O segundo acesso — pela prática — é destinado às pessoas que necessitam de apoios mais discerníveis e compreende quatro práticas que englobam todas as outras.
Primeira prática — “Aceitar o ódio como retribuição” — pao yuan hing: diante do sofrimento, o praticante deve considerar que “ao longo de inúmeros períodos cósmicos passados, afastou-se do essencial para se dedicar ao secundário, errando ao longo de existências sucessivas e provocando assim inúmeros motivos de ódio” — e suportar com boa graça tudo o que lhe é sofrimento, sem o menor ressentimento e sem incriminar ninguém; o sutra enuncia: “Quando o sofrimento sobrevém, não é preciso se inquietar. Por quê? Porque, ao se alcançar um estado de consciência superior, pode-se penetrar completamente sua causa.”
Segunda prática — “Adaptar-se às condições kârmicas” — souei yuan hing: todos os seres são desprovidos de Si mesmo e se reencarnam em função de seu herança kármica; honras e favores resultam do encadeamento causal dos atos passados e, esgotados os fatores condicionantes, nada resta — “quando se compreende que todo ganho ou perda é determinado pelos fatores kármicos, o pensamento não está mais sujeito a nenhuma variação” e acorda-se em profundidade com a Realidade última.
Terceira prática — “Não desejar nada” — wou so ts'ieou hing: o sábio desperta ao Princípio Verdadeiro — tchen li —, que o afasta das coisas mundanas; “todas as coisas criadas são vazias e, por isso, nada há de desejável nem de regozijante”; o sutra enuncia: “Onde há desejo, há sofrimento. A ausência de desejo é a alegria.”
Quarta prática — “Conformar-se ao Dharma” — tch'eng fa hing: o Princípio supremo, puro em essência, é a natureza de Vacuidade — sunyata — de todos os fenômenos, sem máculas nem apegos, sem si mesmo nem outrem; o sutra enuncia: “O Dharma é desprovido de seres animados, pelo fato de estar liberto da mácula dos seres animados. O Dharma é desprovido de Si mesmo, pelo fato de estar liberto da mácula do Si mesmo”; o sábio deve sempre estar pronto a se dar e a fazer dom de sua vida e de seus bens, tendo plenamente realizado a vacuidade dos três fatores da esmola — doador, dom e receptor —, sem dependência nem apego, fazendo amadurecer os seres ao purificá-los de suas máculas.
As seis Perfeições devem ser praticadas para se libertar dos pensamentos errôneos, mas sem apego à noção de prática meritória.