tsu que realizou sua mente, tornando-se iluminado.
Após seis anos ali residindo, retornou para cuidar do envelhecido Tao Chih, considerando isso seu dever natural; de volta a Yüeh Chou, compôs seu famoso shastra, cujo manuscrito foi levado por outro monge e mostrado a Ma Tsu.
Ma Tsu ficou tão impressionado que declarou: “Em Yüeh Chou há agora uma grande pérola; seu brilho penetra em toda parte, livre e sem obstáculo.”
O fato de Hui Hai ter passado a ser conhecido como a Grande Pérola deve-se tanto a esse elogio merecido quanto ao seu antigo sobrenome secular Chu, idêntico em som à palavra chinesa para “pérola”, com caracteres escritos muito semelhantes.
Embora Hui Hai — Oceano de Sabedoria — fosse o nome religioso dado a ele para toda a vida por seu primeiro mestre, é pelo título mais pitoresco conferido por Ma Tsu que ele é geralmente referido.
O propósito do Ch'an (Zen)
O Ch'an (
Zen) surgiu em proeminência numa onda de reação contra a “religiosidade” que, segundo seus adeptos, enfraquecia a força do Budismo, pois muitos haviam passado a acreditar que boas obras, piedade, cerimônias simbólicas e sobretudo o estudo e a recitação constante dos livros sagrados poderiam por si mesmos avançar o adepto no caminho da iluminação.
Tais pessoas haviam perdido de vista o objetivo em meio a um emaranhado de meios — confundindo suas balsas com as árvores da margem oposta.
Não compreendiam que as boas obras só beneficiam duradouramente quem aplica conscientemente a técnica do abandono não apenas ao dinheiro, tempo, energia e propriedade, mas também aos componentes mais caros do próprio “eu” ou personalidade.
Esqueciam que a piedade é de pouca utilidade a menos que devidamente dirigida à erradicação da noção de “eu”, e que é positivamente prejudicial se reforça essa noção por meio de sentimentos de autossatisfação ou orgulho espiritual.
Não percebiam que as cerimônias simbólicas são desprovidas de sentido a menos que usadas como exercício para estimular as qualidades que levam ao crescimento da sabedoria e da compaixão; e que o estudo dos livros sagrados é tempo perdido se os ensinamentos neles contidos não são constantemente aplicados ao uso do triplo dote de corpo, fala e mente.
A doutrina central do Ch'an (Zen)
Os mestres Ch'an sustentam que, uma vez absorvido o suficiente do Budismo para compreender do que se trata, deve-se abandonar tudo num esforço tremendo para focalizar a mente no que é real — pois enquanto a mente estiver fora de foco, os objetos dos sentidos, as sensações que suscitam e os resultados armazenados dessas sensações continuarão a impingir sobre ela, gerando cadeias interminates de ação e reação.
O processo de corrigir esse foco errado pode ser chamado gradual apenas no sentido de que a maioria das pessoas requer longa e cuidadosa preparação; mas a percepção verdadeira, quando se aprende a estar pronto para ela, irromperá num relâmpago.
Quando a focalização verdadeira é atingida, a realidade lampeja, o universo inteiro de fenômenos é visto tal como realmente é, o poder que tinha de impedir e afligir é instantaneamente destruído, e os estoques remanescentes de carma são consumidos nesse relâmpago.
Nessa intuição final, descobrir-se-á que nada existe ou jamais existiu exceto nas mentes; que as mentes não são nossas, mas a própria Mente; que essa Mente é perfeitamente quiescente, um vazio puro por ser absolutamente sem forma, características, opostos, pluralidade, sujeito, objeto ou qualquer coisa em que se possa apoiar — e, ao mesmo tempo, certamente não é vazio, pois é o início sem princípio e o fim sem fim de todos os fenômenos.
Esse vazio é ao mesmo tempo o continente e o conteúdo, o uno e o múltiplo, o nem-um-nem-múltiplo, o condenado e o imortal, a relatividade e a verdade última, samsara e nirvana — sem a menor diferença entre qualquer desses pares ou outros.
O que antes era mal percebido à luz do pequeno ego passa a ser corretamente percebido à luz gloriosa da ausência de ego; o ambiente continua suas transformações de momento a momento como antes, mas o iluminado vê esse jogo de fenômenos como minúsculas ondulações na superfície da imutabilidade — reconhecendo claramente a imutabilidade da mudança.
Como um espelho reflete imparcialmente o verde e o vermelho, o preto e o branco, sem ser afetado por nenhum deles; como o spray de uma cachoeira reflete todas as cores do arco-íris sem perder sua pureza incolor; como quem sonha presencia atos de amor e violência sem mover sequer uma mão — assim reage a mente do iluminado ao incessante jogo dos fenômenos.
Deve-se, contudo, evitar tomar concretamente as analogias do espelho, do spray e do sonhador — pois até o espelho sugere uma pluralidade de refletor, ato de refletir e objeto refletido, quando esses três não diferem em verdade uns dos outros; assim, além de certo ponto, mesmo o espelho é mera analogia — outra balsa a ser descartada.
O shastra e os diálogos da Grande Pérola
A semelhança geral de forma encontrada no shastra e nos diálogos que se seguem deve-se à preferência da Grande Pérola — típica da escola Ch'an (
Zen) como um todo — pelo sistema dialogado de exposição.
Ao escrever o shastra, Hui Hai ainda não tinha discípulos, de modo que compôs as perguntas ele mesmo, alcançando uma tersidade forçosa do começo ao fim — estilo que o aproxima do leitor como se lhe falasse diretamente do coração.
O shastra da Grande Pérola tem uma vantagem sobre os livros que contêm os ensinamentos de outros mestres Ch'an, como Huang Po: Hui Hai o compôs ele mesmo e pôde selecionar e organizar seu material como desejou, ao passo que o que resta dos ensinamentos de Huang Po e outros consiste apenas no que seus discípulos escolheram registrar.
De certa forma, a obra presente é complementar ao livro O Ensinamento
Zen de Huang Po: enquanto ambos os mestres nos conduzem ao próprio coração das coisas, Huang Po trata o assunto de maneira mais uniforme, ao passo que a Grande Pérola relaciona cada parte de sua exposição mais especificamente a alguns dos princípios comuns ao Mahayana como um todo, ou a princípios particulares enfatizados por esta ou aquela escola, bem como a algumas doutrinas do Taoismo.
Huang Po oferece um quadro geral brilhante dos meios de chegar ao objetivo; a Grande Pérola trata com igual brilhantismo, mas com maior precisão, da maioria das dificuldades separadas envolvidas.
As referências frequentes da Grande Pérola aos sutras Mahayana indicam que, embora firme crente na doutrina da iluminação súbita em oposição à gradual, ele compreendia bem a necessidade de um embasamento doutrinário sólido antes de que o “grande salto” possa ser tentado.
Enquanto se retém conceitos de “eu” e “outro que não eu”, de sujeito e objeto, de seres objetivos a serem iluminados, de iluminação como algo objetivo, de uma “istidade” e uma “outridade”, permanece-se impossivelmente longe do objetivo — mesmo milhões de éons de obras caritativas, conhecimento teórico dos sutras e práticas piedosas não farão avançar nem um milímetro.
Mas se se abandona tudo, inclusive a noção de um “eu” a ser iluminado e a noção de iluminação como algo separado ou diferente de qualquer outra coisa; se se compreende que em realidade não há quem apreenda, não há apreensão e não há apreendido — somente então se estabelece um ponto de vista que torna alguém maduro para o relâmpago súbito de iluminação.
Um grande obstáculo é que, quando a iluminação está prestes a irromper, pode surgir uma sensação de elação e realização que imediatamente joga de volta ao ponto de partida — pois um sentido de realização implica um “eu” que realiza, um realizar e um algo realizado, lançando de volta ao reino da dualidade.
Outro grande obstáculo é que, ao refletir constantemente sobre o vazio dos opostos, pode-se criar apego ao próprio conceito de vazio — o que igualmente reconduz aos “chifres da dualidade”, já que o conceito de vazio é sem sentido exceto em oposição ao conceito de não-vazio.
O monismo é um rochedo não menos íngreme que o dualismo; no treinamento da mente em direção ao estado elevado e sem conceitos, deve-se tomar cuidado incessante para evitar o envolvimento com gostos e desgostos, aprendendo a reconhecer o que é repugnante e o que é delicioso como não sendo mais separados do que as ondas negras ameaçadoras e os cumes brancos das ondas dançantes são separados do mar.
O que permanece quando todas as distinções são vistas como vazias, e quando o próprio vazio é esvaziado, é o mistério inexprimível que aguarda o momento da iluminação — e a Grande Pérola não tenta descrevê-lo, pois a tarefa seria inútil.
A técnica da prática Dhyana
Uma técnica importante voltada para o perfeito controle mental pelo qual a realização sem realização é realizada é a do dhyana — aqui no sentido de ch'an-ting ou zazen —, pela qual a mente é voltada para dentro de si mesma e os recessos mais profundos do ser são tão bem explorados que afinal se fica face a face com aquela Mente imaculada que não é nem de um nem de outro, e contudo é descobrível em todos.
Os mestres Ch'an transmitiam verbalmente as instruções técnicas para essa prática difícil, pois não há palavras satisfatórias para ela e os conselhos necessários dependem da personalidade de cada estudante — por isso era conferida a alunos que viviam sob supervisão direta de um mestre.
Com a popularização do Ch'an (
Zen) no Ocidente, a injunção de não praticar sem um mestre tornou-se impossível de observar — adeptos qualificados são raros mesmo na Ásia, e em outros continentes são infinitamente mais raros ainda.
A prática preliminar do
Zen envolve: atenção constante ao jogo dos fenômenos ao redor e dentro de si, seja caminhando, em pé, sentado ou deitado; esforço incessante para ver esse jogo à luz das verdades aprendidas; redução gradual dos extravasamentos; cultivo de reações semelhantes às do espelho; exercício de compaixão cada vez mais ampla a todos os seres vivos; e ao menos as formas mais simples de meditação formal.
Para a meditação formal, os aspirantes devem escolher um lugar limpo e tranquilo e, se vivem numa cidade barulhenta, as horas mais silenciosas da madrugada ou da noite; idealmente, devem poder sentar-se eretos com as pernas cruzadas sobre uma almofada no chão, embora uma posição ereta e não rígida em uma cadeira possa servir aos que são demasiado idosos para aprender a sentar-se com as pernas cruzadas.
Quem pratica o Ch'an (
Zen) deve reconhecer que este período de vida presente é apenas um momento na eternidade, um único elo numa cadeia que se estende até um tempo sem começo — e algumas pessoas são tão condicionadas por suas vidas anteriores que podem avançar muito mais rapidamente do que esperam, e talvez alcançar a libertação nesta vida, como o próprio Mestre Hui Hai fez.
É preciso cuidado para não se enganar: os companheiros de prática às vezes se mostram dispostos demais a supor que alguém avançou muito mais do que realmente avançou, e a admiração deles não deve convencer ninguém de que é merecida.
As formas menores de bem-aventurança que às vezes surgem cedo na prática podem ser facilmente confundidas com a verdadeira iluminação — especialmente porque, sendo a “substância” da mente una, estão relacionadas a ela.
Quando a verdadeira iluminação chega, não se pode duvidar dela, assim como mergulhadores não duvidam de que mergulharam na água: para os iluminados, o universo inteiro é permanentemente transformado.
Até que isso aconteça, deve-se seguir fielmente o conselho da Grande Pérola — Esforçar-se! Esforçar-se!
Que todos os seres alcancem a libertação!