No Grande Veículo, o Bodhisattva eleva o dhyana à sua “perfeição” — paramita —, permanecendo constantemente recolhido seja ao caminhar, estar de pé, sentado, repousando, falando ou em silêncio, com amigos ou inimigos, com o agradável e o desagradável, com os nobres e os que não o são.
O texto do Grande Veículo enuncia: “Ele permanece o mesmo, não se mostra nem condescendente nem frustrado. E por quê? Porque, para ele, as coisas são como vazias de caráter próprio, desprovidas de realidade, incriadas, não-produzidas.”
O dhyana conduz o Bodhisattva ao ensinamento do vanutpadadharma na Escola do Caminho do Meio — os dharmas são “tranquilos desde a origem, não-produzidos, quiescentes por sua própria natureza” e “apaziguados porque pertencem ao domínio do Conhecimento apaziguado”.
O texto enuncia: “Aqueles que sabem que os dharmas não têm natureza própria são heróis que residem neste mundo em extinção completa, pois vivem sem se apegar aos atributos do desejo; tendo repelido o apego, convertem os seres.”
No vazio pode então operar o Conhecimento ou Sapiência — as coisas são percebidas “tais como são” — yathabhuta —, não ligadas entre si e portanto liberadas das diferenciações e particularidades que lhes são erroneamente imputadas; sendo vazias de natureza própria, são isoladas, em si, ab-soluas — vivikta —, puras, inapreensíveis.
É não dissociando dhyana, vazio e sapiência que se pode aproximar do sentido profundo de cada um deles.