LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985
Yuan-men: “Se, por causas cármicas, um noviço na busca da Via encontra uma pessoa que procura prejudicá-lo, como pode remediar isso permanecendo ao mesmo tempo em união com a Via?
— Não há necessidade de remediá-lo. Por quê? Porque evitará aquilo que pode ser evitado e se curvará diante do inevitável. Suportará aquilo que pode suportar e lamentará aquilo que não pode suportar.
— Se ele se lamenta, qual é então a diferença em relação àqueles que possuem a noção de um ego?
— Quando o badalo golpeia o sino, o som sai inteiramente de maneira natural. O mesmo ocorre aqui. Por que haveria necessariamente um ego? Se, no momento de uma morte violenta, mordeis os lábios para resistir e impedir-vos de lamentar, dais existência a um ego ainda maior.
— Mas as emoções abalam aquele que conhece tristeza e lamentações; como se pode comparar isso ao som do sino?
— O próprio fato de falardes de similitude ou de diferença prova que tendes muitas coisas no espírito. São os pensamentos falsos e a avaliação cognitiva que vos incitam a formular essa pergunta. Quando não há nem espírito nem diferenciação, a Via permanece tal qual é.
— Ouvi dizer que o Homem Santo não é ferido pelas armas, nem atingido pelas desgraças, nem perturbado pelas aparências, e que seu espírito permanece imutável. Que significa isso?
— Se se compreende que todas as coisas são sem existência própria, então som e ausência de som, movimento e imobilidade estão em acordo com a realidade da Via; não há nem obstáculo nem obstrução.”